segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Costa Amalfitana: dicas praticas

A chegada a Amalfi
Como chegar
Todo mundo sonha descer a Costiera Amalfitana pilotando um conversível, mas o que o cinema não mostra é o trânsito insano de Nápoles — a saída da cidade é tão caótica e as indicações são tão confusas que a gente acha que jamais vai atravessar o congestionamento.Até pensei em alugar um carro, mas acabei tendo um susto de lucidez e decidi ir de ônibus para Amalfi e lá fazer a minha base para visitar a região. Adorei a decisão.

Dez entre dez napolitanos vão lhe indicar o Molo (cais) Beverello como local de partida do transporte para Amalfi. Não estão errados: até outubro, os barcos zarpam de lá, assim como os ferries para Capri. Mas em novembro já não há barcos e os ônibus da SITA Bus partem do estacionamento do Molo Immacolatella, um pouquinho adiante. 

A paisagem da estrada, perto de Ravello
A passagem Nápoles-Amalfi custa 3,80 Euros (três e oitenta, mesmo. Não errei a digitação). Os ônibus, num tom de azul bem próximo ao da camisa da Seleção Italiana de Futebol, são confortáveis. Os assentos ficam bem acima do nível da rua- fantástica posição para ver as paisagens da Costiera.

Apesar de ser novembro e fazer um frio surpreendente, o meu ônibus saiu quase lotado. Ainda bem que cheguei cedinho, 8 da manhã. Após a partida, levamos cerca de 40 minutos embrenhados no engarrafamento napolitano, até cair na estrada que, no início, não tem nada de panorâmica: a Costiera Amalfitana (a Rodovia SS163), com suas visões hipnóticas, só começa depois de Sorrento. Até lá, relaxe, olhe as cidadezinhas no caminho e não tenha pressa.

A estrada: o frio na barriga permanente por transitar à beira do abismo
O ônibus atravessa – e para — em várias cidades, num pinga pinga que acaba sendo divertido, se você brincar de bisbilhotar a vida cotidiana desses lugares.

Na chegada a Meta, a coisa enganchou de vez. O ônibus foi parar na retaguarda de um enterro à moda antiga: todo mundo a pé (menos o morto, que, por razões mais ou menos óbvias, vai de automóvel). Parece que a cidade inteira segue o padre paramentado, entoando cânticos e preces. Até a procissão virar uma esquina, o engarrafamento da estradinha já devia remontar a alguns quilômetros.

Veja no mapa o meu roteiro na Costa Amalfitana. Clique nos ícones para ler as postagens referentes a cada cidade:



(Dias depois, em Ravello, tive a comprovação de que enterro, aqui no Sul da Itália, é coisa séria: os cartazes anunciando sepultamentos são pregados nas paredes e postes, igualzinho aos de concertos de Rock, noites temáticas de danceterias ou candidaturas a cargos eletivos. No enterro de Ravello, os sinos repicaram, os carros pararam, os motoristas desceram, fazendo o sinal da cruz... caramba, estou falando de enterros num post sobre a Costa Amalfitana...)

Quando finalmente atravessamos Sorrento é que começa o visual alucinógeno: lá estava a Costa Amalfitana aos meus pés — sim, porque os assentos altos dos ônibus nos colocam bem acima dos guardrails da estrada.

São quilômetros e quilômetros de lindos precipícios azuis, curvas inacreditáveis — de vez em quando, o ônibus precisa manobrar devagarinho para contornar a curva e, se vem carro no sentido contrário, aí é que o bicho pega mesmo.

Os ônibus (à direita) fazem ponto no píer de Amalfi
De Nápoles a Amalfi são três horas e meia de viagem. Mas a estrada é tão linda que eu toparia passar uma semana naquele ônibus.

Como circular
Do Píer de Amalfi partem ônibus para Positano, Sorrento, Ravello, Salerno e onde mais você queira ir. É só avisar ao motorista e ele para em qualquer um dos muitos pontos ao longo da estrada. O valor da passagem varia de acordo com o tempo de viagem, pelo sistema Unico Costiera, que oferece passes com validades de 45 minutos a três dias.

