quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Liverpool além dos Beatles

Vista lateral do balcão do Town Hall. 
Lá no fundo, o Rio Mersey
Quarenta e quatro anos depois do fim da banda, os Beatles  continuam sendo a maior atração de Liverpool. Que me desculpem os mais que centenários Liverpool Football Club (18 títulos do Campeonato Inglês, cinco da Champions League e três Copas da UEFA) e Everton (nove títulos da Liga Inglesa), dois xodós com audiência internacional, mas as grandes e eternas referências da cidade são mesmo John, Paul, George e Ringo. São eles os principais responsáveis por levar 52 milhões de visitantes à cidade, todos os anos.  

A maioria desses turistas faz apenas um bate e volta, para seguir os passos mais conhecidos do roteiro Beatles. Vale a pena, porém, esticar a estada em Liverpool, não só para ir mais fundo na "peregrinação", mas para conferir os museus bacanas,  a noite animadíssima e o belo patrimônio arquitetônico dos Séculos 18 e 19, que convive  em harmonia com arrojadas construções contemporâneas, em um contraste urbano que resulta muito atraente. 

Waterfront: o contraste entre estilos arquitetônicos 
é um dos charmes de Liverpool
Muitas dessas construções estão no Waterfront, antiga área das docas, que passou por um processo bacana de revitalização e tornou-se um interessante complexo de lazer, com lojas, museus, restaurantes e hotéis, à beira do Rio Mersey. 

Talvez a maior atração de Liverpool sejam as pessoas. Esqueça o clichê do inglês empertigado. Os liverpudlianos são falantes, informais e muito bem humorados.  Não é porque são conterrâneos dos Beatles, não, mas fiquei com a maior vontade de ficar amiga de todos eles :)

Para aproveitar ainda mais essa cidade encantadora, confira essas dicas de lugares para visitar.
Town Hall 
Quando subir a escadaria do Town Hall...
A sede da Prefeitura de Liverpool é um primor de edifício do período georgiano, debruçado sobre a convergência de quatro das ruas mais antigas da cidade. Construído em meados do Século 18, com o o exterior em pedra cor de mel e um interior suntuoso. Seus belos salões cerimoniais que preservam a decoração de época (preste atenção na majestosa cúpula que se ergue sobre a escadaria principal).

... preste atenção na decoração do interior da cúpula
Tombado pelo patrimônio histórico britânico, o edifício ainda hoje abriga o gabinete do prefeito da cidade, de modo que não está aberto à visitação regular. Para ver o bonitão por dentro (e, claro, roçar os cotovelos na mesma balaustrada de onde os Beatles acenaram para a multidão), há visitas guiadas mensais (£3) e alguns open days, com acesso livre e gratuito do público, em agosto, setembro e na época do Natal. Confira as datas neste siteO Town Hall fica na High Street, no Centro.

Biblioteca Central


Os seis andares da nova ala da biblioteca debruçam-se
 sobre o impressionante átrio, encimado pela cúpula envidraçada
Mesmo que você não seja apaixonada por arquitetura (eu sou!), aposto que vai adorar essa visita. As feições neoclássicas do edifício vitoriano da Biblioteca, de 1860, ganharam uma reforma ultra moderna (em um projeto de rara felicidade e super premiado), concluída em 2013.

A inspiradora entrada da Biblioteca
Do prédio original restava pouco mais que a fachada, com a típica colunata de inspiração grega que caracterizava o período de sua construção, em consequência  dos pesados bombardeios sofridos por Liverpool, na Segunda Guerra. As reconstruções haviam transformado o lugar em um lúgubre labirinto. Até que a cidade resolveu ressuscitar sua Biblioteca em grande estilo.

Foi construída uma nova ala (dominada por um átrio de seis andares) integrada às áreas históricas que resistiram ao tempo, como o impressionante Picton Reading Room. O resultado valeu cada pence dos £50 milhões investidos no projeto, assinado pelo escritório Austin-Smith: Lord.

O Picton Reading Room
A entrada e o terraço panorâmico, no último andar da biblioteca
Não deixe de subir até o terraço panorâmico, no sexto andar, para contemplar a cidade. A Biblioteca fica na William Brown Street, Centro, e funciona de segunda a sexta, das 9h às 20. Sábados, das 9h às 17h e domingos das 10h às 17h.

Museu da Escravidão
Desta janela do Museu da Escravidão o visitante contempla
 as docas secas onde eram reparados os navios negreiros
Erguida na estratégica foz do Rio Mersey, no Século 13, Liverpool conheceu a prosperidade a partir do Século 17. A cidade foi um importante porto de comércio com as colônias britânicas no Novo Mundo, com o florescimento fabril do Século 18 e com uma mancha que hoje luta para redimir, que foi seu papel preponderante no tráfico de pessoas da África para a escravidão nas Américas. Por conta disso, foi sede de grandes frotas de navios negreiros, que faziam escalas regulares em suas docas.

