segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Praias de Fernando de Noronha:
meu roteiro no Reino das Águas Claras

A Baía dos Porcos, um dos grandes encantos de Noronha
Se você leu Monteiro Lobato quando era criança, deve ter acompanhado com grande prazer os mergulhos de Narizinho no Reino das Águas Claras, o universo cheio de aventuras que pulsava no modesto ribeirão do Sítio do Picapau Amarelo. Eu adorava o livro, mas nunca imaginei que ia ter a minha própria versão daquelas reinações. Fernando de Noronha me deu esse presente, em uma semana de puro deleite.

Noronha permite tudo: mergulhar cercada de vida marinha, boiar esquecida da vida, horas de contemplação de um mar inacreditavelmente límpido e indeciso — do azul profundo ao verde clarinho, aquelas águas são um caleidoscópio. Pra ter acesso a algumas das praias de Noronha, você precisará apresentar seu ingresso do Parque Nacional Marinho (Parnanoronha).  expliquei nesse post como comprá-lo. Custa R$ 81 e é válido por 10 dias.

Neste post, organizei as informações sobre cada praia que visitei em Noronha, pra ajudar você a organizar seu roteiro na ilha. Garanto que você vai adorar cada uma delas. Confira:

. Cachorro
O cair da tarde na Praia do Cachorro:
fala se não seria topo de ranking em qualquer outro lugar?

Dúvida cruel: de que cor é mesmo a água na Praia do Cachorro?
No meu primeiro dia de verdade em Noronha (o da viagem não conta), eu queria apenas desabar em uma praia gostosa, sem ter que recorrer a lances de Indiana Jones. E a Praia do Cachorro é perfeita pra isso, uma enseada de águas mansinhas, muito fácil de chegar, ligada ao centrinho histórico da Vila dos Remédios por uma escadaria. Dá para ir tranquilamente a pé, mesmo que você esteja hospedada na Floresta Nova.

"Muvuca dominical" na Praia do Cachorro
O Cachorro é uma das “praias urbanas” de Noronha e prometia estar a maior muvuca, em pleno domingo — só que “urbano” e “muvuca” são conceitos aplicados de maneira muito peculiar, lá na ilha. Tinha gente, sim, mas só alguém apresentando um quadro terminal de misantropia conseguiria chamar aquilo de “multidão”. E as águas são de uma limpidez impressionante (vamos combinar que a expressão “águas cristalinas”, em Noronha, é pleonasmo).


A praia tem uma estruturinha básica: duas barracas com mesas e guarda sóis servem bebidas (água de coco, cerveja, refrigerantes e drinks, como caipiroskas de frutas diversas), petiscos (bolinho de peixe, espetinhos de carne, frango e camarão) e refeições, como o famoso peixe na folha de bananeira, que é o prato nacional do arquipélago. Também é possível alugar cadeirinhas de praia, caiaques e pranchas de stand up paddle.

Um mergulhinho despretensioso 
Levei o snorkel sem muita convicção – afinal, praia urbana... – e fiquei pasma com a quantidade de peixinhos que moram naquelas aguinhas tão despretensiosas. Minha única preocupação, ao longo do dia, era entrar no mar sem pisar na arraia que nadava placidamente entre os banhistas. Na hora do mergulho, os locais afirmam que dá para deixar a bolsa sem ninguém tomando conta – “Aqui, ninguém mexe em nada”, avisou o barraqueiro. Más, por via das dúvidas, pedi pra ele tomar conta :).

As ruínas do Reduto do Santana 
O nome da praia vem de uma bica de água doce que era usada para abastecer os navios que aportavam por ali. A fonte ganhou uma cara de cachorro em bronze e a pequena escultura batizou a enseada. Embora a imagem do bicho não esteja mais lá, a ducha é uma boa pedida para tirar o sal do corpo, na hora de ir embora da praia.

