30 de abril de 2014

Bate e volta de Viena a Bratislava

Estátua de soldado napoleônico em Bratislava, Eslováquia
As bem humoradas esculturas distribuídas pelo Centro Histórico de Bratislava são atrações turísticas mais badaladas até que o bonito conjunto arquitetônico barroco da cidade. O soldado napoleônico está na Hlavné námestie, a praça principal da cidade velha

Atualizado em abril de 2021

O bate e volta de Viena a Bratislava é um grande sucesso entre os turistas que passam pela capital austríaca. Imagine viajar apenas 70 km e poder acrescentar a bandeirinha da Eslováquia ao seu mapa viajante. 

A curta distância entre Viena e Bratislava pode ser percorrida de trem ou de ônibus. Mas, sem dúvidas, a opção favorita é ir de barco, pelo romântico Rio Danúbio, num trajeto que leva menos de duas horas. 

Art Nouveau em Bratislava, Eslováquia
Tem Art Nouveau em Bratislava, pipôl!! (mas é bom lembrar que nos antigos domínios do Império Austro-Húngaro essa escola se chama Jugendstil)

Visitei Bratislava no verão europeu de 2005, durante minha estadia na deliciosa Viena. Comprei passagem para ir de barco, mas a chuvarada da véspera do passeio levou à suspensão da rota fluvial e me obrigou a ir de ônibus.

Não teve Danúbio Azul (e se tem uma coisa que o famoso rio não é é azul, nem em Viena, nem em Budapeste, nem na fofinha capital da Eslováquia). 

Mas Bratislava compensou minha frustração, apresentando-se como uma bela cidade barroca — uma mini-Praga, talvez — com um Centro Histórico bem preservado e fácil de explorar a pé e um castelo medieval encarapitado em um morro, com cara de quem ainda toma conta do pedaço.


Fachada histórica em Bratislava, Eslováquia
E Bratislava também tem uns monstrinhos medievais muito fotogênicos

Bratislava tem pelo menos 11 séculos de história (sem contar os assentamentos pré-históricos, há mais de 7 mil anos, nem a presença romana, a partir do Século 1º). 

Chamada de Pozsony pelos húngaros, sob cujo reinado esteve a partir do Século 10, e de Preßburg pelos austríacos, que a governaram quando os Habsburgo anexaram o Reino da Hungria a seu império, a cidade só passou a ser chamada de Bratislava em 1919. 

Centro Histórico de Bratislava, Eslováquia
A Catedral de São Martinho, com sua famosa "coroa" com 8 kg de ouro (esq) e uma torre do Castelo de Bratislava vigiando a cidade

Com o desmantelamento do Império Austro-Húngaro, ao fim da I Guerra Mundial, Bratislava foi incorporada à recém criada Tchecoslováquia, em 1920, até a separação da República Tcheca (hoje Chéquia) da Eslováquia, tornando-se a capital desse país.

Se sua temporada em Viena lhe deixar com um dia de folga, o bate e volta a Bratislava é uma excelente opção de passeio. 

Veja as dicas:

Bate e volta de Viena a Bratislava

Como viajei de Viena a Bratislava

Zuviel Wasser” (“muita água”). Assim, a seco, sem espaço para argumentação, fui informada pela funcionária da empresa de barcos que o meu bate e volta de Viena a Bratislava teria que ser feito por via terrestre.

Centro Histórico de Bratislava, Eslováquia
Não teve Danúbio Azul, mas Bratislava compensou minha frustração. Nas imagens, a fonte do pátio do Palácio dos Primados e a sala de Concertos Reduta, sede da Filarmônica da Eslováquia

Explico: dois dias antes, eu tinha comprado uma passagem de barco, ida e volta de Viena a Bratislava, para explorar um pouquinho da capital eslovaca, a apenas 70 km de distância. Na época (2005), paguei € 20 pelo passeio.

