2 de agosto de 2013

O que fazer em Willemstad, Curaçao - uma cidade exuberante

A estreita entrada da Baía de Santa Ana era defendida,  nos tempos da colônia, pelo Forte Rif, em Otrobanda, e pelo Forte Amsterdam, em Punda (foto), que hoje é a sede do governo de Curaçao
Quando a gente pensa em Caribe, só quer saber de areia branquinha e águas azuis. Curaçao preenche essa expectativa magistralmente, mas deve achar pouco.

Não satisfeita em hipnotizar com praias que simplesmente não são desse mundo, essa pequena ilha (440 km²) recebe os viajantes com um tremendo cartão de visitas: Willemstad, a capital de Curaçao, é pura exuberância em arquitetura, cheiros e sons.

Essa é a surpresa: tem muito o que fazer em Willemstad e a cidade merece que você reserve um tempinho para explorá-la com atenção.


Cenas de Willemstad: pescaria de manhã cedinho,  no Handelskade (com vista para Otrobanda)...
E olha que a concorrência das praias de Curaçao é forte. Mas é como se Willemstad tivesse decidido que a luz rara e preciosa que banha aquela parte do mundo merece uma paleta de cores mais intensa para ser corretamente aproveitada.

Na semana que passei na ilha, aproveitei muito as praias de Curaçao, mas fiquei surpresa e encantada com as atrações de Willemstad. A capital é um super bônus para quem escolhe esse paraíso caribenho para mergulhar e curtir o dolce far niente à beira-mar.

Então, quando você for, aproveite as minhas dicas sobre o que fazer em Curação e curta uma cidade muito bacana:


A ponte sobre o canal leva ao bairro de Scharloo, com seus belos casarões coloridos, construídos pela comunidade judaica
Os "bastidores" do Mercado Flutuante
➡️O que fazer em Willemstad, Curaçao
Willemstad é uma cidade que soube tirar proveito das muitas influências trazidas pelos diversos povos que contribuíram para a formação de Curaçao como país.

Ainda hoje essas influências desfilam no colorido idioma (ele também!) falado na ilha: o papiamento é uma mistura de holandês e espanhol, com tempero português e dos vários idiomas dos africanos levados para a Curaçao.

Esse colorido prossegue na arquitetura colonial, herdada dos holandeses, nos mercados de rua e na culinária local

Reconhece alguma palavra nesse letreiro? A língua é o Papiamento

➡️Localize-se: um pouquinho da geografia de Willemstad
A malha urbana de Willemstad se enrosca em torno da Baía de Santa Ana e essa massa d'água divide a cidade em duas regiões principais. Do lado Leste está Punda ("ponta"), o bairro mais antigo e característico da capital.

O trecho mais famoso de Punda é o Handelskade, o cartão postal mais famoso de Willemstad, onde . vale a pena programar passeios sem pressa para ver as casinhas coloniais coloridas.

Ainda do lado de Punda, mas considerados bairros independentes, estão Scharloo e Pietermaai.

O bairro de Punda e a Emma Brooke (Ponte Rainha Emma)
Casarões de Otrobanda, o lado Oeste de Willemstad
No bairro de Scharloo ainda resistem muitos belos casarões que desde o Século 19 serviram de moradia às famílias mais afluentes da comunidade judaica. Pietermaai, no caminho para as praias do Leste de Curaçao, como a famosa Jan Thiel também é um charme feito de arquitetura antiga e ruas sossegadas.

Do outro lado da Baía de Santa Ana, na margem Oeste, está Otrobanda ("a outra banda" ou "o outro lado"), que é onde se concentram os hotéis maiores, geralmente de redes famosas e o comércio maismoderno. Foi lá que me hospedei.

O Handelskade, visto da Emma Brooke, tão cartão postal...
Um bom passeio por Willemstad deve começar de manhã cedo, não só para escapar do sol inclemente, mas para ver a cidade ainda se espreguiçando e tocando suas tarefas prosaicas, antes de se enfeitar para os turistas.

Seguindo essa regra, nada melhor do que começar o dia provando arepas numa das mesinhas do Iguana Café, no Handelskade, quase em frente ao terminal das barcas que fazem a travessia entre as duas margens da Baía, quando a Emma Brooke (a ponte móvel Rainha Emma, montada sobre balsas) é recolhida para a passagem das embarcações.

