domingo, 30 de novembro de 2014

Liverpool - dicas práticas

O Waterfront, área do antigo porto de Liverpool: 
contrastes arquitetônicos e muitas atrações
Agora que você já leu os posts anteriores sobre a cidade dos Beatles e está doida para fazer as malas, está na hora das dicas práticas para lhe ajudar a organizar a viagem.  Prepare-se, porque eu aposto que você vai amar Liverpool.
A estação de Lime Street, em Liverpool, fica bem no centro da cidade. Dá para ir a pé de lá até o Waterfront, onde estão museus importantes (The Beatles Story, por exemplo), hotéis e restaurantes
Como chegar a Liverpool
De trem 
Partindo da estação de Euston, em Londres, há trens praticamente de hora em hora para Lime Street, em Liverpool. A empresa que opera o trecho é a Virgin e a viagem dura cerca de duas horas e meia, dependendo do número de paradas no caminho. O preço das passagens varia muito, de acordo com o horário e a antecedência da compra. Pesquisando agora, para viajar amanhã, por exemplo, o tíquete está custando £35. Para janeiro, dá para encontrar bilhetes por até £12,50. Comece a pesquisar com uns dois meses de antecedência, para assegurar um bom preço.

O site onde costumo comprar passagens na Inglaterra é o thetrainline, que é bem tranquilo de usar, desde que você se lembre de desbloquear o cartão de crédito para compras no exterior. Você pode escolher entre imprimir o bilhete em casa ou retirá-lo em qualquer estação de trem britânica, em máquinas automáticas. Neste último caso, você precisará introduzir na máquina o mesmo cartão de crédito que usou para comprar o bilhete e digitar o código que lhe será enviado no ato da compra.

É simplesmente impossível não amar o Aeroporto de Liverpool :)
Comprei nossas passagens Londres-Liverpool com cerca de um mês de antecedência, imprimi os bilhetes em casa e foi bem tranquilo. O vagão de segunda classe é mais confortável que classe econômica de avião. Foram 2h30min de viagem. No ano passado, também cheguei a Liverpool de trem, só que vindo de Bath. Para ver como é essa viagem de quatro horas, leia este post.

De avião 

O Aeroporto Internacional John Lennon (\o/) recebe voos de cinco companhias low cost (Ryanair e Easyjet, por exemplo) e tem voos diretos de e para cidades importantes da Europa, como Amsterdã, Barcelona, Berlim, Lisboa e Paris.

Embora pequeno, é um terminal moderno e muito confortável, com lojas e restaurantes bacaninhas. O saguão é decorado com imensos painéis dos Beatles (imagino que chegar lá seja ainda mais emocionante que partir).


Como foi voar pela Ryanair entre Liverpool e Dublin
Nós saímos de Liverpool para Dublin com a Ryanair, um voo de 50 minutos, bem tranquilo. Foi meu primeiro voo com essa companhia low cost e gostei da experiência: decolagem rigorosamente no horário, avião com uma cara bem normal (do jeito que falam mal da empresa, achei que ia voar naquele teco teco de Tio Patinhas, todo remendado com esparadrapo). As passagens foram compradas pela internet, no site da Ryanair, por cerca de R$ 200 cada uma.

Além disso, pagamos outros R$200 pela franquia de 25 quilos de bagagem despachada para cada um. Essa parte é a mais complicada, porque exige uma certa disciplina pra não sair comprando o mundo e estourar o limite previamente contratado, no ato da aquisição do bilhete. Como não sou nada consumista, funcionou direitinho pra mim...

Do aeroporto ao centro de Liverpool
O aeroporto fica na região de Speke (onde Paul e George moraram), meio afastada, mas é bem fácil ir de lá até o centro com transporte público, com várias linhas de ônibus fazendo o percurso. O ônibus 500 passa pela estação de Lime Street e é o que os locais recomendam, mas se você estiver chegando e já quiser entrar no clima, pegue o 86A ou o 80A, que passam por Penny Lane. O bilhete custa £2,10.

A cidade é muito bem sinalizada, quase dá pra dispensar o mapa
Como circular em Liverpool
Liverpool é uma cidade gostosa para quem curte caminhar. É muito bem sinalizada e, mesmo sem mapa, é difícil se perder na área central (até porque os liverpudlians são muito amigáveis e bem capazes de te levar pela mão), onde há várias ruas transformadas em calçadões para pedestres. Embora não seja muito plana, não chega a ter ladeiras muito desafiadoras.  Pra quem está hospedado no Centro ou no Waterfront, dá para chegar a pé à maioria das atrações.

O transporte público da cidade é excelente. No site da Merseytravel, a companhia de transporte, dá para baixar um aplicativo (para Android ou Apple) com um planejador de rotas que funciona que é uma beleza e indica o horário mais próximo da passagens dos ônibus, os pontos por onde ele vai passar e o tempo estimado da jornada.

