9 de julho de 2014

Três museus de Madri que valem a viagem

Eu deliro com a arquitetura do Centro de Artes Reina Sophia
Post atualizado em julho de 2018

Museu do Prado, Museu Thyssen-Bornemisza e Centro de Artes Reina Sofia: se você está procurando motivos para visitar a capital espanhola (e olha que há pencas de razões), concentre-se nesses nomes. Esses três museus de Madri — só eles — já valem a viagem.

O Museu do Prado é aquilo que a gente já sabe: uma dos mais importantes do mundo, onde se pode ver um panorama vasto e apaixonante de tudo que a Europa (principalmente) já produziu na pintura e na escultura, os carros chefes do acervo.

O Centro de Artes Reina Sofia — cujo engenho arquitetônico usado para integrar seus pavilhões já deixa a gente apaixonada — tem uma das melhores coleções de Arte Moderna do Planeta, onde se destaca a Guernica, de Picasso. 


Museu Thyssen-Bornemisza reúne um precioso acervo de pintura que abarca do Renascimento ao Modernismo.

Uma linha quase reta de 1,5km liga esses três museus de Madri, em uma área super central da cidade, muito bem servida de transporte público. Isso não quer dizer, porém, que você deva visitá-los no mesmo dia. Tem tanta, mas tanta coisa pra ver no Prado, no Reina Sofia e no Thyssen que cada um deles rende mais de uma visita.

O importante é não deixar esses três museus de Madri fora de seu roteiro na cidade. Veja as dias práticas e as maravilhas que você vai encontrar no Museu do Prado, no Centro de Artes Reina Sofia e no Museu Thyssen-Bornemisza:

A arquitetura do Reina Sofia é tão fantástica que sempre cometo umas fotos, digamos, artísticas (risos). À direita, a caixa de vidro do elevador 
⭐ Centro de Artes Reina Sofia 
🏠 Calle Santa Isabel nº 52, em frente à Estação de Atocha. Estação de metrô mais próxima: Atocha (Linha 1)

Além da sede principal, instalada nos Edifícios Sabatini e Nouvel, o Reina Sofia também usa dois pavilhões do Parque do Retiro, o Palácio de Velázquez e o Palácio de Cristal, dedicados a exposições temporárias.

🕙 Horários: Fecha às terças. Às segundas e de quarta a sábado, abre das 10 às 21h. Aos domingos, das 10h às 19. 

A Pincelada, de Roy Lichtenstein...
💲Preço: o ingresso custa € 10 nas bilheterias e € 8, se comprado online (mas aplicam-se taxas). 

Entrada grátuita às segundas-feiras e de quarta a sábado, no horário de 19h às 21h. Aos domingos, é grátis das 13:30h às 19:00h.

A entrada no Palácio de Velázquez e no Palácio de Cristal, no Parque do Retiro, é sempre gratuita.
➡️ O que ver no Centro de Artes Reina Sofia
Poucas vezes neste mundo um acervo de arte ganhou uma embalagem tão magnífica quanto na sede principal do Centro de Artes Reina Sofia. 

Adoro a modernidade rasgada do Edifício Nouvel — a porção nova dos dois edifícios que integram o conjunto — onde uma profusão de imensas vidraças reflete e dialoga com as linhas quase soturnas do velho hospital do século 19, o Edifício Sabatini, onde está instalada a maior parte das coleções.

O móbile de Calder e, ao fundo, o Edifício Sabatini
Se a embalagem é um escândalo, o recheio é de matar de paixão. O acervo do Reina Sofia é uma declaração de amor ao Século 20. 

O cartão de visitas do museu, no pátio de entrada, é logo uma escultura de Roy Lichtenstein, A Pincelada (que, dependendo do ângulo, eu acho a cara do Bip Bip, do desenho animado).

A farra continua com o gigantesco mobile de Alexander Calder exposto em um jardim interno, e explode nos 27 metros quadrados mais viscerais da história das artes visuais, a Guernica, de Picasso, em exibição em um salão do segundo andar do Edifício Sabatini — só ela já seria motivo suficiente para se atravessar o Atlântico ou até a galáxia.

A Biblioteca do Centro de Artes Reina Sofia

Mas aviso: ir ao Centro de Artes Reina Sofia só para ver a Guernica é pecado — a não ser que você esteja apenas fazendo uma conexão em Madri e tenha dado uma fugidinha do aeroporto. Aí, tá perdoada 😊.

A Guernica é a obra mais famosa da mostra dedicada à “Eclosão do Século 20: utopias e conflitos” (La irrupción del siglo XX: utopías y conflitos), um período especialmente turbulento da História da Espanha — o bombardeio da vila basca de Guernica, que inspirou a tela de Picasso, é um dos muitos episódios dolorosos da Guerra Civil Espanhola (1936-1939).

O pátio de entrada do Reina Sofia 
visto do terraço do quarto andar do Edifício Nouvel
O acervo dessa seção abarca a arte produzida a partir do alvorecer da Belle Époque ( final do Século 19) e se concentra nas vanguardas do início do Século 20.

