22 de fevereiro de 2015

O que ver no Pantanal

Um biguá, ave típica pantaneira
Pantanal: a paisagem é linda, mas quem arrasa mesmo é a bicharada
O Pantanal me deixou boba com seus muitos encantos, esparramados pelos 250 mil km² de planície. A paisagem é linda, mas o melhor são os muitos bichinhos que se esbaldam naquelas planuras do coração do Brasil.

É impossível ficar imune à maravilha da diversidade da fauna pantaneira. Nem urbanoides como eu resistem a tantos bichinhos fofos. Se você quer saber o que ver no Pantanal, aponte seu olhar e câmera para eles: tem biguás, capivaras, andorinhas, curicacas, jacarés, carcarás, garças, tuiuiús...

Uma verdadeira festa na floresta — ops — no Pantanal.

Andorinhas na paisagem do Pantanal do Mato Grosso
As andorinhas ensaiam o Samba de Uma Nota Só...
Eu tinha visitado o Pantanal meio na correria, lá se vai quase um quarto de século, mas o pouco tempo já tinha sido suficiente para me deixar impressionada com a beleza da região.

Desta vez, resolvi fazer uma imersão, com o perdão do trocadilho (risos) de cinco dias por lá, sonhando com o sossego à beira da piscina, livrinhos e eventuais incursões para ver a bicharada.

Pois os livros ficaram quase intocados e acho que nunca apertei tanto os botõezinhos das minhas (três!!) câmeras fotográficas como nessa viagem.

Capivara atravessa o Rio Pixaim, no Pantanal do Mato Grosso
.. e a capivara banca a Esther Williams nas águas do Rio Pixaim
Mesmo quando eu guardava o equipamento, decidida a ficar na piscina só com o nariz pra fora d’água (santo remédio para calor e mosquitos), os bichos pantaneiros vinham posar pra as fotos.

Foi o caso da curicaca que pousou no coqueiro que sombreava o meu cantinho da piscina e cantou até que eu reassumisse a minha porção dominante nesses feriados de Carnaval, que era a de paparazza de bichos do Pantanal.

Curicaca, ave típica do Cerrado e do Pantanal
A curicaca não descansou enquanto não foi clicada para a Fragata
A única que fez forfait foi dona onça, a figurinha que ficou faltando para completar o meu álbum 😊.

Dá uma olhada no meu álbum de figurinhas e comece a montar a sua lista de o que ver no Pantanal:

Fauna e flora do Pantanal do Mato Grosso
No sentido horário: uma cobra sorrateira, mas danada de elegante, o aguapé bico de pato, vegetação típica do Pantanal, a paisagem alagada e uma iguana que quase escapa das lentes da Fragata, de tão integrada ao cenário

O que ver no Pantanal 

➡️ Biguá
Os biguás ou mergulhões são uns bichinhos assanhados que estão por toda parte, no Pantanal. Lembram Patolino, amigo do coelho Pernalonga. Pra onde a gente olha, lá está uma biguá, nadando, mergulhando ou curtindo o solzinho para secar as penas.

Biguá, ave típica do Pantanal do Mato Grosso
O biguá precisa secar as penas ao sol para poder voar alto
Essa espécie meio prima dos patos, mas com o bico afilado e pescoço longo, quase de cisne, é exímia pescadora e tem sempre a plumagem negra.

Quando encontrar um biguá fazendo pose ao sol, com as asas abertas, saiba que eles fazem isso pra se secar, já que não têm a glândula que secreta substâncias "impermeabilizantes", característica de outras espécies aparentadas.

Com as penas molhadas, os biguás não podem voar alto e alcançar a copa das árvores, virando presa fácil para seus predadores. 

Grupo de capivaras no Pantanal do Mato Grosso
Capivaras: figurinhas fáceis 
➡️ Capivara
Essa é outra galera onipresente na paisagem do Pantanal. No meu hotel, elas sempre vinham em bando dar um rolezinho, no final do dia, e adoravam ensaiar movimentos de nado sincronizado, no melhor estilo Esther Williams, bem em frente ao nosso atracadouro, para delírio dos hóspedes.

As capivaras maiores podem passar dos 90 quilos e dos 60 centímetros de altura. Costumam ser mansas, mas ariscas.

Toda vez que eu me aproximava com a câmera do grupo de capivaras que frequentava o hotel, a "chefe" do bando fazia um som semelhante a um latido e a turma inteira se afastava alguns metros, continuando, depois, a pastar calmamente.

Um carcará em pleno voo no Pantanal do Mato Grosso
Carcará: ô, bicho imponente!
➡️ Carcará
Nas quadras residenciais do Plano Piloto, em Brasília, não é raro encontrar carcarás ciscando, na época das cigarras (o fim da seca). Eu mesma já cliquei alguns (estão lá no Instagram da Fragata) na minha #vidadepedestre.

Mas ver os carcarás, bichões elegantes e extremamente altivos, voando pra cima e pra baixo na paisagem do pantaneira é tremendamente emocionante.

Filhotes de carcará no ninho, Pantanal do Mato Grosso
Dá pra ser mais fofo que esses filhotes de carcará?
Os carcarás são bem comuns no Pantanal e muito zen, pois deixam a gente se aproximar e até parecem posar para as fotos.

Na região onde fiquei hospedada, alguns carcarás estão meio adestrados pelos guias turísticos e até fazem evoluções, na expectativa de ganhar um peixinho.

Não concordo com essa interferência, que é prejudicial aos bichos, mas a prática o maior sucesso.

Cavalo Pantaneiro
300 anos de adaptação geraram a raça dos cavalos pantaneiros
➡️ Cavalo Pantaneiro
Se for ser rigorosa, não dá para dizer que o cavalo faça parte da fauna nativa do Pantanal. Depois de quase três séculos de presença na área, porém, os descendentes dos cavalos trazidos pelos colonizadores já desenvolveram características peculiares, a ponto de serem considerados uma raça específica, fundamental na lida do gado, principal atividade econômica da região.