A entrada do Slavery Museum 
e uma homenagem a Zumbi dos Palmares
O Museu da Escravidão (Slavery Museum), inaugurado em 2007, no bicentenário da abolição do tráfico na Inglaterra, é  um espaço dedicado a contar essa história. Dividido em três blocos principais, ele presta um tributo aos povos da África Ocidental, exibindo sua arte e engenho em peças de vestuário, instrumentos rituais e utensílios. Outra ala resgata a história da "Passagem Atlântica", como era chamada a rota do tráfico, e seu papel na economia britânica e das colônias. A ala mais comovente é dedicada à luta contra a escravidão e  heróis como Zumbi dos Palmares.

A visita ao Slavery Museum de Liverpool é perturbadora, sim, mas instigante. Não perca! O museu fica na Albert Dock, Liverpool Waterfront. Abre das 10h às 17horas, entrada franca. 


No alto, a ala interativa dedicada à memória  da luta contra a escravidão.  Acima, objetos rituais, utensílios e vestimentas  de povos da África Ocidental
No alto, a ala interativa dedicada à memória 
da luta contra a escravidão. 
Acima, objetos rituais, utensílios e vestimentas
 de povos da África Ocidental

Se você se interessa pelo tema, veja também esses posts
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Pier Head e os contrastes arquitetônicos da cidade
As "três graças" do Waterfront
Um dos melhores programas off-Beatles de Liverpool não exige hora marcada ou roteiro rígido. Basta caminhar sem pressa pela área do antigo porto e do Centro para se encantar com o feliz encontro da refinada arquitetura Georgiana, do Século 18, os traços meio góticos do período Vitoriano, do Século 19, e o tom quase desafiador dos edifícios contemporâneos, construídos após o grande processo de revitalização da região das docas, no início deste século. As pedras cor de mel georgianas, os tijolos do novecento e os onipresentes vidros da atualidade organizam um jogo de dissonâncias que resultam numa agradável harmonia.

Os edifícios contemporâneos têm um traço quase abusado.
 À esquerda, um belo casarão vitoriano, em Hanover Street

A virada do Século 20 também está muito bem representada na paisagem. Preste atenção ao conjunto de prédios do Pier Head, onde estão as Three Graces (três graças), o Royal Liver Building (de 1911), com sua torre do relógio super Gothan City, o Cunard Building (1916) e o edifício da administração do Porto de Liverpool (1907), tombados pela Unesco como patrimônio da Humanidade e considerados a grande expressão arquitetônica da história mercantil da cidade.

Museu de Liverpool n




Quase frente às "Três Graças", o edifício do Museum of Liverpool chama a atenção pelo arrojo das linhas contemporâneas da fachada. O saguão de entrada, com a grande escadaria em espiral, é disputadíssimo pelo visitantes para fotos. O acervo não tem nada de retumbante, mas o prédio é tão bacana e a exposição está organizada de um jeito tão atraente que é um prazer circular entre os grandes painéis e vitrines que contam a história da cidade, desde a idade do bronze.

Saguão de entrada do Liverpool Museum
O comércio, a tradição naval, a importância do porto e a efervescente vida política e sindical dos trabalhadores da cidade aparecem em destaque na exposição, assim como, é claro, os dois amados times de futebol locais e aqueles quatro meninos que continuam aparecendo nos meus posts sobre Liverpool, mesmo quando estou determinada a não falar deles :)

A arquitetura provocadora do museu combina com a efervescente
 vida política e sindical da cidade lembrada na exposição
Talvez a maior estrela no acervo do Museu de Liverpool seja um vagão original da Liverpool Overhead Railway, primeira linha férrea elétrica elevada do planeta, inaugurada no finalzinho do Século 19 e um dos grandes orgulhos liverpudlianos. A pequena ferrovia percorria toda a área das docas da cidade e operou até 1956.

Overhead Railway, testemunha do progresso da cidade no Século 19
O capítulo mais famoso da história local
O Pier Head e o Rio Mersey vistos do Museu de Liverpool
O Museu de Liverpool pode ser visitado diariamente, das 10h às 17h, com entrada gratuita. 

Confira o índice com todos os posts sobre 
museus e sítios arqueológicos publicados aqui na Fragata

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3 comentários:

  1. Oi, Cyntia. Tudo bem? :)

    Seu post foi selecionado para o #linkódromo, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Boia – Natalie

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  2. Ótimo o blog. To indo para Londres no final de janeiro e estou amando as dicas! Vi que o seguro é obrigatório e eu ainda ñ contratei. Alguém pode me indicar uma boa empresa? Bjs, Ana Beatriz.

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