As diversas sessões do acervo do Reina Sofia escalam um timaço: tem MagritteMiróSalvador DalíFernand LégerJuan GrisTorres-García...

Catálogo do acervo de fotos de Robert Capa no Reina Sofia


Outra parte espetacular do acervo do Reina Sofia é dedicada à fotografia — como destaque para uma coleção de imagens do meu ídolo Robert Capa, talvez o maior cronista da Guerra Civil Espanhola (e olha que suas fotos tiveram a concorrência de textos como os de André Malraux e Ernest Hemingway).

Na minha primeira visita a Madri, comprei na livraria do museu um livro/coletânea de Capa que é simplesmente um dos meus bens mais preciosos.

A entrada do Museu do Prado, na parte de trás do edifício
⭐ Museu do Prado
🏠 Paseo del Prado s/n. Estações de Metrô mais próximas: Antón Martín (Linha 1), Sevilha e Banco de España (ambas na Linha 2). 
Bilheteria e entrada: Calle Ruiz de Alarcón nº 23

🕒 Horário:
aberto diariamente, das 10h às 20h (aos domingos e feriados, fecha uma hora mais cedo).

💲 Preço do ingresso: € 15. Grátis de segunda a sábado, das 18h às 20h, e aos domingos e feriados, das 17h às 19h.

750 metros separam o Reina Sofia do Museu do Prado, uma caminhada deliciosa pelo Paseo del Prado
Prontinho para completar 200 anos de funcionamento em 2019, o Museu do Prado, pra mim, só perde para o Louvre na categoria museusão blockbuster, aquelas instituições com acervo enorme e que viram obrigação para qualquer viajante.

Mas o Prado é um blockbuster simpático e essencial. É o museu mais frequentado da Espanha e ocupa o 9º lugar no ranking mundial de público, com quase milhões de visitantes por ano. Num cálculo arredondado, dá uma média de 8 mil pessoas passando por lá todos os dias.

O Museu do Prado. À direita, a estátua do pintor Diego Velázquez, em frente à fachada principal do edifício
Velázquez no Museu do Prado: A Rendição de Breda
A amplidão dos salões do Prado e a disposição do acervo, porém, permitem que a gente circule e veja as obras sem aquela sensação opressiva de estar no meio de uma multidão, mesmo nas épocas de maior movimento, como os feriados de fim de ano.

➡️ O que ver no Museu do Prado
Se fosse um museu só com pintores espanhóis, o Prado já seria deslumbrante. Mas além de Goya, Murillo, Navarrete, Velázquez, Zurbarán, Sorolla e El Greco (apenas 42 obras do meu pintor preferido!), ainda tem alemães, italianos, flamengos, franceses e britânicos...

Uma Anunciação, de El Greco - que pintou várias telas com esse tema - e a sua versão da Trindade

Você sai do elevador, no primeiro andar, e dá de cara com O Banquete de Herodes e a Decapitação de S. João Batista, de
Bartholomäus Strobel, uma alegoria sobre a frivolidade cortesã. A partir daqui, é preciso guardar a câmera fotográfica, pois é proibido fazer imagens do acervo
O núcleo da coleção do Museu do Prado foram os acervos reunidos principalmente pela realeza espanhola — as dinastias podiam mudar, mas parece que os monarcas eram todos fãs de pintura. 

Isso faz com que o acervo do Prado seja também uma crônica dos gostos reinantes nas cortes de cada período — lembrando a influência que isso tendia a ter na sociedade, em geral.

Antonello de Messina: Cristo morto amparado por um anjo, e o São Jerônimo de José de Ribera
Uma consequência da origem de seu acervo é que o Prado é basicamente uma coleção de obras de monstros sagrados, uma sucessão de pintores mais do que conhecidos, verdadeiros pop stars de seu tempo. 

Mas vale a pena prestar atenção ao nomes menos badalados, como o siciliano Antonello de Messina e José de Ribera, o mais caravaggesco dos espanhóis. 

➡️ Uma dica: Patrícia Camargo, do Blog Turomaquia, tem uma guia bárbaro do Museu do Prado, que você pode comprar e baixar no tablet ou smartphone. É um jeito de compreender mais sobre as obras, o contexto histórico em que foram criadas e sua importância artística.

A Igreja de San Jerónimo el Real pertencia a um dos mosteiros mais importantes de Madrid. Seu claustro foi integrado ao museu
A lista de obras primas expostas no Museu do Prado é interminável. Talvez as maiores referências de seu acervo sejam As Meninas, uma cena da corte que está entre os trabalhos mais conhecidos de Velázquez, e a série de Goya sobre o Levante de Madri contra as tropas napoleônicas, em 1808 (os Fuzilamentos do 3 de Maio, por exemplo).

A visita ao Museu do Prado é programa para um dia inteiro. Se não quiser almoçar lá mesmo, dê uma saidinha e escolha uma taberna simpática no Bairro das Letras, que é do lado — fale com o segurança que você vai voltar. Na minha última visita, eles estavam carimbando o ingresso para garantir a reentrada.

Dos museus de Madri, o Prado é o mais essencial e uma das atrações mais prazerosas da cidade.

