8 de setembro de 2013

Portsmouth, Inglaterra - a celebração do mar

Estaleiros Históricos de Portsmouth, Inglaterra, navio HMS Warrior
A bordo do HMS Warrior, 
uma das atrações do Estaleiro Histórico de Portsmouth
Já que eu tenho um blog chamado “A Fragata Surprise”, seria tremendamente redundante dizer que um ponto inegociável no meu roteiro na Inglaterra era a visita a Portsmouth, uma espécie de vaticano para todos os aficionados por aventuras navais deste planeta.

Mas, ainda que você não seja do tipo que coloca barquinhos de papel para navegar na sua caneca de café, garanto que também vai gostar muito de dar um pulo em Portsmouth, a cerca de 100 quilômetros a Sudoeste de Londres.

Estaleiros Históricos de Portsmouth, Inglaterra, navio HMS Warrior
O Warrior se encarrega de dar as boas vindas a quem 
chega à cidade pela estação de Portsmouth Harbour
A principal atração de Portsmouth são os Estaleiros Históricos, onde estão ancorados navios com uma baita biografia.

Um desses navios históricos é o HMS Victory, a nau capitânia inglesa na Batalha de Trafalgar. Você também vai ver o HMS Warrior, o navio de guerra mais poderoso da época vitoriana.

Bateria de canhões do navio HMS Warrior, nos Estaleiros Históricos de Portsmouth, Inglaterra
Detalhes da vida a bordo do Warrior: a bateria de canhões, uma rede onde dormia um marinheiro e a bancada para as refeições (no cantinho esquerdo)
E garanto que vai ficar boquiaberta com os restos do navio  Mary Rose, capitânia da frota de Henrique VIII, que naufragou em 1545, passou 437 no fundo do mar e foi resgatado em 1982, numa empreitada arqueológica que merece figurar no top 10 das grandes aventuras navais.

Neste post, você vai descobrir o que ver em Portsmouth, como chegar lá e outras dicas para organizar a visita:

Convés principal do navio HMS Warrior, nos Estaleiros Históricos de Portsmouth, Inglaterra
Canhão no convés principal do Warrior
Um pouquinho da história de Portsmouth

Portsmouth começou a virar sinônimo de esquadras, aventuras marítimas e poderio naval no Século 12.

Foi Ricardo Coração de Leão quem decidiu reunir uma frota no porto de Portsmouth, então uma pequena vila estrategicamente voltado para a costa da Normandia, do outro lado do Canal da Mancha.

Navio HMS Victory, do almirante Nelson,nau capitânia da Batalha de Trafalgar
O Victory, construído no Século 18, está passando por uma restauração
Com as permanentes refregas entre ingleses e franceses, ao longo de toda a Idade Média, a cidade, seu porto e seu estaleiro prosperaram. Até que no Século 16 Henrique VIII consagrou o local como quartel general da Royal Navy, a marinha real inglesa, posto que Portsmouth ocupa até hoje.

Batalha de Trafalgar

Na realidade e na ficção, muitas histórias do mar começaram aqui. Foi de Portsmouth que o Almirante Nelson zarpou com o HMS Victory, em 1805, à frente da frota inglesa, para desafiar as forças combinadas de franceses e espanhóis.

Maquetes do navio Victory no Museu Naval de Portsmouth
Maquetes do Victory no Museu Naval de Portsmouth
As esquadras inimigas acabaram se encontrando na costa atlântica da Espanha, quase na entrada do Estreito de Gibraltar, ao lago do Cabo Trafalgar, que daria o nome ao confronto naval mais decisivo das Guerras Napoleônicas. Nelson ganhou a briga, mas morreu na batalha, a bordo do HMS Victory.

Nos livros de Patrick O’Brian, a fragata HMS Surprise, madrinha deste blog, tem a cidade como seu lar.

Navio HMS Victory, do almirante Nelson, exposto nos Estaleiros Históricos de Portsmouth, Inglaterra
Uma enorme janela do museu deixa o visitante de cara para o Victory, que ocupa uma doca seca dos Estaleiros Históricos
Cabine do Almirante Nelson a Bordo do HMS Victory, nos Estaleiros Históricos de Portsmouth, Inglaterra
A cabine de Nelson a bordo do Victory
Cabine do Almirante Nelson a Bordo do HMS Victory, nos Estaleiros Históricos de Portsmouth, Inglaterra

Estaleiros Históricos de Portsmouth

Os Estaleiros Históricos de Portsmouth ficam bem ao lado da Estação Ferroviária de Portsmouth Harbour.