Saint John's Garden, uma área verde simpática, bem no centro de Liverpool
O sistema de transportes integra o município de Liverpool e áreas vizinhas está dividido em quatro zonas. Dificilmente um visitante sairá da Área C, que compreende a cidade e também a região do Aeroporto. O preço do bilhete para uma única viagem dentro desse perímetro é £2,10. Também há o bilhete Solo, que vale para os ônibus por um dia inteiro (£3,90) ou para a semana (£17,60), o Trio, que permite combinar ônibus, trem e ferry, e outras modalidades, que estão à venda nas estações e outros estabelecimentos (procure a plaquinha).

Fiz dois posts bem detalhadinhos, com mapa e tudo, indicando como chegar aos locais mais importantes ligados à história dos Beatles. São esses aqui:

Liverpool dos Beatles: um mapa sentimental e alguns motivos para voltar 

As verdinhas no Waterfront
De bicicleta
Liverpool também já tem um sistema público de aluguel de bicicletas e essa pode ser uma alternativa gostosa para explorar o Waterfront ou o Sefton Park (o maior da cidade), mas eu não apostaria muito nisso como meio de transporte, por conta das ladeiras e também por causa do preço do serviço (£1 por hora, mais £1 de taxa, independentemente do tempo que você use). Se você curte um pedal, faça o seu registro no site da CityBike e siga as instruções para retirar sua verdinha.

Onde nos hospedamos
O Adelphi: bonito, histórico e decadente - mas você corre o risco de tomar banho na mesma banheira usada por um Beatle ou Charles Dickens
Hotel Adelphi
Eu já tinha me hospedado nessa autêntica instituição de Liverpool, no ano passado, e fiz um post todinho sobre ele (o nome oficial é Brittania Adelphi Hotel). Ele continua escandalosamente bonito e docemente decadente, afinal, o Adelphi não é pra quem gosta de hotel, é para quem gosta de história, de lendas com pitadas de arqueologia e algum bouquet de assombração.

Pra vocês terem uma ideia, os cenários luxuosos do filme Titanic, de James Cameron, foram copiados de ambientes desta preciosidade inaugurada em 1826. 

Já contei aqui no blog que o Adelphi era o pouso de todas as (muitas) celebridade que passaram por Liverpool, desde o começo do Século 19. Charles Dickens era freguês, Sarah Bernardt ocupou uma suíte quilométrica e Sinatra certamente varou madrugadas nos três bares da casa. Dizem que os Beatles também usaram muito as belas dependências do Adelphi, quando a fama começou a tornar impossível dormir em casa, devido ao assédio dos fãs.

Um salão do Adelphi
e o corredor com vocação para mal assombrado
Desta vez, como estava viajando com Bruno (meu sobrinho),  reservei um apartamento superior (eles têm a decência de não chamar de de luxe), que é ainda maior que que o enorme quarto standard onde fiquei  no ano passado. Os móveis também estavam em melhor estado de conservação e tinha até uma lareira de mármore (desativada).

O apartamento tem um pé direito bem alto, com janelões descortinando a cidade, uma área de estar, com duas poltronas e uma mesinha, ao lado de uma bancada com a jarra de ferver água para o chá (não usamos, porque estava com uma carinha de mofo). Nosso quarto tinha um roteador de internet, portanto, o WiFi funcionava na velocidade da luz.


Nosso quarto no Adelphi
O banheiro era quase um salão de baile, com uma banheira antigona, daquelas que dão pra fazer nado sincronizado dentro. O problema é que... não tinha chuveiro, o que tornava cada banho uma senhora produção. Para compensar, era divertido imaginar que Ringo pode ter tomado um banho de espuma na  mesma quase piscina onde eu estava imersa :)

Acredite, não tinha chuveiro :)
Se você gosta do estilo, fique no Adelphi. Se não, a oferta de hotéis na cidade é bem grandinha. Antes de decidir, confira minha avaliação (e umas fotos lindas do interior do hotel) neste post

Hotel Adelphi, um velho mito de Liverpool
Onde comer
Slug and Lettuce: pra quem gosta de ficar até mais tarde
Na primeira vez que passei por Liverpool eu estava tão siderada pelo roteiro beatlemaníaco que nem lembro (juro!!) de ter comido alguma coisa na cidade. Desta vez, consegui não só prestar atenção às refeições como até anotei uns lugares legais. Pena que não deu tempo de experimentar a bem falada área de restaurantes desoladinhos de Chinatown, mas prometo fazer isso na próxima visita, tá?

The Slug and Lettuce
North John Street, Watson Prickard Building, Centro. Das 10h às 23, durante a semana. Nas sextas, fecha à 1h e aos sábados às 2h.

Encontramos esse bar/restaurante aberto na saída do Cavern Club, na nossa primeira noite em Liverpool. O lugar tem cara de lounge e muita disposição para acolher os notívagos (tentar jantar na Inglaterra depois das 22h não é tarefa muito fácil). Fica quase na esquina de Matthew Street e é uma mão na roda pra quem perde a hora se esbaldando nas libações beatlemaníacas. Atende desde o café da manhã à fominha do início da madrugada.


