domingo, 10 de abril de 2016

Botero & Companhia: os museus
do Banco da República da Colômbia

"A Guerrilha de Elizeo Velásquez", o quadro de Botero que mais gostei
Uma tremenda vantagem de ficar hospedada no bairro da Candelária, em Bogotá, foi ficar pertinho de um dos acervos públicos de arte mais importantes da América Latina. O Museu Botero, com 123 trabalhos do artista e mais 85 obras que compunham sua coleção particular — um tesouro que tem Picasso, Chagall, Calder, Torres-García, Miró... —, acabou virando meu “programinha de vizinhança”.

Aproveitando que a entrada é gratuita, acabei fazendo várias visitas ao bonito casarão, antiga sede da Casa da Moeda, que também abriga a Coleção de Arte do Banco da República da Colômbia, um panorama das artes visuais desde a colônia até os dias de hoje, com ênfase em artistas colombianos e latino-americanos. Dois acervos bacanérrimos que você vai adorar colocar no seu roteiro em Bogotá.

Eu gosto ainda mais das esculturas do que dos quadros 
O museu reúne 128 obras de Botero, doadas pelo artista à Colômbia. Embora os gordinhos e gordinhas sejam as imagens mais famosas (como essa em "A Praia", tela em primeiro plano na foto), vale a pena descobrir outros ângulos do trabalho de Botero
É claro que minha primeira motivação para ir até lá foi contemplar cara a cara os famosos “gordinhos” de Botero. A característica mais conhecida do trabalho do artista são exatamente suas figuras volumosas, onde os homens têm sempre o rosto do próprio autor ou de seu pai. Nesse quesito, o museu não desaponta. Estão lá a famosa “Mona Lisa”, os nus “A Praia” e “A Carta”, a empetecada “Primeira Dama” e o “Casal Dançando”, para citar algumas das obras mais conhecidas e marcantes de Botero.

Botero: "Um Povoado", "Terremoto em Popayán", ...
... "Casal Dançando e "Natureza Morta com Violino"
Mas o mais bacana é descobrir outros aspectos e sotaques de sua obra, perceber influências e comprovar que Botero está muito acima da apropriação folclórica que a indústria cultural fez de sua arte – que, por um lado, ajudou a popularizar o artista, mas está sempre a um passo de vulgarizar seu trabalho.

O casarão que serviu de sede à Casa da Moeda da Colômbia hoje abriga uma bela pinacoteca e esculturas. Além do Museu Botero, vale conferir a coleção de arte que reúne obras de artistas desde o Século 17 aos contemporâneos

As "vênus" de Botero
Amei “A Guerrilha de Elizeo Velásquez”. Gostei imensamente de quadros como a “Natureza Morta com Violino”, da representação pacata de “Um Povoado” e de seu contraponto dramático, o “Terremoto em Popayán” — essas duas telas não estão expostas lado a lado, como aparecem aqui no blog, mas eu invoquei que uma é a continuação da outra. E, como sou otimista, acho que o terremoto vem antes :) . 

E fiquei encantada com algumas das esculturas do artista, especialmente de suas “vênus” de formas copiosas. 

Calder ("A Grande Espiral" e "Arlequim com Bolas de Neve")
Torres-García ("Estrutura com Esquema de Objetos") e Chagall ("O Palhaço Voador"): como não amar Botero, um cara que, além de tudo, ama os meus amores?
Outro motivo pra me encantar com Fernando Botero é que ele parece amar vários dos meus amores, a julgar por muitas das 85 obras de sua coleção pessoal, doadas ao povo da Colômbia junto com os trabalhos de próprio punho que compõem o acervo do museu. Além dos que já citei, ainda tem Kokoshka, Matisse, Monet, Braque, Degas, Max Ernst... Passear por essa parte da exposição é outra festa imperdível.  

Miró e Picasso lado a lado na exposição
Toulouse-Lautrec e Monet
Mas você pensa que a festa acabou? Pois o antigo casarão sede da Casa da Moeda ainda guarda belas surpresas para o visitante. Em uma das alas do edifício está exposta a Coleção de Arte do Banco da República, com obras que pertencem ao patrimônio do Estado colombiano e estão organizadas em um roteiro inteligente, que consegue ser didático sem ser professoral.

A mostra se divide em salas dedicadas à arte colonial (Século 17 e 18), ao Século 19, período da independência e primeiros anos da República (onde o título de "Rupturas e continuidades" expressa o contexto da época, na arte, na política e na sociedade), às vanguardas do Século 20 e aos contemporâneos.

“A Violência”, obra da série de Alejandro Obregón sobre a repressão aos estudantes colombianos, em 1954, e “Camponeses”, de Alipio Jaramillo

Os dois ângulos da "Estrutura Acrílica Sinética", de Jesús Soto, na deliciosa sala reservada aos "Clássicos, Experimentais e Radicais" da Coleção de Arte do Banco da República
A coleção é uma excelente oportunidade para descobrir artistas colombianos como Alejandro Obregón, Alipio Jaramillo e Luiz Roberto Acuña (que e reencontrei em seu museu-casa, na Villa de Leyva). Também fui apresentada a dois uruguaios danadinhos de bacanas, Francisco Matto e Julio Alpuy, discípulos e integrantes do ateliê de Joaquín Torres-García que aprenderam direitinho com os mestres. E ainda tive direito a pulinhos de felicidade ao reencontrar outro queridinho meu, o venezuelano Jesús Soto.

Matto (esquerda) e Alpuy, discípulos de Torres-García
Por fim, quando você pensa que já viu tudo, uma sala do primeiro andar do casarão transformada em cofre exibe a coleção de custódias e outros objetos sacros do Banco da República. Os objetos são riquíssimos, recobertos de pedras preciosas, deslumbrantes - e, por isso mesmo, para garantir a segurança, não podem ser fotografados.

Esculturas da coleção pessoal de Botero. A obra em primeiro plano e a que aparece lá no fundo são de Max Ernst
Além de todos esses bons motivos que já citei, a visita ao complexo de museus do Banco da República vale também para você ver por dentro um belíssimo edifício colonial. Construído em 1621 para sediar a Casa da Moeda do Vice-Reino de Nova Granada, foi entre aquelas paredes espessas que foram cunhadas as primeiras moedas de ouro das Américas.

Essa história você descobre em mais uma ala do casarão, no Museu de Numismática. São mais de 8 mil peças entre moedas, maquinário e mobiliário de época.

Casarão da Casa da Moeda, sede do museu Botero e a da Coleção do Banco da República

Museu Botero e Coleção de Arte do Banco da República 
Casarão Casa de La Moneda, Calle 11, nº 4-41


Além de tudo, o casarão é bem bonito
Fecha às terças-feiras. Visitas das 9h às 19h, exceto aos domingos, quando o horário é das 10h às 17h. Entrada gratuita.

São realizadas visitas guiadas, sem necessidade de agendamento prévio, para grupo de no máximo 30 pessoas. O percurso dura uma hora. Nos dias de semana, as visitas são iniciadas às 12:30h, às 16h e às 17:30h. Aos sábados, às 10h, 12h, 14h e 16h. Aos domingos, apenas às 10h e às 13:30h.


Mais uma "vênus" e a famosa "Mona Lisa" de Botero
Todas as dicas da Colômbia: post-índice com mapa
Bogotá, Cartagena, Ilhas do Rosário e Villa de Leyva




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