domingo, 5 de abril de 2015

Comer em Salvador: 5 lugares bárbaros

Minha bela Salvador: a festa para os olhos sempre
se complementa com a farra gastronômica

Toda viagem que faço a Salvador é uma farra para o paladar. Basta entrar no avião e já começo a urdir planos mirabolantes para matar a saudade dos muitos sabores que só existem na cidade onde nasci.

Do acarajé ao escaldado de peixe, do efó ao sorvete de umbu, lá vou eu traçando um roteiro sentimental e gastronômico que faz um bem enorme à alma (embora seja um estrago para a minha silhueta). E a cidade nunca me decepciona: além dos velhos clássicos, que eu faço questão de repetir, sempre pinta uma novidade bacana para se somar à lista das minhas peregrinações glutônicas.

Nesses feriados de Páscoa, não foi diferente. Entre almoços em família, reencontros com velhos favoritos e novas experimentações, preparei uma listinha de lugares bacanas para compartilhar com vocês. Confiram o que eu andei provando por lá:


Nosso jantar no Larriquerri
Restaurante Larriquerri
 Praça Alexandre Fernandes nº 160, Garcia. Telefone: (71) 32635632. De quarta a sábado, das 19:30h às 23:30h. Domingo, das 12h às 16 horas. Faça reserva!!

Os amigos já tinham me avisado sobre esse restaurante recém-inaugurado no bairro do Garcia, em um centrinho comercial que ocupa o mesmo espaço do saudoso Gan, um japonês que fez história na cena gastronômica da cidade, nos anos 80 e 90.

Pois esse bistrôzinho de apenas 16 lugares honra com folga a tradição do local. O ambiente é lindo, com uma decoração simplíssima, mas super inspirada, e cardápio anotado na lousa. O atendimento é caloroso, daqueles que deixam a gente com a impressão de estar jantando na casa de velhos amigos. E a comida (ah, a comida...) é simplesmente um show de bola.

Como entrada, pedimos os decantados dadinhos de tapioca (uma espécie de versão salgada do bolinho de estudante, acompanhada de geleias de pimenta e de catuaba) e as trouxinhas de carpaccio, tão fantásticos que repetimos.

Depois, foi uma sinfonia de suspiros com os pratos principais. Eu pedi fettuccine ao pesto com camarão, mas provei também o gnocchi de batata doce ao sugo (levíssimo!), o filé ao madeira, o salmão crostado e a tilápia no papelote (fala se não é ótimo jantar com um monte de gente???) e estavam todos impecáveis. Não tive forças para encarar a sobremesa, mas provei o Tô pra jogo (sorvete de coco com redução de licor de jurubeba e farofa de amendoim) e o brownie com creme de amêndoas, perfeitos.

O Larriquerri é tocado pelo casal Rosa (a chef) e Romildo, um anfitrião afetuoso que cuida do salão, com a ajuda da filha Tainá, super atenciosa. É imprescindível fazer reservas. Nossa conta ficou nos R$ 75 por pessoa. Recomendadíssimo!!!!


Sorveteria Cubana
Parte alta do Elevador Lacerda (Praça Municipal). Diariamente, das 9h às 22h. 


Um dos meus programas preferidos em Salvador, desde criança, é tomar milk shake de chocolate olhando a insuperável vista da Baía de Todos os Santos, na Praça Municipal. A Sorveteria Cubana é um clássico baiano, inaugurada em 1930 e antiga meca dos elegantes que faziam o footing na Rua Chile. A casa é famosa pelos sorvetes artesanais e, principalmente, pelo bolinho de arroz com cobertura de chocolate e castanha picada, uma espécie de avô do cupcake, sem raio gourmetizador.

Nessa passagem pela cidade, fui matar a saudade do bolinho (R$ 3 a unidade) e do milk shake (R$ 11 a taça de 300 ml). Recomendo a farrinha a todo mundo que queira viver uma experiência despretensiosamente baiana.


Freddo 
Avenida Tancredo Neves nº 3133, Caminho das Árvores, Salvador Shopping 3º andar. O shopping funciona de segunda a sábado, das 9h às 22 horas. Aos domingos, das 13h às 21h.