No dia da viagem, ao chegar ao ponto de embarque, fui informada que a navegação turística no Danúbio estava suspensa no trecho Viena-Bratislava. Olhando ali, da margem, o Rio Danúbio nem parecia tão revolto, apesar da chuva forte de verão (mês de julho) que despencava sobre Viena. 

Ainda tentei um debate, mas “zuviel Wasser” foi a única explicação que consegui arrancar da funcionária, que repetia a frase com indisfarçável prazer e me ofereceu a alternativa de fazer o passeio a Bratsilava de ônibus ou receber o dinheiro de volta.

Restauração de fachada histórica em Bratislava, Eslováquia
Parei um tempinho pra olhar o cuidado desse restaurador trabalhando nessa fachada do Centro Histórico de Bratislava

Então tá. Zuviel Wasser pra você também 😁e estamos conversadas. Lá fui eu embarcar no ônibus —confortável, mas com o ar condicionado um pouquinho mais gelado do que eu gostaria — para esse bate e volta de Viena a Bratislava.

Dicas práticas: como ir de Viena a Bratislava

Bratislava fica a apenas 70 km de Viena, quase plantada sobre a linha de fronteira entre a Áustria e a Eslováquia (a menos de 4 km). A capital eslovaca também muito pertinho da Hungria, cuja fronteira está a cerca de 16 km.

É muito fácil circular entre Viena e Bratislava, conectadas por trens, ônibus e barcos. A viagem fluvial é a preferida pelos turistas, pela oportunidade de navegar o romântico Rio Danúbio.

Pelo que li depois, porém, o trecho Viena-Bratislava não é o mais atraente — eu naveguei o Danúbio na Wachau, entre Melk e Dürnstein e super recomendo essa viagem linda, emoldurada por castelos e vinhedos.

Mapa antigo de Bratislava, Eslováquia
O Mapa de Bratislava no cartaz de um Festival de Verão no Centro Histórico dá uma boa ideia de como era a cidade em tempos medievais

Trem de Viena a Bratislava

Os trens de Viena para Bratislava saem da Hauptbanhoff (Estação Ferroviária Central), localizada a cerca de 4 km do Centro Histórico e de cara para a Estação de Metrô Südtiroler Platz. Em 2021, a passagem custa a partir de € 11,20 (cada trecho) e a viagem tem 1h10 de duração.

Ônibus de Viena a Bratislava
A viagem rodoviária de Viena a Bratislava é bem mais barata e demora só 10 minutinhos a mais do que a opção ferroviária.

Em 2021, a passagem de ônibus custa € 5 e o embarque é no Internationaler Busterminal - Wien Hauptbahnhof, ou seja, na rodoviária anexa à Estação Central de trens, acessível pela mesma estação de metrô Südtiroler Platz (linha 1).

Ponte UFO, Bratislava, Eslováquia
A Ponte UFO sobre o Rio Danúbio é uma herança da Era Soviética em Bratislava. Para sua construção, foram demolidos alguns quarteirões medievais

Barco de Viena para Bratislava

Atualmente (abril de 2021), os passeios estão suspensos em função da pandemia. Mas, em condições normais, duas empresas operam as linhas fluviais entre Viena e Bratislava.

A LOD Ferry é uma empresa eslovaca e tem tarifas mais em conta: € 24 (um trecho) ou € 39 (ida e volta). A viagem Viena-Bratislava nas embarcações desta companhia dura 1h45.

A empresa Twin City Liner é austríaca. Cobra tarifas de € 30 (um trecho, durante a semana) e de € 35 (fins de semana e feriados). Os barcos da Twin City fazem o percurso Viena-Bratislava em 1h30.

Ambas as empresas operam no atracadouro de Schwedenplatz, acessível com o metrô (Estação Schwedenplatz, linhas 1 e 4).

Teatro Nacional da Eslováquia
Teatro Nacional da Eslováquia foi construída no Século 19, sob o domínio austro-húngaro. Em 1920, a instituição ganhou casa nova, mas o edifício histórico ainda é usado em apresentações

Câmbio em Bratislava

Quando visitei Bratislava, minha primeira providência ao desembarcar na cidade foi procurar um banco para trocar euros pela coroa eslovaca (slovenská koruna), que era a moeda do país, na época. 

