sábado, 28 de setembro de 2013

Salvador: o Rio Vermelho
faz festa para a primavera


O bairro do Rio Vermelho ferveu com o festival. 
Ano que vem tem mais
Os leitores da Fragata já sabem o quanto eu sou invocada com o modelo turístico inventado para Salvador, desde os Anos 90: a música ruim, o barulho e a privatização do espaço público fizeram muito mal às tradições bonitas e gostosas da cidade. É por isso que eu fiquei bem feliz de estar por lá, no último final de semana, e de ter participado do Festival da Primavera do Rio Vermelho, uma virada cultural com diversidade musical, comidinhas gostosas e atividades de lazer pensadas para os moradores e frequentadores do bairro, velho ponto de encontro da boemia e pátria de meus botecos preferidos em Salvador.


Escultura na Praia do Rio Vermelho,
em frente ao Largo de Santana
Entre o cair da tarde de sábado e o início da noite de domingo, as principais ruas do Rio Vermelho ficaram fechadas para os automóveis e receberam uma multidão que pode se esbaldar no melhor esporte que se pratica por lá: pular de bar em bar, encontrar os amigos e conhecidos e, de quebra, sacudir o esqueleto ao som do Cortejo Afro, Bahiasystem (uma combinação de guitarra baiana, aquela do trio elétrico dos bons tempos, com música eletrônica), Márcio Melo, roqueiro persistente e muito ligado aos agitos do Red River, e o veterano Luiz Caldas, que encerrou a virada cultural — eu implicava com Caldas, logo que ele, surgiu, no Anos 80. Mas, com o rumo ladeira abaixo tomado pela música baiana, o cara é quase um Lou Reed, comparado com a novíssima produção J

E teve roda de samba, fanfarras, Festival de Comida Pesada (e quem nunca caiu no mocotó do final de noite, no Mercado do Peixe do Rio Vermelho, para rebater o teor etílico acumulado na noitada?), barraquinhas de artesanato... O melhor de tudo, porém, foi a presença da comunidade do bairro e seus "simpatizantes", gente da cidade inteira que tem o velho Red River como referência e que apareceu para ver esse pedaço especial de Salvador acordando do baixo astral que anos de descuido do poder público decretaram. Tudo na paz e na boa, sem registros de ocorrências policiais mais sérias e com atrações para todos os bolsos.

Conversei sobre o Festival de Primavera com a jornalista Carmela Talento, que, além de fera na profissão, mantém uma trincheira de resistência do bairro, o Blog do Rio Vermelho. Ela me explicou que a inciativa do evento foi da Prefeitura, “mas a programação foi discutida com as entidades do bairro, inclusive contou o apoio da Amarv, Associação dos Moradores e Amigos do Rio Vermelho, do Bairro-Escola Rio Vermelho, e dos comerciantes do bairro”.

O nome do bar 
é inspirado  num poema 
de Augusto de Campos
De um modo geral, a comunidade curtiu a iniciativa, especialmente pela diversidade da programação e pela boa organização—aliás, bem simples, nada de superprodução feérica, apenas o necessário: iluminação, policiamento, fiscalização de trânsito para garantir a interrupção do tráfego de automóveis, limpeza urbana. Carmela chamou a atenção para a programação infantil, que geralmente fica de fora desses eventos, mas que funcionou bem legal, desta vez.

“Uma coisa que não funcionou muito bem foi a parte da gastronomia, muita gente ficou perdida sem saber quais os bares e restaurantes que estavam participando, além do que alguns aproveitaram para aumentar o preço da cerveja”, conta a jornalista.

No ano que vem tem mais Festival da Primavera no Red River. Tomara que o evento cresça e se consolide, sem escorregar na tentação de virar um blockbuster insuportável. Se ele mantiver seu astral de celebração comunitária, tem tudo para virar um programa delicioso para baianos e visitantes. Estou na torcida.

De quebra, na véspera da virada cultural, na sexta-feira, reabriu o meu velho escritório, o bar e restaurante Póstudo (Rua João Gomes, 87), com quase duas décadas de tradição na noite do Rio Vermelho. Depois de cinco meses em reforma, o lugar ficou lindão, com direito a um cantinho ao ar livre, o Jardim de Frida Khalo, perfeito para beber olhando as estrelas. Eu sou suspeita pra falar do Pós, porque sou meio moradora de lá. Mas é um alívio saber que deixei de ser uma sem-bar, com a reinauguração da casa, que tem uma bela vista para o Largo de Santana e a praia.

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