1 de julho de 2012

Sabará, a terra da "beleza interior"

Capela de Nossa Senhora do Ó, uma "igrejinha de boneca"
A apenas 25 quilômetros da Praça da Liberdade (Centro de Belo Horizonte), fica uma das mais antigas povoações de Minas Gerais. Vivo caindo na tentação de chamá-la de “a pequenina Sabará”, mesmo sabendo que ela já tem quase 130 mil habitantes. 

Deve ser efeito da extrema delicadeza que emana das preciosidades arquitetônicas de Sabará. Sabe casinha de bonecas? Pois é essa a primeira imagem que me vem à cabeça, quando penso no Centro Histórico da cidade.  

Estive em Sabará em meu último dia desta passagem por Minas Gerais, a caminho do aeroporto.

Sabará sofre com as consequências do crescimento desordenado. Sua localização tão próxima à capital, Belo Horizonte, contribui para a degradação que parece ser a sina das comunidades das periferias das metrópoles. 

Ainda assim, seu precioso patrimônio torna a visita um prazer. Veja como foi meu delicioso passeio em Sabará:
Igrejinhas de Sabará
O que fazer em Sabará
Uma visita a Sabará,  a antiga vila de bandeirantes enriquecida pelo garimpo do ouro, é uma ótima pedida para um bate e volta, a partir de Belo Horizonte.

Vá  sem pressa, com tempo para um almoço preguiçoso — Sabará é terra do ora-pro-nobis, essa plantinha danada de gostosa — e dedique-se à contemplação.

O Centro Histórico de Sabará é bonito por fora, sim. Muito. Mas parece que a grande diversão da cidade é guardar o mais espetacular entre quatro paredes.

Lá, a gente descobre um novo patamar para a expressão "beleza interior" (você vai ter que ir ver pessoalmente, pois é proibido fotografar o interior das igrejas).

Chafariz do Rosário
No Centro Histórico de Sabará (que, curiosamente, é a “parte nova” da cidade, por ter florescido no Século 19), não deixe de ver a inacabada Igreja do Rosário, da qual foram construídas apenas as paredes externas em torno de uma capelinha rústica.

Repare, também, no lindo chafariz, na praça em frente à Igreja do Rosário.

Como a maioria dos templos católicos devotados a Nossa Senhora do Rosário, essa igreja de Sabará estava destinada a abrigar as missas e orações dos escravos.

As paredes da Igreja do Rosário começaram a ser erguidas em 1768, em torno de uma capelinha rústica (que continua no local e deveria derrubada após a conclusão do templo).

A decadência das minas de Sabará, porém, impediu o prosseguimento da obra, que permanece inacabada. Um pequeno Museu de Arte Sacra funciona na sacristia.

A inacabada Igreja do Rosário dos Homens Pretos: a construção arrastou-se por mais de um século, até ser interrompida definitivamente em 1878, por falta de recursos. As irmandades do Rosário, tradicionalmente, eram integradas por escravos ou libertos
Não espere encontrar em Sabará a harmonia de Ouro Preto ou de Paraty. A cidade sofreu muitas descaracterizações e a poluição visual de letreiros e cartazes sobre as fachadas coloniais dá uma certa aflição.

Nada que o azul das portas de janelas da Rua Dom Pedro II não possa curar, porém. Dizem que a cor foi escolhida para agradar o Imperador, que visitou a cidade em 1881 e adorava azul.

Uma coisa é certa: os casarões da Rua Dom Pedro II são lindos. Entre eles, preste atenção no Solar do Padre Correia, hoje sede da Prefeitura.

Na Rua D. Pedro II, o azul predomina nas fachadas, em homenagem ao Imperador, que gostava da cor e visitou a cidade 1881. O Solar do Padre Correia (esquerda) é a atual sede da prefeitura
Também na Rua Pedro II (antiga Rua Direita)  fica um dos principais motivos para uma visita a Sabará.

Por mais prevenida que se esteja, é difícil não soltar um “oohh” de admiração quando a gente se depara com o interior do Teatro Municipal, a antiga Casa da Ópera de Sabará, de 1819.

Ao atravessar a fachada circunspecta do velho sobrado que abriga o teatro, a sensação é de ter entrado numa caixinha de música — só falta a bailarina na interminável pirueta...

Palco, plateia e galerias elisabetanas da antiga Casa de Ópera de Sabará. O Teatro Municipal é um dos mais antigos do Brasil ainda em funcionamento
Ao longo da ferradura que abraça o palco da antiga casa de ópera, a estrutura de madeira que acomoda camarotes e galerias parece uma renda delicada. 

O terceiro piso das galerias do teatro, que era destinado destinado a um público menos requintado, tem uma entrada independente, que era pra a elite da época "não se misturar" - essas coisas vem de longe no tempo, no Brasil... 

O Teatro Municipal de Sabará é um dos mais antigos do Brasil ainda em funcionamento e, dizem os especialistas, tem uma acústica perfeita.

Teatro Municipal: é como entrar numa caixinha de música
A Igreja do Carmo, do Século 18, nos limites da "Cidade Velha"
A Caminho da "parte velha" de Sabará, é obrigatória uma paradinha para ver a Igreja do Carmo, de 1763, em estilo Rococó. 