Tudo em Curaçao é tão bonito que, não importa para onde se olhe, sempre haverá um cartão postal. A escolha, portanto, é feita apenas com base no ângulo do sol: de manhã, é melhor estar em Punda e olhar para Otrobanda. No final da tarde, vista do lado Oeste, Punda é uma miragem.

A melhor hora para fotografar o Handelskade é ao cair da tarde

⭐Handelskade
O clássico cartão postal de Willemstad é o Handelskade, conjunto de edifícios coloniais à margem do estreito canal de entrada da Baía de Santa Ana, no bairro de Punda.

Ele é quase a logomarca oficial de Curaçao: uma profusão de cores em cada casinha. Basta ver a foto e a gente já pensa em férias, trópico e felicidade.

O Handelskade está até nas placas dos carros de Curaçao
O Handelskade é basicamente uma rua histórica e a maioria de suas casinhas fofíssimas foi construída no Século 18. Um pedacinho de Amsterdã em pleno Caribe.

O arco-íris das fachadas do Handelskade tem um propósito bem funcional: evitar que o sol muito forte dos trópicos refletisse nas paredes caiadas, incomodando o olhar holandês, acostumado aos dias sombrios de suas latitudes. O resultado, porém, é pura arte.

Diante do Handelskade fica a Ponte Rainha Emma, feita de barcos, que é recolhida em certas horas do dia para permitir a passagem de embarcações para o interior da Baía de Santa Ana.
Mercado Flutuante de Curaçao: o peixe vem da Venezuela...
⭐ Mercado Flutuante de Curaçao
De Otrobanda, onde estava hospedada, gostava de atravessar para Punda pela Ponte Rainha Emma e escolher algumas frutas nas barracas do Mercado Flutuante para o café da manhã.

O mercado é tocado basicamente por venezuelanos (alguns colombianos, também), que fazem a travessia desde a costa de seu país trazendo peixes, frutas e hortaliças para abastecer Willemstad.

...e as frutas, também
São dois dias no mar e sabe-se lá quantos ancorados à beira do canal onde funciona o Mercado Flutuate  os comerciantes só vão embora quando acaba a mercadoria.

Os barcos que os trazem da Costa da América do Sul servem como alojamento e, muitas vezes, de quitanda. Os mais prósperos já podem se dar ao luxo de montar seus balcões na calçada, à beira d'água.

As barracas do mercado flutuante têm vista
para os casarões de Scharloo
⭐ Forte Amsterdam
A principal construção do Handelkade é o Forte Amsterdam (que tem uma bela igreja em seu interior).

O forte foi construído no começo do Século 17 pela Companhia das Índias Ocidentais, a empresa colonial holandesa que se encarregou da ocupação e da administração de Curaçao.

Junto com o Forte Riff, em Otrobanda (do outro lado das águas) ele era a principal defesa da entrada da Baía de Santa Ana.

A construção está muito bem preservada e serve atualmente como sede do governo de Curaçao. 

A Sinagoga Mikve Israel-Emanuel
⭐ Sinagoga Mikve Israel-Emanuel
A duas quadras do Forte Amsterdam está a imponente Sinagoga Mikve Israel-Emanuel, testemunho da tolerância religiosa holandesa nos Séculos 17 e 18.

Esta sinagoga foi estabelecida em Curaçao no Século 17 é a mais antiga ainda de pé em todo o continente americano.

Foi construída pela comunidade de judeus sefarditas (da Península Ibérica) que encontrou na América Holandesa um refúgio contra as perseguições religiosas em curso na Europa — uma parte dessa comunidade estabeleceu-se no Recife de Maurício de Nassau, como atesta a Sinagoga Kahal Zur Israel, no Bairro do Recife Antigo.

O nome da sinagoga, em hebraico, significa “A Esperança de Israel-Emanuel”.

No final do Século 19, a comunidade judaica construiu belos casarões em Scharloo
⭐ Casarões do bairro de Scharloo
Uma ponte sobre o canal onde funciona o Mercado Flutuante dá acesso ao bairro de Scharloo. No período colonial, a área ficava fora das muralhas defensivas de Willemstad e somente começaria a ser ocupada no final do Século 19, substituindo Pietermaai como o bairro favorito das famílias mais ricas da comunidade judaica de Curaçao.