Na encosta sobre a Praia do Cachorro, vale visitar as ruínas do Reduto do Santana, instalação militar do Século 18 que fazia parte das defesas de Noronha. O lugar serviu como arsenal de pólvora para as baterias de canhões instaladas na área e chegou a servir de alojamento para os guardas, no tempo em que a ilha abrigou um presídio.


Precisa do ingresso? Não

Onde fica: na Vila dos Remédios, a cerca de 200 metros da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios e a 600 metros da BR-322, no chamado "Mar de Dentro", a Costa Norte da ilha voltada, para o Oeste (para o Brasil), onde as águas são mais calmas na maior parte do ano. No verão, os locais alertam que a Praia do Cachorro fica perigosa, por causa das ondas fortes.

Como chegar: Desça a escada que fica ao lado do bar do Cachorro, no Centro Histórico da Vila dos Remédios.

Minha nota: comparada com outras maravilhas de Noronha, a Praia do Cachorro acaba recebendo poucos elogios. Se ficasse em qualquer cidade brasileira, seria cantada em prosa e verso...

. Cacimba do Padre
Cacimba: de um lado, os Dois Irmãos...
... e o Morro do Pico do outro


Não há como ficar imune à bela vastidão dessa praia, uma larga faixa de areia emoldurada pelas duas imagens mais icônicas de Noronha, os Dois Irmãos, quase ao alcance da mão, e o Morro do Pico, ao longe, meio encoberto pela bruma da maresia. A Cacimba é uma amplidão   selvagem que pulsa no ritmo de um mar aberto e indócil, daqueles que mesmo na maré baixa de julho a gente precisa tratar com respeito. Nos verões, batida pelo swell (o vento amado pelos surfistas), registra ondas de até seis metros de altura.

Os Dois Irmãos quase ao alcance da mão
A chegada à Cacimba tem um tonzinho de apoteose. Depois da estradinha de barro, uma clareira na mata abriga dois restaurantes improvisados, armados sob palha e lona. Uma trilha curta (200 metros, talvez?) no meio da vegetação desemboca de vez na extensão de areia dourada de cara para os Dois Irmãos. Mais uau! impossível...

Dependendo do ângulo, um irmão esconde o outro
Afora essas duas barracas, não há qualquer estrutura na Cacimba do Padre. Uma vez na areia, não conte com sombra, cadeirinhas ou serviço de bar — comodidades que, cá pra nós, acabariam conspurcando aquela estampa de “dia da criação”. Capriche no protetor solar, leve um suprimento de água e seu chapéu e muito cuidado quando entrar naquelas águas da pá virada. É um lugar para sentar e contemplar.

Curta a Cacimba, mas olho vivo com esse mar
Precisa do ingresso? Não

Onde fica: a 3,5 km do centrinho da Vila dos Remédios, no Mar de Dentro, mas não se engane, apesar de ficar na costa mais mansa da ilha, a maré da Cacimba é para ser tratada com o máximo de respeito,  mesmo quando não está soprando o famoso swell, o vento que os surfistas adoram. Cuidado ao entrar na água.

Como chegar: De táxi, a corrida ida e volta vai custar R$ 50, no total. Se você estiver de carro, tem lugar para estacionar.

Minha nota: se eu não tivesse visto o Sancho e a Baía dos Porcos, ia jurar que é a praia mais bonita do Brasil.

. Baía dos Porcos
Uma enseadinha estreita, de difícil acesso. Foi na Baía dos Porcos que encontrei as águas mais límpidas de Noronha
Os Dois Irmãos guardam a entrada da Baía dos Porcos


Essa praia só não é a mais bonita do Brasil porque sua vizinha do lado, a Baía do Sancho, ganhou o título. Mas duvido que alguém me aponte um vice-campeonato mais arrebatador. A Baía dos Porcos é uma enseadinha estreita, protegida por todos os lados, como um tesouro bem guardado, por pedras de origem vulcânica. Ao fundo está a falésia que chega aos 30 metros de altura. Em frente, no mar, a sentinela dos Dois irmãos, aqueles dois morros pontudos que são a logomarca mais reconhecível de Noronha.

