segunda-feira, 9 de junho de 2014

Praia do Rosa:
Um fim de semana no recanto das baleias

Olha só esse praião: baleia é ou não é um bicho
 com um tremendo bom gosto?

No penúltimo final de semana de maio, fui conhecer a bela Praia do Rosa, um pedacinho bem especial do badalado litoral catarinense, na primeira edição do Santa Catarina na Bagagem, evento que reuniu 17 blogueiros de viagem. O lugar é muito bonito, com a medida exata de recortes e relevo na paisagem e uma povoação que segue um clima meio Búzios minimalista: tem um centrinho, onde se concentram alguns restaurantes nas sua ruazinhas muito calmas, mas a maioria das pousadas e casas de veraneio estão espalhadas por diversos recantos, no alto dos morros e à beira mar.

O melhor da Praia do Rosa é que ela é um destino para o ano inteiro. Depois de bombar no verão, o Rosa tem inverno com clima de "serra à beira mar", com pousadas charmosas que oferecem lareira e ofurô, restaurantes que servem fondue e capricham na carta de vinhos e uma atração irresistível: de junho a novembro, é um dos melhores pontos da costa brasileira para a observação das baleias jubarte.

De manhãzinha, a vista da minha varanda na pousada 
A origem desse badalado destino praiano, antigo reduto de pescadores e de pequenas propriedades dedicadas a cultivos de subsistência, é bem parecida com a de outros points charmosos do nosso litoral. Lá pelos anos 70, o Rosa foi descoberto por surfistas e os mochileiros, mas rapidamente a comunidade se organizou para evitar que o lugar fosse devastado pelo turismo predatório.

O resultado é a sofisticação despojada que lembra Trancoso e a Praia do Forte, na Bahia.

As ruas do Rosa são muito mais estradinhas rurais
A Praia do Rosa ferve no verão. É destino certo de surfistas e descolados. Eu, porém, apostaria nela muito mais como destino de inverno, pois é nesta época — geralmente depois do Dia dos Namorados, como me contaram os locais — que chega a fauna de frequentadores mais interessante: as baleias francas, que sobem da Antártida para se acasalar e parir seus filhotes. E a cada ano a turma que chega ao Rosa é maior, já que as medidas de proteção à espécie têm resultado em aumento da população.

A última caça à baleia registrada na região do Rosa foi em 1973. Hoje, a praia integra uma área de Proteção Ambiental que abarca 130 km de costa e as grandalhonas (as fêmeas chegam a medir 17 metros e a pesar 60 toneladas) são monitorados pelo Projeto Baleia Franca (PBF).

O que não falta é "arquibancada" para ver as baleias
Durante a temporada, que “oficialmente” vai de julho a novembro, elas chegam perto da praia, fazem acrobacias e soltam o característico esguicho em V, para delírio dos turistas cujo número não para de crescer. “Algumas são bem exibidas, como a que batizamos de Daiane dos Santos, por conta do tanto que ela saltava”, conta a bióloga Gabriela Godinho, do PBF, que fez uma palestra para os blogueiros do Santa Catarina na Bagagem.

Palestra na sede do Projeto Baleia Franca
Com o auxílio luxuoso dos cetáceos, a vida turística no Rosa mudou. A observação das baleias consolida-se como um atrativo tão bacana quanto o banho de mar — a observação a bordo de lanchas e barcos está suspensa por decisão judicial, a pedido do Ministério Público, mas o que não falta são encostas à beira mar para a turistada se esbaldar, assistindo ao balé das bichinhas. O resultado é que temporada de turismo no Rosa ganhou um “segundo tempo”.

O dia estava tão bonito que dona coruja abandonou a toca para olhar o mar. À direita, a vegetação na beira da Lagoa Salgada
Antes destino exclusivo de verão (como todas as praias badaladas de Santa Catarina), agora o lugar tem cada vez mais a o apelo invernal que sempre foi característica das localidades de serra. A gastronomia local também se diversificou e se sofisticou.

A boa notícia é que esse "segundo tempo" da Praia do Rosa ainda tem preços mais camaradas e menos muvuca (no verão, as estradinhas registram até engarrafamentos).

Veja a seguir as dicas que eu trouxe da Praia do Rosa para você programar sua visita ao paraíso das baleias.



