segunda-feira, 18 de abril de 2016

Candelaria ou Chapinero:
Onde é melhor ficar em Bogotá?



Mesinhas da biblioteca volante do Parque de la 93, em Chapinero (esq) e uma fachada de La Candelaria

Dúvida clássica no planejamento de viagem a Bogotá é a escolha do bairro da hospedagem. É melhor ficar no Centro Histórico, onde está a maioria das atrações, ou na parte moderna da cidade, com seus restaurantes e hotéis bacanas? Nesta visita à capital colombiana, um ponto inegociável pra mim era ficar em La Candelaria, no núcleo antigo.

Mas o melhor é que eu pude vivenciar as duas possibilidades, pois na volta da escapada a Villa de Leyva eu me hospedei em Chapinero, região moderna e elegante.

Gostei muito das duas alternativas. São experiências bem diferentes, cada qual com suas vantagens. Neste post eu conto pra vocês o que achei dessas duas opções de hospedagem em Bogotá.

Como é ficar hospedada na Candelaria

Gostei muito de explorar as ruas do bairro logo cedo, antes do movimento de turistas começar
Impressões gerais
Na minha primeira visita a Bogotá, fiquei muito empolgada com o conceito de revitalização que vinha sendo aplicado no Centro Histórico da cidade, um processo que compreendia a importância de manter a região como área mista (residencial e de serviços).

Sou traumatizada com a esterilização que aplicaram ao Pelourinho, em Salvador, afastando moradores (porque eram pessoas pobres) para transformar a região em um shopping ao ar livre — ou cidade cenográfica. Movimento de vida normal é fundamental para a segurança e vitalidade de qualquer bairro no mundo.

Onde me hospedei na Candelaria: Hotel de la Ópera

O bairro tem grande concentração de lojas, museus e restaurantes, mas preserva muitas moradias
Quase uma década depois, a Candelaria ainda tem diversos trechos residenciais — quanto mais longe do miolinho mais fervido, que vai da Plaza de Bolívar até a Igreja da Candelaria, mais preservada está a cara de lugar onde mora gente. A pressão do turismo sobre o bairro, porém, é evidente.

Muitas moradias foram convertidas em bares, restaurantes, lojas, cafés e hostels. Isso interfere na sensação de segurança de quem se hospeda por lá, pois quando fecham os museus e o comércio, as ruas mais desertas podem desencorajar deslocamentos a pé.

Além da polícia, efetivos do Exército também patrulham o bairro
A Candelaria, porém, é o lugar com mais policiais por metro quadrado que já vi na minha vida. Efetivos da Polícia Nacional e do Exercito estão praticamente em cada esquina do núcleo mais turístico do bairro.

Confesso que pra mim isso é meio aflitivo: parecia que eu tinha acordado dentro de um documentário sobre algum golpe militar, mas as ocorrências violentas no bairro são raras e o maior risco são os batedores de carteira, onipresentes em qualquer cenário mais turístico, em praticamente qualquer lugar do mundo.

O que você ganha se hospedando na Candelaria


A sua vizinhança na Candelaria: o altar dourado da Igreja de São Francisco, o Museu do Ouro e o Museu Botero
A grande vantagem prática de se hospedar na Candelaria é a proximidade com as maiores atrações de Bogotá. Mesmo que seus interesses não se limitem a história, artes e arquitetura, não tenho dúvidas de que seu roteiro pela capital colombiana vai incluir os museus Botero e do Ouro, o Centro Cultural García Márques, a Plaza de Bolívar e algumas das magníficas igrejas coloniais que ficam por lá.

Dá para chegar às atrações antes das excursões e sem depender de transporte, o que facilita imensamente a vida – ainda mais com o trânsito difícil da cidade.