A primeira vez que vi a Baía dos Porcos ao vivo foi do alto da falésia, no Mirante do Sancho, uma trilha arborizada onde as mais diversas espécies de aves fazem seus ninhos. É uma visão paralisante, mesmo com o risco de ser alvejada pelo bombardeio intermitente de cocô de passarinho que despenca dos galhos que sombreiam o caminho.

As aves marinhas adoram fazer ninho nas árvores do mirante. Cuidado com o bombardeio :)
De pertinho (de preferência, de dentro d'água), 
a Baía do Porcos é ainda melhor...
Linda vista do alto, a Baía dos Porcos é ainda mais maravilhosa de pertinho. Foi lá que encontrei as águas mais límpidas de Noronha, onde nem precisava mergulhar para ver a multidão de peixes que brincam por lá. Na maré baixa, sem o vai e vem das ondas remexendo o fundo do mar, a sensação de quem mergulha é de estar voando, de tão transparente que são as águas.

Nem precisa mergulhar para ver peixinhos

Mas olha só a multidão debaixo d'água...

Passeio em família

Fala se não é pra a gente se sentir a própria Narizinho
 no Reino das Águas Claras?
O acesso à Baía dos Porcos exige alguma perícia para caminhar sobre as pedras que cercam a pequena enseada. Nem tente fazer isso descalça. É melhor usar um calçado de solado antiderrapante, que fique bem preso no pé. A praia tem uma faixa de areia curta e sombra é coisa muito escassa por lá. Como não há qualquer estrutura, não esqueça de levar água, alguma coisa para comer, um bom chapéu e litros de protetor solar. Não esqueça de levar uma sacolinha para carregar consigo as embalagens e todo o lixo que produzir, na hora de voltar.

A piscina da Baía dos Porcos na maré baixa

A única sombra que você vai encontrar por lá é sobre as pedras, junto à parede da falésia 
Precisa do ingresso? Para ver a praia de cima, sim, pois ele é exigido na trilha Golfinho-Sancho. Para ter acesso à praia, não.

Onde fica: no Mar de Dentro, ao lado da Cacimba do Padre, cerca de 3,5 km da Vila dos Remédios.

Como chegar: Na ponta esquerda da Cacimba do Padre começa a escadinha que sobe uma espécie de "muro" natural de pedras que protege a entrada da Baía dos Porcos. Depois disso, é preciso caminhar por cima das pedras irregulares, margeando a parede da falésia. Não precisa ser Indiana Jones para vencer o caminho, mas é bom manter andar com cuidado pra não escorregar. 

A escadinha no canto esquerdo da Cacimba do Padre
e o caminho pedregoso até a Baía dos Porcos

Andando por cima das pedras,
essa é a primeira visão que você terá
 da Baía dos Porcos
Prefira atravessar quando a maré estiver começando a baixar e fique esperta para voltar antes de a maré ter subido completamente, pois, dependendo da lua, o mar pode cobrir parte do caminho sobre as pedras e dificultar seus passos. As pousadas de Noronha costumam ter uma tábua de marés onde você pode consultar o melhor horário para as travessias de ida e de volta.

Minha nota: Pode ser mil?

. Praia da Conceição 
A praia "badalada" de Noronha


Se eu tivesse ido a Noronha apenas para ficar à toa nessa praia, eu já teria voltado de lá bem feliz. A Conceição é a praia mais popular da ilha, fácil de chegar, com boa estrutura e águas calmas, na maior parte do ano. É lá, ou na Praia do Cachorro, que os moradores e visitantes costumam terminar dia, depois dos passeios mais sacolejantes. Eu fiz isso também, mas confesso que achei o máximo o dia inteiro de preguiça, acompanhada de um livro, que passei lá, completamente esquecida da vida. Caribe pra quê? A Conceição dá conta.

