25 de junho de 2005

Futebol Brasil x Alemanha: como é ganhar na casa dos adversários

Outdoor em Berlim sobre a Copa das Confederações de 2005
Cartaz animando a torcida alemã
para a Copa das Confederações: "Nós somos bons"
Música deste post: Garotos, Leoni

O encanto de Lübeck me deixou num astral muito "oncinha pintada, zebrinha listrada e coelhinho peludo". Caminhando por An der Obertrave, a "rambla sul" do Rio Trave, fui chamada de volta à realidade por um grito inconfundível: "Tor!!!!".

Não era ninguém evocando deuses vikings (o do martelo é grafado com th). Ao menos, não conscientemente: eram "apenas" uns 60 alemães reunidos num bar, a meia quadra dali, assistindo Brasil x Alemanha e comemorando o gol de empate do time da casa, na semi-final da Copa das Confederações de 2005.

Nessas coisas de futebol, eu sou abusada: resolvi ver o jogo também, cercada pelos adversarios.

Como Lübeck fica quase na Dinamarca, a ideia de vikings não estava muito fora de lugar: todo mundo no bar parecia ter mais de dois metros de altura e até as canecas de cerveja deles pareciam ser maiores do que eu.

Sentei num cantinho discreto, meio de lado para a TV, pedi um gim e me aferrei à resolução de ser beeeeem invisível.

Lübeck, Alemanha, passeio de barco pelo Rio Trave
Antes do passeio de barco pelo Rio Trave, enfrentei um pelotão de vikings...
Quase pedi desculpas gerais quando, daí a pouco, o zagueiro alemão jogou Adriano pra fora de campo, na linha de fundo, e o árbitro marcou pênalti a favor do Brasil.

Tá certo que o empurrão foi dentro da área. Mas a queda, não: o Imperador caiu lá nas placas de propaganda. "Penalti, como assim?? Esse juiz filho da mãe tá querendo que eu leve uma surra", resmunguei, pedindo a segunda dose.

Minha resolução de invisibilidade foi posta à prova no pênalti seguinte, desta vez a favor da Alemanha. O "Ladrão!" escapou por descuido. Tratei de arrematá-lo com um sorriso e balançar a cabeça efusivamente, em sinal de aprovação. Mesmo assim, uns quatro ou cinco vikings ficaram me olhando torto.

Mais um gim e dois quase-gols de Robinho. No primeiro eu só suspirei -- meio alto, acho. No segundo eu não pude evitar o "#$%&*#, seu perna-de-pau!". Mas como os alemães também estavam berrando horrores, eu apenas continuei a despejar impropérios, tomando a providência de apontar para o volante, que não tinha marcado direito o brasileiro.

O problema é que Adriano estava infernal naquele torneio e mandou uma bomba, para marcar o terceiro do Brasil.

Eu, que já dava os 2 xX 2 como fato consumado, tinha baixado a guarda e acabei pulando da cadeira, gritando feito maluca.

A essa altura, olhava em volta e já via os demais frequentadores do bar com roupas de pele de urso e capacetes de chifre. Até que um deles, no apito final, me abriu um sorriso resignado e resumiu: "Era o Brasil, né?"

Tomei mais um gim, me sentindo numa cena de "Asterix entre os Godos".

Lembrei do outdoor que vi em Berlin, no qual a Federação Alemã de Futebol tentava turbinar a auto-estima da torcida: "Wir sind gut" (Nós somos bons"), afirmava o cartaz, estampando as estrelas de tricampeões do mundo no uniforme do time. "Aber wir sind besser" (mas nós somos melhores), cantarolava eu, a caminho do hotel, louca para ver o compacto dos melhores momentos na TV.

Mais sobre Lübeck  aqui no blog

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