quinta-feira, 26 de junho de 2014

Copa do Mundo em Brasíia:
a festa na esquina de casa

Esperando a cobrança de escanteio. Camarões X Brasil, 
meu primeiro jogo de Copa ao vivo, no Mané Garrincha
Eu não vi os Beatles ao vivo (quem me mandou só nascer em 61?), mas vi os Rolling Stones. Vi Dylan, Paul McCartney, Robert Plant e Jimmi Page. Chico, Caetano, Gil e Rita Lee. Vi comícios das Diretas Já e pelo impeachment. Vi Pelé na Fonte Nova, Ademir da Guia, em um jogo comemorativo, e Dražen Petrović se estranhar com Oscar Schmidt na quadra do Balbininho, num jogo treino Brasil X Iugoslávia. Até João Gilberto eu vi ao vivo — e juro que ele não foi embora do palco, quando a plateia começou a cantar com ele.

A entrada das bandeiras e a comemoração do primeiro gol do Brasil
Das coisas que eu adoro, só me faltava assistir um jogo do Brasil em uma Copa do Mundo. Agora, não falta mais. No último dia 23, eu era uma das 69.212 pessoas na arquibancada do Estádio Mané Garrincha, sofrendo e vibrando com os lances de Camarões 1 X Brasil 4. Depois de mais de meio século de vida e 11 Copas pela TV — 10, na verdade, porque a de 1990 foi tão horrível que eu nem me lembro quem ganhou — lá estava eu, quase na esquina de casa, assistindo a uma partida de um Mundial de Futebol.


O caminho para o estádio
O jogo, vocês todos já sabem como foi. Um primeiro tempo infernal, com o time do Brasil travado e sem criatividade, um tremendo susto, com o gol de empate de Camarões, e a sensação de que ir para o intervalo com vantagem de 2x1 no placar (santo Neymar!!) estava bom demais. No segundo tempo, algum alívio com a melhora da equipe — mas confesso que saí do estádio com certo medinho do Chile, o adversário seguinte.

A experiência de estar lá, porém, foi extraordinária. Claro, quem está acostumada a frequentar estádios, pode estranhar o público excessivamente comportado, talvez mais empolgado em fazer selfies e em participar do tal “Hino Nacional à capela” — que não chega nem perto ao poder de arrepio que tem a torcida do Bahia, quando canta o Hino Tricolor em uma arquibancada.

A chegada no estádio Mané Garrincha foi super tranquila
É o máximo ver a Seleção ao vivo, participar da festa, berrar feito uma insana a cada ataque canarinho, cronometrar direitinho os movimentos, para não “desafinar” a ola e sentir o estádio tremer na hora dos gols.

Confraternização de brasileiros e camaroneses antes da partida
E uma charanga animada
A essa altura do campeonato (acho que é a primeira vez que uso essa expressão no sentido literal, rsss), já era chover no molhado dizer que as previsões de catástrofe que agouravam a Copa do Brasil estavam desmoralizadas (tirando Brasil X Alemanha).

Os aeroportos funcionaram às mil maravilhas (índices de atraso abaixo dos europeus), os estádios estavam prontos e lindos e as cidades não entraram em colapso de mobilidade. O astral desta copa foi delicioso — e não só nos estádios. Teve Copa, foi massa e eu adorei me sentir tão perto dessa festa.

Se o futebol do Brasil ficou devendo, o astral da torcida compensou com folga
Surpreendentemente, Brasília foi a terceira sede da Copa a receber mais turistas. Os bares estavam lotados de gente para ver todos os jogos (afinal, futebol de bar é o nosso principal esporte) e pipocavam festas de torcedores por toda parte.

No dia em que escrevi este post, a capital federal tinha sediado o melancólico Portugal 2 X Gana 1, que marcou a despedida desses dois times do Mundial 2014, com casa cheia. Mais três partidas ainda seriam jogadas no Estádio Mané Garrincha (França X Nigéria, jogão pelas Oitavas, um jogo das Quartas de Final, e a disputa do terceiro lugar - o deprimente Brasil x Holanda, dia 12 de julho).

