5 de março de 2011

Porto, Portugal: terra de navegadores


Monumento ao Infante D. Henrique, o navegador na Cidade do Porto, Portugal
Monumento ao Infante D. Henrique, o navegador, no Porto

Música deste post: Os Argonautas, Caetano Veloso 


Quando eu era criança, não entendia a razão de ter que frequentar uma escola chata e cheia de números, quando gente mais sortuda pôde frequentar a tal Escola de Sagres, que ensinava a navegar.

Deve ser culpa do meu antepassado pirata — o holandês van der Borg, que os mais velhos da família sempre se esforçaram para descrever como um aristocrata muito fino, mas cuja alma bucaneira eu sempre intuí.

Versos de Os Lusíadas no monumento ao Infante D. Henrique, no Porto, Portugal
Os Lusíadas, Canto V, no monumento ao Infante

O fato é que eu só pensava em ir para o mar — tirando, é claro, o breve hiato em que encasquetei de me alistar na legião estrangeira e a fase mais ou menos recorrente (até hoje) de sonhar com cidades perdidas e escavar o quintal.

Mas o melhor da Escola de Sagres ainda estava por vir: a descoberta de que a tal escola não existiu — tem coisa melhor que isso, para uma criança trancafiada na tediosa sala de aula? A escola era, de fato, uma confraria de navegadores e homens do mar.

O Rio Douro e o Porto vistos de Vila  Nova de Gaia
O Rio Douro e o Porto vistos de Vila  Nova de Gaia

O Infante D. Henrique (1394 - 1460), filho desta Cidade do Porto, terra de navegadores, era o líder da confraria de Sagres.

Grão-mestre da Ordem de Cristo, Henrique reuniu o conhecimento náutico disponíveis no Século 15 e estimulado os avanços técnicos que permitiram a grande aventura portuguesa de lançar-se ao mar e descobrir o novo.

Rabelo, embarcação típica do Rio Douro, no Porto
A Ponte Luís I, um rabelo e Vila Nova de Gaia, do outro lado do Douro

Bem que eu queria ter convivido com a turma do Infante: gente do mundo inteiro, pilotos, cartógrafos, astrônomos — judeus e muçulmanos, inclusive — repetindo para os conhecimentos do mar o que foi a Escola de Tradutores de Toledo (outra que não "existiu") para o conhecimento filosófico, três séculos antes.

(Não vou discutir aqui as motivações, nem os massacres e as intolerâncias. Navegar, para o Infante, era uma Cruzada, mas este é só um blog de viagens...).

Monumento ao Infante D. Henrique, o navegador, na Cidade do Porto
O Infante contempla sua cidade do alto de seu pedestal

Por tudo isso, é emocionante descer a Rua das Flores, no Porto, e dar de cara com o monumento ao Infante D. Henrique, apontando para o mar, a poucos passos do Cais da Ribeira.

Descendo a ladeirinha em frente, está a casa onde o Infante nasceu, hoje um museu, que lamentei muito não ter podido explorar por horas a fio.

Passeio de barco pelo Rio Douro no Porto, Portugal
Um jeito adorável de ver o Porto é em um passeio de barco pelo Rio Douro

Mas a melhor homenagem que eu poderia ter feito ao Navegador foi tomar um barco no Cais da Ribeira e percorrer o Douro até a foz, no Atlântico, onde dezenas de velas branquinhas e centenas de gaivotas e fragatas lembravam que viver é levantar âncora, soltar as amarras e abraçar o inesperado.

PS: Depois que eu cresci, descobri que o conhecimento matemático era essencial à navegação e talvez eu devesse ter prestado mais atenção às aulas chatas. Mas, aí já era tarde e logo depois inventaram o GPS 😉...

Igreja do Corpo Santo em Massarelos, Porto, Portugal
A Igreja do Corpo Santo, em Massarelos, pertencia à Ordem de Cristo, organização que substituiu a Ordem dos Templários, foi muito forte em Portugal e teve o Infante D. Henrique como primeiro grão-mestre

➡️ Casa do Infante D. Henrique
Rua da Alfândega n° 10, Ribeira

Horario: de terça a sábado, das 10h às 12:30h e das 14h às 17:30. Domingos, das 14h às 17:30h.
Ingresso: € 

Edifício do Século 13 é  um dos mais antigos do Porto. D. Henrique teria nascido aqui, em 1394. O edifício, posteriormente, viria a sediar a antiga Alfândega do Porto e hoje abriga o Arquivo Histórico Municipal. O seu acervo inclui manuscritos, pergaminhos e iluminuras.

No museu que funciona no local estão expostos objetos encontrados em escavações arqueológicas e uma maquete Porto Medieval.

Entrada: 2 Euros. Visitação: de terça a sábado, das 10h às 12:30h e das 14h às 17:30. Domingos, das 14h às 17:30h.

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Porto: a Muralha Fernandina (medieval) e a Ponte Luís I
Porto: a Muralha Fernandina (medieval) e a Ponte Luís I


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