Basta descer do trem para o visitante começar a entrar no clima náutico. Das grandes janelas envidraçadas do terminal ferroviário, a primeira visão é do HMS Warrior, poderoso vaso de guerra da Era Vitoriana (lançado em 1860), o maior, mais veloz e mais fortemente armado navio de seu tempo.

Estaleiros Históricos de Portsmouth, Inglaterra, navio HMS Warrior
Chaminés, velas e mastros: o poderoso Warrior usava propulsão mista

Warrior, navio símbolo da Era Vitoriana

Desde 1987, cuidadosamente restaurado, o Warrior é um museu para ser percorrido de proa a popa, desde o convés principal aos porões, passando pelas baterias de canhões, alojamentos de oficiais, casa de máquinas (ele usava propulsão mista, a vela e a vapor), cozinhas e arsenal de pólvora.

Até os turnos de trabalho no navio continuam a ser marcados pelo toque do sino de bordo. Só faltou mesmo uma batalha ou uma tempestade para reforçar a sensação de estar navegando rumo a alguma aventura.

Cozinha do navio HMS Warrior, nos Estaleiros Históricos de Portsmouth, Inglaterra
A cozinha do Warrior

Alojamento e banheiros do HMS Warrior, navio do Século 19
As condições de conforto a bordo de uma embarcação do Século 19 já eram significativamente melhores que as enfrentadas pela tripulação do Victory, como atestam esse dormitório de um oficial do Warrior (esq) e o banheiro destinado ao membros mais graduados da tripulação

HMS Victory, embarcação do almirante Nelson, e o Museu Naval de Portsmouth
O Museu Naval e o Victory
Bateria de canhões do HMS Victory e o dormitório do Almirante Nelson
À esquerda, o compartimento dos canhões do Victory. À direita, a "cama" usada por Nelson. No espaço exíguo de uma embarcação de guerra na era da vela, até o capitão tinha que dividir o dormitório com dois canhões

Victory, navio do Almirante Nelson

O Victory foi construído em 1765 e é o ultimo remanescente dos épicos tempos da vela, veterano de batalhas na Guerra de Independência Americana e das Guerras Napoleônicas.

Aposentado do serviço ativo em 1812, o navio foi usado para treinamentos e solenidades até 1922.

Quando foi transformado em museu, o Victory foi restituído fielmente à aparência que tinha em 1805. Percorrer seus conveses é uma jornada por universo meio claustrofóbico e sempre fascinante.

Enfermaria do navio HMS Victory, do almirante Nelson
Enfermaria do Victory: os doentes e feridos eram mantidos próximos às baterias para aproveitar a da ventilação oferecida pelas portinholas dos canhões
Dormitório dos marujos a bordo do HMS Victory
Dormitório dos marujos no Victory
O Mary Rose, depois de 437 anos no fundo do mar
A atração mais empolgante do Estaleiro Histórico de Portsmouth é o museu dedicado ao Mary Rose, navio que foi a nau capitânia da frota do rei Henrique VIII

Museu dedicado ao navio Mary Rose
O novo Mary Rose Museum tem a forma de um casco de navio
O Mary Rose foi retirado do fundo do mar em 1982, após 437 anos naufragado. Foi necessário um cuidadoso processo de escavação arqueológica submarina.

Cerca de um terço do casco do Mary Rose se manteve íntegro, protegido pelos sedimentos marinhos e vinha sendo exibido desde então. 

Objetos resgatados do naufrágio do navio Mary Rose e a maquete da embarcação
Centenas de objetos recuperados do naufrágio do Mary Rose estão exibição no museu. À direita, a maquete da embarcação, pérola da frota de Henrique VIII
No museu construído em forma de barco, o visitante “entra” no Mary Rose, que pode ser visto através de painéis de vidro, enquanto, do lado de cá, estão expostos centenas de objetos resgatados do naufrágio, organizados por área.

Instrumentos de navegação, pertences pessoais dos marinheiros, armamentos e utensílios contam a história do Mary Rose, que foi a pique em questão de minutos, ao largo do Forte de Southsea, diante dos olhos atônitos de uma vasta plateia que o via zarpar, em 1545.