As águas límpidas da Conceição têm uma temperatura perfeita
Águas límpidas, na temperatura perfeita, uma larga faixa de areia dourada, pontuada por guarda-sóis esparsos, algum conforto, restaurante bacaninha... O que mais eu poderia querer da vida? Difícil, mesmo, na Conceição, é querer sair da água. Por mim, passava o resto da vida boiando naquele mar delicioso. Agito, por lá, só o das aves marinhas, que fazem o maior carnaval em torno dos eventuais barquinhos de pescadores.

A chegada na Conceição para quem vem pela Estrada da Alamoa
A farra das aves marinhas


Não bastasse tudo isso, a Conceição ainda é perfeita para ver o pôr do sol, uma imagem que simplesmente não é deste mundo. Sentadinha na areia ou bebericando nas mesas do Bar do Meio ou Duda Rei, a cena é para entrar em qualquer antologia dos momentos uau!! das nossas vidas.

A Conceição ao cair da tarde...

... é uma das grandes imagens de Noronha
Como é a estrutura: A praia da Conceição tem um bar bem tradicional, o Duda Rei, um dos mais antigos da ilha, que faz o gênero "barraca de praia chiquezinha" e é totalmente pé na areia.  Falei dele aqui neste post.

O Duda Rei aluga cadeirinhas de praia (R$ 15) e guarda-sóis (R$ 25), ou você pode usar gratuitamente as instalações do bar (mesas, quiosques com cobertura de palha, chuveiro), caso vá consumir alguma coisa por lá. Achei o preço do aluguel cobrado pelo bar muito inflacionado, mas a praia tem duas outras opções: um rapaz que fica logo adiante do bar (à direita de quem chega), cobra esses mesmos R$ 40 por um "pacote" incluindo um guarda-sol tamanho master (sombra para umas quatro pessoas) e duas cadeirinhas.

Caminhando mais para a esquerda, você vai encontrar um senhor que cobra R$ 5 pela cadeira e R$ 10 pelo guarda sol, além de servir refrigerante e água (a R$ 5 a latinha ou garrafinha). É claro que foi esse o meu freguês, todos os dias que fui à Conceição. Ele fica na sombra de uma árvore, não é difícil de achar.

Pela Estrada da Alamoa...
... você caminha com esse visual
Precisa do ingresso? Não

Onde fica: No Mar de Dentro, a cerca de 1 km do centrinho da Vila dos Remédios.

Como chegar: Da praça em frente ao Palácio São Miguel, antiga sede do governo da ilha, na Vila dos Remédios, parte a Estrada da Alamoa, que leva às praias do Meio e da Conceição por cima. Uma caminhada de 400 metros leva até o ladeirão que desce até à fronteira dessas duas praias, onde fica o Bar do Meio. Se escolher esse percurso, você terá que caminhar sobre as pedras até chegar ao melhor trecho da Conceição.
A alternativa é passar pelo ladeirão e seguir a Alamoa por outros 400 metros,  até uma descida onde estão algumas casas e uma área que o pessoal usa como estacionamento, com acesso direto à praia.

Quando for andar pela Alamoa, leve repelente, pois os mosquitos de Noronha atacam mesmo com o sol a pino, basta você estar à sombra.

Com a maré baixa, dá para chegar à Conceição caminhando pela praia, desde o Cachorro, atravessando a Praia do Meio.

Conceição: se fosse só ela, Noronha já teria me deixado muito feliz
Minha nota: Perdão, Porto da Barra, Bessa e Arpoador, mas a Conceição é a melhor praia urbana do mundo!

+
. Baía Sueste
A Baía Sueste é o point das tartarugas marinhas


Depois de ver tanta água transparente em Noronha, a gente tende a torcer o nariz para a Baía Sueste, onde o grau de limpidez do mar está abaixo do padrão local. Mas não perca o mergulho no Sieste por nada. A aparência meio "mexida" daquelas águas resulta exatamente do maior atrativo local: a grande concentração de algas que transformam essa praia em uma espécie de "bandejão" das tartarugas marinhas, onde elas batem o ponto diariamente para fazer uma boquinha.