Unico Costiera- no site da SITA Bus você consulta tarifas, horários, preços e duração dos passes, tudo que é preciso para rodar de ônibus pela região. A empresa também opera em outras regiões da Itália. Como os preços dos ônibus são quase sempre mais em conta que os dos trens, vale a pena consultar o site e comparar opções.

Onde ficar
A vista da minha janela, de um lado...
... e do outro
É verdade que Ravello é muito mais chique e Positano é mais descolada. Mas a oferta de hotéis em Amalfi é mais variada: tem para todos os gostos e bolsos. Pela localização, mais ou menos no meio da estrada, Amalfi também acaba sendo mais prática para quem quer circular de ônibus entre as diversas cidades da região.

Pela venere.com, escolhi o Hotel Caprice, em Amalfi, a uns 200 metros do Pier, debruçado sobre o mar. Com muito gosto, paguei 10 Euros a mais de diária para ter um quarto com balcão. O apartamento é grande, o hotel é simpático e o café da manhã é servido numa varanda com vista espetacular. Tudo isso por 60 Euros, mas convém lembrar que era novembro, baixa temporada.

O amanhecer em Amalfi visto do balcão do meu quarto
Hotel Caprice 
Via Matteo Camera nº 5

Apesar de ficar a uns 200 metros da parada do ônibus, talvez você tenha uma certa dificuldade de encontrar esse hotel. Ele fica na entrada de Amalfi, no que você acha que deveria se chamar Costiera Amalfitana, mas que aqui ganha o nome de Rua Matteo Camera. É necessária alguma perícia para arrastar a mala de rodinhas ladeira acima, numa curva, e onde a calçada é uma adereço inexistente. Como ninguém vai à Costiera para morrer atropelado, todo cuidado é pouco.

O Hotel fica no terceiro andar de um prédio sem elevador. Lá em cima você vai encontrar um ogro muito menos sensível que Shreck. O hotel não aceita cartão de crédito como pagamento (apesar de exigir que você informe o número do seu, para fazer a reserva). O ogro vai querer pagamento adiantado, cash. Mas ele entende "vá passear" em qualquer idioma que você escolher. Felizmente, a tal "gracinha de criatura" não fica no hotel em tempo integral: a partir do segundo dia, foi substituído por um russinho muito prestativo, que não fala italiano, nem inglês -- e eu desconfio que nem russo --, mas que era super educado.

Bem, tirando esses percalços, o quarto é ótimo, grande, limpo, com uma vista espetacular. O café da manhã foi o menos espartano dos incluídos na diária que encontrei na Itália, servido numa varanda que dá vontade de gritar "bom dia" até ficar rouca-- ou até ser hora de "boa tarde". Meu quarto com balcão é tentador ao cair da tarde. Era lua cheia e foi muito legal olhar o mar na companhia de uma garrafa de vinho, queijo, pão fresquinho, amoras. Foi inesquecível ver o sol nascendo, de manhã cedinho...
Centro Histórico de Amalfi
Mais sobre a Costa Amalfitana
Ravello
Amalfi
Sorrento

A Itália na Fragata Surprise
Campânia: HerculanoNápoles e Pompeia
Emília-Romanha: Bolonha e Ravena
Sicília: AgrigentoCastelmolaPalermo e Taormina
Toscana: FiésoleFlorençaLucaSan Gimignano e Siena
Vêneto: Burano e Veneza

Curtiu este post? Deixe seu comentário na caixinha abaixo. Sua participação ajuda a melhorar e a dar vida ao blog. Se tiver alguma dúvida, eu respondo rapidinho. Por favor, não poste propaganda ou links, pois esse tipo de publicação vai direto para a caixa de spam.
Navegue com a Fragata Surprise 
Twitter     Instagram    Facebook    Google+

2 comentários:

  1. Excelente artigo! Vou adicionar este blog aos meus favoritos das viagens a Itália :D

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada, Paulo. Espero que você aproveite a Costa Amalfitana. É um dos lugares mais bonitos que já vi :)

      Excluir