15 de janeiro de 2017

Cataratas do Iguaçu: o lado argentino

Garganta do Diabo no lado argentino das Cataratas do Iguaçu
Do lado argentino das Cataratas do Iguaçu a gente fica de cara para a Garganta do Diabo

Atualizado em junho de 2018
Na eterna e estéril disputa que alguns querem estimular entre brasileiros e argentinos, sobra até para as Cataratas do Iguaçu (ou del Iguazú).

Qual o lado mais bonito? Onde vale mais a pena ver as colossais quedas d’água?

Responder a essas perguntas é absolutamente desnecessário: entre o lado argentino e o lado brasileiro das Cataratas do Iguaçu, fique com os dois.

Passarela para a Garganta do Diabo do lado argentino das cataratas do Iguaçi
Os visitantes seguem por esta passarela até as quedas, para ver o impressionante espetáculo da Garganta do Diabo tragando esse mundo de água (na foto abaixo)

A Garganta do Diabo do lado argentino das Cataratas do Iguaçu


O argentino Parque Nacional Iguazú é tão imperdível quanto o nosso Parque Nacional das Cataratas.

Mas, ao contrário do lado brasileiro — onde a gente vê as cataratas com quase zero de esforço físico —, a porção argentina dessa maravilha é bem mais rústica e exige um pouquinho mais de disposição, especialmente se a visita for feita nos meses de verão, quando o calor em toda a região beira a insanidade.

No lado argentino das cataratas você vai andar mais, suar mais, esperar mais nas filas. E tudo isso vai valer muito a pena. Veja as dicas:

Cataratas do lado argentino


Passarela que leva à Garganta do Diabo no lado argentino das Cataratas do Iguaçu
O "fumacê" não é incêndio florestal, é o spray das quedas d'água

Como é a visita ao lado argentino das Cataratas do Iguaçu
Estive no Parque Nacional Iguazú em fevereiro, no feriado do Carnaval, no dia seguinte à minha visita ao lado brasileiro das cataratas.

O lugar estava apinhado de gente, muito mais cheio que o parque “do lado de cá”.

Parque Nacional de Iguazú, lado argentino das cataratas
Uma curta caminhada leva à estação do trem ecológico do Parque Nacional de Iguazu

Logo na entrada do Parque Nacional Iguazú há um Centro de Interpretação, onde uma exposição apresenta um pouco do contexto histórico e social da região, além de oferecer explicações geológicas sobre a formação das cataratas.

O centro chama-se Yvyrá Retá, que significa “País das árvores” em guarani, língua do povo tradicional da região do Iguaçu.

Estação Central do trem que faz o percurso interno do parque das cataratas do Iguaçu do lado argentino


Depois da passagem pelo Centro de Interpretação, uma curta caminhada leva à Estação Central, a primeira parada do trem ecológico que transporta os turistas na área do parque das cataratas do lado argentino.

O trem tem capacidade para 250 passageiros, em vagões abertos que vão bem devagarzinho, cortando a mata. (dá pra fazer boas fotos).

Fila para pegar o trem que transporta os visitantes pelo lado argentino das Cataratas do Iguaçu
Olha a fiiiiiiiila 😱
O percurso total da pequena ferrovia é de 3,7 km, com troca de trens na Estação Cataratas.

O intervalo de partida dos trens é a cada 20 minutos (ou 15, quando há muito movimento de visitantes).

Apesar desse dado objetivo, prepare-se: a fila do bicho demora uma eternidade.


Trem ecológico que transporta os turistas no lado argentino das cataratas do Iguaçu
O trem é aberto e transporta 250 passageiros de cada vez

Da segunda estação (Cataratas), partem duas trilhas importantes, a do Circuito Superior e do Circuito Inferior, trajetos que oferecem lindas vistas das muitas quedas d’água.

A maioria dos turistas (eu, inclusive), prefere correr para a fila do próximo trem, que leva à Estação Garganta do Diabo, de onde parte a trilha para a atração mais famosa do parque.

Trem que transporta turistas no Parque Nacional de Iguazú


No dia em que fiz a visita, domingo de Carnaval, a fila para embarcar para a Estação Garganta do Diabo estava simplesmente impossível.

Tanto que os próprios funcionários do parque recomendavam que se seguisse a pé, pois a demora para tomar o trem poderia passar de uma hora, para quem estava na rabeira da fila. Foi o que eu fiz.

Trilha no lado argentino das cataratas do Iguaçu
Desisti da fila. Preferi ir caminhando pela mata

A caminhada pela mata, margeando os trilhos do trem, é feita a maior parte do tempo à sombra — o calor é de matar, mas foi melhor do que ficar de pé, debaixo do solão, esperando o trem.

São cerca de dois quilômetros. Não espere encontrar banquinhos para sentar e descansar.

Trem que transporta os turistas no lado argentino das cataratas do Iguaçu
O trenzinho ecológico cortando a mata em direção à Estação Garganta del Diablo

Levei cerca de 40 minutos para caminhar da primeira parada do trem até a Estação Garganta do Diabo.