O Mané ainda vazio, uma hora antes do jogo
O melhor jeito de chegar ao estádio
Encontrei meus amigos em um bar da 104 Norte, a Confraria do Chico Mineiro (comidinha caseira barata e gostosa), por volta das 13 horas, para um "aquecimento" embalado por Holanda X Chile — a torcida por nossos companheiros de continente, desta vez, foi suplantada pelo desejo de não encontrar a Holanda já nas oitavas, o que aconteceria se o time laranja ficasse em segundo lugar em seu grupo.

Da 104 Norte, fomos todos a pé para o Estádio Mané Garrincha, a cerca de dois quilômetros de distância. Parece que meia Brasília teve a mesma ideia, pois encontramos uma quase passeata pelo caminho.

Par ou ímpar? E tinha gente amarrando a chuteira
Como em falei em outro post, continuo achando que usar o transporte público para ir ao Mané Garrincha é a melhor pedida. Dá para ir de ônibus ou metrô até a Rodoviária e caminhar cerca de dois quilômetros até o estádio. Ou pegar um ônibus que passe pela W3 e descer na altura do Brasília Shopping (quem vem da Asa Norte) ou do Shopping Pátio Brasil (vindo da Asa Sul).

Se fizer questão de ir de carro, o melhor estacionamento é o do Parque da Cidade (o que vai te obrigar a uma caminhada quase do mesmo tamanho da de quem vier de transporte público).

Enquanto Camarões aquecia no gramado...
... a Seleção aparecia no telão, pra delírio da torcida - será que alguém já usou essa expressão antes? :)
Como foi a entrada no estádio
O estádio foi enchendo aos pouquinhos...
... até ficar todo amarelinho
A chegada ao Mané Garrincha foi muito tranquila. Levei menos de 10 minutos para entrar no estádio, pois a fila andou rapidíssimo. Prova de que os organizadores aprenderam a lição do primeiro jogo realizado na cidade (Suíça X Equador, dia 15 de junho), quando muitos espectadores só conseguiram chegar à arquibancada após o início da partida, em consequência da lentidão no processo de controle de segurança.

Com a vantagem do lugar marcado (torço que um dia o esquema seja adotado em shows de Rock), deu pra chegar ao Mané apenas uma hora antes do jogo e lá pelas 16:15h eu já estava sentadinha na minha cadeira.
O ingresso trazia o "mapa da mina"
Os ingressos traziam impressos, bem direitinhos, o portão de entrada mais próximo ao seu lugar, o setor, a fila e o número da cadeira. Não tem como errar.

Em maio do ano passado, na reinauguração do Mané Garrincha, eu fui assistir Santos x Flamengo e saí do jogo convencida de que é perfeitamente seguro e tranquilo ir ao futebol sozinha, em um jogo "padrão Fifa".

Pois esse Camarões X Brasil confirmou totalmente essa impressão. Havia muito policiamento no perímetro de segurança em torno do estádio, os voluntários trabalharam de maneira muito eficiente na orientação dos torcedores e a localização central do estádio favorece o acesso.
Neymar alcançado pelo modesto zoom da minha câmera e um lance da partida
Como foi a saída do estádio
A nota ruim vai, como sempre, para o completo sumiço dos táxis de Brasília, situação mais do que manjada na saída de grandes eventos. Isso poderia ter sido um problema, já que acabei me perdendo dos meus amigos, em uma das minhas paradas para fotos (essa Fragata me bota em cada situação...).

Mas estou acostumada à vida de pedestre e voltei para casa tranquilamente de ônibus (a partir da W3 Norte). O jogo acabou às 19 horas, às 20:30h eu já estava vendo os melhores momentos do jogo na minha TV.

Para entender a lógica da cidade e se apaixonar por Brasília: passeio pelo 308 Sul, quadra modelo no projeto de Niemeyer e Lúcio Costa

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