O Slug é filial de uma casa londrina e tem decoração é de bom gosto e o ambiente é meio escurinho e bastante animado. O atendimento é correto e a comida bem gostosinha. Pedi uma Cottage Pie, prato bem recorrente em cardápios irlandeses (e Liverpool é quase irlandesa) e que é semelhante a um escondidinho, com massa de batata e recheio de carne.Estava bem gostosinho. Bruno foi de Ribeye Steak e adorou o prato. Com vinho e refrigerantes, nossa conta foi de £21, porque pegamos os 50% de desconto nos pratos que vale todas as segundas feiras.

Hanover Street Social
16-20 Hanover Street, Centro
Hanover Street Social:
lugar bonitão e café da manhã impecável
Bem no caminho entre o Hotel Adelphi (ou Lime Street) e o Waterfront, esse bar e brasserrie também abre para o café da manhã e .foi assim que o descobrimos, indo para a Albert Dock para pegar o ônibus do Magical Mistery Tour.


O salão ocupa o térreo de um edifício antigo, onde a decoração moderna e despojada caiu muito bem. Em frente a um grande balcão, a parede de vidro permite acompanhar o movimento da cozinha.



O atendimento do Hanover Street Social é bem simpático e nosso café da manhã estava irrepreensível. Fui de panquecas com maple syrup e frutas vermelhas. Bruno preferiu a frech toast com bacon e mel. O chocolate quente estava no ponto certo. Conta para dois: £14,80.

Ed's Easy Diner
52 Lord Srteet, Centro

Ed's: totalmente fifties
 A duas quadras do Cavern Club, franquia da tradicional rede americana, esse diner tem decoração bem anos 50 e serve hambúrgueres corretíssimos. A trilha sonora Rockabilly estava uma delícia. Boa pedida para forrar o estômago antes da noitada. O trio hambúrguer, batata frita e coca cola custa em torno de £15, dependendo das bossas que você peça no sanduíche.

Frankie & Benny's
John Lennon International Airport, terceiro piso 
Como saímos cedo para o aeroporto, no dia de embarcar para Dublin, resolvemos almoçar por lá. Essa casa italiana salvou a nossa vida. O espaguete à bolonhesa e a lasanha estavam muito decentes, assim como o pão de alho com parmesão da entrada. Para comida de aeroporto, foi um banquete. Conta total £33.

Quanto tempo ficar em Liverpool
O roteiro básico de Liverpool inclui o museu Beatles Story, uma noite no Cavern, o Magical Mistery Tour e a visita às casas de Paul e John
Em um dia e meio, dá para fazer os três programas beatlemaníacos básicos de Liverpool: visitar o museu The Beatles Story, na Albert Dock (duas horas, no mínimo), fazer o Magical Mistery Tour (uma excursão pelos principais cenários da história dos meninos, que dura duas horas) e a visita do National Trust às casas de John e de Paul (mais duas horas), com direito a uma noite no Cavern.

Muita gente vai a Liverpool em um bate e volta, a  partir de Londres, mas eu acho corrido demais.

Quem curte muito os Beatles deve ficar pelo menos dois dias inteiros, para ter a chance de explorar com calma os lugares que o Magical Mistery Tour mostra só pela janelinha do ônibus e ir além no mergulho nessa história que amamos. Confira esse roteiro de visitas às casas onde os Beatles viveram e este guia para vistar os locais ligados à trajetória dos Beatles de maneira independente.

A melhor época
Coisa rara: um esplendoroso dia de sol em Liverpool - esse eu acho que a cidade fez só pra mim :)
Liverpool tem um clima meio soturno e passei frio lá nas duas visitas, que foram no auge do verão, em agosto. Evite janeiro e fevereiro, não só pela friaca, mas, principalmente, porque o tour do National Trust (o único que permite ver por dentro as casas de John e Paul) não é realizado nessa época.

Em agosto, rola a International Beatleweek, encontro de bandas e celebrações diversas promovidas pelo Cavern Club. A cidade deve ficar animada, mas lembre-se que a afluência de fãs vai deixar todas as atrações muito congestionadas.

Para ficar conectada
O cartão que dá acesso aos serviços é gratuito. À direita, detalhe do belo edifício da Biblioteca Central de Liverpool
Nosso chip de internet (1 Giga, da Vodafone, £20) ainda estava vivinho da silva durante a estada em Liverpool (ele funcionou até na Irlanda do Norte, no dia que passamos lá, já no fim da viagem). Além disso, tínhamos conexão de qualidade no hotel e praticamente qualquer estabelecimento de Liverpool oferece WiFi gratuito. Mas se você precisar usar um computador ou de uma conexão rápida, recomendo a Biblioteca Central de Liverpool, pertinho da Estação de Lime Street.

O edifício é lindo (veja este post sobre a Biblioteca de Liverpool) o atendimento é maravilhoso e os serviços são gratuitos, basta fazer um cartão e cadastrar uma senha (você vai precisar do passaporte). Além do WiFi, há 150 computadores à disposição do público. Só é preciso pagar se for imprimir alguma coisa (£ 0,20 por página).

Biblioteca Pública de Liverpool
William Brown Street, Centro. De segunda a sexta, das 9h às 20. Sábados, das 9h às 17h e domingos das 10h às 17h .

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