22 de agosto de 2013

Hotel Adelphi de Liverpool - um velho mito da terra dos Beatles

Detalhe de um dos salões do Adelphi
Meu mergulho em Liverpool foi tão intenso que até na hora de escolher a hospedagem eu quis um ícone da cidade.

O Adelphi Hotel é uma instituição britânica. Fundado em 1826, quando o Porto de Liverpool era uma importante porta de comunicação com as colônias, ele rapidamente se tornou um emblema da opulência, considerado o mais luxuoso hotel da Inglaterra fora de Londres, pouso da nobreza e de celebridades, como o escritor Charles Dickens.

O Adelphi está velhão e precisando de reforma, mas é tão bonito que eu relevei as falhas de conservação. Além do mais, ele estava com tarifas interessantes (£ 58).

Veja como foi minha experiência de hospedagem no Adelphi Hotel:


O lounge do Adelphi já foi um salão de baile. Hoje é ponto de encontro dos aposentados, principal público do hotel
Um pouquinho da história do Adelphi Hotel de Liverpool
Aberto na primeira metade do Século 19, o edifício original do Adelphi Hotel era uma adaptação de duas townhouses que confrontavam os Ranelagh Gardens. 

Esse prédio foi posto abaixo para dar lugar a um edifício maior, mais luxuoso e mais moderno em 1876.

Quando o Adelphi Hotel reabriu nessa segunda sede, tinha até um tanque para criação de tartarugas, no subsolo —  uma das razões da fama da casa era a sopa do quelônio, servida em seu restaurante, que atraía gourmets de todas os quadrantes da terra.

A escadaria do Adelphi Hotel
Em 1914, foi inaugurada a versão atual do Adelphi, puro luxo Belle Époque. O edifício e sua decoração são tão especiais que foram a inspiração para os luxuosos cenários do navio Titanic, no filme de James Cameron (1997).

Os tempos de glória do Adelphi ficaram para trás. Em 2010, ele quase foi fechado pela fiscalização sanitária pela precariedade dos serviços de limpeza, o que obrigou a casa a mudar a administração.

Mesmo maltratado, o Adelphi Hotel ainda encanta
Mas ainda é perfeitamente possível adivinhar os grandes dias do Adelphi na suntuosidade de cada detalhe dos forros, colunas, candelabros e claraboias que compõem seus ambientes.

Os quartos standard, porém, são hoje quase espartanos. Apesar de amplos, faltam-lhes os confortinhos básicos, como telefone, cofre e secador de cabelos. No meu, por exemplo, a TV era velhíssima, do tipo "bunduda", e desligava sozinha. Mimo, mesmo, só a jarra elétrica para fazer chá e café.


Como foi minha hospedagem no Adelphi Hotel
O bichinho está precisando de um trato, mas mesmo assim eu adorei me hospedar no Adelphi Hotel.

Tirando a sensação de que a menininha do Iluminado ia aparecer a qualquer momento, quando eu andava pelos compridíssimos (e larguíssimos) corredores desertos, foi muito bom mergulhar naquela atmosfera Belle Époque.

A pior coisa da hospedagem foi a chatice do WiFi (gratuito) que sismou de não funcionar no meu quarto.

A melhor coisa foi explorar os belos ambientes do Adelphi Hotel. Uma viagem ao passado que permanentemente me fazia ouvir um charleston ou um foxtrot, acompanhados pelo chiado de um disco de carnaúba tocado num gramofone (bem que podia ser Honey Pie, a adorável extravagância que Paul compôs para o Álbum Branco...).

Os quartos são bem básicos
O Adelphi hoje é administrado pela cadeia hoteleira Brittania e seu principal público é bem diferente dos nobres e milionários que fizeram a fama da casa. Excursões de aposentados provocam filas intermináveis na recepção para check in ou check out.

Prepare-se, então, para sempre ceder seu lugar na fila do elevador à velhinha com o andador.

O público atual do Adelphi Hotel, porém, é gente muito mais simpática do que devem ter sido os aristocratas que o frequentavam, antigamente.

São pessoas que puxam conversa (com sotaques quase ininteligíveis pra mim) e sonham em voltar para passar o Natal no hotel —  a ceia natalina do Adelphi ainda é tão famosa que as reservas para se hospedar e participar dela começam a ser feitas em julho de cada ano.

Os corredores (à direita) são meio lúgubres,
mas os salões são um escândalo
Na minha última noite em Liverpool, quando fotografava os diversos ambientes do hotel, percebi um senhor de seus 60 anos, funcionário da casa, que me acompanhava com um olhar cúmplice e sonhador.

Quando o olhei, ele sorriu, suspirou e comentou "She's a beauty, isn't she?". Eu podia ter respondido com uma torrente de adjetivos encantados, mas só consegui responder "Yes, it is".

Só depois é que me toquei que, ao ignorar a humanização do Adelphi, eu tinha citado um verso dos Beatles. Em Liverpool, até a minha secura involuntária virou poesia.

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O Adelphi está precisando de uma reforma, 
mas a imponência do edifício ainda está toda lá
The Britania Adelphi Hotel
Ranelagh Place, Liverpool, L3 5UL, a cerca de 400 metros da Estação Ferroviária de Lime Street. 

O edifício do Adelphi Hotel é tombado pelo Patrimônio Histórico britânico. Tem 402 apartamentos, restaurantes e uma legendária piscina coberta, no sétimo andar.

Fica a menos de 20 minutos de caminhada da Albert Dock e do Cavern Club.

Diárias no apartamento single por £ 58. Não espere muito dos quartos, mas se você é como eu e não resiste a um cenário fascinante, aposto que vai curtir.

São só 400 metros entre o hotel
 e a Estação de Lime Street
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