O Parlamento colombiano e a Catedral, na Plaza de Bolívar
Você também vai ficar perto da Quinta de Bolívar e da estação do bondinho que sobe o Cerro Montserrat, uma atração que nove entre 10 turistas incluem na programação (eu não fui: os dias meio nublados não me encorajaram a enfrentar as filas absurdas). Dá pra ir a pé — é uma subida, mas não chega a assustar — ou de táxi, uma corrida curta e que vai custar menos de R$ 10.

Pra mim, porém, o maior encanto da hospedagem na Candelaria é ter as ruas e fachadas históricas à minha disposição logo cedo, antes da muvuca. Ouvir o repicar dos sinos de manhãzinha, caminhar sem pressa, com a luz ainda favorável para fotos...

As ruas de La Candelaria

O que você perde ficando na Candelaria
Embora o a astral boêmio do bairro seja simpático e haja grande a oferta de cafés e restaurantes, se o seu barato são as baladas, a alta gastronomia e as compras a Candelaria vai ficar devendo.

Como é ficar hospedada em Chapinero


O Parque de la 93 tem ótima estrutura. 
À direita, o trailer da biblioteca volante
Impressões gerais
Ao longo das ruas e avenidas largas e muito arborizadas e dos parques agradáveis e bem cuidados de Chapinero, Bogotá cresce para cima, numa arquitetura vertical, envidraçada e uniforme, conjugando o verde das árvores à cor de argila das fachadas — quase sempre ornadas com revestimentos de cerâmica que recriam tijolinhos de barro, quebrando o opressivo dueto do alumínio e vidro fumê que costuma caracterizar esse tipo de bairro em outras partes do planeta.

Para ser rigorosa, “ficar hospedada em Chapinero” é um termo muito vago, pois a região é bem grande, com quase 40 km² e pelo menos 160 mil habitantes. Mais que um bairro, Chapinero é um dos distritos da Bogotá mais moderna dividido em vários bairros.


O horizonte de Chapinero visto da janela do meu quarto de hotel
É lá que a gente percebe a Bogotá metrópole, que cresceu (e como!) para o Norte do antigo centro, ao encontro dos cerros (morros). E nessa porção contemporânea, rica e organizada da cidade, há dois núcleos principais, vizinhos, atualmente em voga como point de hospedagem: o entorno do Parque de la 93 e a Zona Rosa, que vai da Calle 79 à 85, entre as carreras 11 e 15.

Na Zona Rosa fica a famosa Zona T, cujo centro é a Calle 82, famosa como passarela de bares, restaurantes e boates.

Eu fiquei hospedada na região do Parque de la 93, no bairro de Chicó. O parque ocupa um quarteirão entre as ruas 93 e 93ª e em torno dele e nas ruas próximas há uma concentração enorme de bares, restaurantes, butiques e cafés charmosos e elegantes.

Achei a região segura e agradável. Falei sobre o hotel onde fiquei, o Best Western Plus 93 Park, em um post mais detalhado.

Biblioteca volante do Parque de la 93
Ah, e o nome Chapinero vem de chapín, um tipo de calçado com solado de madeira, típico da Espanha da época das conquistas ultramarinas e que eram fabricados pelo soldado que foi agraciado com as terras que acabaram se transformando no bairro.

O que você ganha se hospedando em Chapinero
A grande oferta de bares e restaurantes (vou falar deles em outro post) da área com certeza é um grande estímulo às esticadas noturnas. Vai ser difícil resistir a uma saidinha, mesmo que você chegue cansada dos passeios do dia — afinal, é tanta gente passeando, tomando sorvete e lotando os cafés que isso acaba contagiando.

Para quem curte compras, há dois shoppings badalados na região, o Andino e El Retiro e uma concentração de grifes famosas nas ruas 82 a 84. Eu fui ao cinema no shopping Andino e enquanto esperava a hora da sessão dei uma voltinha por lá, mas confesso que não prestei muita atenção às lojas — sou um ET, eu sei 😊

O shopping Andino e o Parque
Outra vantagem de ficar hospedada em Chapinero é a presença das áreas verdes, desde as ruas sombreadas por árvores frondosas aos pequenos jardins e parques com boa estrutura e segurança. A maior dessas áreas é o Parque-Museu Chicó, uma antiga fazenda transformada em parque público, que ainda preserva a casa-grande colonial e outras construções.

