quarta-feira, 26 de março de 2014

Sevilha: Casa de Pilatos,
um autêntico palácio andaluz

O pátio principal da Casa de Pilatos mescla elementos mouriscos, estátuas greco-romanas e uma fonte renascentista
Nesta visita a Sevilha, já estivemos no bairro onde vivia o povo (Triana), no templo onde rezavam e confraternizavam os sevilhanos (a Catedral de la Giralda) e na morada dos governantes (o Real Alcázar). Está na hora de darmos um pulinho no mais suntuoso exemplo de como viviam os nobres andaluzes. Em sua época de ouro, nenhum esplendor era estranho a Sevilha. E isso fica bem claro quando transpomos os portais da impressionante Casa de Pilatos, o palácio que até hoje é a residência dos Duques de Medinaceli.

Esse conjunto de pátios e pavilhões é um feliz encontro do mudéjar com o greco-romano, o gótico e o renascentista. Um conjunto instigante que os nobres da Casa de Alcalá começaram a esboçar na então periferia de Sevilha no finalzinho do Século 15. O nome da casa vem da celebração da Semana Santa, no Século 16, quando a recriação da via cruscis partia exatamente de lá, com o palácio representando o palácio de Pôncio Pilatos.

Algumas dos ambientes mais bonitos da Casa de Pilatos, como este salão conhecido como Estúdio Pretor, são preciosas amostras do estilo mudéjar. Mesmo depois da Reconquista cristã, a nobreza sevilhana preservou a estética mourisca (como a gente já viu no Alcázar)
Bustos romanos, azulejos mudéjares... Se não fosse Sevilha, talvez esse ecletismo ficasse over

A torrente de estilos e estéticas que decoram os diversos ambientes da Casa de Pilatos só é páreo para a procissão de títulos nobiliárquicos dos senhores desse palácio — uma lista que faz a gente voltar várias vezes a narração do audioguia para não se perder na história. Duques de Medinaceli, marqueses de Tarifa, duques de Alcalá... A família Ribera, fundadora da casa, esteve no topo do poder em Sevilha desde o Século 14.

A visita ao pavimento térreo do palácio é feita de maneira independente. Reserve pelo menos duas horinhas para ver tantos detalhes com calma

A visita ao andar térreo é feita de maneira independente, o que permite apreciar o conjunto de salas que guardam relíquias trazidas de Itálica, cidade romana nos arredores de Sevilha, e da região de Nápoles, onde um dos moradores, o Marquês de Tarifa, foi vice-rei, no reinado de Felipe II da Espanha.

Além de toda a beleza da arquitetura e da decoração, a Casa de Pilatos tem jardins adoráveis. Um deles, em estilo mourisco, data dos primeiros anos da construção e é um atestado do poder da Família Rivera, primeira proprietária do palácio, já que no Século 16 a água encanada para regar todo aquele verde era um luxo acessível apenas à mais alta nobreza.

O Jardim Italiano e o Pavilhão Renascentista

Uma arcada do pátio principal leva a outro jardim e, de repente, é como mudar de país. Limitado por dois pavilhões em estilo renascentista, o espaço simetricamente organizado poderia pertencer a qualquer villa toscana mais requintada. 

Outros ângulos do Jardim Italiano. Abaixo, a sala que guarda algumas preciosidades romanas, com janelas voltadas para o Jardim Mourisco

O piso superior da Casa de Pilatos ainda abriga os aposentos ainda usados pelos Duques de Medinaceli e só pode ser visto em visitas guiadas, sem fotos, devido aos caráter privado dessa ala do palácio. São salas de estar, dormitórios e salões de refeições decorados em estilo mais francamente renascentista e que incorporam peças de épocas mais recentes.

O destaque dessa parte da Casa de Pilatos é a coleção de pinturas e esculturas, as paredes cobertas de afrescos e os tetos ricamente decorados — um deles exibe A Apoteose de Hércules, de Francisco Pacheco, maravilhosa.

A escadaria que leva ao piso superior, onde ficam os aposentos dos Duques de Medinaceli. Nesta parte da casa  não são permitidas fotografias e o acesso só é possível em vistas guiadas

Entre as obras, há diversos trabalhos de El Greco (que parece ser o pintor favorito dos duques, pela quantidade de telas dele que há na casa, luxo total), um João Batista esculpido por Michelangelo, outra profusão de telas de Luca Giordano, um óleo impressionante de Goya (O Arrasto do Touro, da série Tauromaquias) entre outras preciosidades.

Uma sala mudéjar da Casa de Pilatos, com sua preciosa decoração e os detalhes do teto (à esquerda)
No oratório do palácio essa coluna em mármore representa a coluna à qual os romanos teriam atado Cristo,  para o acoitá-lo
Talvez por estar um pouquinho afastada do miolo mais badalado de Sevilha —  a cerca de um quilômetro da Plaza del Triunfo, onde estão a Catedral e o Alcázar — a Casa de Pilatos acaba ficando fora da maioria dos roteiros de quem visita a cidade. Uma pena, porque é uma visita imperdível, um documento precioso sobre a pujança da nobreza sevilhana na época de ouro da cidade.

Eu quase deixei de ver essa maravilha exatamente porque, de tanto tropeçar em belezas, nunca conseguia chegar lá, enroscando pelo caminho em outras atrações.

O encontro dos estilos mudéjar e renascentista no Jardim Italiano
Meu conselho: quando você for, deixe a preguiça de lado e vá a pé. A caminhada um pouco mais espichada é uma ótima oportunidade de ver a arquitetura menos famosa — e, certamente, menos rebuscada que a dos exemplares mais alucinantes do barroco sevilhano — de casarões e igrejas quase anônimos que ficam no percurso da Catedral até lá.



Casa de Pilatos 
Plaza de Pilatos nº 1. Diariamente (mesmo! Inclusive no feriado de 1º de Janeiro!!), das 9h às 19h (no inverno, de novembro a março, fecha às 18h). A visita completa custa €8.

O térreo é percorrido de maneira independente, com audioguia. O primeiro andar, só com visitas guiadas. Para ver apenas o térreo, o bilhete custa €6. 


A Catedral de la Giralda
O Real Alcázar


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