Os pontos de desembarques de turistas na capital eslovaca eram bem servidos de casas de câmbio, mas, em geral, é mais vantajoso trocar dinheiro nos bancos e encontrei várias agências no Centro Histórico e arredores.

Coroa eslovaca
Minha notinha de 20 coroas agora é uma relíquia: desde 2009, a Eslováquia adota o euro

Desde 2009, porém, quem chega de Viena pode pular essa etapa, pois desde então a Eslováquia adota o euro como moeda.

Se você estiver chegando de Budapeste (outra capital bem conectada com Bratislava, a 180 km de distância), talvez precise trocar seus forint (florins húngaros) por euros.

O que ver em Bratislava

Bratislava, Eslováquia: Catedral de São Martinho e Fonte Roland
Um detalhe da Catedral de São Martinho. À direita, a torre do edifício da antiga Prefeitura de Bratislava e a Fonte Roland, na Hlavné námestie

Com apenas algumas horas para explorar Bratislava, como o foi o caso desse meu bate e volta, concentrei minhas atenções ao belo Centro Histórico da cidade, que fica a alguns metros do atracadouro turístico e do ponto do desembarque dos ônibus que chegavam de Viena.

O coração do Centro Histórico de Bratislava é a Hlavné námestie ("Praça Principal"), onde estão o antigo edifício da Prefeitura (Stará radnica), uma construção do Século 14, e a Fonte Roland, construída no Século 16 para garantir o abastecimento de água da população. 

Centro Histórico de Bratislava e escultura do paparazzo
O cavaleiro em sua armadura no topo da Fonte Roland e o Paparazzo, mais uma das famosas estátuas de Bratislava, montando sua tocaia . Abaixo, Cumil ("O Observador") a grande estrela da coleção

Cumil ou Observador, estátua no Centro Histórico de Bratislava

Cumil ou Observador, estátua no Centro Histórico de Bratislava

Debruçado em um dos bancos da praça, um soldado de Napoleão observa o movimento e atrai muitos cliques dos turistas — ele é uma das famosas estátuas bem humoradas distribuídas entre os monumentos históricos da cidade velha de Bratislava. 

O soldado contemplativo é uma imagem divertida, mas improvável: Napoleão atacou e sitiou a então Preßburg em 1809, mas sua tropas não conseguiram atravessar as muralhas da cidade 😊.

Para ver outras estátuas famosas de Bratislava, tome a rua Radničná, no canto Leste da Hlavné námestie. Na quadra seguinte, equina com a rua Laurinská, você vai encontrar o Paparazzo montando sua tocaia.

 Depois, siga essa rua por uma quadra, no sentido Oeste, onde Čumil (pronuncie chumil, "Observador", também conhecido como "Homem Trabalhando") vê o vai e vem de transeuntes de dentro de seu bueiro — que devia estar bem desconfortável, no dia em que estive em Bratislava, porque chovia cântaros 😁.

Bratislava, Eslováquia
O conjunto barroco do Centro Histórico de Bratislava é encantador

Palácio dos Primados de Bratislava, Eslováquia
Construído para os arcebispos, o Palácio dos Primados agora abriga o gabinete do prefeito de Bratislava

Logo atrás do prédio histórico da Prefeitura, não deixe de ver o Palácio dos Primados (Primalciálny palác), uma construção neoclássica lindíssima, do Século 18, que serviu de residência aos arcebispos de Bratislava. Hoje, o palácio é sede do governo da cidade, local onde despacha o prefeito.

A pouco mais de 200 metros da Praça Principal, não deixe de ver a Porta de São Miguel (Michalská brána), última testemunha da existência da muralha medieval que protegia Bratislava e foi um dos quatro acessos à cidade até a demolição das fortificações.

