sábado, 15 de fevereiro de 2014

Imperdível:
Museu de Belas Artes de Sevilha

A segunda pinacoteca mais importante da Espanha, depois do Prado, está em Sevilha
A riqueza, o poder e a influência de Sevilha — construídas, em boa medida, com a rapina das Américas — não poderiam ter passado em branco pela fisionomia da cidade. O Barroco Sevilhano é uma das escolas mais significativas do chamado Siglo de Oro (“Século de Ouro”) espanhol. No tempo em que o sol não se punha sobre as terras do império, artistas, arquitetos e artesãos se esforçavam, naquela beira do Guadalquivir, para traduzir em fachadas, pátios e altares todo o esplendor sustentado pelos carregamentos que cruzavam o Atlântico.

Bons exemplos desse esplendor estão expostos no Museu de Bellas Artes de Sevilha, aberto em 1841, no antigo Convento de la Merced Calzada. O museu é a segunda pinacoteca mais importante de toda a Espanha — perde apenas para o Prado — e é um deleite para os olhos e não pode ficar fora de seu roteiro.

Convertida em sala de exposições, a antiga igreja do convento tem o teto decorado por pinturas do mestre Domingo Martínez
Só o edifício onde está o Museu de Belas Artes já valeria a visita. Uma linda construção com origens no Século 13, profundamente alterada por uma reforma do Século 17 e enriquecida por preciosos azulejos, trazidos de outros conventos, quando foi transformada em espaço museológico.

O Pátio de Aljibe, com o poço do antigo convento. Abaixo, o Claustro Maior

A visita ao museu é fundamental para entender Sevilha. Basta andar nas ruas da cidade para a gente perceber a febre de beleza que consumia a "capital do Atlântico" durante os tempos áureos do Império Espanhol. Os poderosos competiam para ver quem tinha o solar mais vistoso ou doava a peça mais bonita para decorar sua igreja de devoção.

Isso fez de Sevilha um rico mercado para mestres e artistas que chegavam de todas as partes da Europa — não bastasse a cidade ter a honra de ser local de nascimento de Murillo e Velázquez e lar adotivo de Zurbarán, que até hoje emplacam fácil lugares de destaque em qualquer antologia da pintura espanhola.

O São Jerônimo de Torrigiano. Abaixo, um São Miguel Arcanjo do Século 15 e  o Retábulo de São João Batista, do Século 16, trazido do convento sevilhano de Las Dueñas

O acervo do Museu de Belas Artes foi reunido a partir de peças de conventos, mosteiros e igrejas da região. Talvez a obra mais conhecida da coleção seja o San Jerónimo esculpido pelo florentino Pietro Torrigiano, que viveu em Sevilha no início do Século 16. Mas tem muito mais para ver: El Greco (que eu amo!), Velázquez, Zurbarán e, claro, muitas obras de Murillo, talvez o maior orgulho da cidade.

Entre os quadros, esculturas e retábulos, as obras mais antigas do acervo ainda têm traços marcadamente medievais, como um São Miguel Arcanjo do Século 15, atribuído a Juan Hispalense, que é simplesmente de arrepiar.

No Século 19, o sevilhano José García Ramos dedicou-se a retratar os costumes do povo da cidade 
Os Séculos 16 e 17 comparecem com a maior parte da coleção que chega ao começo do Século 20. São obras sublimes, como A Apoteose de São Tomás de Aquino, de Zurbarán, o São João Batista e A Adoração dos Pastores, ambas de Murillo, a Visão de São Basílio, de Herrera, el Viejo.

Se eu tivesse que escolher, porém, ficaria com a série de santas (Marina, Engrácia, Inês, Doroteia, Bárbara..) retratadas em “trajes civis”, em poses contidas, como damas que estivessem para sair a passeio ou tivessem sido flagradas em meio aos afazeres domésticos. São telas trazidas do Hospital das Cinco Chagas e foram pintadas no ateliê de Zurbarán. Outra tela apaixonante é um São Sebastião esquálido, sob uma luz bem caravaggiana, pintado no Século 17 por um anônimo da escola napolitana.

Na primeira sala, uma coleção de santos do Século 15 trazida do Convento de San Benito de Calatrava
Quando você for a Sevilha, taí uma visita imperdível. E vá sem pressa. Embora o museu seja pequeno (são 15 salas, apenas), um dos prazeres de percorrê-lo é ver a beleza do edifício, especialmente a antiga capela, os pátios de Aljibe e de Conchas e o Claustro Maior.

Museu de Belas Artes de Sevilha
Fachada lateral e a entrada do Museu de Belas Artes

Plaza del Museo nº 9 (esquina da Calle Alfonso XII, perto da Puerta Real). De terça a domingo, das 10h às 17h no verão (junho a setembro). No resto do ano, das 10h às 20:30h, se terça a sábado e das 10h às 17h aos domingos e feriados. Entrada: €1,50.

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