15 de novembro de 2011

Passeio ao Cânion de Xingó

Sem rádio, sem notícias e feliz da vida...
(Paraíso do Talhado, Cânion de Xingó)
Música deste post: Riacho do Navio, Luiz Gonzaga

Luiz Gonzaga estava coberto de razão. Dá uma vontade danada de virar peixe e subir essas águas do Rio São Francisco, até encontrar um riachinho e fixar residência — além do prazer de nadar na contramão, a vista seria sempre espetacular. Se não dá pra virar peixe, pelo menos ensaie, em um passeio ao Cânion de Xingó.

Esse tal de Opará, como o chamavam os índios o Rio São Francisco, é bonito pra dar de goleada em muita praia famosa... No Cânion de Xingó, o Velho Chico é um show de bola: os paredões esculpidos pelo vento e pela chuva que margeiam as águas verdinhas nos fazem sonhar com ruínas de civilizações perdidas, enquanto o catamarã desliza.

"Aquilo lá não parece uma escadaria?", "Olha só as ruínas de uma torre...". E lá vai a imaginação viajando pelas águas do Rio São Francisco, debaixo de um céu azul como só é possível no Nordeste,  pintadinho de nuvens tão perfeitas que parecem cenográficas.

Veja minhas dicas para aproveitar a visita ao Cânion de Xingó:

Olha pro céu, meu amor. Vê como ele está lindo...
⇨ Passeio ao Cânion de Xingó
A viagem até o Cânion de Xingó é o novo hit turístico em Sergipe. Na minha enquete, deu 100%. Todos os visitantes que encontrei, durante meus seis dias por lá, já tinham ido ou estavam com excursão marcada para ver o cenário espetacular que a natureza levou até 80 milhões de anos de anos cinzelando no arenito.

A natureza fez o principal, mas o Homem deu uma forcinha. O que é hoje o "quinto maior cânion navegável do mundo" — e você vai ler isso em todos os folhetos e ouvir em todos os alto-falantes de todas as etapas da viagem — era um trecho raso do rio, até a construção da Barragem da Hidrelétrica de Xingó.

A beleza das formações rochosas
Embora o lago da usina tenha começado a ser formado no fim dos anos 90, a descoberta do Cânion de Xingó como atração turística é bem mais recente. Os visitantes foram chegando aos poucos, ao longo da última década, e levavam de volta boas notícias do lugar. 

Foram as imagens exibidas na recente telenovela “Cordel Encantado”, porém, que transformaram o Paraíso do Talhado, o trecho mais bonito do Cânion, em um destino tão desejado quanto as melhores praias do Nordeste.

Pensa que é só paisagem bonita? Pois tem banho de rio delicioso, também
O banho de rio, ponto ato do passeio ao Cânion de Xingó, dá de dez em muito mergulho caribenho. As águas, muito verdes e límpidas, têm uma temperatura deliciosa, morna como o mar do Nordeste — e olha que a profundidade é de 25 metros na área da Gruta do Talhado, onde os catamarãs atracam e alegres banhistas se refrescam por uma hora inteirinha, flutuando sobre os “espaguetes” ou envoltos em coletes salva-vidas.

Barquinhos levam para um passeio na Gruta do Talhado. É bem legal ficar pertinho dos paredões do cânion
Para explorar a Gruta do Talhado (na verdade, uma fenda no paredão de rochas),  é necessário tomar um barquinho a remo, já que é proibido nadar além da área demarcada por boias.

Os barqueiros cobram R$ 3, o passeio é curtinho ("rouba" pouco tempo do maravilhoso banho de rio), mas é bem bacana ver os paredões tão de perto.


É nessa hora que você começa a ficar com uma inveja danada do hipotético peixe do baião de Mestre Lua e Zé Dantas. Não são só as águas, ou os paredões espetaculares. A paisagem da caatinga tem uma beleza só dela, áspera, retorcida, difícil de entender, mas absolutamente encantadora.

Dá mesmo vontade de procurar um Riacho do Navio, arriar a matula e esquecer da vida por aqui.

Na viagem de volta, passamos por uma casa à beira d'água, cheia de redes e varandas, de onde uma família enorme acenava para o barco. Reconheci no ato-- os sorrisos entregavam direitinho. Eram os peixinhos do Riacho do Navio, disfarçados de humanos, dando tchau aos pobres mortais, cujo acesso a esse paraíso dura apenas um dia. A vantagem é que sempre se pode voltar.


⇨ Como chegar ao Cânion de Xingó
Partindo de Aracaju, são pouco mais de 200 quilômetros até o município de Canindé do São Francisco, onde está o dique da hidrelétrica de onde partem os barcos que fazem o passeio pelo Cânion de Xingó.

No atracadouro em Canindé de São Francisco, funciona um restaurante flutuante, o Karrankas, tem um prainha e uma área de lazer — muita gente aproveita para deslizar numa tirolesa, enquanto espera o embarque nos catamarãs, que partem a cada meia hora. Também é possível fazer o percurso de lancha.


A maioria das agências de turismo de Aracaju vendem o passeio ao Cânion de Xingó. Eu fiz pela Nozestur, que cobra R$ 115, já incluída a passagem no catamarã. As vans partem cedinho da capital sergipana, a partir das 6:30h, recolhendo os passageiros nos hotéis. O retorno é por volta das 18:30h.

⇨ Onde comer no Cânion de Xingó
Os visitantes costumam almoçar no Restaurante Karrankas, que serve pratos regionais, em regime de bufê, por R$ 28. A comidinha é bem sem graça, mas quebra o galho. Os espetinhos de carne e frango servidos a bordo são mais saborosos e bem mais baratos.

Os peixes disfarçados: 
vão ser sortudos assim lá no Velho Chico!

A Usina de Xingó, em Canindé do São Francisco

⇨ O que ver em Canindé do São Francisco
O grande defeito da viagem com as agências ao Cânion de Xingó é que elas não levam ao Museu Arqueológico de Xingó, onde estão expostos objetos escavados na área, antes do enchimento do lago. São vestígios dos primeiros moradores do lugar, chegados há pelo menos 9 mil anos. 

Nos 28 sítios escavados, foram recolhidas mais de 30 mil peças de cerâmica, líticas, fósseis e esqueletos. A atração, maior, porém, são os painéis de arte rupestre.

⇨ A Fragata Surprise no Rio São Francisco
A Fragata Surprise original, criada pelo escritor irlandês Patrick O'Brian, também já singrou as águas do São Francisco. 

No 10° livro da série, "O lado mais distante do mundo", o Capitão Aubrey trouxe o navio até Penedo (AL) para reabastecê-lo de água doce, antes de descer o Atlântico, rumo à travessia do Cabo Horn. Encalhada num banco de areia, a Surprise teve que esperar 30 dias pela maré para voltar a navegar.

A tripulante desta Fragata aqui também tem um velho caso de amor com o Rio Chico, visitado por muitos verões, sempre a caminho de férias com tios e primos queridos, no Recife.

O Píer de Xingó
Sergipe na Fragata Surprise
Aracaju: que surpresa gostosa!
Dicas práticas de Aracaju, Xingó, Laranjeiras e São Cristóvão
Comer em Aracaju: a Passarela do Caranguejo 
São Cristóvão, delicada como um bricelet
O encanto de Laranjeiras
E dicas de Mangue Seco, que fica na Bahia, mas é facinho de chegar por Aracaju



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Um comentário:

  1. Boas dicas...
    Em breve estarei por lá...
    Bjs
    Carla
    www.expedicaoandandoporai.com

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