Lá funciona uma lanchonete pequena, que não dava conta da multidão desesperada para comprar água ou qualquer coisa que aplacasse a sede.

Estação Garganta do Diabo, no lado argentino das Cataratas do Iguaçu
Caminhei 40 minutos até a Estação Garganta del Diablo

Estação Garganta do Diabo, no lado argentino das Cataratas do Iguaçu


As opções de lanche também não eram muitas atraentes — meu sanduba desenxabido encantou muito mais aos ávidos quatis (eles também andam em bandos do lado argentino) do que a mim.

Mas, é claro, não partilhei o farnel com os bichinhos, porque não é legal, só os torna cada vez mais humanodependentes.

Passarela sobre o Rio Iguaçu leva os visitantes até as quedas d'água, no lado argentino das cataratas do Iguaçu
Depois de desembarcar na Estação Garganta do Diabo do trem, a passarela de 1,1 km leva o visitante à Garganta em pessoa

Da Estação Garganta do Diabo parte a passarela de 1,1 km que leva à famosa curva em formato de ferradura das cataratas.

Suspensa sobre o leito do rio, a passarela já é em si uma atração. À medida que a gente caminha, o ronco das quedas d’água vai ficando mais em mais forte.

Ao longe, a gente avista muita “fumaça”, mas nem pense em incêndios florestais — como, naquela umidade? O fumacê, na verdade, é o spray que sobe com a pancada ininterrupta das águas que se precipitam no abismo.

Passarela que leva os visitantes até as Cataratas do Iguaçu, no lado argentino
Ao longo da passarela, são raríssimas as áreas sombreadas onde se pode fazer uma pausa 

O final da passarela, um mirante de cara para a Garganta do Diabo estava apinhado de gente.

Foi preciso ter um pouquinho de paciência para conquistar meu palmo-e-pouco de balaustrada para, enfim, poder me debruçar diante do colosso.

Passarela diante da Garganta do Diabo, no lado argentino das Cataratas do Iguaçu
Lotação esgotada no "camarote" da Garganta do Diabo

Fiquei tão empolgada que resolvi fazer a primeira selfie para o Instagram — e, justo nessa hora, o vento trouxe uma verdadeira chuveirada de spray que me deixou encharcada.

Se eu achei ruim? Naquele calor, o banho inesperado foi uma bênção. E as câmeras e celular estavam muito bem protegidos.

Garganta do Diabo, no lado argentino das Cataratas do Iguaçu
As cataratas resolveram me dar um caldo bem na hora da selfie

Quanto tempo reservar para o lado argentino das cataratas

Para fazer os circuitos Superior, Inferior e a trilha da Garganta do Diabo você vai precisar de cerca de seis horas.

Dá pra ver muita coisa, até porque os percursos são planos, o que exige pouco do nosso fôlego — mas eu duvido que nos meses de verão alguém consiga caminhar tanto tempo naquele calor úmido.

Eu mesma não dei conta e fiquei só com a trilha da Garganta do Diabo.

Garganta do Diabo, no lado argentino das Cataratas do Iguaçu
Eis o espetáculo das Cataratas do Iguaçu

Muita gente recomenda dividir a visita ao lado argentino das cataratas em dois dias.

A boa notícia é que se você validar o seu tíquete na saída do parque, no primeiro dia, o ingresso do dia seguinte sai pela metade do preço.

O que levar na visita ao lado argentino das cataratas

➡️Pesos argentinos. Ao vivo e em cores. Sem eles, você não entra no parque, já que o ingresso só pode ser pago en efectivo nativo — nada de cartões, nem dólares, nem reais. As lojas e lanchonetes mais organizadas aceitam cartões.

Passarela da Garganta do Diabo, no lado argentino das Cataratas do Iguaçu
Uma garrafinha de água é fundamental pra quem vai caminhar sob o solão

➡️Uma garrafa d’água é fundamental, até para não perder tempo na fila das lanchonetes, que realmente não parecem ter estrutura para atender a quantidade de gente que visita o parque.

➡️Também recomendo levar frutas e sanduíches, pois a única área do parque onde vi alternativas interessantes para comprar algum tipo de lanche é logo na entrada do parque, perto da Estação Central (tem até uma loja da sorveteria Freddo, onde aliviei um pouquinho do calor).

➡️ Repelente também é importantíssimo, porque a mosquitaiada é animada.

➡️ O eterno trio chapéu/óculos escuros/protetor solar será seu grande amigo durante a visita.

➡️ E não esqueça de proteger muito bem as câmeras e o celular, porque eu garanto que, em algum momento, você vai se molhar.

Eu tenho capinha à prova d'água para smartphone e também uso plástico filme (aquele de embalar comida para guardar na geladeira) para envolver a câmera - deixo só a lente descoberta.

Parque Nacional de Iguazú, Argentina
Muita gente prefere fazer a trilha a pé, para fugir da fila do trem

Trilha no Parque Nacional del Iguazú, lado argentino das cataratas

O que vestir para fazer as trilhas das cataratas

➡️ Roupas leves, por favor. E um calçado confortável, com sola antiderrapante, para não escorregar na passarela sobre o rio.