Taí uma novidade que me deixou saltitante de felicidade: já tem Freddo em Salvador. Sou tão fã dessa sorveteria argentina que confesso que já encarei Buenos Aires no verão só pra poder pular de cabeça nos espetaculares sorvetes de limão, framboesa, maracujá e zabaione (meus preferidíssimos) da casa — hoje em dia, estou dispensada desse desatino, pois Brasília já tem sua filial da marca :)

A novidade baiana veio em dose dupla, com lojas da Freddo nos shoppings Barra e Salvador. Eu experimentei essa última, que ainda estava funcionando em ritmo de abertura, com poucos sabores (não tinha framboesa), mas eu me consolei com os de limão e zabaione, sem choro.

No dia que eu fui (comecinho de abril), a casa estava servindo apenas o copo pequeno (65g) e o médio, e o cliente decide quantos sabores quer acomodar em cada copinho. Os preços começam em R$ 8,50.


Pizza da Chapada
Rua Érico Veríssimo nº 77, Itaigara. De domingo a quarta, das 18h às 23 horas. De quinta a sábado, fecha à meia noite.


Massa finíssima, como eu gosto: Pizza da Chapada
Fazia um tempinho que eu vinha planejando experimentar essa pizzaria, filial de uma casa bem famosa em Mucugê, na Chapada Diamantina. Massa de pizza, pra mim, quanto mais fininha, melhor, então, imagine minha alegria em provar uma redonda levíssima e delicada, com a massa pouco mais espessa que um papel. A pizza, hiper crocante (hummmm) é pra ser comida com as mãos, quase um biscoito.

Assadas no forno a lenha, as pizzas da casa também acertam em cheio nos recheios, que são criativos sem ser inventivos demais (já contei pra vocês que eu sou a chata ortodoxa que adoraria governar o mundo para banir a borda de catupiri e a pizza com camarão, frutas e outros desvarios).

Pedimos (eu minha amiga Marúsia) uma pizza grande, mezzo Vale do Pati (muçarela, rúcula, tomate seco, parmesão, manjericão e orégano) e mezzo Rio de Contas (muçarela, presunto de parma e rúcula) que estava magnífica.

O bom da massa fina é que você come sem culpa e só não repete porque a casa fecha cedo :). O preço varia de acordo com o recheio, mas as pizzas grandes (ideais para duas pessoas) ficam na média dos R$ 50.

La Pulpería
 Rua Novo Horizonte nº 39, Ladeira do Acupe, Brotas. Telefone (71) 30157379. De segunda a sábado, das 11 às 23 horas. Aos domingos, só almoço. 


La Pulperia: parrilla argentina cercada de verde
Que surpresa boa esse restaurante especializado na autêntica parrilla argentina (junto com a Freddo, parece que os hermanos resolveram descobrir Salvador, né?).

Primeiro, pelo lugar, uma porção de mata agradabilíssima, quase no topo da Ladeira do Acupe, uma região totalmente off circuito turístico onde ainda existem casas térreas com quintal.

La Pulperia fica na entrada de um condomínio, literalmente cercada de verde e a sensação é que fomos jantar em uma fazenda.

Os 56 lugares se dividem entre o salão envidraçado, com ar condicionado, e o alpendre coberto por telhas de barro, muito agradável. (Pulpería, em espanhol, equivale a um mercadinho, uma venda típica do interior ou de bairros populares das grandes cidades, que vende de tudo um pouco.)

Empanadas assadas na brasa e os acompanhamentos
De entrada, pedimos empanadas de carne, assadas na brasa, inacreditáveis de tão boas (lembrei do velho Martin Fierro, na Vila Madalena, em Sampa, e do Bar Británico, no Parque Lezama, em Buenos Aires).

Feitas as honras a esse petisco que ganha de Messi e Maradona como expressão do gênio argentino, fomos aos finalmentes com tapa de cuadril (picanha), bombom de alcatra (o miolo do miolo da peça) e o bife de chorizo (parte nobre do contrafilé). Os cortes são todos importados do país vizinho, gigantescos e extremamente suculentos, na versão mal passada que é a preferência geral da minha família.

As carnes são importadas da Argentina
Cada prato é acompanhado por duas guarnições e nós mandamos ver no arroz pampero (com ovos, cebolinha, batata palha e bacon crocante) e da casa (com brócolis e alho), nas batatas bravas (com pimenta calabresa) e à espanhola (cortadas em lâminas, fritas e com alho crocante) e na farofa à Don Diego (com ovos e banana).

Com um bom vinho argentino para acompanhar tudo, é claro. Pena que a farra não deixou espaço para a sobremesa. Eu teria adorado experimentar a panqueca de doce de leite... Prepare-se para gastar na casa dos R$ 90 por pessoa, com o vinho.




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