quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Comer em Fernando de Noronha:
lugares que experimentei e curti

Desde criança que praia me dá uma fome danada.
Praia bonita, então...
(Baía Sueste, Fernando de Noronha)
Eu não tinha grande expectativa em relação aos Restaurantes de Fernando de Noronha. As dificuldades de abastecimento de uma ilha no meio do Atlântico, a 350 km da costa brasileira, dependendo quase integralmente do continente para tocar sua vida cotidiana não permitem. Mas a verdade, pessoal, é que eu me surpreendi.

Noronha já tem restaurantes requintados (e caríssimos), mas não é preciso recorrer a eles para fazer refeições bem acima da média.O que aprendi sobre a gastronomia da ilha é que quanto menos frescura e gourmetização, mais saboroso é o prato. Como aconteceu na Ilha de Páscoa (outro lugar de cuja culinária eu esperava pouco, mas onde comi direitinho), a minha impressão geral da mesa noronhense foi bem positiva.

Como já contei aqui na Fragata, os preços são altos, mas não chegam a provocar um enfarte. Contrariando a lenda, encontrei muitos lugares que já aceitam cartões de crédito. Só é bom ficar esperta, porque na noite em que a chuva caiu com vontade, os sistemas ficaram fora do ar e os pagamentos tinham que ser feitos em dinheiro em toda parte.

Confira os lugares que experimentei e curti:

Barraca das Gêmeas
Praia da Cacimba do Padre. Não aceita cartões de crédito

Cacimba do Padre: depois de ficar boba olhando
os Dois Irmãos tão de perto, que tal um peixinho?
Nessa barraca de instalações rústicas eu fiz uma das minhas melhores refeições em Noronha, um peixinho na brasa, simples, direto, objetivo e saboroso até dizer chega. Dispensei os acompanhamentos tradicionais (salada e arroz) e pedi uma porção de aipim frito (macaxeira, na língua da terra) bem crocante.

Em sentido horário: a fumacinha do fogareiro afasta as moscas, o meu prato simples e saboroso, o preparo dos peixes e uma visão geral da barraca 

Uma cobertura de lona no meio da mata que dá acesso à praia, algumas mesas cobertas por toalhas de plástico e atendimento informal e caloroso são as marcas da Barraca das gêmeas. No cardápio, o carro chefe é o peixe assado na folha de bananeira, preparado num braseiro instalado no meio da vegetação. Como achei o prato grande demais para comer sozinha, escolhi as postas fritas e finalizadas na brasa. Com refrigerantes para acompanhar, meu almoço custou R$ 70. Recomendo muito!

Restaurante Corveta 
Rua de São Miguel nº 342, em frente à Praça dos Flamboyants, Vila dos Remédios. Aceita Visa e Master
Corveta: motivos náuticos na decoração...
Meu primeiro jantar em Noronha foi neste restaurante, inaugurado no comecinho de julho/15. A casa tem um projeto arquitetônico moderno e decoração caprichada, onde as citações marítimas, como as redes, lanternas e embarcações, aparecem de maneira discreta e elegante.

Um dos sócios da casa é o meio de campo Hernanes, que jogou (bem pra caramba) no São Paulo e hoje veste a camiseta da Inter de Milão. O nome é uma homenagem à Corveta Ipiranga, um dos naufrágios mais famosos da ilha, como ponto de mergulho.

... camarão saboroso e uma cartola deliciosa de sobremesa

Cheguei cedo para jantar e, sendo a única cliente naquele horário, fui mais que bem atendida — fui paparicada, mesmo. Pedi um camarão com molho de coco, acompanhado por batata com alho e arroz vermelho, tudo bem saboroso.

A sobremesa foi a cartola (banana com queijo derretido), doce clássico no Nordeste, que veio acompanhada por sorvete de creme, um exagero glutônico gigantesco, que estava muito gostoso.

Com caipirinhas de maracujá para entrar no clima, a conta ficou em R$ 120. Aceita cartões de crédito (Master e Visa).

Cacimba Bistrô
Vila dos Remédios, na praça do Palácio São Miguel. Aceita cartões

Peixe com purê de abóbora e molho de camarão
 do Cacimba Bistrô
O pessoal recomenda o Cacimba para o jantar, pelo climinha intimista e romântico do salão, onde é possível sentar em almofadões à meia luz. Mas ele fica num ponto estratégico para quem sobe da Praia do Cachorro para a parte alta da Vila dos Remédios e foi lá que eu desabei, no meio daquele ladeirão, para almoçar na varanda agradável, abrigada por uma árvore frondosa, quase em frente ao Palácio São Miguel, antiga sede do governo da ilha.

Pedi o peixe com molho de camarão, purê de abóbora e molho de coco. Para o meu paladar, faltou um pouquinho de sal ao prato. As bananinhas à milanesa, porém, combinavam muito bem com o camarão. Com bebidas, a conta ficou em R$ 100. Aceita cartões de crédito. 

Barracas da Praia do Cachorro
Tenda do Pipoka (aceita cartões) e Tota Bar


A Praia do Cachorro, a mais urbana de Noronha, é esse espetáculo. Imagine as mais selvagens...
A Praia do Cachorro é a mais fácil de chegar em Noronha, ligada ao centrinho histórico da Vila dos Remédios por uma escadaria. É ótima para o último mergulho do dia, depois de andanças pela ilha, ou para um dia de preguiça. E sempre uma opção para uma refeição despretensiosa à beira mar.