Porta de São Miguel, Bratislava, e estátua de João Nepomuceno
A estátua de São João Nepomuceno sobre a "sala de leitura de verão". À direita, a Porta de São Miguel

Encimada por uma torre com a típica cúpula em formato de cebola (acrescentada no Século 18), a Porta de São Miguel é uma construção do início do Século 14 e atualmente abriga uma parte das coleções do Museu da Cidade de Bratislava.

Atravessando a Porta de São Miguel, você verá a estátua de João Nepomuceno, mártir do Século 14 muito cultuado na República Tcheca e na Eslováquia. A imagem do santo está sobre uma romântica pontezinha, adornada por lampiões. Essa ponte passa sobre o Letná čitáreň U červeného raka, jardim criado em um trecho do fosso medieval e usado hoje como "sala de leitura de verão". Tem como ser mais fofo?

Bratislava, Eslováquia

Sala de Concertos Reduta, Bratislava, Eslováquia
O belo Edifício Reduta, sede da Filarmônica

Duas construções de Bratislava cativaram meu coração: a sede antiga do Teatro Nacional da Eslováquia (na Hviezdoslavovo námestie, ou “Praça Hviezdoslav) e o Edifício Reduta, sede da Filarmônica da Eslováquia, na Rua Mostová, quase na margem do Rio Danúbio.

A antiga sede do Teatro Nacional da Eslováquia é um edifício da Belle Époque (como geralmente são as belas casas de ópera, né?), inaugurado em 1886. Ele, porém, destoa de muitos de seus contemporâneos — que, geralmente, assumem um sotaque Art Nouveau em seus traços —, com suas feições clássicas.

Em frente ao teatro está a Fonte Ganymede, obra do escultor austríaco Viktor Oskar Tilgner, que também assina o monumento a Mozart que está no Burggarten de Viena (jardim do Palácio Real).  

O Edifício Reduta é um pouquinho mais do que um século mais velho e tem uma origem bem mais humilde. Ele veio ao mundo como um celeiro destinado a armazenar alimentos para a população de Bratislava e apenas no começo do Século 20 passaria por uma reforma que o converteu na sala de concertos mais querida da cidade.

Mesclando traços barrocos, rococó e Art Nouveau, adornado por vitrais e relevos em estuque, o Reduta abrigou a Escola Municipal de Música, restaurantes, lojas, bailes de carnaval e um cinema, o que o tornou o ponto cultural mais efervescente de Bratislava no início do Século 20.

Desde1950, o Reduta é a casa da Filarmônica da Eslováquia.


Castelo de Bratislava, Eslováquia
O Castelo de Bratislava (no alto) é do Século 10

Castelo da Bratislava

Desde o Século 10, o Castelo de Bratislava ocupa um pico dos Pequenos Cárpatos, às margens do Rio Danúbio, vigiando o tráfego fluvial e a povoação a seus pés.

Vestígios arqueológicos comprovam que a área onde se assenta o Castelo de Bratislava abrigou assentamentos humanos desde a pré-história, e que celtas e romanos andaram fortificando o local. Assim como povos eslavos e germânicos.

Mas o castelo que vemos hoje é uma herança medieval que passou por reformas e aperfeiçoamentos ao longo dos séculos.

Lamentei muito não ter visitado o Castelo de Bratislava, por falta de tempo — em 2005, era um perrengue chegar lá. Quem já foi, diz que a paisagem lá do alto é espetacular, com vista para três países (Eslováquia, Áustria e Hungria). Atualmente, a fortaleza sedia o Museu Nacional da Eslováquia.

Catedral de São Martinho
Consagrada em 1452, a Catedral de São Martinho (católica) é uma das igrejas mais antigas de Bratislava.

O campanário da catedral, com 85 metros de altura, foi uma imagem que acompanhou quase todo o tempo no passeio pelo Centro Histórico de Bratislava, pairando acima dos telhados das demais construções.

O topo do campanário de São Martinho é decorado com uma réplica da Coroa de Santo Estevão, usada pelos monarcas húngaros que, entre os séculos 16 e 19, eram coroados na Catedral de Bratislava.


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