Como chegar  
A Praia do Rosa fica no município de Imbituba e o aeroporto mais próximo é o de Florianópolis, a 90 km, pela BR-101. A estrada está em boas condições, duplicada, e a viagem é feita em cerca de uma hora, dependendo do trânsito na saída da capital, que contam os locais, está cada vez mais infernal.

A melhor opção é alugar um carro, até porque o Rosa, com seu sobe morro e desce morro, não é dos destinos mais amigáveis aos pedestres. Se não quiser dirigir, uma alternativa é contratar um táxi que leve do aeroporto de Floripa até lá. As corridas custam R$ 200 e, dependendo do número de passageiros para rachar a conta, pode ser boa ideia.

Dois ângulos da Lagoa Salgada, que se comunica como mar do Rosa

De ônibus, o mais comum é ir até Imbituba (as viações Santo Anjo e Eucatur fazem a rota) ou Garopaba e depois seguir de táxi até o Rosa.

Como eu cheguei
Kellen, Mauro e eu. Acho que nunca fui à praia com tanta roupa :)
Cheguei ao Rosa do melhor jeito possível, que é de carona e em boa companhia. Mauro César Noskowski, do blog Meu Limite 191 Países foi um fofo de pegar a mim, a Roberta Martins (Territórios) e Kellen Bittencourt (Trilhamarupiara) no Aeroporto de Floripa e nos levar ao Rosa.

A viagem foi bem tranquila, apesar da chuva, pois além de a pista estar duplicada e bem sinalizada, Mauro é tranquilo e seguro pra dirigir. Temos que marcar outra aventura, né, galera?

Na volta do Rosa a Floripa, eu, Kellen e Roberta dividimos um táxi, já que Mauro, felizardo, ia ficar mais uns dias por lá. A corrida custa R$ 200 e o taxista que nos levou, Anderson, era cuidadoso ao volante e gente boa. Dá pra agendar com ele pelos telefones 48-9965-8678 (Tim) e 48-8407-9621 (Oi).

Onde ficar
Os participantes do Santa Catarina na Bagagem se dividiram entre o Vida Sol e Mar Eco-Resort e o Village Praia do Rosa, estabelecimentos que oferecem tanto apartamentos convencionais quanto casas com serviço de hotelaria.

Varanda da casa que visitei no Vida Sol e Mar Eco Resort. Abaixo, o quarto e a sala 

Visitei uma das casas do Vida Sol e Mar e babei com a vista para o mar que se tem da sala, do quarto de casal e da enorme varanda. A casa é a Vila Fragata (imagina se eu quase não a reivindico pra mim? Rss), que acomoda tranquilamente seis pessoas, nas suas três suítes.

Outra pousada que me deixou boba com a vista foi o Solar Mirador, com um senhor deque de madeira dependurado sobre o mar, mas vi apenas essa área, onde fica a piscina, e o salão do café da manhã.

O Solar Mirador e seu deque sobre o mar
Onde me hospedei
Pousada Vigia das Marés
Caminho do Rei nº 60
Pousada Vigia das Marés, simpática, confortável e aconchegante
Eu me hospedei na pousada Vigia das Marés, encarapitada no alto do morro, na área conhecida como Caminho do Rei.

Tem uma piscininha e um gazebo no jardim, uma sala com lareira e TV e internet WiFi gratuita em todos os ambientes (que funcionou muitíssimo bem). Oferece estacionamento gratuito aos hóspedes e, no verão, fornece toalhas, guarda-sóis e cadeiras de praia.

A piscina e o gazebo da Vigia das Marés, com vista para o mar
A mesa posta para o café da manhã e as flores que se enroscavam na escada de acesso ao meu quarto
O apartamento que ocupei também tem uma linda vista para a ponta sul da praia. O quarto é bem amplo, com uma varandinha estratégica. O dormitório fica no mezanino, de onde os janelões já deixam a gente de cara para o mar desde a hora de acordar.

O serviço da Vigia das Marés é muito simpático e o atendimento é feito diretamente pelo dono da pousada. O café da manhã não chega a ser copioso, mas chegam à sua mesa pães, bolos, geleias, café suco e ovos mexidos, feitinhos na hora.

Minha caminha na pousada ficava em um mezanino 
A saleta vista do mezanino e o banheiro do apartamento
O senão, para mim, é que o ar condicionado tipo split não dava conta de aquecer todo o apartamento: o mezanino ficava quentinho, mas a sala, de jeito nenhum (peguei 14 graus na Praia do Rosa!!!).

