domingo, 13 de novembro de 2011

Banquete pé-na-areia
em Mangue Seco

Uma praia linda dessas e ainda tem um banquete... Mangue Seco é demais!
As dunas são lindas, a praia é um sossego e o mar é uma delícia. Precisa mais? Pois eu ainda fui brindada com um senhor banquete, em Mangue Seco: caranguejos de primeira, moqueca de aratu de rasgar a roupa e as ostras mais rechonchudas, voluptuosas e saborosas que comi nos últimos tempos.

Tudo isso na areia da praia, à sombra de um quiosque, acompanhada por uma brisa muito relaxante e uma deliciosa coletânea das crônicas semanais de Arturo Pérez-Reverte para a revista espanhola El Semanal. Só faltou a rede para o cochilo, depois da comilança-- com aquele barulho de mar, eu estaria lá até agora...
Depois das dunas, tem as ostras
A primeira surpresa foram os caranguejos, surpreendentemente gordos para um mês com R. E muito bem temperados, também, cozidos no ponto certo, em que a carne se solta das casquinhas e vem inteira, quando se quebra as perninhas do bicho. Meia dúzia foi pouco, mas eu precisava de espaço para a moquequinha de aratu que as mulheres da vila vendem pela praia: pouco caldo, embrulhada na folha de bananeira, lembrando um pacote de amendoim bem servido. Hummmm...

As ostras, porém, roubam a cena: são oriundas de um criadouro montado no povoado do Pontal (SE) e chegam à praia trazidas por Tarsis Éder, responsável pelo empreendimento, que percorre as mesas oferecendo a primeira, como isca. Depois dessa, impossível parar de comer. Basta um nadinha de sal, gotinhas de azeite e um toque de limão-rosa (aquele amarelinho, bem suave) e a dimensão gustativa do paraíso se apresenta.

Na travessia até a vila, a escuna margeia belos manguezais
Tarsis é bom de papo e um ótimo relações públicas do criadouro de ostras. Com ele, descobri que o projeto, iniciado em 2004, com apoio do Sebrae, veio como alternativa de renda para as famílias locais, no bojo do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil-- além de gostosas, as ostras do Pontal são politicamente corretas. Os envolvidos no cultivo do molusco passam por cursos de capacitação e a produção é rigorosamente cuidada, para evitar que as ostras cruas transmitam doenças, como a hepatite.

Ele também conta que a descoberta dos talentos do limão-rosa para acompanhar as ostras (combinação muito mais gostosa que a do limão galego ou o siciliano) aconteceu por acaso. O fruto cresce como mato na região, sem qualquer valor comercial. Como ficava caro comprar o limão para servir junto com as ostras, na praia, resolveram experimentar e voilá.

Dicas práticas
O cair da tarde na Vila, na beira do Rio Real
Para um banquete pé-na-areia em Mangue Seco, há quatro barracas de praia, no trecho onde os bugreiros deixam os visitantes e voltam para apanhá-los no fim da tarde. Eu fiquei na Asa Branca, mas o cardápio não muda muito de uma para a outra.

As barracas da praia servem um monte de delícias do mar
O caranguejo estava sendo servido a R$ 3 a unidade, mesmo preço cobrado pelas vendedoras ambulantes pela moqueca de aratu na folha de bananeira e pela unidade da ostra. No total, gastei R$ 60 na comilança, incluindo as bebidas (coca cola, água de coco e uma caipirosca de caju, feita com a vodka que matou o guarda).

A melhor temporada para comer caranguejo vai de maio a agosto (meses sem a letra R no nome). Se você quiser saber um pouco mais sobre a arte de degustar esses bichinhos sublimes, veja o post sobre o assunto, "Caranguejos, aí vou eu!".

Dicas práticas de Mangue Seco


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Um comentário:

  1. Cynthia,
    Fechou o cardápio.Adorei o texto e as dicas.Coisas boa da vida comida,natureza e amigos que curtem muito e, principalmente, socializam as dicas.

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