sexta-feira, 10 de maio de 2013

Equador - dicas práticas

Los Ilinizas, as belas montanhas no caminho para o vulcão Cotopaxi. Em primeiro plano, à esquerda, orejas de conejo (orelhas de coelho), plantas típicas do Páramo, a vegetação das encostas andinas nessas latitudes
Sou louca pelas cidades coloniais das Américas e fazia tempo que vinha planejando uma visita a Quito para ver seu Centro Histórico, o primeiro a ser tombado pela Unesco como Patrimônio da Humanidade, ainda na Década de 70. Finalmente, pintou a oportunidade nesse feriadão de maio. Agenda apertada, voos completamente malucos (basta dizer que, no retorno, fui fazer a volta em Buenos Aires), mas gostei muito de ter ido ver esse país que combina o relevo apaixonante dos Andes com os humores do clima equatorial.

Bem menos popular entre os brasileiros que outros vizinhos sul-americanos, o Equador tem paisagens, patrimônio histórico e ainda preserva uma forte presença das culturas tradicionais no dia a dia das cidades. Nos cinco dias que fiquei por lá, vi um pouco dos tesouros coloniais de Quito e visitei Otavalo, célebre por seu mercado, e Cotacachi, uma simpática cidadezinha que vive da indústria do couro.

O vulcão Cotopaxi, meio tímido, entre as nuvens. Essa foto foi feita a 4.500 metros de altitude
A 4.500 metros de altitude, contemplei o impressionante vulcão Cotopaxi, um sujeito tão bonito que me deixou sem fôlego, tonta e de pernas bambas (ou teria sido o soroche?). Meio a contragosto, estive na Mitad del Mundo, um parque nos arredores da capital onde a principal atração é a Linha do Equador, e acabei achando o lugar interessante.

A seguir, algumas informações práticas sobre a viagem, para ajudar você a planejar a sua visita ao Equador:

A Plaza San Francisco, em Quito: a igreja e o mosteiro da ordem religiosa foram erguidos sobre o centro cerimonial da cidade inca
Como chegar
O principal motivo para eu ter adiado tanto minha ida ao equador é que, até recentemente, frequências aéreas para lá eram poucas, o que encarecia muito a passagem. Com a aliança da TAM/LAN (a companhia chilena tem vários voos para Quito) e o início das operações da equatoriana Tame em Guarulhos, com voos diretos para Guayaquil, os preços caíram bastante.

As rotas, porém, continuam meio tortuosas. Como o bilhete da Tame estava muito mais caro para o período da minha viagem, escolhi voar pela LAN, via Guarulhos e Lima, na ida, e Buenos Aires e Galeão, na volta. Uma verdadeira odisseia — mas não vou reclamar da tarde/noite de sábado que passei na Plaza Serrano, na capital argentina, nem do adorável domingo com amigos, em Niterói.

A passagem custou cerca de R$ 1.500, bem menos do que ando pagando para ir a Salvador ver a família...
A Virgem Quiteña pairando sobre a cidade
Do aeroporto ao centro
Quito acaba de estrear um aeroporto novinho em folha, também chamado Mariscal Sucre, como o antigo, e que fica bem distante do centro da cidade. Sem trânsito, a viagem leva cerca de 45 minutos — mas sem trânsito, em Quito, significa no meio da madrugada.

Em horários normais, prepare-se para mofar entre uma hora e meia e duas horas no táxi, que tem tarifas tabeladas, de acordo com o bairro de destino.

Para o bairro de La Mariscal, onde fica a maioria dos hotéis, a corrida custa US$ 26. Uma alternativa é pegar o ônibus executivo, que custa US$ 8. Ele deixa os passageiros no aeroporto antigo, bem no centro da cidade.
Outro ângulo da Praça San Francisco 
Dinheiro
A moeda do Equador é o dólar, ele mesmo, o verdinho de Tio Sam. O país cunha moedas próprias de 1, 5, 10, 25 e 50 centavos e de 1 e 2 dólares. Não reclame se recebê-las como troco, é normal. Só livre-se delas antes de deixar o Equador, pois terá dificuldade em trocá-las, quando sair de lá.

A opção pelo dinheiro gringo não faz do Equador um país exatamente barato, mas não é nada que meta medo. É verdade que não frequentei restaurantes estrelados, mas nenhuma das minhas refeições custou mais que US$ 20 e o normal era pagar a metade disso. Os táxis são muito baratos, sempre na faixa dos US$ 3, para deslocamentos entre as áreas frequentadas pelos viajantes.

O Imbabura, vulcão extinto que o povo otavalo considera seu ancestral

O Palácio de Carondelet, sede do governo do Equador
Se você for fazer câmbio antes de viajar, evite ao máximo trocar seus reais por notas de US$ 100. Andar com uma delas pelas ruas de Quito é o mesmo que sair sem dinheiro, pois ninguém tem troco (e muita gente desconfia da autenticidade das cédulas). Eu tive que fazer saques de valores baixos, tipo US$ 30 e US$ 20, em caixas eletrônicos, pois nem no hotel conseguia trocar as notas mais altas. 

