sexta-feira, 30 de maio de 2014

Quer ver lindezas de graça?
Vá à Universidade de Granada

O Salão do Oratório, no Palácio La Madraza,
sede da primeira Universidade de Granada
Em Granada, é quase impossível dar um passo pelas partes mais antigas da cidade sem dar de cara com alguma maravilha. Haja orçamento para pagar a entrada em todos os palácios, museus e mosteiros que aparecem no caminho. 

A notícia boa é que quando se tem uma Universidade com quase 500 anos — e que ainda por cima tem a política de manter vivos edifícios históricos, usando-os como sede de seus cursos — é fácil oferecer aos visitantes a possibilidade de contemplar parte do esplendor da cidade sem gastar um tostão sequer.
No pátio central de La Madraza, o piso de vidro deixa ver os vestígios do antigo espelho d'água da época moura (à esquerda). A escadaria já exibe elementos decorativos mais recentes, acrescentados a partir do Século 16
Melhor ainda, visitar alguns dos palácios que abrigam faculdades e escolas da Universidade de Granada é um jeito quase íntimo de ver suntuosos salões, galerias e pátios. O ambiente jovem e arejado dá um novo sentido a esses espaços (alguns deles exibindo obras de arte inestimáveis), integrando-os ao cotidiano, retirando aquela solenidade de museu que sempre coloca a beleza alguns andares acima de quem a contempla.
O exterior do Palácio La Madraza já não exibe características mouras
Na minha passagem pela cidade, visitei três desses prédios, a Faculdade de Tradução, a Faculdade de Direito e o Palácio La Madraza, o único que não funciona como escola, mas como espaço de exposições e eventos culturais e tem, portanto, mais cara de museu. Os três ficam bem próximos, na região da Catedral. As duas faculdades, por exemplo, são perfeitas para paradinhas estratégicas para tomar um café.


Palácio La Madraza

A Universidade de Granada, hoje uma das maiores da Espanha, com 80 mil estudantes, foi fundada em 1531, pelo imperador Carlos V. A tradição universitária da cidade, porém, é dois séculos mais antiga e vem da época moura, quando a Madraça (centro de estudos do Corão) da Mesquita Mayor já havia expandido as áreas do conhecimento que lecionava para abarcar a Matemática, a Medicina e o Direito.

La Madraza: à esquerda, detalhe do teto e da decoração em gesso nas paredes do Salão do Oratório. À direita, o teto do Salão dos Cavaleiros
Essa universidade moura, a primeira de Granada, funcionava no belo Palácio La Madraza, construído no Século 14. O exterior do edifício foi bastante alterado ao longo do tempo, mas uma cuidadosa restauração trouxe de volta preciosidades da era muçulmana, como o Salão do Oratório, decorado com o característico rendilhado em gesso e preciosa azulejaria.

Escavações arqueológicas feitas na década passada revelaram vestígios do espelho d’água que havia no pátio central da madraça — um piso de vidro permite ao visitante observar essa descoberta.


No Século 16, o palácio foi doado ao Ayuntamento de Granada (o governo local). É dessa época outra maravilha presente no edifício: o Salão dos Cavaleiros, no andar superior, que era a sede das reuniões dos mandatários de então. Dá vontade de deitar no chão para admirar melhor o forro do teto (e as fotos, com certeza, teriam ficado melhores) em estilo mudéjar, um intrincado e delicado quebra cabeças de madeira que não usa um prego sequer, só encaixes.

Palácio de Las Columnas

O jardim interno e a escadaria da Faculdade de Tradução
A Faculdade de Tradução, considerada a melhor da Espanha, funciona no antigo Palácio de las Columnas, do final do Século 18, pertencente à família Fernández de Córdoba, descendente do Gran Capitán (comandante militar a serviço dos Reis Católicos que é uma figura meio mitológica na cidade).

O edifício um jardim interno muito bonito, cercado por uma galeria envidraçada com um lindo gradeado em ferro. A dica para visitar a faculdade foi da guia que me acompanhou em um passeio a pé pelos bairros do Albaicín e de Sacromonte, que estudou lá. Ela me recomendou que não deixasse de prestar atenção à escadaria, que realmente é a principal atração do edifício.

Faculdade de Direito

A Faculdade de Direito eu descobri por acaso. O prédio, do Século 16, já foi sede do Colégio San Pablo, mantido pelos Jesuítas até o Século 18,quando a ordem foi banida da Espanha. Ele fica bem pertinho do Mosteiro de San Jerónimo (uma visita que me deixou apaixonada e que você não pode perder).

A Faculdade de Direito

Quando dei de cara com a fachada, fiz questão de entrar e fiquei boba. Os cartazes com horários de aulas, avisos, anúncios de festas e os indefectíveis avisos oferecendo vagas em repúblicas ou buscando parcerias para dividir apartamento — a cara de qualquer universidade — estão por toda parte e só dão um tempero mais bacana ao vetusto colégio.

O pátio central...
... e um jardim onde Garcia Lorca pode ter aproveitado o intervalo entra as aulas
Aproveitei a cantina para tomar um café e esquentar a alma e andei um bom tempo pelos pátios e corredores. Quando você estiver de bobeira pelo centro de Granada, não deixe de passar por lá. Quando debruçar no balcão da cantina, pense que o poeta Garcia Lorca, ex-aluno da Faculdade de Direito, pode ter apoiado o cotovelo bem ali...

Endereços
E ainda tem mapinha, pra facilitar a vida J
Palácio La Madraza - Calle Oficios, em frente à entrada da Capela Real da Catedral. De segunda a sábado das 10:30h às 13h e das 15:30h às 18:30h. Aos domingos, das 11h às 13h. Só visitas guiadas, que são realizadas a cada meia hora. Entrada gratuita.

Faculdade de Tradução (Facultad de Traducción e Interpretacion de la Universidad de Granada) - Calle Puentezuelas nº 55 (entre as ruas Santa Teresa e Obispo Hurtado). Não tem um programa de visitas. É só chegar (e aproveitar que os preços da cafeteria são camaradas).

Faculdade de Direito (Facultad de Derecho) – Plaza de la Universidad. Para ver, também é só chegar.

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3 comentários:

  1. Espetacular! Gosto bastante desses roteiros fora do circuito turístico principal, pois escondem pequenas preciosidades que só os locais conhecem! Obrigada por compartilhar conosco essa informação!

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    1. É tão bom, né, Natalia, descobrir algo perfeitamente integrado ao cotidiano e, ainda assim, super especial. Acho que esse é o grande prazer das viagens :)

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