Os restos do casco do navio Mary Rose
Os restos do casco do Mary Rose
Museu dedicado ao navio Mary Rose
O museu do Mary Rose visto do convés principal do Victory
Museu da Marinha Britânica
Os Estaleiros Históricos de Portsmouth abrigam, também, Museu Nacional da Royal Navy (a Marinha Britânica).

O museu é muito interessante. Um destaque do acervo é uma bela coleção de figuras de proa de navios antigos. Também há uma sala dedicada a Lord Nelson e à Batalha de Trafalgar onde são exibidos uniformes, armamentos, documentos, mapas e miniaturas de embarcações. Uma aulinha sobre o tema.

O Museu Nacional da Royal Navy também oferece passeios de barco pela área do porto, para o visitante ver de perto vasos de guerra britânicos ancorados na Base Naval.

Escaler cerimonial do Século 18 exposto no Museu Naval de Portsmouth
O escaler cerimonial construído para o Príncipe de Gales, em 1732 e parte da coleção de figuras de proa do Museu Naval
Coleção de figuras de proa do Museu da Royal Navy em Portsmouth
Coleção de figuras de proa do Museu da Royal Navy
Outlet e restaurantes em Portsmouth
Bem pertinho dos Estaleiros Históricos, do outro lado da Estação Ferroviária, ficam os Gunwharf Quays, boa opção para uma refeição relaxada ou umas comprinhas.

Os Gunwharf Quays são parte do antigo estaleiro de Portsmouth, restaurados e transformados num shopping center a céu aberto, cheinho de outlets de marcas famosas (pena que não ando numa fase consumista), restaurantes e equipamentos de lazer.

Gunwharf Quays e Spinnaker Tower, em Portsmouth
Gunwharf Quays
Os Gunwharf Quays ficam à beira-mar e a área é super agradável — a sinfonia dos pios da profusão de aves marinhas é um espetáculo à parte, no final da tarde.

O destaque desse espaço é o desenho ousado da Spinnaker Tower, edifício contemporâneo de 170 metros de altura, bem parecido com o Burj Al Arab, cartão postal de Dubai.

No topo da torre, um mirante envidraçado promete vistas espetaculares, mas eu fiquei com preguiça da fila para subir.

O navio Warrior e a Spinnaker Tower de Portsmouth
O Warrior e a Spinnaker Tower (canto esquerdo)
Estação Ferroviária de Portsmouth Harbour
Logo ao desembarcar na estação de trens a gente já dá de cara com os Estaleiros Históricos de Portsmouth
Como chegar a Portsmouth
Portsmouth está a cerca de duas horas de trem de Londres (Estação Waterloo, preço médio da passagem £30).

Para visitar os Estaleiros Históricos, é melhor descer do trem na Estação Portsmouth Harbour (há uma estação mais central na cidade).

Eu cheguei a Portsmouth partindo de Winchester, uma viagem de 60 minutos (bilhetes a partir de £10,60).

Barquinhos para crianças em um dique dos Estaleiros Históricos de Portsmouth
Em um dique dos estaleiros,
as crianças podem brincar simulando manobras navais
Portsmouth Historic Dockyard
(Estaleiro Histórico de Portsmouth)

Os estaleiros podem ser visitados diariamente, das 10h às 18h (no inverno, até às 17:30h).

O bilhete combinado para todas as atrações custa £26 e vale a pena, pois as entradas individuais para o Mary Rose, o Victory e o Warrior custam £17 cada uma. O ingresso combinado vale para o ano inteiro.

Índice de posts sobre museus e sítios arqueológicos da Fragata


Centrinho de Portsmouth
Portsmouth
Onde comer em Portsmouth
Os Estaleiros Históricos contam com boa infraestrutura de lanchonetes e a com a charmosa Georgian Tearooms, que recria a atmosfera das casas de chá da virada do Século 18 para o 19.

Meu café da manhã foi na lanchonete do Museu Mary Rose (ótimos sandubas, bem no estilo da Marks&Spencer e da Prèt a Manger).

Almocei num pub próximo, o Ship&Castle (1-2 The Hard), quase em frente ao Estaleiro. Comidinha apenas razoável. Acho que teria sido melhor escolher um dos restaurantes dos Gunwahrf Quays.

Shopping center e outlet  Gunwharf Quays, em Portsmouth
Área de lazer dos Gunwharf Quays
Inglaterra - todas as dicas - post índice 



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2 comentários:

  1. No Brasil, Sta Catarina, Serra do Rio do Rastro, Serra do Corvo Branco - imperdiveis,obrigado por Portsmouth, UK. Felicidades

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