segunda-feira, 28 de março de 2011

Carcassonne - dicas práticas

A Cité (cidade medieval) fica linda ao cair da tarde. Um bom lugar para ver as pedras mudando de cor é a Pont Vieux, de onde foi feita essa foto
Como chegar a Carcassonne
Hoje é bem fácil ir a Carcassonne, cujo aeroporto já recebe até voos internacionais. A Ryanair, por exemplo, voa para lá direto de Dublin, Londres, Liverpool, Eindhoven (Holanda), Bruxelas e Porto.

O mais comum, porém, é chegar de trem, via Narbonne. Foi o que eu fiz, partindo de Barcelona, (Estação de Sants), com troca de trens em Figueres, e com direito a subir e descer muitas escadarias para trocar de plataforma, arrastando a mala.

(Atualização em 10/12/2013: com a entrada em operação dos novos TGVs entre a Espanha e a França, já não é mais necessária essa troca em Figueres e dá pra seguir direto até Narbonne. A dica é de Ricardo Freire, do Viaje na Viagem). 

A estação ferroviária de Carcassonne. 
Uma daquelas malas vermelhas é a minha 😎
De Barcelona Até Narbonne, a viagem é feita em trens rápidos, tipo TGV. Depois, mais meia hora em um trem regional e a gente já avista as torres da Cité de Carcassonne (a cidadela medieval). Pagamos, cada uma, cerca de € 45 por todos os trechos, ida e volta, na segunda classe.

A Alsa tem ônibus que saem da Estação de Sants, em Barcelona, mas, francamente, os horários são medonhos (1:35h e 1:50h da manhã, chegando às 6:h30). O bilhete de ida e volta custa € 60.

Para checar os preços e os horários dos trens, consulte os sites da Renfe (Espanha) ou da SNCF (França).

Onde se hospedar em Carcassonne

Escolhemos um hotel na parte "nova" da cidade,
onde os prédios têm pelo menos um século de idade
Hotel Astoria
18 rue du Tourtel

Este simpático duas estrelas fica a menos de três quadras da Estação Ferroviária e quase em frente ao Canal du Midi. Foi recomendado por uma moradora de Carcassonne, uma senhorinha solícita que nos viu dar com a cara na porta do posto do Escritório de Turismo, fechado durante o inverno.

Chegamos sem reservas, mas recomendo que você não faça isso em temporadas mais concorridas, como a primavera e o verão. Embora a cidade seja destino frequente de gente que vem só passar o dia, cada vez mais gente dorme em Carcassonne para ver a beleza da Cité iluminada à noite.




O Astoria é um hotel simples, pequeno, tocado por um casal jovem e simpático. O conforto é bem basiquinho: apartamento com telefone, TV, secador de cabelo — que depois da hospedagem espartana em Barcelona me pareceram luxos.

Aliás, depois de quatro noites na Pensão Alamar, no Bairro Gótico de Barcelona, quase comemorei com champanhe nosso espaçoso banheiro privativo. Alguns apartamentos do Astoria, porém, têm banheiros compartilhados.

Eclusa do Canal du Midi, em Carcassonne, quase em frente ao nosso hotel
A parte chata do Astoria é que ele não tem elevador e os quartos ficam no segundo andar. O pessoal do hotel carregou a minha mala na chegada, mas na hora de ir embora eu cheguei a pensar em atirá-la pela janela para me poupar o trabalho (essa viagem foi uma carregação de malas inesquecível...) A diária no apartamento duplo foi de € 72.

Casarão na "parte nova" da cidade
Claro que, como todo mundo, eu teria preferido me hospedar na Cité para caminhar pelas ruas da cidade amuralhada à noite, embasbacada com a beleza do castelo iluminado.

Do ponto de vista prático, porém, foi melhor ficar na "parte nova" de Carcassonne. Dentro das muralhas, os automóveis não podem trafegar — e eu não queria nem pensar em arrastar a mala ladeira acima, naquele calçamento. E, mesmo fora da cidade amuralhada, as diárias do outro lado do Rio Aude são muito inflacionadas.

A Pont Vieux, sobre o Rio Aude, une a Bastide à Cité
Quanto às caminhadas noturnas e às visões alucinógenas do castelo iluminado, dá uma olhada nos outros posts sobre Carcassonne pra ver que nossa opção de hospedagem não atrapalhou em nada esses prazeres.

Hospedagem comentada – índice reúne todos os posts sobre o tema publicados no blog

Onde comer em Carcassonne

Cassoulet, o prato inventado em Carcassonne
Carcassonne não é só uma cidade linda e cheia de história. Ela também é a pátria do cassoulet, o célebre prato francês à base de feijão branco, pato e linguiça de porco.

A iguaria — perfeita no frio inclemente dos Pireneus no início de março — é onipresente nos cardápios dos restaurantes da cidade. Evite, porém, os arredores da Place Marcou, na Cidadela, pois a área é excessivamente turística e os garçons são de uma antipatia ímpar.