Os equatorianos também parecem ser alérgicos aos cartões de crédito e você provavelmente só conseguirá usá-los em estabelecimentos maiores, como hotéis de rede, lojas de departamentos e restaurantes elegantes.

O Centro Histórico de Quito preserva um imenso conjunto arquitetônico colonial. Reserve um tempinho pra ver as principais atrações com calma
Mercado de Otavalo, a cerca de 100 km de Quito
Segurança
O Centro Histórico de Quito é muito bem policiado e iluminadíssimo à noite, mas os viajantes são aconselhados a tomar todos os cuidados recomendáveis para quem circula por uma metrópole de 4 milhões de habitantes (metade deles na municipalidade de Quito).

Fiquei um pouquinho mal impressionada com o astral de La Mariscal, o bairro onde me hospedei (e onde ficam 90% dos turistas), que concentra umas galerinhas mal encaradas em alguns pontos. Os quiteños com quem conversei sempre me aconselhavam a sair sem bolsa, à noite, com a carteira e o celular no bolso interno do casaco.

A Plaza Foch, no bairro de La Mariscal, é um dos principais centros de agito noturno
Saí para jantar por lá todas as noites: ia a pé e voltava de táxi e sempre correu tudo muito bem. A Plaza Foch, o centro fervidíssimo do bairro, é segura e bem policiada, mas é fundamental ficar esperta na chegada e na saída da praça, nas ruas do entorno.

A cidade vista do mirante da Virgem Quiteña
Como circular em Quito
Durante o dia, não tenha dúvida: use o trólebus para circular entre La Mariscal e o Centro Histórico. Você vai pegar menos congestionamentos, já que eles trafegam numa faixa exclusiva, e o bilhete custa apenas US$ 0,25.

Os táxis, como já disse são baratos, mas atenção à pegadinha: embora tenham taxímetro, a maioria dos motoristas prefere cobrar um preço fixo pela corrida. Informe-se no hotel o preço aproximado de cada deslocamento e negocie direitinho antes de embarcar. Alguns espertinhos chegam a cobrar US$ 5 por corridas que custam, no máximo US$ 1,5.

A Virgem Quiteña e uma rua do Centro Histórico
O Equador na Fragata Surprise

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7 comentários:

  1. Oi, Cynthia. Tudo bem? :)

    Seu post foi selecionado para a #Viajosfera, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Natalie - Boia

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  2. Oi Cintia
    Li em um outro post acerca de um passeio de bicicleta no vulcão Cotopaxi.
    Irei ao Equador agora em maio, e no meu roteiro está incluído passeio ao vulcão.
    Vc teria alguma outra informação sobre esse passeio de bike, quanto tempo demora, custo, se é contratado no local ou previamente?
    Vai que o frio dá uma trégua ....
    Obrigado
    Mauro

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    Respostas
    1. Oi, Mauro.
      Eu contei a história desse passeio de bicicleta aqui neste post:
      http://www.fragatasurprise.com/2013/05/um-colosso-chamado-cotopaxi.html

      A ida ao vulcão é programa para o dia todo. Os grupos saem de manhãzinha e voltam no final da tarde. O passeio que contratei previa a descida da encosta do Cotopaxi de bike, mas estava mesmo muito frio (o vento não deixava ninguém andar em linha reta).

      Você tem que contratar previamente, porque a mesma agência que for lhe levar, já leva junto a bike. Lá no post tem o nome da agência.
      Abraços e aproveite o Equador, que é muito bacana :)

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  3. Oi Cyntia!
    Bem legal seu relato sobre o Equador!
    E Galápagos, você deixou para outra vez? Estamos, eu e Isadora minha filha, estamos pensando em ir até lá. Os relatos (Pelo Mundo de Mari Campos....) são bem interessantes. Mas, já percebi que a logística não será fácil. O que você acha deste destino? Nosso próximo período de férias será em dezembro, entre 26/12 e 04 de janeiro.
    Bjs.
    Ana Silvia

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    1. Oi, Ana, realmente, deixei Galápagos para uma próxima viagem, pois tinha pouco tempo e resolvi concentrar o roteiro em Quito e arredores. Talvez dezembro/janeiro não seja a melhor época para visitar o Equador, pois tanto no litoral qto na Cordilheira essa é a estação das chuvas. Ando louca para ir a Galápagos, quem sabem em junho 2015 :)

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  4. Oi Cyntia,
    Amei sua serie do Equador. Estou de saida pra lá na proxima semana, com um monte de dicas anotadinhas. Obrigada por compartilhar. Ah, não só a serie do Equador, achei muita coisa boa por aqui.Seu blog é excelente.

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    Respostas
    1. Obrigada, Flora, fico super feliz. E depois não deixe de contar como foi a viagem. Eu adorei o Equador e acho muito legal que cada vez mais nós, brasileiros, estejamos nos interessando pelo país :)

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