O coro do Carmo, projetado e esculpido por Aleijadinho, e a pintura do forro da sacristia são simplesmente de rasgar a roupa, de uma beleza luminosa, cheia de vitalidade. 

Os traços curvilíneos do coro reúnem o sóbrio e o sensual de um jeito que poucas vezes eu vi (infelizmente, não é permitido fotografar o interior da igreja).

Detalhes da fachada do Carmo
O Cemitério do Carmo, "sossegado como um quintal"
Bem em frente à igreja, o Cemitério do Carmo deixa a gente pensando que a morte, talvez, não seja mesmo esse bicho de sete cabeças...

"Sossegado, pequeno como um quintal", na descrição de Pedro Nava (em Baú de Ossos), o antigo cemitério quase convida a gente a procurar uma sombra, abrir um livrinho e desfrutar do silêncio dos vizinhos.

A Igreja da Conceição: lindinha por fora, deslumbrante por dentro
A essa altura, qualquer coração de pedra já está apaixonado por Sabará, mas ainda não viu o melhor da cidade.

Respire fundo e chegue à Matriz da Conceição, de 1710. Com sua fachada em adobe, muito simples, feita numa época em que os entalhes em pedra sabão ou cantaria ainda eram muito caros para Sabará, a chamada "igreja nova" também brinca com a surpresa do visitante, ao revelar um interior absolutamente arrebatador. 

Na Igreja da Conceição, o oohhh lá do Teatro Municipal vem com efeitos especiais, resultado do impacto provocado pelas paredes inteiramente cobertas entalhes, douramentos e painéis pintados. A gente quase se belisca para acreditar.

São de babar os forros em caixotões, os altares suntuosos e os detalhes em chinesices, lembrança da vastidão do Império Português, que trazia essa estética e seus artífices de Macau — sou simplesmente maluca por chinesices desde a primeira vez que vi a Ordem Terceira do Carmo, em Cachoeira, no Recôncavo Baiano.

O interior da Capela de Nossa Senhora do Ó, sozinho, já justifica a visita a Sabará
O mais espetacular de Sabará, porém, é a pequenina Capela de Nossa Senhora do Ó. Por fora, é quase uma igrejinha de bonecas.

Por dentro, a capelinha de Nossa Senhora do Ó parece triplicar de tamanho (como aquelas cavernas mágicas das Mil e Uma Noites), com as paredes inteiramente recobertas por entalhes e pinturas, com forte presença de detalhes em vermelho, marca da inspiração em chinesices.

Como chegar a Sabará
Chegar a Sabará é muito fácil. A cidade é ligada a Belo Horizonte por diversas linhas de ônibus urbanos. 

As linhas mais práticas são a a 5509 e a 1059, que em Belo Horizonte têm paradas na Rua Rio de Janeiro e na Rua dos Caetés, perto da Praça da Liberdade. 

A distância curta entre Belo Horizonte e Sabará, 25 km, pode justificar pegar um táxi ou uber para fazer o trajeto. 

Detalhes do Cemitério do Carmo e da Igreja do Rosário
Como visitei Sabará no dia de pegar o avião de volta para Brasília, contratei com a Primotur um roteiro combinado com o transfer para Confins (que fica para aqueles lados).

Foi uma solução bem prática, que fez o dia render um bocado.

O carro me apanhou no hotel, de manhã, já com a bagagem. Passei o dia em Sabará (com direito a muito ora-pro-nobis no almoço) e cheguei ao aeroporto ainda com folga para o embarque, no finzinho da tarde.

Considerando que o táxi do Centro de BH para Confins custa R$ 100, os R$ 200 que paguei pelo roteiro privativo foram uma pechincha.

Atrações de Sabará - horários e endereços
⭐ Capela de Nossa Senhora do Ó
De terça a domingo, das 9h às 12h e das 14h às 17:30h. Entrada R$ 1,00

⭐Matriz da Conceição
Praça Getúlio Vargas, de terça a domingo, das 9h às 12h e das 14h às 17:30h. Entrada R$ 1,00

⭐ Igreja do Rosário
Praça Melo Viana, Centro, diariamente, das 9h às 12h e das 14h às 17:30h. Entrada franca

⭐Igreja do Carmo
Rua do Carmo, Centro, de terça a sábado, das 9h às 12 e das 14h às 17:30h. Domingos e feriados, das 12h às 17:30h. Entrada R$ 1,00

⭐Casa de Ópera de Sabará (Teatro Municipal)
Rua D. Pedro II, Centro. Diariamente, das 8h às 12 e das 14h às 17:30h. Entrada gratuita.



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6 comentários:

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    1. Fernanda Scafi, acho que deletei seu comentário por engano. Sou meio desatrada respondendo comentários qdo estou com sono. Desculpe :(

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  2. Adorei!!! Estarei lá em breve e foi útil seu post!!
    Obrigado amiga de blog!

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  3. adorei encontrar seu blog com tantas informações, mesmo datando de 2012, dá prá planejar um bom roteiro a partir dos seus posts! Valeu!!! Depois da viagem volto prá comentar de novo!!! bjs

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    1. Bacana, Deborah. A ideia da Fragata é essa mesma: trazer informação pra que cada um possa montar sua viagem do jeito que achar mais legal.
      Fico esperando suas impressões na volta da viagem :). Bjo

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