segunda-feira, 4 de maio de 2015

Sossego e conforto:
Dicas para uma escapada a Itacaré


De vez em quando, preciso me desconectar do mundo. Minhas viagens e passeios e diversões do dia a dia são sempre super urbanos, mas tem horas que é muito legal sumir do mapa e mergulhar na natureza. Nessas horas, nada melhor que praia: pé na areia, cheiro de maresia e o barulhinho das palhas dos coqueiros, quando o vento começa a soprar do mar para a terra, no final da tarde. E Itacaré tem a receita certa do sossego.

O antigo reduto de surfistas, que eu só tinha visto de passagem, em um dia perdido lá nos anos 70, virou uma espécie de meca pé-na-areia-chique, na última década. Foi lá que passei quatro dias deliciosos, hospedada no meio de uma reserva de Mata Atlântica, com uma praia gostosíssima na porta e um riozinho de águas cristalinas para "tirar o sal".

Uma grande pedida para aproveitar um feriadão. Veja as dicas e comece a planejar 😉.

Santa baixa temporada, Batman...
Escolhi Itacaré usando meu método ultra científico do uni-duni-tê de viajante: assim que sei quantos dias de folga eu vou ter, pego todos os lugares da minha lista de desejos pra onde valeria a pena ir naquele período e espaço de tempo e começo a pesquisar passagens e hospedagem (foi assim que consegui passar seis dias na Ilha de Páscoa pagando R$ 1.500 pela passagem, em janeiro de 2013).

Itacaré ganhou porque consegui achar um voo direto Brasília-Ilhéus com bom peço e horário muito civilizado.

Sombra e (muita) água fresca
Além disso, o pessoal que opera os transfers entre o Aeroporto de Ilhéus e as diversas praias do município é bem profissa: contatei oito agências e autônomos e as respostas (com preços e condições para a contratação) chegaram rapidinho. Isso dá uma tremenda segurança, especialmente pra quem vai viajar sozinha e, vergonhosamente relapsa, continua com a carteira de motorista vencida.

São Pedro foi bróder e mandou um céu muito azul
Passagem comprada, hospedagem reservada e transfer contratado, só me restava ficar de olho na previsão do tempo (soprar as nuvens mentalmente pode ser considerado trapaça com a natureza?). Abril não é o melhor mês para visitar a Bahia, exceto o Extremo Sul (Arraial, Trancoso e arredores) pois costuma chover cântaros nesse período. Baixa temporada tem dessas coisas: os preços estão bons, mas o clima pode azedar.

Eu arrisquei e me dei bem: São Pedro continua meu super bróder e mandou um céu azul daqueles que só mesmo por encomenda, como você pode ver nas fotos. Caiu só uma chuvinha, em uma das madrugadas, perfeita para limpar o ar, deixar as fotos ainda mais bonitas e refrescar um pouquinho, pois o calor era de franco verão baiano.



Para ajudar no seu planejamento, porém, preciso lhe alertar que os dias lindos que peguei em Itacaré foram pura sorte, pois choveu muito antes e depois da minha passagem por lá e o Weather Channel prometia tempestades para os dias da minha estada. Portanto, confie no Praiômetro de Ricardo Freire, do blog Viaje na Viagem e programe-se para viajar entre setembro e fevereiro.


Como chegar
O Aeroporto Jorge Amado, em Ilhéus, é o mais próximo de Itacaré, a 75 quilômetros de distância. Recebe voos diretos, diários, de Belo Horizonte, Brasília, Campinas, Galeão, Guarulhos e Salvador. As companhias aéreas que operam lá são a Gol, Tam, Azul e Avianca.

Quando eu era repórter em Salvador, era comum voar até Ilhéus (15 minutinhos) para cumprir alguma pauta e, na chegada ,o avião sobrevoar a pista e retornar à capital, sem condições de pouso.

