sábado, 17 de novembro de 2007

Nápoles:
Aventura neo-realista
nos Quartieri Spagnoli

Sua majestade, o Vesúvio
No meu segundo dia em Nápoles, o sol apareceu para uma visita. Saí muito cedinho e tomei um funicular até o Vomero, o monte onde estão os bairros mais chiques. A vista lá de cima é espetacular. Fiquei um bom tempo namorando o Vesúvio, completamente fascinada, desafiando o vento gelado (onde foi parar o "zeffiro, così soave" que tornava "bello star sulla nave" da famosa canção?*).

Quando a gente se afasta das ruas mais largas e movimentadas do Vomero, caminhando na direção da escarpa, começa a encontrar ruazinhas tortuosas, pátios, passagens estreitas. São ladeiras e escadarias que começam a descer para os Quartieri Spagnoli, a área de Nápoles que Carminha recomendou expressamente que eu evitassse ("Lá é perigoso!").

A cidade vista do Vomero
Perigoso, nem tanto. Andei por lá sem me sentir ameaçada. O que os Quartieri são mesmo é irresistíveis. Aquele clichê napolitano, com gente gritando com os vizinhos das janelas e  varais de roupas nas fachadas sobrevivem lá, num labirinto tomado por lojas de presépios (o Natal não está muito longe) e pequenos antiquários impraticáveis, de tão entulhados. É lá que o som sedutor da língua napolitana pega a gente de vez.

Os Quartieri foram construídos para abrigar os soldados da Espanha dos Áustrias, que no Século 17 era a senhora de Nápoles.  (Em "Corsários do Levante", sexto livro da série de Arturo Pérez-Reverte, o Capitão Alatriste passou uma temporada de emboscadas e punhaladas alojado no bairro).

Fachadas nos Quartieri Spagnioli
Os Quartieri Spagnoli são considerados uma das vizinhanças mais violentas da Europa Ocidental. Tem ruas muito estreitas (segundo a prefeitura, a maioria sequer tem três metros de largura), espremidas entre prédios de até seis andares. Apesar de todos os alertas, caminhei por lá admirando as fachadas antigas (maltratadas, é verdade) sem ser incomodada.

Depois disso, claro que fui à  Catedral, ver a Capela de San Gennaro, abarrotada de devotos (e olha que nem é setembro, época da festa do padroeiro da cidade).

Mas a visita que eu recomendo fortemente é à Capela de Sansevero, sempre com uma fila pavorosa na porta. O Cristo Velato, escultura de Giuseppe Sanmartino, é deslumbrante. Como é que o artista conseguiu fazer na pedra um véu tão diáfano como o que cobre o corpo de Cristo? Uma obra impressionante, que vale qualquer fila sob a chuva fina.

Antiquário nos Quartieri Spagnioli
No subterrâneo de San Severo, os fãs da franquia Sexta-Feira 13 e afins fazem a festa com as Macchine Anatomiche, duas múmias -- de um homem e de uma mulher- com todas as veias e artérias expostas e praticamente intactas. Não são visões agradáveis, embora eu louve a curiosidade científica de quem produziu as múmias.

Informações

Museo Cappella Sansevero - Via Francesco De Sanctis, 19
De segunda a sábado, das 9:30h às 18:30h. Domingos e feriados, das 9:30 às 14h.

*Santa Lucia - canção tradicional napolitana, que correu o mundo na versão para o italiano feita no Século 19. Foi gravada por uma infinidade de intérpretes, o mais famoso deles Enrico Caruso — e até por Topo Gigio (rsss), no final dos Anos 60. É uma homenagem à beleza do Borgo Santa Lucia, bairro de homens do mar.

Confira no youtube: Santa Lucia - Enrico Caruso

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