domingo, 26 de junho de 2005

Restaurante histórico em Lübeck:
a casa dos homens do mar


A sede da liga dos homens do mar de Lùbeck. À direita, um detalhe da fachada
Que tal jantar em um dos restaurantes mais antigos do mundo, na companhia de personagens que você aprendeu a amar desde as primeiras leituras? Foi o que eu fiz em Lübeck, a encantadora cidade do Norte na Alemanha onde nasceu Thomas Mann.

Acontece que é um dos melhores restaurantes da cidade está em atividade desde o Século 16. Ele funciona na sede da Schiffergesellschaft a antiga liga dos armadores de navios de Lübeck, poderoso centro de comércio marítimo desde a idade média — não se intimide com o palavrão: em alemão, basta dividir o vocábulo que a pronúncia fica fácil. Diga schiffer+guéssel+schaft.

A liga (ou guilda, ou corporação) de Lübeck reunia os donos das frotas mercantes, os capitães e homens do mar da cidade e existe desde 1401. Sua sede e seu restaurante são um pouquinho mais jovens, de 1535.

Antes da refeição vale a pena dar uma olhada no edifício. Alguns salões ainda exibem a mobília original: mesas compridas de carvalho maciço, ladeadas por bancos com encostos cheios de entalhes. É como entrar no Século XVI.

O restaurante, como recomenda a tradição germânica, funciona no porão (por isso você encontra tantos restaurantes antigos por lá que têm keller no nome. A palavra significa adega) e é decorados com objetos náuticos, réplicas de embarcações, mobiliário de madeira escura e grossas traves de madeira no teto. Mais naval do que isso, só se balançasse ao sabor da maré.

Na verdade, o restaurante da Schiffergesellschaft era um velho conhecido meu das páginas de Os Buddenbrook, o primeiro romance de Thomas Mann — um caso de amor à primeira página, pra mim. Tom Buddenbrook, alçado à condição de chefe da família e da casa comercial herdada dos antepassados, passou muitas noites por lá, discutindo e fechando negócios.


Cheguei ao restaurante sem fazer reserva. Sentei-me numa mesinha de canto, iluminada por uma lanterna de navio. Beberiquei vinho branco, ainda atracada ao meu exemplar de Os Buddenbrook (uma edição espanhola que comprei no museu dedicado à família Mann, já que tinha que reler o livro, estando na cidade que o inspirou).

A proximidade de Lübeck com a foz do Rio Trave não deixa faltar frutos do mar no cardápio da casa. Pedi camarões do Mar do Norte — que estavam maravilhosos — e fiquei curtindo a atmosfera encantada do lugar.

Bem em frente, um grupo grande ocupava os bancos cheios de brasões em torno de uma mesa animada. Todos muito jovens, rindo muito e falando todos ao mesmo tempo. De repente, na hora da sobremesa, eles ficaram de pé e cantaram uma música quase celestial: eram os integrantes de um dos muitos corais que participavam de um encontro na cidade, naquele fim de semana. 

Lübeck é mesmo uma cidade mágica.

Restaurante do Schiffergesellchaft
Breitstraße 2, em frente à Igreja de St Jakobi

É uma instituição em Lübeck e se apresenta como "o restaurante mais antigo do mundo". O ambiente é precioso, a comida é ótima e o serviço é atencioso e o prato mais caro custa 19 Euros. É ou não é um lugar perfeito?

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