Lá funcionam duas barracas, a Tenda do Pipoka e o Tota Bar,  que servem petiscos e pratos, alugam cadeiras e guarda sóis, caiaques e pranchas de stand up paddle. Para usar as mesas das barracas, também protegidas por guarda-sóis, basta consumir, não precisa pagar por elas..

A escadaria de acesso à Praia do Cachorro e, abaixo,
os guarda-sóis da Tenda do Pipoka


Tenda do Pipoka é a mais estruturada e aceita até cartão de crédito. Os cardápios das duas barracas são similares, os preços também. O prato mais pedido é o onipresente peixe assado na folha de bananeira ou ao molho de coco (R$ 85) e os bolinhos de peixe fazem o maior sucesso (os tais bolinhos de tubalhau, feitos com carne de tubarão, parecem estar em todos os menus da ilha, mas na base do "tem, mas acabou", desconfio eu que por causa da fiscalização do Ibama).

Experimente os espetinhos de carne, frango e camarão (entre R$ 8 e R$ 15) do Tota Bar, perfeitos para aquela fominha que bate entre as refeições.

Uma farrinha nas barracas da Praia do Cachorro ficam na casa dos R$ 60, se você não meter o pé na jaca nas bebidas alcoólicas — mas aviso que as caipirinhas de frutas são bem gostosas. As cervejas em lata custam R$ 7, refrigerantes custam R$ 5 e o coco custa R$ 8. As caipiroscas custam R$ 18.

Restaurante da Edilma
Rua São Miguel, 381 - Vila dos Remédios. Aceita cartões

Os camarões de Edilma - desculpem a foto
à meia-luz, mas foi o que deu pra fazer,
na pressa  que eu tava pra devorar essa delícia :)
Esse restaurante caseiro fica quase em frente à pracinha da Vila dos Remédios onde funciona a Nortáxi, a associação dos taxistas da ilha. A casa antiga e avarandada tem mesas no salão ou do lado de fora, atendimento muito simpático e eficiente, feito pelos membros da família de Edilma. Os camarões à milanesa que pedi estavam simplesmente deliciosos, acompanhados por um molhinho meio indiano, com curry, manga e outros elementos que não identifiquei. O prato custou R$ 70.

Recomendo muitíssimo. Embora o restaurante aceite cartão, tive que pagar a conta em dinheiro, pois um toró repentino tinha derrubado o sistema.

Bar do Meio
Entre a Praia do Meio e a Praia da Conceição. Não aceita cartões

A Praia do Meio, entre o  Cachorro e da Conceição:
sossego e águas perfeitas
Logo no primeiro dia, virou meu lugar preferido na ilha. Fica sobre uma ponta elevada entre as praias da Conceição e do Meio, com acesso fácil para as duas e também pelo ladeirão que desce da Estrada da Alemoa (o caminho pelo alto para a Conceição).

Tem vistas linda para as duas praias e faz o gênero “beach club”, com tendas, camas e almofadões disponíveis para aluguel. Tem mesinhas ao ar livre, protegidas por toldos, ou na varanda (que achei mais fresquinha e agradável).

Bar do Meio: mesinhas...

...cabanas...

...e uma varanda fresquinha, com esse visu
O bar do Meio abre às 15 horas e seu grande atrativo é o pôr do sol, lindíssimo, na Praia da Conceição. O som é um pouquinho alto demais para o meu gosto, mas a música é legalzinha, sem berreiros ou requebros.

A especialidade é comida japonesa e os temakis (R$25/30) são realmente de responsa. Os ceviches ficam na casa dos R$50. Caipiroscas (bem boas) na casa dos $20, dependendo da vodka que você escolher.

Bar Duda Rei
Praia da Conceição. Não aceita cartões

Praia da Conceição, a Ipanema de Noronha
É a barraca de praia mais estruturada que vi em Noronha, com uma boa área de sombra, cadeiras confortáveis, chuveiro de água doce e bom serviço. Funciona a partir das 10 horas até o pôr do sol. O cardápio de bebidas é bem variado. Embora não sirva pratos, os petiscos são bem alentados: pedi o polvo ao alho e óleo (R$80) e achei que era porção para três. Aliás, estava gostoso demais!

Tem quiosques com mesas, cabaninhas, mesinhas com guarda-sóis... Bom lugar em uma ótima praia.

Cabaninhas e o polvo ao alho e óleo (abaixo) do Duda Rei


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2 comentários:

  1. Carlos Eduardo Mantovani6 de outubro de 2015 22:50

    Olá, Cyntia. Olha, agora no final de setembro (2015), na Barraca das Gêmeas, tinha o peixe na folha de bananeira para uma pessoa, a R$ 35! E é uma bela porção, com várias guarnições acompanhando (arroz, feijão, salada, macaxeira). Eu eu achei o bolinho de tubalhau!! Sabe onde? No Museu do Tubarão. Mas que traíras, não? Eles caçam o que eles homenageiam! Mas o cara me disse que a caça não é ali, na baía dos tubarões, só em alto mar. Ah, entrei no restaurante da Edilma pedindo os camarões empanados que você indicou. Estavam sem camarões naquele dia... fiquei sem...Mas tive oportunidade de mostrar à garçonete o seu post neste blog. Ela adorou.

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