21 de outubro de 2011

Os telhados rendados de Pirenópolis

Fachada adornada por Lambrequins no Centro Histórico de Pirenópolis, Goiás
Os lambrequins dão um encanto a mais às fachadas de Pirenópolis
Basta uma caminhada pela Rua Direita e a gente se apaixona por Pirenópolis. É bom demais acordar cedinho para ver a cidade, antes do sábado começar a ferver -- de gente e de calor, mesmo. 

Às oito da manhã, Piri parece que é só minha e do cachorrinho esparramado na soleira de uma casa que parei para fotografar. São quadras e mais quadras de lindas fachadas coloniais adornadas por lambrequins. Um encanto.

Casa colonial no Centro Histórico de Pirenópolis, Goiás
Produção completa: gradil e lambrequim
Sempre achei fascinante o jeito que as cidades coloniais, com suas linhas tão simples e tão similares, encontram para imprimir em suas fachadas um detalhezinho que as torna únicas.

Em Cartagena são as trepadeiras. Em Paraty, os símbolos maçônicos. Aqui em Piri, o charme são os lambrequins que arrematam os telhados: o entalhe delicado parece a renda sutil na gola do vestido de uma sinhazinha sem afetação.


Casa colonial no Centro Histórico de Pirenópolis, Goiás

Casa colonial no Centro Histórico de Pirenópolis, Goiás

A primeira vez que vi lambrequins ao vivo e a cores foi em Sena Madureira, no Acre, nas varandas de velhos solares do Ciclo da Borracha. Eles também estão por toda parte nas fachadas de Port of Spain, em Trinidad e Tobago.

Encontrá-los em Piri foi uma grata surpresa, pois sempre os associei às construções coloniais inglesas. 

Agora, fuçando a internet, descobri que decorar a fachada com esses adornos de madeira ou zinco é uma velha tradição polonesa.

Detalhes de fachadas coloniais no Centro Histórico de Pirenópolis, Goiás

Segundo a professora paranaense Luciana do Rocio Mallon, que tem um site muito interessante sobre o assunto, o Lambrequim.net, a função dos adornos seria servir de "pingador" para a água da chuva. 

Eu, porém, prefiro acreditar na lenda, também contada por Luciana e que atribui aos lambrequins o poder de proteger a casa e seus moradores.

Diz a a professora que uma velha curandeira, acusada de bruxaria, teria recebido a visita de um anjo, que a ensinou a decorar com eles o telhado, ficando, assim, invisível para os inimigos que queriam levá-la para a fogueira.

Se os Lambrequins têm poderes mágicos eu não sei. Só sei que a ideia combina muito mais com o encanto que eles conferem às fachadas de Pirenópolis.

Casas coloniais no Centro Histórico de Pirenópolis, Goiás

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Um comentário:

  1. Pirenópolis lembra um pouco Goiás Velho onde passei um fim de semana certa vez. Morei vizinho a uma cidade cujas casas eram bem antigas e cheias de pequenos detalhes e adornos da era vitoriana,isso foi em Long Island, NY.

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