segunda-feira, 14 de abril de 2014

Páscoa sem chocolate:
A tradição ucraniana no Paraná

O interior da igreja ucraniana de São Josafat, em Prudentópolis. O grande "biombo" ao fundo é o Ikonóstas, que, no catolicismo de rito oriental e bizantino, separa a nave, onde ficam os fiéis, do altar sagrado, espaço reservado aos sacerdotes
Para ver um jeito diferente de celebrar a Páscoa, que tal dar um pulo em Prudentópolis, a cidade paranaense que tem a maior concentração de descendentes de ucranianos no Brasil?

Na Páscoa ucraniana o chocolate não entra. A tradição é presentear amigos e parentes com as Pêssankas, ovos de verdade, que são tratados e decorados com pinturas simbolizando desejos de prosperidade, fartura e boa sorte. Os ovinhos delicadamente trabalhados são talismãs que protegem contra o mal e garantem a felicidade e a saúde de quem os recebe.
As pêssankas são ovos de verdade, geralmente de galinha, que são esvaziados, lavados e decorados. Os desenhos e as cores têm uma simbologia própria. As flores, por exemplo, significam felicidade. O amarelo representa a juventude
Sempre achei a Páscoa uma festa simpática. Embora eu não tenha religião, gosto dessa ideia de celebrar passagens e recomeços, um rito tão antigo quanto a humanidade  — no Hemisfério Norte, a data está associada à chegada da primavera, o renascimento da natureza após o inverno.

Quando era bem criança, o Domingo de Páscoa era o dia em que se descobriam os espelhos, as rádios voltavam a tocar hits “profanos”, depois de três dias de música clássica, e a cidade podia abandonar o luto que caracterizava a Semana Santa. E, é claro, havia os ovos de chocolate.

A capelinha nos jardins da Igreja de São Josafat
Apesar de não ter chocolate, a Páscoa em Prudentópolis promete ser saborosa e divertida. A cidade é um bom lugar para descobrir os sabores da culinária ucraniana (como a linguiça cracóvia e outras delícias) e está se tornando conhecida pelas muitas opções de ecoturismo (tem mais de uma centena de cachoeiras) e do turismo de aventura — foi lá que eu fiz rapel, na Reserva do Ninho do Corvo, e fiquei fã.

O mais interessante é descobrir um pouco das tradições trazidas da Ucrânia pelos imigrantes que começaram a chegar ao Brasil no final do Século 19 — hoje, nosso País tem cerca de um milhão de descendentes, o maior contingente da América Latina.

O cruzeiro e os sinos de São Josafat
Comece o passeio pela Igreja de São Josafat, a principal paróquia do catolicismo ucraniano (que tem uma liturgia diferente do catolicismo romano, mas subordina-se à autoridade do papa) na região.

Minha anfitriã por lá foi Mieroslawa Krevei, a diretora do Museu da Cidade, ótimo papo, super solícita em apresentar a tradição de seus antepassados aos visitantes. Ela, com certeza, vai lhe explicar a importância da preservação dos ritos religiosos para a unidade da colônia.

Detalhe do Ikonóstas, o altar de São Josafat e Dona Mieroslawa, mostrando o livro sagrado que orienta a celebração das missas 
 A celebração das missas no idioma ucraniano (até hoje), por exemplo, foi essencial para que a língua sobrevivesse entre os descendentes. Do mesmo jeito, as festas ajudaram a preservar a culinária, as danças e a proximidade entre as diversas comunidades rurais — que mantêm, cada uma, sua igrejinha de madeira, com a arquitetura característica e que podem render outro ótimo passeio.

Pêssankas ao vivo: Vera Lúcia em ação
Para ver a arte das Pêssankas
Procure o ateliê da artesã Vera Lúcia Daciuk. Quando estive na cidade, assisti a uma demonstração de todas as etapas de decoração dos ovinhos, feita por ela, e fiquei impressionada.

Depois de furar os ovos com um preguinho, ela injeta ar neles com uma seringa, "expulsando" seu conteúdo. Com outra seringa, injeta água para retirar os resíduos. Depois, começa a pintá-los, num processo bem trabalhoso, já que cada cor do desenho vai sendo recoberta por camadas de parafina, para evitar borrões nos contornos.

As cores mais claras são aplicadas primeiro, terminando com o preto. Depois, é só usar a chama de uma vela para derreter e parafina e, voilá, a Pêssanka está prontinha.

São Josafat
Dicas práticas

Igreja Matriz de São Josafat
Rua São Josafat s/n, Centro. Cheque os horários de visitas pelo telefone 42-3446-1140.

Ateliê de Vera Lúcia Daciuk
Ria Lamenha Lins nº 868, fone 42-9961-9160 ou pelo email da artesã. As pêssankas custam R$ 25.

O lago do Ózera Hotel Fazenda
Como chegar
Prudentópolis fica a 200 quilômetros a Oeste de Curitiba, pela BR-277. A Viação Princesa dos Campos tem ônibus ligando a capital paranaense à cidade (quatro horários: 8:30h. 11:15h, 15:30h e 18h), com passagens a R$ 48,53. A viagem leva pouco menos de quatro horas. O retorno a Curitiba é feito em três horários: 8:10h, 11:30h e 18:10h. 

Onde ficar
Os chalés do Ózera

Ózera Hotel Fazenda
Rodovia BR-373, km 260, Bairro Rio dos Patos. Fone 42-3446-5316 

Instalado numa área de 48 hectares, a 22 km do centro de Prudentópolis, o Ózera (significa “lago”, em ucraniano) oferece acomodações em chalés simples, mas confortáveis, com varanda, quarto e banheiro. O ambiente dos quartos é espaçoso, com TV, armário e mesa de trabalho.


O hotel tem duas piscinas cobertas e aquecidas (uma delas é só para as crianças), piscina de hidromassagem, parquinho infantil e atividades aquáticas, como caiaques e pedalinhos. Tem quadras esportivas e também organiza passeios ecológicos a pé, a cavalo ou de bicicleta. Fiquei hospedada lá em outubro do ano passado, a convite da Cooptur. Para ver o valor das diárias, consulte o hotel.


Hospedagem comentada – índice reúne todos os posts sobre o tema publicados no blog

*Estive em Prudentópolis em outubro de 2013, a convite da Cooperativa de Turismo do Paraná-Cooptur, que tem roteiros para a cidade. O conteúdo do post, porém, reflete a minha opinião, formada a partir da experiência com o roteiro e os serviços testados ao longo da viagem. Veja mais detalhes dessa presstrip neste post.




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