➡️ Nos meses quentes, prefira roupas de algodão ou outras fibras naturais, porque são mais frescos naquela umidade.

➡️ Uma alternativa são os tecidos "tecnológicos" de secagem rápida, para quem se incomoda muito com a inevitável molhação - acredite, o spray que emana das quedas d'água é similar um bom toró.

➡️ No período de frio, vá bem agasalhado, com um casaco impermeável. A vazão das cataratas no inverno é menor, o que diminui o spray, mas o vento se encarrega de trazer as gotinhas direto até você 😊.

Cataratas do Iguaçu na Argentina
No verão, o spray que emana das cataratas em volume máximo recomenda o uso de roupas de secagem rápida

A travessia da fronteira Brasil-Argentina
Se você está hospedada em Foz, não esqueça que vai atravessar uma fronteira para chegar ao lado argentino das cataratas.

➡️ Leve a carteira de identidade (a própria, não vale identidade profissional) ou o passaporte.

➡️Nos dias que atravessei para a Argentina (também fui á Missão Jesuítica de San Ignacio Miní), o controle de fronteia estava aceitando a carteira de motorista como identificação dos brasileiros.

➡️ Quem vai de carro do Brasil para Puerto Iguazu precisa da Carta Verde, um seguro que permite que automóveis da região do Mercosul circulem nos territórios vizinhos.

Veja também como é a visita ao lado brasileiro das cataratas
Cataratas do Iguaçu: a natureza confortável

Parque Nacional del Iguazú, lado argentino das cataratas


Parque Nacional del Iguazú, lado argentino das cataratas

⭐Parque Nacional Iguazú
Ruta Nacional 101, km 142, Puerto Iguazú, Missiones, Argentina

Aberto todos os dia do ano, das 8h às 18h — a bilheteria fecha às 16:30h.


O ingresso para brasileiros e demais cidadãos do Mercosul custa 480 pesos argentinos (não custa repetir: pagamento só em dinheiro vivo e moeda local, pesos).

É preciso apresentar um documento de identidade comprovando a sua nacionalidade para ter acesso à tarifa Mercosul.

Estrangeiros de fora do Mercosul pagam 600 pesos.

Visitantes com entre 6 e 12 anos de idade (Mercosul) pagam 120 pesos. Crianças com menos de seis anos não pagam entrada.

A área de estacionamento é bem ampla. A tarifa para automóveis é de 120 pesos. Vans pagam 140 pesos.

Borboletas no Parque Nacional del Iguazú, lado argentino das cataratas
Essas borboletas estão por toda parte na região de Missiones

Como chegar ao lado argentino das cataratas
A portaria do parque está a 30 km do Centro de Foz do Iguaçu. Após a travessia da fronteira, siga a Ruta Nacional 12 até a Ruta Nacional 101. O caminho é bem sinalizado.

Eu contratei um táxi no meu hotel para me levar ao lado argentino das Cataratas.

O “pacote” é ida e volta: eles deixam o passageiro no parque e combinam um horário para a volta. Em fevereiro/2016, paguei R$ 90 por esse serviço.

Férias de julho no Brasil - 4 destinos que ficam ótimos nessa época: Bonito, Pantanal, Fernando de Noronha e Foz do Iguaçu

 Mais sobre Foz do Iguaçu e região
4 dias em Foz do Iguaçu: Roteiro e dicas práticas

Cataratas do Iguaçu: a natureza confortável
Hospedagem em Foz do Iguaçu: San Martin Hotel e Spa
Minha avaliação: Free Shop de Puerto Iguazu
A casa de Che Guevara em Caraguatay, Argentina
Bate e volta de Foz do Iguaçu à Missão Jesuítica de San Ignacio Miní

Cataratas do Iguaçu: a natureza confortável


Curtiu este post? Deixe seu comentário na caixinha abaixo. Sua participação ajuda a melhorar e a dar vida ao blog. Se tiver alguma dúvida, eu respondo rapidinho. Por favor, não poste propaganda ou links, pois esse tipo de publicação vai direto para a caixa de spam.
Navegue com a Fragata Surprise 
Twitter  |  Instagram  |  Facebook

7 comentários:

  1. Seu post me ajudou muito, estou preparando meu roteiro para visitar a região. Muito obrigado!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Quem bom, Gustavo. Fico feliz de saber que a Fragata ajudou seu planejamento. Um abraço e aproveite muito essa maravilha brasileira :)

      Excluir
  2. Ola, gostaria de saber se o trenzinho é pago a parte ou vem embutido no preço do ingresso ao parque? Desde ja muito Obrigado.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Renato, o transporte está incluído no preço do ingresso. Uma vez no parque, é só ir para a fila do trem e embarcar.

      Excluir
    2. Mais uma pergunta Cyntia, crianças de 2 anos podem entrar no parque? Ou não é aconselhável levar crianças nessa idade??? Muito Obrigado mais uma vez...

      Excluir
    3. Renato, não há limite de idade para a visita ao Parque Iguazú. Há acessibilidade para cadeirantes e carrinhos de bebês. O que você deve levar em conta é que é um passeio cansativo, especialmente no calor do verão.

      Excluir