O aeroporto de Ilhéus é pequenininho, mas recebe voos de diversas capitais
A pista do Jorge Amado é curtinha, entre o mar e o Rio Cachoeira, e naquele tempo as operações no aeroporto dependiam de boas condições de visibilidade. Hoje, porém, equipamentos sofisticados dão muito mais segurança de que você vai conseguir pousar e decolar, conforme a programação

Eu voei de Brasília para Itacaré pela Avianca, que estava com um precinho camarada para um feriadão (cerca de R$ 500 o bilhete de ida e volta). Gostei do horário: sai às 11:40 e retorna às 16:35h, quer dizer, não foi preciso acordar de madrugada, mas também não perdi a praia nos dias de deslocamento. A viagem da Capital Federal à terra de Gabriela dura cerca de uma hora e meia.


Eu sempre gostei muito de Ilhéus, cidade gostosa, simpática e bem bonitinha
Se der, aproveite para fazer um passeinho por Ilhéus, uma das cidades mais gostosas da Bahia. A região do Pontal, onde fica o Aeroporto, está bem cuidada e é um bom lugar para uma caminhada à beira mar.

No Centro Histórico, a atração maior é o tradicional Bar Vesúvio, que pertenceu ao casal que inspirou os personagens de Nacib e Gabriela. Faz tempo que não vou lá, mas soube de fonte fidedigna que o quibe continua de uivar para a lua.

A estrada que liga Ilhéus a Itacaré é a BA-001, inaugurada como "estrada ecológica", nos anos 90. Ela corta uma área de Mata Atlântica e, na época de sua pavimentação, ganhou túneis sob o asfalto e redes entre as copas das árvores, para os bichinhos atravessarem a pista sem risco de atropelamento.

As curvas do Rio Cachoeira na minha janelinha, na hora de voltar para casa 
Você vai ver que a vegetação da região, apesar da especulação imobiliária, ainda é bem exuberante. Isso acontece porque a cultura cacaueira precisava da copa das grandes árvores para proteger as plantações de cacau, planta que gosta de sombra.

Restam poucas redes na BA-001 para a travessia dos macaquinhos (confesso que não tive como conferir se os túneis ainda estão lá ou se já foram destruídos).

A conservação do asfalto está bem satisfatória, a sinalização dá para o gasto, mas a pista é estreita, cheia de curvas, com muitas subidas e descidas, a partir de Uruçuca, quando começa um trecho de serra. Se for dirigir, vá com cuidado. Osmar, o motorista que fez o meu transfer, passa por lá todos os dias, mas garante que tentar fazer o percurso em menos de uma hora e meia é risco de vida.

O caminho de Ilhéus a Itacaré passa sempre bem pertinho do mar. Essa é a saída da cidade, para pegar a BA-001, na altura da Praia do Malhado
Gostei e recomendo o serviço de Osmar. Ele é paulista de Praia Grande e mudou-se para Itacaré há cinco anos, buscando uma vida mais tranquila (nem preciso dizer que ele surfa, né?). Educado, simpático e muito profissional, estava me esperando no portão de embarque, conforme o combinado, com plaquinha com meu nome e tudo. No caminho para Itacaré, sempre se oferecia para dar uma parada para fotos, quando notava que eu estava interessada na paisagem.

A parada mais espetacular do caminho foi no mirante que fica sobre a Praia de Pé de Serra, logo depois da divisa Ilhéus-Uruçuca. A paisagem é um escândalo, a gente consegue avistar a vastidão de mar que caracteriza o litoral da Região Cacaueira, de Ilhéus para o Sul, com longas faixas planas de areia branquinha e o coqueiral se mesclando com a Mata Atlântica. Jorge Amado chamou esse pedaço de mundo de "Terras do Sem Fim". As terras acabam nas cercas, mas o mar, com certeza,  parece infinito.

Mirante da Praia Pé de Serra, no caminho para Itacaré
Atenção, porém, a uma dica de segurança: se você passar pelo mirante (ele fica na beira da estrada) e ele estiver deserto, evite parar, principalmente no final da tarde. Segundo Osmar, tem acontecido assaltos por lá. Se tiver movimento, porém, esbalde-se com a vista linda lá de cima.