A exposição de Dürer e Cranach no Thyssen
⭐ Museu Thyssen-Bornemisza
🏠 Palácio de Villahermosa, Paseo del Prado nº 8. Estações de metrô mais próximas: Sevilha ou Banco de España, ambas na Linha 2
Site > Museo Thyssen-Bornemisza
🕙 Horário: de terça a domingo, das 10h às 19h.
💲 Ingresso: € 12. Às segundas-feiras, tem visitação gratuita das 12h às 16.

Para completar a trinca classe A dos museus de Madri, não deixe de visitar o belo acervo do Museu Thyssen-Bornemisza, um painel sobre a produção artística desde a Idade Média (Século 13) aos Modernos (Século 20).

O Thyssen é uma senhora pinacoteca que engana o visitante: na primeira vez que fui lá, no meio de uma tarde de inverno, olhei a fachada do edifício, no Paseo del Prado, achei que bastariam duas horas para ver as coleções. Ledo engano: tive que voltar no dia seguinte.

No Museu Thyssen-Bornemisza você vai encontrar os grandes mestres da pintura e também os transgressore. Tem Caravaggio, Rembrandt, El Greco e Rubens, mas também tem uma pá de impressionistas (Degas, Manet, Van Gogh, Gaugin) e uns modernos de morrer de paixão (Paul Klee, Roy Lichtenstein)

Uma das características bacanas do Museu Museu Thyssen-Bornemisza é que a instituição é danadinha pra montar umas mostras temporárias imperdíveis. Em janeiro de 2008, vi uma exposição comparada de trabalhos de Dürer e Cranach, quase toda montada com acervo da casa. Vale a pena ficar de olho na programação do museu durante sua estada em Madri, porque sempre tem coisa boa (e diferente) por lá.



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6 comentários:

  1. Eu AMEI o Thyssen-Bornemizsa!! Tudo bem que fui influenciada pelas aulas de História da Arte que tinha acabado de ter na faculdade (e portanto, lembrava de tudo direitinho), mas o que mais gostei foi da surpresa! Não esperava um museu tão bom e grande, com uma surpresa de quadro conhecido e/ou interessante a cada passo! Sabe aquela história de a cada sala que vc entra, vc reconhece pelo menos 1 quadro? Aconteceu isso comigo lá e eu fiquei encantada! Só visitei na minha 2a vez na cidade e o Reina Sofía (que confesso que não fiquei fã) só na 1a. Já o Prado, fiz questão de ir nas 2 vezes que estive em Madri.

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    1. Acho que museus também têm essa coisa de "bater com o nosso santo" ou não, Fernanda. Tem alguns, muito badalados, com os quais não consigo simpatizar muito. Já falei várias vezes aqui no blog que acho o acervo do Louvre um espetáculo (e faço questão de passar por lá *sempre* que estou em Paris), mas não curto muito a enormidade do museu, a multidão e o barulho (parece que toda vez que vou lá, sou seguida de perto por alguma excursão garagalhante, galera que preferia mil vezes estar em outro lugar e mata o tempo falando alto, rsss). Esses três museus de Madri conseguem ser espetaculares sem serem opressivos. E o Reina Sofia, meu favorito, conjuga acervo com arquitetura de um jeito raro. Dê uma nova chance pra ele :)

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    2. O problema é que não vou voltar a Madri tão cedo! (infelizmente) Visitei o Reina Sofia muito nova, nas férias entre o colegial e a faculdade e se até hoje não sou fã de artes mais modernas, naquela época então! rs

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  2. É engraçado, sempre digo que não curti Madrid e por isso não tenho histórias ni blog. Mas lendo sobre os museus e relembrando através de suas imagens, lembrei que foram passeios encantadores! Como a Fernanda, preciso dar uma segunda chance para o Reina Sofia e, acredito, para a própria cidade!! BjO

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    1. Paula, eu acho que Madri perde sempre na comparação com Barcelona (e eu não me conformo com isso, rsss). Talvez meu primeiro encontro com a capital espanhola, com o altíssimo astral do fim do ano, tenha criado essa alegria que eu sinto, sempre que passo por lá. Adoro tudo na cidade. Acho que você ia curtir essa segunda chance, sim :)

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    2. ah, vc tem que voltar pra Madri! Não me conformo que ainda não conheço Barcelona. A expectativa tá super alta, ainda mais com tanta gente que prefere Barcelona a Madri... Se eu já amei Madri, imagina Barcelona. Mas entendo que realmente BCN tem mais a ver com o que brasileiros gostam (praia, festas, cores, etc) e aí acabam não curtindo Madri, mesmo pq a maioria não curte museus... E muitos com viagens apertadas nem visitam a capital pq BCN já tem a fama de ser sensacional e Madri ser + séria... E a fama de BCN cresce sempre mais e a coitada Madri vai ficando pra trás hehehe Eu fui a 1a vez rapidinho mas gostei de verdade da cidade só na 2a vez 4 anos depois que fiquei uma semana na casa de um amigo - aí é outra história, né? Paula, pelo que leio nos seus posts, vc tem tudo para gostar de Madri - acho que é uma cidade pra quem vai com calma - na correria, acaba ficando ofuscada por BCN!

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