domingo, 15 de março de 2015

Imperdível: o Teatro Massimo, em Palermo


Já que no post anterior eu falei da beleza do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, vamos voltar à Sicília (ando perdendo o sono com o tanto de posts que estou devendo dessa viagem) no mesmo tom.

Na surpreendentemente bela Palermo, a capital siciliana, tem muita coisa bacana pra ver e uma das mais impressionantes é o Teatro Massimo, uma casa de ópera inaugurada em 1897, a maior da Itália e terceira maior da Europa, atrás apenas da Opera Garnier de Paris e da Staatsoper de Viena. Dei azar de estar na cidade num período de folga das apresentações no teatro (comecinho de janeiro), mas felizmente,  as visitas guiadas rolam todos os dias do ano e eu pude me deslumbrar com o magnífico interior dessa maravilha siciliana.


As linhas externas do Teatro Massimo "cita" alguns
 estilos marcantes na arquitetura siciliana, 
como as heranças grega e normanda

A Piazza Verdi, no Centro Histórico de Palermo
A construção do Teatro Massimo foi uma tentativa de "integrar" a Sicília a uma atmosfera elegante e "culta" que se buscava imprimir à Itália pós-unificação, um esforço para ressaltar o cosmopolita e o moderno, em contraposição às tradições das aldeias. Houve uma grande mobilização da elite palermitana em torno da iniciativa, realizou-se um concurso para a escolha do projeto e foi grande a mobilização de recursos.

No dia da inauguração, porém, o convidado de honra, o rei Umberto , encarregou-se de acabar com a euforia: quando sua carruagem estacionou na porta do teatro, Sua Majestade olhou o colosso e desdenhou: "É magnífico, mas é demais para eles". E deu meia volta, deixando todo mundo a ver navios.

Camarote Real


Aos esnobados sicilianos restou o consolo de assistir, desde então, uma infinidade de grandes artistas que desfilaram pelo palco de seu lindo teatro. O Camarote Real ainda refulge em luxos, embora jamais tenha sido usado por uma cabeça coroada. A visão privilegiada do que o espaço oferece está acessível a qualquer plebeu que se disponha a pagar algo como €100 para ver um espetáculo, como fez questão de frisar a guia que acompanhou minha visita — convenhamos, é bem mais em conta que pagar pelas tais das pistas prime dos grandes shows realizados no Brasil, onde morrermos em até R$ 1 mil pelo privilégio de ficar de pé, espremidas pela multidão.

O teto da sala de espetáculos. 
Os painéis pintados são basculantes 
e podem ser abertos para ventilar a plateia 
O fato é que ao fazer a bobagem de só ver o teatro por fora, Umberto I perdeu a chance de ver um conjunto de rara beleza. Deixou de ver a sala de espetáculos, no tradicional formato de ferradura, contornada pelo dourado das frisas e camarotes e o teto espetacularmente decorado, que esconde um engenho de arquitetura: muito antes da invenção do ar condicionado, os painéis pintados são basculantes e, no verão, se abrem para aliviar a sala do calor siciliano.

Não viu o magnífico foyer, revestido em belíssimos mármores, perdeu a chance de tomar uma flûte de champanhe na Sala dos Espelhos, antessala do Camarote Real ou de ouvir os mexericos na lindíssima Sala Pompeiana, um círculo perfeito, recoberto por afrescos inspirados em Pompeia,  que servia como fumoir (lugar onde os cavalheiros tragavam seus charutos) nos intervalos das apresentações.


O vestíbulo
Ô, reizinho bobo, esse... Nós, é claro, já conhecemos o Teatro Massimo da eletrizante sequência final de The Godfather 3 (O Poderoso Chefão, em português, mas eu implico com títulos bobocas). É lá que a famiglia Corleone assiste à ópera Cavalleria Rusticana, de Piero Mascagni (uma história de rivalidades, honra e vinganças sangrentas ambientada na Sicília rural) enquanto a conspiração urdida pelo capo se materializa.

Vibrei com a visita ao Teatro Massimo e recomendo muito que você não perca essa atração quando passar por Palermo.

Sala dos Espelhos
Teatro Massimo - Piazza Verdi, s/n, centro.

Como chegar - Eu fui a pé, pois o teatro fica bem próximo das principais atrações do Centro Histórico de Palermo. As linhas de ônibus 101, 102, 104 e 107 têm paradas na Piazza Verdi.

Visitas guiadas: diariamente, das 9:30h às 18h. O percurso dura cerca de 30 minutos, passando pelo foyer (vestíbulo), plateia, camarote real, Sala Pompeiana e uma sala de ensaios. As vistas são acompanhadas por guias falando italiano, inglês, francês ou espanhol (na baixa temporada, o mais provável é que você só consiga se engajar em grupos guiados em italiano ou inglês). Na alta temporada, é prudente fazer reserva por email (visiteguidate@teatromassimo.it) ou telefone (+39-091-6053267). O bilhete custa €8. 

Detalhe do teto da Sala Pompeiana

Para grupos acima de 10 pessoas, o teatro oferece um tour guiado com coquetel, servido na antessala do Camarote Real. Precisa ser agendado com uma semana de antecedência, custa €30 por pessoa e dura 45 minutos.

Espetáculos - o Teatro Massimo tem uma programação intensa de concertos, balés e óperas ao longo de todo o ano. Neste mês de março, está em cartaz a Simfonia nº 3 de Mahler, Em abril de 2015, por exemplo, uma das atrações são as récitas da Cavalleria Rusticana, de Pietro Mascagni. Também estão na pauta apresentações das óperas Un Ballo in Maschera (em maio) e La Bohème (em setembro). Em junho, haverá apresentações do balé Coppélia. Confira a programação completa no site do teatro, onde também dá para comprar ingressos online — espetáculos desse porte costumam esgotar rápido.

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