O que me importa, mesmo, é que os cavalos pantaneiros ficam lindos na paisagem. Esse da foto, por exemplo, fez tanta pose para as câmeras que parecia ter sido treinado para isso. 

Quando o assunto é elegância, é difícil competir com as garças
➡️ Garça
Taí outro personagem que já fazia parte do meu álbum de figurinhas, cortesia da garça do Senado, que está sempre desfilando em torno do espelho d'água do Congresso. 

Adoro a elegância dessas aves, uma das memórias mais fortes que tinham ficado da minha primeira vista ao Pantanal. Mas fala se não são um escândalo, essas criaturas?

Gavião-belo, ave típica do Pantanal do Mato Grosso
Como é belo o gavião-belo
➡️ Gavião-belo
Esse bichinho não é belo só no nome, não. Bem que eu tentei, mas não consegui registrar o espetáculo do voo dos muitos gaviões-belos que apareciam diariamente nas margens do Rio Pixaim.

Pra minha sorte, eles também curtem ficar quietinhos, geralmente no topo das copas das árvores mais altas, observando a paisagem, com a majestade de quem manda no pedaço



➡️ Jacaré
Ah, tava demorando, né? A gente pode falar o que quiser, mas os jacarés são as grandes estrelas do Pantanal — e responsáveis por aquele friozinho na barriga que vem com a lembrança de estar em um ambiente selvagem, trazida pela súbita aparição deles. 

Embora fevereiro, com as cheias, não seja a melhor época para avistá-los, eles até que foram generosos e compareceram em grande número, para minha alegria.



➡️ O macaquinho existencialista
Essa foto não ficou legal, e nem podia. Eu estava dormindo, de manhã cedinho, quando minha mãe veio me chamar para ver o macaquinho na copa de uma das árvores do hotel.

Catei a máquina fotográfica e corri, de pijama mesmo, para registrar a ilustre presença. A lente da câmera, claro, embaçou, no choque térmico de quem sai do ar condicionado para os 30 graus do lado de fora.

Mas o olhar melancólico desse bichinho não tem nada de embaçado. Sei lá por que, me lembrou Juliette Greco, a musa existencialista...

Os martins-pescadores (à esquerda) me deram uma canseira. As maritacas estão em época de acasalamento e quase sempre estão carregando um galhinho no bico, para fazer ninho
➡️ Maritaca e martim-pescador
Eu já tinha me conformado em voltar do Pantanal sem nenhuma foto decente de um martim-pescador, quando os bichinhos resolveram desacelerar e permitir cliques que não saíssem tremidos.

Eles são tremendamente ariscos, velozes e de uma agilidade impressionante. Mal a gente os vê e eles já batem asas. Como diz o nome, são pescadores competentíssimos.

As maritacas também conspiraram para que eu não completasse o álbum, outras bichinhas ariscas. Essa estava descansando na beira da estrada e, talvez distraída, acabou permitindo a foto.

O cardeal, os canarinhos...
...e o cobiçado joão-pinto
➡️ Passarinhos
A quantidade e diversidade de passarinhos do Pantanal deixa a gente tonta (e meio com fama de louca, pelos malabarismos que tem que tem que fazer para conseguir clicá-los).

Entre as dezenas de bichinhos que cruzaram o meu caminho, eu babava com a beleza dos cardeais, esses bichinhos tricolores, com a cabeça vermelha, dos muitos canarinhos e com o fantástico joão-pinto, um esplendor em laranja e preto.

Esse pássaro adorável, infelizmente, é muito cobiçado por colecionadores, que pagam altos preços por cada espécime, estimulando a captura e o tráfico.

É o cara! O Tuiuiú é a ave símbolo do Pantanal 
➡️ Tuiuiú
Eles estavam bem sumidos, mas é claro que eu não ia me conformar de ir embora sem encontrar um tuiuiú, a ave símbolo do Pantanal. Fevereiro não é uma época boa para avistá-los, mas, num esforço de reportagem, consegui encontrar quatro deles. Esse foi o mais disciplinado, na hora da foto :)



➡️ Veado Pantaneiro
Minha maior emoção nesta viagem foi dar de cara com esse jovem veado pantaneiro, na foto da esquerda. Eu estava estalqueando um bando de capivaras e servindo de banquete para os mosquitos, no meu último final de tarde no Pantanal, quando ele apareceu no visor da câmera, entre assustado e curioso.

Fiquei de lama até quase os joelhos, tentando chegar mais perto, sem sucesso. O veado da direita eu encontrei na beira da estrada, indo embora do Pantanal.

É um rapaz mais crescido, com galhada, e cheio de atitude, do tipo que faz carão para tirar foto. Quase que dou meia volta e fico para mais cinco dias por lá 😊.

Mais sobre o Pantanal
Dicas praticas para até os urbanoides curtirem esse patrimônio do Brasil




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4 comentários:

  1. Que incrível!
    Espero uma hora conhecer o pantanal tb!

    bjbj
    www.stheontheroad.com.br

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    1. Vale a pena. É um mundo diferente e bem especial, Stephania :)

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  2. Legal! Eu nunca fui de achar graça em bicho nenhum até fazer um safári na África do Sul e ver aquele monte de animal "esquisito" ao vivo!!! É muito legal! http://taindopraonde.blogspot.com.br/search/label/saf%C3%A1ri

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    1. Eu sou muito urbana, Fernanda, também não acho muita graça em ficar vendo bicho, mas tem lugares, tipo o Pantanal, que me deixam vidrada. Adorei e recomendo :)

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