Em dois mergulhos no Porto de Santo Antônio, eu tinha já tinha avistado várias tartarugas. No Sueste, porém, eu pirei com a quantidade e com o nível de despreocupação das cascudas, que nadam entre os mergulhadores de um jeito super blasê, quase colidindo com a gente. Não dá pra perder uma farra dessas de jeito nenhum!

Uma lagoinha em frente ao mar


Repare como o Sueste (à esquerda) é uma Baía quase redondinha
Se você olhar no mapa, vai ver que o Sueste é uma baía bem redondinha, com a entrada muito bem protegida por um costão de pedras. Mesmo assim, a aparente calma daquelas águas engana. Talvez pela obrigatoriedade do uso do colete flutuador, que deixa o mergulhador sempre à tona, precisei fazer uma forcinha extra para vencer a marola que permanentemente me sacudia e parecia me empurrar para o lado oposto do que eu queria ir.

Foi a única praia em que senti falta das nadadeiras durante o mergulho — faço snorkel desde os cinco anos de idade, mas nunca consegui gostar de usar "pés de pato".

O Centro de Visitantes da Baía Sueste tem lanchonete,
banheiros e aluguel de coletes
Uma alternativa para driblar esse esforço extra na natação é contratar um guia que vai "puxando" o mergulhador e o leva aos melhores points para avistar a vida marinha do Sueste. Eles cobram a partir de R$ 50 pelo passeio e podem ser contratados lá mesmo, no Centro de Visitantes, ou, melhor ainda, com antecedência, através da sua pousada ou em alguma agência.

Uma das donas do pedaço 

E tem peixinhos fofos, também
Precisa do ingresso? Sim

Como é a estrutura: A Baía Sueste tem um Centro de Visitantes com lanchonete, banheiros e serviço se aluguel de equipamentos como snorkel, nadadeiras e coletes flutuadores. Os coletes são obrigatórios para quem for fazer o mergulho. O aluguel custa R$ 11. O pessoal da pousada tinha me falado que também haveria um locker (guarda-volumes com chave) para deixar a mochila, mas não tem.

O mar do Sueste está demarcado por boias, sinalizando os trechos permitidos para banho e mergulho. No canto esquerdo (de quem olha da praia), o acesso é totalmente proibido. Na porção central, o banho é liberado. O canto direito é a área de mergulho — não custa repetir: sempre com colete flutuador, para evitar que o mergulhador pise no fundo de coral. Também é proibido mergulhar com "pau de selfie" e o bastão da GoPro. Se você for levar a câmera na mão, como eu fiz, cuidado pra não soltá-la durante o mergulho e também lembre-se que isso vai atrapalhar um pouco a sua capacidade de nadar.

Se estiver sozinha durante o mergulho, fique esperta para não se empolgar e ir mais longe do que suas forças dão conta. Achei as marolinhas do Sueste meio traiçoeiras.

A Baía Sueste é uma das poucas praias de Noronha
 com "ônibus na porta"
Onde fica: no Mar de Fora, a cerca de 5 km da Vila dos Remédios.

Como chegar: É a praia mais acessível de Noronha, com "transporte na porta". O ônibus que percorre a BR-323 faz ponto final bem em frente ao Centro de Visitantes, com viagens de hora em hora (mais ou menos...).

O Centro de Visitantes
Minha nota: Apesar do chacoalhões das marolas, gostei muito do mergulho. Não perca!

. Baía do Sancho
O Sancho deixa a gente sem palavras
Sabe aquele clichê sobre a água tão transparente 
que os barcos parecem voar sobre ela? Pois...
Não foi pirraça, não, mas deixei o melhor para o fim :). É que dá um trabalho danado falar do Sancho sem recorrer à coleção de clichês sobre lugares que, simplesmente, deixam a gente sem palavras.

