quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Ravello:
O precipício mais lindo do mundo

Terrazzo del'Infinito, na Vila Cimbrone. 
Lá em baixo, Maiori, uma das cidadezinhas da Costa Amalfitana 
Música deste post: How deep is the ocean, Billie Holiday

Ravello é uma vertigem. No alto de um escarpa interminável das Montanhas Lattari -- que o ônibus da SITA sobe aos sacolejos e em curvas fechadas -- a cidade parece que vai despencar no mar a qualquer momento. Essa cidade que enfeitiça artistas desde o Século 18 foi o lugar mais bonito que eu vi na Costa Amalfitana, um pedaço de mundo onde cada centímetro de paisagem parece ter sido criado pelo pincel de um grande mestre.

Num dia comum de novembro, sem os turistas das épocas mais quentes, as ruas de Ravello pareciam estar lá só pra mim, bem-assombradas pelo fantasma de Richard Wagner, que adorava esta cidade. Foi maravilhoso caminhar cercada de silêncio, sem me preocupar muito em chegar a lugar nenhum.

A chegada a Ravello
Bati muita perna na cidade, parando para um eventual chocolate quente -- o sol estava irrepreensível, mas faz frio lá naquelas alturas, no meio do outono.

Minha primeira parada foi no Duomo (a catedral), na verdade uma igrejinha simpática, sem o esplendor das grandes catedrais italianas, numa praça que dava vontade de ficar eternamente, olhando o movimento -- na verdade, a falta de -- e bisbilhotando a conversa de três velhinhos que comentam o jornal.

Os escritores André Gide (A Sinfonia Pastoral e O Imoralista) e Edward Forster (A Room with a View e Howard's End
também aproveitaram suas temporadas na cidade
Bom mesmo é tentar se perder
 pelas passagens secretas de Ravello
É muito gostoso caminhar por Ravello, com suas ruas muito estreitas, passagens cobertas, larguinhos simpáticos e pequenos mirantes de cara para o Mar Tirreno... Bem que eu tentei me perder, mas a cidade é pequena demais para isso.

Para ver o mar, em Ravello, há dois camarortes especialíssimos. Um é Villa Rufolo, com sua Torre Maggiore, do Século 11, e o Chiostro Moresco (Claustro Mouro). A caminhada pelos jardins, dispostos em terraços até a beira do precipício, é deslumbrante. As duas torres de cúpulas arredondadas da capelinha, sobre o penhasco, talvez sejam o cartão postal mais conhecido de Ravello.

Villa Rufolo
Tão empolgante quanto a vista maravilhosa lá do alto é a é a história (ou a lenda) de Lorenzo Rufolo, dono do lugar no Século 13, que faliu, virou pirata e personagem de Bocaccio.

A Torre Maggiore e o Chiostro Moresco, na Villa Rufolo
Outro camarote magnífico é Villa Cimbrone, hoje um hotel de centenas de estrelas. A origem do lugar também remonta ao século 11, mas a propriedade é mesmo a cara do Grand Tour, moda nos séculos 18 e 19, quando a aristocracia inglesa acreditava que a educação de um cavalheiro nunca estaria completa sem alguma intimidade com a Itália.

A entrada da Vila Cimbrone
A Villa Cimbrone tem uma sucessão de belíssimos jardins, com alguma inspiração greco-romana (mais Grans Tour, impossível), mas o que realmente faz a gente perder o fôlego é a vista do Terrazzo dell'Infinito, debruçado sobre o precipício e o mar. O terraço é muito procurado para casamentos (com uma paisagem daquelas, até eu encarava 😎). Uma claustro e uma cripta muito antigos completam os encantos do lugar.

O outono nos jardins da Villa Cimbrone
Dicas práticas

Ônibus Amalfi-Ravello
: 1,00 euro- SITA Bus (saída da Marina de Amalfi e ponto final próximo à Piazza del Vescovado, em Ravello).

Villa Rufolo - Piazza del Vescovado, de segunda a domingo, das 9h às 20h (no inverno, fecha ás 18h). Entrada: 5,00 Euros.

Villa Cimbrone - Via Santa Chiara 26, segunda a domingo, das 9h ao pôr-do-sol. Entrada: 6 Euros.


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A Europa na Fragata Surprise

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3 comentários:

  1. Cíntia,

    Que delícia de blog. Não o conhecia. Um de meus sonhos de consumo sempre foi conhecer a Costa Amafiltana. E voce me concedeu a possibilidade de fazer essa viagem, rica em detalhes e informações.Agora já sei onde encontrar boas dicas. Vou adicioná-lo aos meus favoritos.

    Parabéns.

    ADRIANO CORRÊA

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  2. Olá,meu nome é Sílvia e eu estou indo dia 28/03 à 02/04 para a Costa Amalfitana,aluguei um carro... Lendo blogs percebi que nenhum comenta sobre onde estacionar,por exemplo,em Positano,lugares que você tem que vasculhar à pé,o custo,a facilidade ou não,etc...

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    Respostas
    1. Oi, Silvia, eu percorri a Costa Amalfitana de ônibus e achei bem prático e confortável. Não prestei muita atenção em estacionamentos, mas, sim, eles existem, geralmente na entrada das cidades. Esse é um serviço que não costuma ser barato na Europa...
      O melhor é você ver com o hotel onde pretende se hospedar, se oferece estacionamento para hóspedes, e pesquisar na internet sobre estacionamento (parcheggio) nas cidades da Costiera

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