25 de junho de 2017

O que ver em Florença:
3 igrejas lindas com entrada grátis

Só a vista de Florença já vale a visita a San Miniato
Atrações gratuitas em Florença não dão em árvores. Para nossa sorte, três igrejas lindas abrem suas portas em esquema 0800. San Miniato al Monte, Santissima Annunziata e Ognisanti são construções maravilhosas, recheadas de tesouros artísticos e não desfalcam um eurinho sequer do seu orçamento.

É a sua chance de ver três momentos inspiradíssimos da arte florentina. O românico de San Miniato— que fica em um dos pontos mais altos da cidade e oferece uma vista deslumbrante para Florença—, o renascentista de Santíssima Annunziata e o barroco de Ognisanti.

Três atrações que você não vai se arrepender nem um pouquinho de colocar no seu roteiro e que não vão pesar no seu orçamento. Veja as dicas:.

  San Miniato al Monte
Via del Monte alle Croci. De segunda a sábado, das 9:30h às 13h e das 15h às 19h. Domingos, das 15h às 19h. 


A igreja foi construída no local onde o primeiro mártir cristão de Florença viveu como ermitão
San Miniato é uma das igrejas mais antigas de Florença e a geometria em mármore verde e branco de sua fachada inspirou templos mais famosos, como o Duomo (que também tem entrada gratuita), Santa Croce e Santa Maria Novella.

A igreja começou a ser construída no Século 11 em memória do primeiro mártir cristão da cidade. Miniato (Mínias, em português) foi um príncipe armênio que viveu em Florença a serviço do Império Romano. Convertido ao Cristianismo, passou a viver como ermitão até ser preso, torturado e executado, no ano 250. O local de sua ermida ganhou um pequeno santuário e, sete séculos depois, a atual Igreja de San Miniato.

Tem algo de celestial na beleza de San Miniato

Desde a Idade Média e ao longo do Renascimento, diversos artistas trabalharam na decoração interna de San Miniato, entre eles Lucca della Robbia (uma referência em escultura e cerâmica da Renascença italiana) e o arquiteto Michelozzo, discípulo de Donatello e favorito do Duque Cosmo de Médici, que também foi responsável pela construção do Palazzo Medici Riccardi e pelo Mosteiro de San Marco. Em San Miniato, Michelozzo projetou a Cappella del Crocefisso (Capela do Crucifixo).

O interior da igreja é decorado com belos afrescos

Ao lado da igreja está o Palazzo dei Vescovi (residência de verão dos bispos de Florença), posteriormente incorporado ao mosteiro que ainda existe no local — e é famoso pela produção de mel, licores, chás e bolos, vendidos em uma lojinha anexa.

O mosaico na fachada representa  Cristo com Maria e São Miniato

No cemitério de San Miniato, abaixo da igreja, estão sepultadas figuras célebres, como o escritor Carlo Collodi, criador de Pinóquio.

Como chegar - Uma visita a San Miniato combina muito bem com o passeio à Piazzale Michelanchelo, o famoso mirante de Oltrano (a margem Sul do Rio Arno) que oferece uma visão celestial de Florença. A igreja fica a 450 metros da praça, ladeira acima. 


A subida até Piazzale Michelangelo é muito sofrida para ser feita a pé. É melhor pegar um ônibus. As linhas 12 e 13 partem de Santa Maria Novella e fazem ponto final na praça. Nesta última viagem, tomei um táxi na beira do rio, na altura da Ponte alle Grazie, e paguei € 6.



  Basílica de Santissima Annunziata
Piazza SS. Annunziata. Das 7:30h às 12:30h e das 16:30h às 18:30.


Detalhe do Chiostrino dei Votti, uma espécie de "antessala" da igreja de SS Annunziata
A Praça da Santíssima Annunziata é uma das minhas preferidas em Florença, um primor de harmonia composta pelas fachadas porticadas da basílica, da Loggia dei Servi di Maria (Século 16) e do Hospital dos Inocentes, um orfanato do Século 15 projetado por Bruneleschi. Completam o conjunto o Palazzo Budini Gattai e duas fontes representando monstros marinhos.