O Sancho é parada obrigatória de dois dos passeios mais populares de Noronha, o IlhaTour e a navegação pelo Mar de Dentro. Mas não se contente com isso, não. O lugar é lindo demais pra ser apenas visto. Tem que ser curtido no seu ritmo, contemplado do alto da falésia até o coração se saciar e, depois, sentido na pele em um mergulho interminável naquelas águas quase invisíveis, de tão transparentes.

Novamente a dúvida: a água é de que cor, mesmo?
Tem que sentir a maravilha do Sancho na pele
Então, seguem as dicas para você aproveitar o máximo essa maravilha.

Precisa do ingresso? Sim

Onde fica: no Mar de Dentro, a cerca de cinco quilômetros da Vila dos Remédios.

Como chegar: Melhor de táxi. O carro vai deixar você no Centro de Visitantes Sancho-Golfinho (onde você vai mostrar seu ingresso do Parnanoronha, ou se tiver esquecido, informar o seu CPF para ter acesso). De lá, partem trilhas em plataformas suspensas sobre a vegetação, feitas de plástico reciclado, que acompanham a borda da falésia.

Essa é a sua melhor chance de ver a Baía dos Golfinhos, local de acesso restritíssimo, atualmente (os barcos, por exemplo, precisam navegar ao largo dela, num trecho demarcado por boias), refúgio da população de golfinhos-rotadores que vive nas águas do arquipélago. Perca o fôlego nos diversos mirantes para essa baía, para o Sancho e para a Baía dos Porcos.

A falésia alcança 50 metros de altura
Quando sua alma estiver saciada de ver belezas do alto, respire fundo, porque terá chegado o seu momento Indiana Jones. No chão do Mirante do Sancho, você vai ver um buraco e uma aglomeração em torno dele. É a tal fenda na pedra por onde você vai começar a descida ao paraíso. São duas escadinhas dessas tipo de pintor, de aço —  desculpem, mas eu estava empolgada demais pra lembrar de fotografar. (Atualização em 6/10/2015: meu querido amigo Carlos Mantovani quebrou esse galho e fez as fotos das escadas que você abaixo, especialmente para a Fragata. I get by with a little help from my friends).

A primeira escadinha ainda tem corrimão. Mas na segunda
(à direita) a gente já está craque na aventura :)
A primeira escada tem 20 degraus e um corrimão meio dúbio. A segunda tem 16 degraus e corrimão nenhum. Dá um frio na barriga danado descer pela fenda, com o maior cuidado pra não escorregar (atenção ao que você vai estar calçando no dia dessa visita. Sandalinha de dedo não será uma boa ideia).

Ultrapassado esse momento trepidante, você estará diante de uma escadaria ao ar livre. São mais 150 degraus cortados na pedra que forma a parede da falésia, mas depois das duas escadinhas de ferro, você vai achar essa parte a maior moleza. Depois, é só se esbaldar nas águas do Sancho.

Olha só que aguinha mais plácida e convidativa...
Como é a estrutura: uma vez que você coloque os seus pezinhos na areia do Sancho, só vai poder contar com o que tiver trazido com você. É essencial levar um suprimento de água, rios de protetor solar e um chapéu, porque sombra, lá embaixo, é artigo de luxo. O snorkel é indispensável.

As passarelas das trilhas do Sancho-Golfinho são feitas de plástico reciclado. Cuidado com a natureza em todos os detalhes


No mais, é só curtir essa coisa linda chamada Baía do Sancho.

Mergulho no Sancho é assim...

... e assim
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2 comentários:

  1. Esplêndida referência, Cyntia! Viajei agora no Reino das Águas Claras... que vontade de voltar!!
    Essa praia do cachorro é lindíssima. Fala-se tanto do Sancho, Leão, mas o meu canto em Noronha é a Praia do Cachorro. Aquelas pedras são energia pura - acho até muito semelhantes à pedra mágica de Tupã... ;)

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    1. Lembra Itapuã de antigamente, né, Dan? E a Praia da Conceição é a "praia urbana" mais deliciosa que já conheci :)

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