O Parque de la 93 até que é pequenininho, pra o tanto que é badalado, mas é um primor. Tem um gramado bem cuidado e convidativo, WiFi Público, que funciona em uma pracinha central, e biblioteca volante, onde as pessoas podem retirar para ler no parque — tem várias mesinhas à sombra das árvores — ou fazer um cadastro e levar o livro pra casa.

Durante o Festival Ibero-Americano de Teatro, que estava sendo realizado na cidade nos dias em que estive lá, o La 93 recebeu uma série de apresentações de monólogos e esquetes.


O que você perde ficando em Chapinero
A não ser que você vá a Bogotá apenas para fazer compras e frequentar restaurantes, vai ter que se deslocar para a região da Candelaria para ver as principais atrações da cidade. A zona moderna de Bogotá é bacana, mas muito parecida demais com qualquer bairro nobre do planeta para, sozinha, justificar a viagem.

Como o trânsito de Bogotá é enroscado (igual ao de qualquer metrópole latino-americana), prepare-se para o engarrafamento a cada ida e volta do Centro Histórico. Não experimentei o transporte público entre as duas regiões. De táxi, prepare-se para pagar cerca de 30.000 COP (R$ 36, aproximadamente) em cada corrida.

Nesta pracinha central funciona a WiFi Zone do Parque de la 93
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5 comentários:

  1. Boa noite, uma dúvida:a alimentação no chapinero é muito cara? Tem supermercado?
    Estou na dúvida entre chapinero e candelaria, mas quero um lugar onde posso andar de noite com segurança.

    Conto com sua ajuda ;)

    Obrigada

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    Respostas
    1. Oi, Fabiana, não achei Chapinero especialmente caro, não (dá uma olhada neste post: http://www.fragatasurprise.com/2016/04/comer-em-bogota.html ), mas é uma região mais elitizada, você não vai encontrar as opções mais populares que há no Centro.

      No entorno imediato do Parque de la 93, não reparei se havia mercados, mas a área tem muitas residências e certamente tem onde fazer compras.

      Sobre sair à noite, a Candelaria é muito policiada, mas a *sensação* de segurança (não tenho dados estatísticos objetivos) é maior em Chapinero.

      Na hora de escolher, leve em conta o tipo de atração que vc curte mais. para ver patrimônio histórico, museus, etc, a Candelaria é muito melhor, pq vc não precisará atravessar os engarrafamentos de Bogotá pra chegar lá.

      Aproveite Bogotá. É uma bela cidade

      Qualquer dúvida, estou por aqui :)

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  2. Adorei ler suas informações. Em quantos dias vc acha que se vê o "essencial" de Bogotá? Do aeroporto pra Chapinero pu Candelaria, num dia de domingo, tem buzú?

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    Respostas
    1. Oi, Mary, tem buzu, sim, rss. Para Chapinero, pegue o ônibus 500 no aeroporto, que vai até o shopping Centro Andino, no coração do bairro. Para a Candelária, vc precisa pegar um ônibus para o terminal El Dorado do transmilenio (o metrô de sueprfície) e descer perto da Praça Bolívar. Acho meio cansativo. Eu paguei cerca de 25.000 COP (na época, cerca de R$ 30) pelo táxi para ir do aeroporto à Candelaria.

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    2. Ah, o "essencial" de Bogotá dá pra ver em dois dias muito corridos ou em três mais agradáveis. O Museu do Ouro é imperdível, um dos melhores que já vi na vida. O Museu Botero e a Coleção de Arte do Museu do Banco da Colômbia, que estão no mesmo complexo de edifícios, também. E tem a Quinta Bolívar, as igrejas coloniais...

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