segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Roma em chamas

"Gabrielle, Roma chora por você"
 Na manhã de domingo, 11 de novembro, de 2007, um grupo de torcedores romanos que viajava a Milão, para assistir Inter x Lazio, se envolveu em um tumulto num posto de gasolina,  perto de Arezzo, na Toscana.

Um policial atirou e matou Gabrielle Sandri, de 26 anos, atingido no pescoço. Foi a senha para os tiffosi da Lazio (time de Roma) iniciarem um motim na capital italiana, com mais de 400 feridos. A partida de futebol foi suspensa.

Enquanto isso, eu caminhava despreocupada por Roma, sem qualquer noção de que a cidade estava (em alguns lugares, literalmente) pegando fogo.


Sim, houve incêndios e tentativas de invasão de delegacias. Um caos que iria repercutir por semanas a fio. As autoridades chegaram a ameaçar processar os participantes do protesto por "ato terrorista". Eu só vi a confusão na TV, quando voltei para o hotel.

Oito anos depois (janeiro de 2015),
a homenagem em Palermo, Sicília

Na noite de segunda-feira, porém, vi de perto a comoção que a morte de Gabrielle Sandri provocou na cidade. A missa na Igreja de Santa Maria in Trastevere estava lotada de jovens, indignados com a ação da polícia — Gabrielle foi atingido dentro do carro em que viajava.

Na terça, encontrei um pandemônio no Ghetto, por causa da missa de corpo presente, com a presença de jogadores do Lazio. Barreiras policiais por toda parte — que me deixavam passar como se eu fosse invisível.

Os cartazes e faixas se multiplicavam pela cidade, protestando contra a ação da polícia. O Ministério dos Esportes ameaçava suspender todas as partidas de futebol por tempo indeterminado.

Apesar do trauma da noite de domingo e da tensão das reuniões de torcedores em luto, a vida em Roma seguia e seria perfeitamente possível que tudo isso me passasse despercebido, não fosse minha mania de ler jornais e ver o noticiário de TV onde quer que eu esteja.

Depois do motim, a mais perfeita ordem — se é que "ordem" é uma palavra que se possa aplicar a Roma...


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2 comentários:

  1. Ainda há pichações nos muros da cidade até Roma até hoje, onde lê-se Gabbo Vive! (Gabbo é apelido para Gabriele). Os torcedores da Lazio mantem a memória dele viva. Passei algumas vezes nesse posto de gasolina em Arezzo. Uma locura imaginar como o tiro atravessou a estrada (o policial estava em um posto de gasolina do outro lado da auto-estrada) e atingiu o rapaz! Abs, Lu (Turismo em Roma)

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    1. Lu, o que mais me espanta é que eu tenha conseguido passear o domingo inteiro pela cidade sem topar com nenhum quebra-quebra :) Mas, nos dias seguintes, foi impossível ficar alheia à história, por conta dos desdobramentos. Além do mais, os jornais só falavam disso e do "giallo di Peruggia"...

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