Osmar cobrou R$ 140 por cada trecho do transfer. O carro dele é um Grand Siena 2014, bem conservado, com rack e acessórios para transportar pranchas e o ar condicionado funcionava que era uma beleza.  Se quiser contratá-lo faça contato pelo email itacaretaxi@gmail.com 

Praia de São José, meu pouso em Itacaré
Se quiser ir de ônibus de Ilhéus para Itacaré, o Terminal Rodoviário fica a 4,5 km do aeroporto, na Avenida Lomanto Júnior, esquina com Avenida Princesa Isabel. A empresa que liga as duas cidades é a Viação Rota (fone 73-3251-2181), que faz o percurso em 1h40.

A passagem custa R$ 16,10, mas a pegadinha é que não há serviço em alguns dias da semana. Consulte direitinho o site, se fizer essa opção. Se eu fosse você, além de pegar as informações na internet, telefonaria para confirmar 😊.

Para quem está em Salvador, há a opção de atravessar com o ferry-boat para a Ilha de Itaparica e, no Terminal de Bom Despacho, pegar um ônibus para Itacaré. São cerca de cinco horas de estrada e, sinceramente, acho um programa para masoquistas.

Em todo caso, as empresas que fazem o transporte são a Águia Branca e a Cidade Sol — antes de ir, porém, leia esse relato do blog 360 Meridianos (que eu adoro e recomendo!!), para ter uma ideia de como são os ônibus por lá...

Minha varanda...
Como escolhi a hospedagem

Meu pouso foi o Itacaré Eco Residence, na Praia de São José, que amei, recomendo e vou descrever com detalhes em outro post. Na minha escapada para o precioso de sossego, deu até para dormir escutando o barulho do mar.

Faz tempo que Itacaré deixou de ser um destino barato. A região ganhou resorts e pousadas elegantes, que apostam no estilo "rusticidade cinco estrelas", com praia quase particular, dada a dificuldade de acesso, serviço caprichado, muito conforto e mordomia.

O Itacaré Eco Residence fica no meio da Mata Atlântica e a Praia de São José é quase exclusiva dos hóspedes
O resultado é que na alta temporada eu não me arriscaria nem a passar perto de Itacaré, pois não seria para o meu bico. Fora do alto verão, porém, os preços ficam mais acessíveis.

Como eu estava muito a fim de sossego e silêncio, preferi não me hospedar na cidade (a tal da "sofrência", o novo horror da música baiana, poderia aparecer quando eu menos esperasse).

Pesquisando no Booking, encontrei o Itacaré Eco Residence, que fica a 12 km da área urbana. O lugar prometia ser lindo (e cumpriu) e tinha excelentes avaliações dos hóspedes, no site. As tarifas  para o feriadão estavam simpáticas e havia a alternativa de cancelamento sem custos até 10 dias antes da viagem. Fiz a reserva com cerca de dois meses de antecedência.

Era assim que eu acordava 😊
O que levar para a viagem
Itacaré ainda não tem serviço de banda larga, portanto, onde quer que você se hospede, vai encarar um WiFi meio instável. Se ficar fora da cidade, então, prepare-se para não contar com o sinal de celular e do 3G. Traduzindo: leve livros, porque a possibilidade de se distrair nas redes sociais será quase nula — a ideia era desconectar, lembra?

Daquele monte de gadgets que você carrega em viagem, você só vai precisar mesmo é da câmera fotográfica, um cartão de memória poderoso e do carregador de bateria. Acredite, é tudo tão bonito e a luz varia tanto ao longo do dia que você não vai conseguir parar de clicar o que está ao seu redor.

Um riozinho cristalino, pra tirar o sal
Uma das grandes atrações da região é fazer trilhas para as praias mais selvagens, como a Prainha. Vá prevenida, portanto, com um bom calçado para caminhadas. Leve repelente (sim, há alguns mosquitinhos que aparecem ao cair da tarde, mas nada que assuste), litros de protetor solar e um bom chapéu.

No quesito vestuário, mesmo que você seja muito menos hippie do que eu, vai usar quase nada além do trio maiô, canga e rasteirinha. Uma roupinha para a hora do jantar já dá conta.

Quantos dias
Quatro, no mínimo. Foi esse o tamanho da minha temporada e acho que menos do que isso não teria compensado a viagem. Mesmo chegando com tempo para um bom mergulho, no sábado, e saindo para Ilhéus depois do almoço, na terça-feira, um intervalo menor que quatro dias não teria permitido que eu entrasse no clima de dolce far niente à beira mar. Uma semana por lá deve ser melhor ainda 😉.