As construções de Scahrloo também vão fundo nas cores - afinal, estamos em Curaçao 
O resultado dessa mudança de predileção é uma infinidade de belíssimas mansões — um conjunto muito colorido, afinal, estamos em Curaçao — que margeia a rua principal do bairro, Scharlooweg, e as transversais.  O estilo neoclássico impera na arquitetura.


Muitos dos casarões de Scharlooo hoje são ocupados por repartições públicas (em algumas delas, dá para atravessar os portões e xeretar os jardins). Alguns abrigam hotéis ou comércio.

Pietermaai
Assim como Punda e Scharloo, o bairro de Pietermaai também é tombado pela Unesco e tem lindos casarões — muitos deles abrigam hotéis charmosos, fazendo da área uma boa opção para quem quer hospedagem menos convencional que a dos hotelões sediados, principalmente, em Otrobanda. 

Pietermaai começou a ser ocupado no Século 18. O bairro à beira-mar ficava fora das muralhas coloniais e era a área residencial mais chique de Willemstad até ser devastado por um furacão, em 1871, levando muitos moradores a se mudarem mais para longe da praia, na direção de Scahrloo. 

As casas de Pietermaai também são lindas e tombadas pela Unesco

Hoje, Pietermaai faz as vezes de bairro boêmio de Curaçao, cheio de lojinhas charmosas, cafés e restaurantes interessantes.

Esse clima charmoso é uma aquisição recente: há cerca de 20 anos, a área tinha sido convertida em uma bocada perigosíssima, com um dos mais altos índice de criminalidade da ilha. Hoje, Pietermaai é uma vizinhança segura e em franco processo de revitalização.

O Octagon, onde Bolívar viveu por um curto período,
hoje é um museu em memória do Libertador

Ainda no bairro de Pietermaai, no caminho para o Seaquarium, vale a pena dar uma parada no Hotel Ávila, que abriga num pátio interior, à beira-mar, o curioso prédio do Octagon, onde Simón Bolívar viveu por um curto período e que hoje é um museu dedicado ao Libertador

Para saber mais sobre o Octagon, leia este post: Casas-museus: A vida cotidiana de gente muito especial

Plasa Bieu: comid krioyo é aqui mesmo
⭐Plasa Bieu (Mercado Velho)
De Ruyterkade, Willemstad. Aberto de segunda a sábado, das 10h às 15 horas.

Um passeio por Willemstad nunca estará completo sem uma passada no Oude Markt, também conhecido como Plasa Bieu (a praça onde ele está situado e que também abriga o Mercado Novo).

O Mercado Velho de Curaçao reúne onde diversos restaurantes populares (e bote populares nisso, lotadíssimos para o almoço) que servem comida típica de Curaçao.


É o lugar para provar ensopado de iguana, guiambo (sopa de quiabo com mariscos), funchi (polenta) e o perfeito casamento da Holanda com a culinária krioyo (crioula), que é um prato de queijo Gouda recheado com frango, chamado keshi yena.

Se o atendente de um restaurante lhe alertar que o prato pedido é pika pika, você já sabe que a comida vai vir fumegando, de tanta pimenta.

As instalações de Plasa Bieu são bem simples e faz um calor infernal lá dentro, mas a experiência é imperdível.

Curte feiras e mercados? Dá uma olhada no monte de lugares legais mundo afora já comentados na Fragata: 


No Mercado Velho (esq), a comida é preparada à vista do freguês. Já a área do Mercado Novo atrai cada figura...
Veja mais imagens de Willemstad na página da Fragata Surprise no Facebook

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O Caribe na Fragata Surprise

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3 comentários:

  1. Oi, Cynthia. Tudo bem? :)

    Seu post foi selecionado para a #Viajosfera, do Viaje na Viagem.

    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Natalie - Boia Paulista

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  2. Oi Cyntia.
    Lindo Curaçao! E que praias!!
    Você esteve lá em julho? Dei uma lida, mas a dúvida persiste.. E o trajeto, qual a companhia aérea que leva?
    Obrigada.
    Ana Silvia

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    Respostas
    1. Ana, fui em julho de 2013. Fui de Copa, mas na é poca tb dava pra ir de Gol e Avianca. Bj

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