O coração desse conjunto é a basílica, muito querida pelos florentinos. Desde o Século 13, os devotos locais veneram um afresco da Anunciação que adorna uma de suas capelas.

A fachada em pórtico - pouco usual - de Santissima Annunziata

Para quem olha de fora, a igreja tem uma fisionomia pouco usual, graças ao pórtico que define sua fachada. Essa obra foi um acréscimo renascentista, legado da poderosa Família Pucci — os antepassados do famoso estilista — benfeitora da igreja e célebre por patrocinar as artes florentinas. O emblema dos Pucci, o rosto de um mouro, está gravado no piso e na fachada do pórtico, marcando a doação.

Afrescos do Chiostrino dei Votti

Ao entrar na basílica, o visitante continua a se surpreender ao ser recebido em uma espécie de “antessala”, um lindíssimo pátio coberto e decorado com afrescos preciosos. É o Chiostrino dei Votti, desenhado pelo arquiteto Michelozzo. Entre os artistas responsáveis pelas obras que adornam o claustro está Andrea del Sarto, um dos grandes expoentes da primeira fase do Renascimento italiano.

Já o interior da basílica (que eu não fotografei, pois minha visita coincidiu com o horário da missa) tem uma cara muito mais barroca, uma sucessão de capelas ricamente decoradas.

A cabeça de mouro, emblema da Família Pucci

Boa parte do acervo da igreja está hoje em museus de Florença e de outras cidades europeias (como a Deposição da Cruz, de Filippino Lippi e Perugino, exposta na Galleria dell’Accademia e o Martírio de São Sebastião, de Pollaiolo, hoje na National Gallery de Londres).

 Apesar da “pilhagem”, as peças que ainda se conservam no templo fazem a visita valer como uma passadinha em um museu.



Como chegar -  A Piazza della Santissima Annunziata está a 250 metros da entrada principal da Galleria dell'Accademia. É só seguir a Via Ricasoli e dobrar à direita, acompanhando o edifício da Escola de Belas Artes.


Ognisanti
Borgo Ognisanti nº 42. De segunda a sábado, das 9h às 12h e das 16h às 17:30h. Domingos e feriados, das 16h às 17:30.

Ognisanti, patrocinada pela Família Vespucci
Quem passeia pela beira do Arno, entre as pontes Amerigo Vespucci e alla Carraia, não pode deixar de notar, ao fundo de uma pracinha, a fachada sóbria de uma igreja onde o mármore claro parece ter sido assentado para “acender” com a luz do sol. 

O interior da igreja hoje tem decoração barroca e está recheado de obras de arte

Pequena e singela por fora, Ognisanti (“Todos os Santos”) parece se multiplicar muitas vezes em tamanho aos olhos de quem entra para contemplar o esplendor de seu interior barroco.

Ognisanti é originalmente o resultado do mecenato e devoção da Família Vespucci, que legou ao Novo Mundo seu primeiro cartógrafo importante — além do nome do continente, herdado de Américo Vespucci, que ainda por cima batizou a minha Baía de Todos os Santos em homenagem à paróquia de seu clã.

Detalhe de uma capela de Ognisanti



A igreja é do Século 13 e, nos primórdios, integrava um mosteiro. Sua aparência atual, porém, é a cara do Século 18, em consequência às muitas reformas que sofreu ao longo do tempo.

Graças ao patrocínio dos Vespucci, o edifício foi abrigo de preciosas obras de arte — para vocês terem uma ideia, Sandro Botticelli e Ghirlandaio eram alguns dos artistas que trabalhavam sob o mecenato da família e contribuíram para embelezar Ognisanti.

O Crucifixo de Giotto

Algumas dessas peças foram transferidas para museus, mas ainda estão lá belíssimos afrescos e o espetacular Crucifixo pintado por Giotto (Século 14).

Em Ognisanti estão sepultados alguns personagens célebres vida florentina, como Botticelli e Carolina Bonaparte, irmã de Napoleão que, ao lado do marido, o Marechal Murat, ocupou o trono do Reino de Nápoles e exilou-se em Florença após ser deposta.

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