A Place Carnot, na Bastide, tem uma feirinha ótima
 para incrementar o farnel do piquenique com frutas fresquinhas e produtos regionais
Mas nem só de feijões e coxas de pato vive a gastronomia local: fizemos ótimos piqueniques com os patés e terrines comprados na feira da Place Carnot e nas lojinhas de produtos regionais. Comemos crepes inesquecíveis na Maison Aimé Pech e até experimentamos uma culinária "caseirinha-ousada" no simpático Le Pott'age, especializado em sopas.

Maison Aimé Pech
21, rue Cros-Mayrevieille, Cité




Este salão de chá e patisserie da família Pech está em Carcassonne desde 1931. Fica dentro das muralhas, logo depois da Porte Narbonnaise. Acolhedor, aconchegante e com um atendimento muito simpático. O chocolate quente estava excelente, mas eu delirei mesmo foi com o crepe de limão.

Chez Félix 
11 Place Carnot, Bastide

Se você quiser tomar um cálice de conhaque ou calvados ao lado de moradores de Carcassone, este é o lugar. Funciona como bistrô, mas o forte mesmo é o drinque da happy hour, nas mesinhas do lado de fora, com vista para a fonte de Netuno e as belas fachadas da praça.

Velhas fachadas e a Fonte de Netuno, cenas da Place Carnot
La Rotonde
13 Boulevard Omer Sarraut, Bastide

Esta brasserrie, popular entre os turistas, serve porções pantagruélicas de um delicioso cassoulet a 12 Euros — eu teria ficado satisfeita só com a imensa coxa de pato que « adornava » a caçarola de barro. Boa pedida.

Le Pott'age
55, Rue de Pont Vieux, Bastide

Pequeno, caseiro e com ótimo atendimento, esse restaurante é frequentado pela moçadinha local e fica a poucos metros de Pont Vieux, o melhor camarote para apreciar a cidadela iluminada. Como fazia um frio de rachar, pedi uma sopa de castanhas com foie-gras interessantíssima. Simone também amou o quiche de tomate e queijo. Jantar com vinho em taça a € 10 por pessoa.

O índice Comes&Bebes relaciona todos os posts sobre o tema publicados no blog

O que fazer em Carcassonne

Um pátio do Chateau Comtal, o castelo da Cité medieval
A principal atração da cidade é a Cité de Carcassonne (a cidadela medieval, do Século 12), que ganhou dois posts só pra ela (siga o link).

Do outro lado do Rio Aude está a Bastide, ocupação amuralhada do Século 13, que se converteu no centro da cidade e que merece ser bem explorada, também. Mesmo na "parte nova" da cidade não é incomum encontrar construções mais que centenárias.

Square Gambetta, na Bastide
Passe a noite em Carcassone. Muita gente visita a cidade apenas em um bate e volta e perde o mais bonito, que é a Cité iluminada, pairando sobre o Rio Aude e sobre um sossego que parece do outro mundo. Experimente parar na Pont Vieux (a ponte sobre o Rio Aude), e olhar aquelas muralhas e torres e você vai ver que eu tenho razão.

Será que te convenci a passar a noite na cidade?

O Canal du Midi, na parte "nova" da cidade
Aventure-se sobre as águas - Carcassonne é cortada pelo Rio Aude e pelo Canal du Midi, via artificial de navegação construída no Século 17 para o transporte de mercadorias entre o Atlântico e o Mediterrâneo.

O Midi é o mais antigo dos canais franceses e hoje só é usado para passeios turísticos. De abril a outubro, várias penichettes partem de Carcassonne, lotadas de turistas, para explorar os arredores. Há opções de passeios que combinam navegação e piquenique, bacanas para ver um pouco dos campos do Languedoc-Roussillon. 

No inverno não há excursões e os barquinhos ficam ancorados
 no Canal du Midi. Ao fundo, a Estação de Trem
Também é possível alugar sua própria penichette e fazer o seu roteiro (algumas têm bicicletas, para você ancorar onde quiser e sair para uma volta nas redondezas). Para maiores informações, veja o site do Escritório de Turismo da cidade.
A França na Fragata Surprise

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4 comentários:

  1. Oi! :) Existe trem de Paris a Carcassone? Se eu optar por conhecer Rodes, na Grécia, ao chegar na França vou me decepcionar com Carcassone? Qual das duas medievais vc achou que vale mais a pena?

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    1. Oi, Marília, há um trem noturno de Paris para Carcassonne, saindo da Gare de Austerlitz ( veja no site da SNCF, a empresa francesa de trens). São 7 horas de viagem. Se vc não gostar de passar a noite no trem (eu detesto), dá para quebrar o percurso, indo até alguma cidade mais ao sul, como Toulouse ou Montpellier, de onde é fácil chegar a Carcassonne de trem.

      Sobre a dúvida entre Carcassonne e Rodes, só posso lhe dizer que ambas são maravilhosas, mas muito diferentes. Adorei as duas e acho que não é preciso escolher. Se eu fosse você escolheria a que ficasse mais conveniente no meu roteiro e deixaria a outra para uma próxima viagem :)

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  2. Indo para carcassone.. nesse exato momento.. amei o post .. adorei as dicas! Pena que vai ser só um bate volta... bj

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    1. Obrigada. Espero que vc tenha curtido Carcassonne :) Realmente, a cidade merece mais que uma visitinha, mas já valem, né?

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