domingo, 24 de julho de 2005

Primeiro contato com o divino:
polvo à galega


Polvo à galega: uma verdadeira epifania
Caminho de Santiago. Trajeto de hoje: Tui a O Porriño, 16 km

Entre Tui e O Porrño, o Caminho de Santiago tem um trecho bem difícil de atravessar. Não por grandes turbulências do terreno, mas pelo tédio que é caminhar 5 km atravessando uma área o Polígono Industrial de O Porriño, onde só de vê muros e de fábricas.

É um contraste forte com a paz e o sossego do Vale do Louro, o primeiro pedaço do percurso de hoje. Passei o tempo todo imaginando que tipo de epifania poderia se manifestar no meio a chaminés. Mas eu, mulher de pouca fé, não perderia por esperar. Bastou as fábricas ficarem para trás para o caminho desembocar em uma área mais verde, de pequenas propriedades rurais à beira do asfalto. Foi aí que aconteceu o milagre.

Encontrei uma taberna instalada em uma casinha típica galega e, no jardim, vi uma mulher cozinhando alguma coisa numa fogueira. Curiosa, fui olhar o tacho e o divino materializou-se diante de mim: ela estava preparando polvo à galega.

Tratei de me aboletar em uma mesinha à sombra da indefectível parreira (acho que todas as casas da Galícia têm uma) e pedi uma porção de polvo. A travessa gigantesca (que custou 5 euros) poderia alimentar uma dúzia de peregrinos ascetas. Para mim, que sou profana, hedonista e estava faminta, aquele prato enorme de polvo — macio, temperado com sal, azeite e páprica — foi a medida certa.

Capela de Jesus, em O Porriño
Era véspera do Dia de Santiago e a dona da casa explicou que pulpo a la feria é prato obrigatório nessa época. Pense num santinho bom, o apóstolo Tiago... Pra ficar melhor, só com uma (algumas) cunca de vinho ribeiro, típico da Galícia, muitas vezes fabricado nos quintais das casas com as uvas das parreiras que oferecem a sombra dos caramanchões.

No pequeno salão do bar, a TV estava exibindo o Grande Prêmio da Alemanha de Fórmula 1, disputado em Hockenheim. Bom motivo para mais uma cunca de vinho. Que logo vira mais outra: Fernando Alonso ganhou a prova e, por mais que "Galícia não seja Espanha", como eles adoram pichar nos muros, no esporte eles abrem uma exceção e comemoram filhos das Astúrias como se fossem conterrâneos.

Depois dessa farrinha, ficou muito mais fácil atravessar o trecho sem graça da periferia da cidade até o Centro e dar o dia por encerrado.

Albergue de Peregrinos de O Porriño tem 50 vagas em dormitórios mistos. Fica bem na entrada da cidade, numa pequena descida, à direita, na estrada que segue para Gondomar.

Quando passei por lá, estava novíssimo, recém inaugurado. Minha amiga Dulce, que pernoitou no albergue, fez muitos elogios à limpeza e à organização. Eu, porém, vinha distraída pela estrada e passei direto pelo albergue. Acabei decidindo ficar no Hotel Azul (Calle Ramiranes nº3 8), no Centro de O Porriño. Lugarzinho simples e decente, a 30 euros a diária single, com café da manhã.

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