terça-feira, 7 de maio de 2013

Quito: primeiras impressões

De manhãzinha...
(Calle Garcia Moreno, Centro histórico. Ao fundo, a Virgem Quiteña no alto da montanha)
Cheguei a Quito na segunda-feira passada, depois de 24 horas entre voos e esperas, com paradas longas em São Paulo e Lima. O Equador me recebeu com um temporal bíblico. As trombetas do apocalipse fecharam o aeroporto e provocaram deslizamentos de terra na pista que liga o terminal à cidade.

Quando se coloca montanhas vertiginosas em plena Linha do Equador, o resultado é um clima de personalidade fortíssima, que não tem época do ano para soltar a franga.

Convento de El Carmén Bajo
Quito é assim, radical: quatro estações do ano no mesmo dia, todos os dias. Temporada seca, por aqui, só no curto espaço entre os solstício de inverno e o equinócio de primavera — do final de junho ao final de setembro, como os calendários incas marcavam tão bem.

Mais temperamental que o clima, só mesmo o trânsito da cidade, cada dia mais travado, até pela tendência dos quiteños mais endinheirados de se mudarem para os condomínios que proliferam nos llanos (vales nos arredores da capital). 

Exposição de fotos na Praça do Teatro, ou Plaza Chica.
Ao fundo, o Teatro Sucre
Quito da janela do meu quarto. O edifício "gótico" à esquerda é a Basílica del Voto Nacional, concluída no comecinho do Século 20, mas com cara de catedral medieval
Minha primeira manhã em Quito começou meio carrancuda, mas lá pelas 9 horas o sol abriu de vez para mostrar uma cidade que escala sem a menor cerimônia o Vulcão Pichincha e outras três montanhas que a circundam. Uma obra prima de equilíbrio, aquela miríade de casas e até arranha-céus galgando as escarpas vertiginosas que já nem tentam fingir que limitam o traçado urbano da capital equatoriana.

Engraxate em frente à estação do tólebus de La Mariscal e uma fachada neoclássica no Centro Histórico
Do bairro de La Mariscal (onde se hospedam nove entre dez turistas) até o Centro Histórico, a melhor maneira de chegar é de trólebus. Meu passeio pela área — considerada o maior conjunto arquitetônico colonial da América do Sul — começou na Plaza del Teatro, um quadrilátero quase intimista, considerando-se a amplidão que o colonial espanhol gostava de imprimir às suas praças. 

Palácio de Carondelet, sede do governo do Equador,
na Plaza Grande
Do outro lado da praça está a Catedral
Dominada pelo belo Teatro Sucre, do Século XIX, ela serve de antessala para o espetáculo que vem a seguir, na medida em que se sobe a ladeira quase suave (não fosse o leve soroche do primeiro dia na altitude) rumo à Plaza Grande (oficialmente Plaza Independencia) e à Plaza San Francisco, outrora centro cerimonial e político da cidade inca.

Cortininhas nos ônibus...
Meu primeiro olhar sobre Quito não viu uma cidade propriamente bonita — essa é daquelas sutis, que vão chegando aos poucos no gosto da gente — mas instigante.

O conjunto colonial, o primeiro do mundo a ser tombado como Patrimônio Histórico pela Unesco, está perfeitamente integrado ao dia a dia da cidade, com quem parece manter uma conversa permanente, bem coloquial. Tem impressas as marcas do uso e, em contrapartida, uma vitalidade contagiante.

As excursões escolares aos prédios históricos são uma constante no Centro de Quito. Ao fundo, a Catedral
Depois de admirar as contruções em torno das três praças mais famosas do Centro Histórico, não deixe de entrar na Catedral e nas igrejas de San Francisco e La Compañia, a igreja dos Jesuítas, cujo interior, com detalhes mudéjares e totalmente recoberta de ouro, é uma visão que simplesmente não é deste mundo (tem post sobre elas. Clique aqui).

A rebuscada fachada de La Compañia, talhada em pedra vulcânica
Piñatas numa loja de festas infantis
Quito tem mais de quatro milhões da habitantes, um trânsito pavoroso e todas as comodidades de uma capital moderna. Mas a cidade mantém um ar que o esnobismo cosmopolita arriscaria chamar de ingênuo. São cortininhas nos ônibus (que, aliás, são mais enfeitados que os jegues da Lavagem do Bonfim, no tempo politicamente incorreto em que os bichinhos puxavam as carroças rumo à Colina Sagrada), os uniformes retrô dos estudantes e as casas de festa que vendem piñatas decoradas com papel crepom para aniversários infantis.

A menininha estava fazendo a maior farra com os pombos, na Plaza San Francisco. À direita, o horizonte de Quito com a onipresente imagem da Virgem alada
Aos pouquinhos, aclimatando os olhos e o fôlego (2.800 metros de altitude não são brincadeira), fui descobrindo uma cidade cada vez mais interessante. Nos próximos posts eu conto mais sobre Quito e minhas visitas a Otavalo, Cotacachi e ao elegantíssimo Vulcão Cotopaxi. Não perca os próximos capítulos da Fragata.

Praça de San Francisco
Mais sobre Quito

O Equador na Fragata Surprise

Curtiu este post? Deixe seu comentário na caixinha abaixo. Sua participação ajuda a melhorar e a dar vida ao blog. Se tiver alguma dúvida, eu respondo rapidinho. Por favor, não poste propaganda ou links, pois esse tipo de publicação vai direto para a caixa de spam.
Navegue com a Fragata Surprise 
Twitter     Instagram    Facebook    Google+

Um comentário:

  1. Uma delícia de texto, com informação de qualidade. As imagens então!! eu piro, de tanta qualidade em luz e angulos perfeitos. Como não posso me dar ao luxo e aos riscos de estar a 2.800 metros (já estive a 2.300, em escarpas rochosas, escorregadias em limo neblinado, no Pico dos Barbados, Chapada Diamantina- Bahia, que um dia em procuro a matéria e compartilho), então, vou me deliciando em filminhos de verbos subvertidos em imagens super color. Muito legal mesmo esse serviço de puro altruismo, presenteado com tanta alma. Parabéns e espero o próximo, para vc nos contar as emoções da quintura do Cotopaxi.

    ResponderExcluir