As tarifas, para reservas feitas com boa antecedência, foram de R$ 260 por noite e meu apartamento acomodaria até três pessoas, já que tem um sofá cama na sala.

Hospedagem comentada – índice reúne todos os posts sobre o tema publicados no blog


Onde Comer
Ostras ao bafo na beira da praia: ah, saudade!
Casarão 
É um típico restaurante de praia, com um varandão quase na areia, na Ponta Sul da praia. Nosso almoço de sábado foi lá. A entrada foi um creme de alho poró com batata e escolhi o goulash à tirolesa como prato principal, perfeito para o frio que estava fazendo naquele início de tarde.


A Ponta Sul da praia é mais movimentada e tem alguns restaurantes à beira mar 
Restaurante Radical
Fica coladinho no Casarão e segue o mesmo estilo - quase não dá para perceber onde acaba um restaurante e começa o outro. Como tínhamos um tempinho antes do almoço, eu, Kellen e Mauro resolvemos testá-lo, enquanto esperávamos o resto da galera, que tinha ido fazer uma trilha. Pedi ostras ao bafo (sou louca por ostras!), que estavam perfeitas. Os meninos foram de casquinha de siri e também aprovaram a pedida.

Refúgio do Pescador
Caminho do Alto do Morro s/n 
O Refúgio do Pescador:elementos simples compõem uma decoração caprichada e aconchegante - e a paella estava divina
Charmoso e aconchegante, esse restaurante fica na parte alta da vila e tem decoração com toques marítimos, de muito bom gosto, e uma lareira perfeita para fazer companhia a uma garrafa de vinho. Nosso jantar de boas vindas foi lá, uma senhora paella, que eu não fotografei, mas que você pode ver no Trilhamarupiara.


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Como viajei
Visitei a Praia do Rosa como convidada da 1ª edição do Santa Catarina na Bagagem, entre os dias 23 e 25 de maio de 2014.

O deslocamento até lá correu por conta de cada blogueiro participante e, embora o evento tenha providenciado alojamento para todos os convidados, eu me hospedei por conta própria. Todas as refeições, exceto as ostrinhas matadoras do Radical, foram cortesia dos restaurantes locais.

O Santa Catarina na Bagagem foi idealizado e coordenado pela jornalista e blogueira Tatiana Dorneles (Destino Mundo Afora), teve o apoio da Acim/Núcleo Praia do Rosa e Faro Comunicação e a colaboração das pousadas Village Praia do Rosa e Vida Sol e Mar Eco Resort, Refúgio do Pescador Restaurante, Casarão Restaurante Bar Mar, Beleza Pura Resto/Lounge Bar e Instituto Baleia Franca (IBF).

Participaram os blogueiros Anna Martinelli e Mariana Fachin (Finestrino), Natasha Schiebel e João Guilherme Brotto (Pra Ver em Londres), Jr Caimi (Tip Trip Viagens), Helder Ribeiro (Nerds Viajantes), Thiago Cesar Busarello e Márcia Nichelatti (Vida de Turista), Cyntia Campos (A Fragata Surprise), Erick Stengrat (My Destination Anywhere), Roberta Martins (Territórios), Kellen Bittencourt (Trilhamarupiara), Renata Campos (RêVivendo Viagens), Mauro César Noskowski (Meu Limite 191 Países), Raquel Bez (Põe a Mão no Bolso) e Lucas Estevam Ferreira (Estevam pelo Mundo).


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4 comentários:

  1. Cara Cyntia, foi um enorme prazer conhece-la pessoalmente, já tinha acompanhado seu blog em alguns momentos na qual a parabenizo pelo excelente trabalho. A carona foi um detalhe, gosto de ser bem recebido quando vou a outros locais e porque não também proporcionar. O seu post esta ótimo, mínimos detalhes e lindas fotos. Agradeço por ter nos proporcionado a prova da ostra ao bafo, adorei, e perdi o asco que tinha por elas, que perda de tempo né heheheh grande abraço e a disposição aqui no Sul.

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    1. Grande Mauro, também adorei! Espero que em breve a gente se encontre na sua bela Serra Gaúcha. Bjo

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  2. Faltou falar da Praia do Portinho, no Rosa sul,que é o canto mais bonito de lá. Agora em agosto consegui ver as baleias,tartaruga marinha e um leão marinho gigante. É a praia mais linda de SC.

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    1. Já anotei a dica para a próxima visita, Ricardo. Valeu!

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