29 de junho de 2005

Residenzschloß, o Castelo de Dresden

A "Procissão dos Príncipes (Fürstenzug), painel no Castelo de Dresden
O Fürstenzug retrata os governantes 
da Saxônia desde o Século 12
Música deste Post: René and Georgette Magritte with their dog after the war, Paul Simon

O Verkehrsmuseum de Dresden (Museu dos Transportes) exibe um documentário chamado "Dresden wie es eimal war" (Dresden como ela foi um dia). Editado principalmente a partir de cinejornais da década de 30, o filme mostra uma cidade alegre, efervescente e muito, muito bonita.

Descontada a porção de propaganda na “alegria” e na “efervescência” — os newsreel foram produzidos sob o regime nazista — as imagens envelhecidas e meio riscadas de uma Dresden feliz contextualizam e aumentam o impacto do que se vê a seguir: uma cidade inteira em chamas, os monumentos preciosos reduzidos a milhares de pedaços calcinados e o desespero dos sobreviventes do bombardeio de 13 de fevereiro de 1945.

Semperoper, a Ópera de Dresden
A Semperoper, famosa casa de concertos de Dresden, foi totalmente destruída por um bombardeio, em 1945. Foi reconstruída nos mínimos detalhes e reinaugurada em 1985
Sessenta anos depois, o trabalho de reconstrução já trouxe de volta das cinzas as principais referências históricas, artísticas e arquitetônicas de Dresden, como a Semperoper (a Ópera), o ZwingerFrauenkirche e Hofkirche.

Mas talvez o maior símbolo da reconstrução da cidade seja seu Residenzschloß, o antigo Castelo de Dresden, complexo de pátios, pavilhões, estruturas de defesa e espaços suntuosos onde viviam os príncipes da Saxônia.


Não espere um castelo naquela configuração clássica (muralhas, ameias, fosso — com ou sem jacarés 😀). Assim como o Burghof, o Castelo de Viena, o Residenzschloß de Dresden abandonou suas muralhas ainda no período Barroco, atualizado e integrado à cidade. Mas sem perder a pose.

Hofkirche, catedral católica de Dresden
A Hofkirche, catedral católica de Dresden,
também foi totalmente restaurada


No Residenzschloß estão instalados vários museus importantes, como o Verkehrsmuseum, onde assisti ao documentário que me deu vontade de colocar Dresden no colo e ninar a cidade.

Lá também está o impressionante Grünes Gewölbe, que expõe as preciosidades do tesouro da dinastia Wettin, composto por peças lindíssimas, delicadas, feitas muito mais para o deleite visual, embora a maioria tivesse algum uso funcional.

Ouro, prata, pedras preciosas e a mais fina porcelana dão formas a relógios, caixas de toalete, oratórios, serviços de chá e outros mimos faziam parte do cotidiano luxuoso dos governantes da Saxônia, os donos do Castelo de Dresden.

Brülsche Terrasse - Dresden
O sossego apaixonante do Brülsche Terrasse, conjunto de jardins debruçado sobre o Elba e chamado de "O balcão da Europa". Foi construído sobre o antigo arsenal militar que servia ao Residenzschloss
O Verkehrsmuseum funciona no belo prédio do Johanneum (Século 16), as antigas cavalariças do Residenzschloß. 

Os outros museus no interior do Castelo de Dresden são o Kupferstich-Kabinett (coleção de pinturas, desenhos e fotografias, Rüstkammer (uma das mais importantes coleções de armas e armaduras do mundo) e o Münzkabinett, dedicado à numismática (coleção de moedas).

Quando visitei Dresden, todo o complexo da antiga residência dos príncipes da Saxônia ainda era uma mistura de esplendor e depressão. Num dos pátios do castelo, à minha direita, estava uma bela fachada decorada em sgrafitto. À minha esquerda, pedras reviradas, ruínas, andaimes e tapumes.

Torre Hausmann, no Castelo de Dresden
Parte já reconstruída do Burghof...
Em todo o Residenzschloß, observe a decoração das fachadas na técnica do sgrafitto (bem comum, também, no bairro do Castelo de Praga), que são desenhos aplicados às paredes por meio de uma espécie de estêncil.

Essa decoração se repete no pátio principal do castelo, onde fica a entrada da Torre Hausmann (Hausmannturm), que compensa o esforço da subida com uma bela vista para a cidade e o Rio Elba. A torre já está plenamente restaurada.