A famosa Prainha é realmente
um pedacinho muito especial deste planeta...
O que fazer
De preferência, nada. Permita-se desabar sobre uma confortabilíssima espreguiçadeira, à sombra de uma cabaninha de sapé, com o mar lhe chamando, do outro lado da faixa de areia dourada que se estende a seus pés. Faz um bem danado — as más línguas diriam que eu ficava fazendo corpo mole, esperando a maré encher para ter que andar menos, na hora do mergulho, mas juro que isso é intriga da oposição 😊.

Agora, se baixar algum santo laborioso, combine com um guia local para fazer uma trilha para ver algumas das belas praias mais isoladas da região, como a famosa Prainha.

A dica é não se aventurar sozinha pelo mato, não só por conta do risco de se perder, mas principalmente porque os relatos de assaltos a turistas nas trilhas não são tão raros. Segundo o pessoal da região, nesse último verão as ocorrências diminuíram sensivelmente — e não será você que vai dar sopa pro azar e contribuir para piorar as estatísticas, né?

O entardecer na Praia da Coroa, no Centro de Itacaré
Surpresa: acarajé!!
Também vale a pena dar uma passada pelo centrinho de Itacaré. A cidade é pequena, tem cerca de 12 mil moradores (os outros 15 mil habitantes do município estão na zona rural ou em distritos como Taboquinhas, que tem mais moradores que a sede do município).

Não dá para dizer que Itacaré seja bonita, mas o pôr do sol na foz do Rio de Contas, na Praia da Coroa, é um espetáculo notável, com dezenas de barquinhos ancorados, descansando da labuta.

O agito da cidade se divide entre as ruas Pituba e Lodônio Almeida, onde fica a Passarela da Vila. Ambas são concorridos corredores de bares e restaurantes e também endereço de diversas pousadas.

As duas ruas se encontram na Praça Santos Dumont, onde comi um dos melhores acarajés dos últimos tempos, na barraquinha Acarajé Experto. E olha que acarajé apenas bom, fora de Salvador, já é uma raridade...

O mundo fica muito melhor visto da sombra 😎

Mais sobre Itacaré
Prainha e São José, dois paraísos em Itacaré
Onde me hospedei: Itacaré Eco Residence, conforto pé na areia 



Curtiu este post? Deixe seu comentário na caixinha abaixo. Sua participação ajuda a melhorar e a dar vida ao blog. Se tiver alguma dúvida, eu respondo rapidinho. Por favor, não poste propaganda ou links, pois esse tipo de publicação vai direto para a caixa de spam.

Navegue com a Fragata Surprise 
Twitter     Instagram    Facebook    Google+

6 comentários:

  1. Nossa! Adorei o seu blog! Muito completo o seu post.. apesar de ser baiana, não conheço Itacaré. Suas dicas vão me servir e muito.

    Beijos e sucesso.

    Babi
    www.vaiemfrentemenina.blogspot.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada, Babi. Eu também vinha devendo essa vista a Itacaré. quando estive lá, em 76, talvez 77, o lugar era completamente diferente. Quem bom que o blog vai ajudar seu planejamento. Acho que você vai curtir muito aquele paraíso.
      Bjo

      Excluir
  2. Oiii Cyntia, que lindas fotos, super bem vinda suas dicas, ainda não conhecemos, vou considerar na minha lista de desejos! Bjossss

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Kellen, você vai amar!! Eu fiquei só quatro dias, queria ter ficado pelo menos uma semana :))
      Bjo

      Excluir
  3. Oi, Cynthia! Que post lindo!!! Fotos de babar!
    Vou pra Ilhéus em breve e adorei as dicas. Não sei se terei tempo de ir até Itacaré, mas adoraria.
    Beijos!
    Karla

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada, Karla :)
      Se você conseguir um tempinho pra dar um pulo em Itacaré, não perca. É lindo demais. Ilhéus também é muito bacana.
      Bjo

      Excluir