Obras de restauração do Castelo de Dresden
...e a parte ainda em obras
A parte mais famosa do Residenzschloß é a Fürstenzug ("procissão dos príncipes"). É um painel com 102 metros de largura, instalado na parede externa do Stallhof, as antigas cavalariças do castelo.

Na Fürstenzug estão retratados todos membros da dinastia de Wettin que governaram a Saxônia, do Século 12 ao Século 20. Os azulejos que compõem o painel são feitos em porcelana de Meissen (técnica inventada em Dresden).

Castelo de Dresden
O castelo de Dresden 
A história do Castelo de Dresden é bem mais antiga do que o esplendor vivido pela cidade no Século 18, período que legou à cidade sua carinha barroca da atual.

No Século 12, já havia uma série de fortificações na área debruçada sobre o Rio Elba — por exemplo, o vizinho Brüschle Terrasse, chamado de "o balcão da Europa", uma magnífica sucessão de jardins e terraços, foi construído sobre os antigos arsenais da cidade. Outro lugar muito legal de visitar.

Dresden vista do alto da Torre Hausmann
Dresden vista do alto da Torre Hausmann: detalhes em sgrafitto no pátio interno do castelo, a ópera e a Hofkirche
Outra visita tocante em Dresden é a Hofkirche, que fazia parte do complexo do Residenzschloß e era o local de culto usado pelos príncipes da Saxônia.

Hoje a Hofkische é a catedral católica de Dresden, cheia de tesouros artísticos. Entre eles, um órgão do Século 17 e a Pietá do escultor modernista Friedrich Press.

Liça do Burghof, Castelo de Dresden
A liça do castelo: dá para imaginar os cavaleiros disputando justas com suas lanças. Mais sessão da tarde, impossível
Nesta escultura (impressionante) Maria não chora pelo filho morto, mas por todas as vítimas da guerra. A obra é feita em porcelana de Meissen e fica numa capela no interior da Hofkirche, um cantinho comovente.

Dresden vista do alto da Torre Hausmann
A cidade vista do alto da  Hausmannsturm
É a Pietá de Press, aliás, que expressa de maneira mais clara a Dresden que eu vi: uma cidade onde até para lembrar o horror se usa a beleza.

Dilacerada pelas bombas, com as entranhas à mostra durante 60 anos, Dresden foi salva por seus moradores, que protegeram os escombros, cuidaram de cada pedra e impediram que as ruínas fossem transformadas em estacionamentos. É por causa deles que a cidade hoje pode ser reconstruída.

 O pátio interno do Residenzschloß
O pátio interno do Residenzschloß, decorado com a técnica do sgrafitto
Visita ao Residenzschloß
Entrada pela Taschenberg 2 ou Schlossstraße (Löwentor). Fechado às terças-feiras. Visitas das 10 às 18 horas. A Hausmannsturm só pode ser visitada de abril a novembro. Um tíquete combinado permite a visita aos diversos museus do complexo e custa € 12.


Como chegar ao Castelo de Dresden


Mais sobre Dresden 

A Alemanha na Fragata Surprise

Curtiu este post? Deixe seu comentário na caixinha abaixo. Sua participação ajuda a melhorar e a dar vida ao blog. Se tiver alguma dúvida, eu respondo rapidinho. Por favor, não poste propaganda ou links, pois esse tipo de publicação vai direto para a caixa de spam.
Navegue com a Fragata Surprise 
Twitter     Instagram    Facebook    Google+

3 comentários:

  1. Dresden é uma joia preciosa mesmo. Tambem fiquei encantada com tudo o que vi por lá. Sim, eu vim ler sobre o Porto. E li e deu mais vontade ainda de conhecer. mas quando vi Alemanha não resisti e fiz muito bem. Foi como andar pelas ruas da cidade mais uma vez. E deu vontade de voltar lá. Parabens pelo Blog.
    Fatima

    ResponderExcluir
  2. Adoro a Alemanha, mas por enquanto só conheço Munique e a região... E dia a dia cresce a minha vontade de ir para Berlim, Dresden, Leipzig, etc...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Munique, Dresden e Berlim são espetaculares, cada uma à sua maneira, Fernanda. E experimente Lübeck, também, uma cidadezinha de sonho.

      Excluir