domingo, 4 de fevereiro de 2018

O que não pode faltar na minha bagagem

Foi-se o tempo em que se precisava de toda essa produção para viajar. Mas algumas coisas permanecem essenciais em uma bagagem
(Foto: Estação de Atocha, em Madri, escultura em homenagem aos viajantes)
Eu já consegui passar 26 dias na Europa (no comecinho da primavera, março/abril) com uma mochila pesando 7 kg. Lembro que quando fui despachar a bagagem, o atendente da KLM me olhou espantado: “Só isso, senhora?” E eu: “Moço, o senhor está parecendo a minha mãe”.

A única coisa de que senti falta nessa matula minimalista foi a lixa de unhas — como sou uma eterna roedora em recuperação, não posso viver sem isso.

Agora que as companhias aéreas que operam no País estão liberadas para cobrar pela bagagem despachada, o comedimento na hora de fazer as malas deixou de ser apenas uma questão de conforto, para virar medida de proteção ao nosso bolso. Tem coisas, porém, que não dá pra não levar, por mais curta que seja a viagem.

O “kit de sobrevivência fora de casa” varia de viajante para viajante. Neste post eu apresento o meu, composto, basicamente, de coisinhas minúsculas, fáceis de acomodar e que quebram um super galho quando estou na estrada.

Dá uma olhada na minha tralha indispensável e se tiver alguma dica matadora, por favor, coloque lá caixinha de comentários.

Malas
Até já tive (e usei muito) malas de tamanho médio (75 cm de altura x 50 cm de largura). faz um bom tempo, porém, que só viajo com malas pequenas. São mais fáceis de acomodar em qualquer canto (bagageiros de trens, por exemplo) e comportam tudo que eu realmente preciso levar comigo.

As pequenas notáveis: vocês nem imaginam quanta coisa cabe em cada uma dessas malinhas
Uma delas (a branquinha florida da foto) é dura, tem 52 cm de altura e 32 cm de largura e é tranquilamente aceita como mala de cabine. A outra é de nylon (ou seja lá como se chama esse material, hoje em dia 😊) e tem 53 cm de altura e 36 com de largura. É "molinha" e "engorda" sem reclamar e sem quebrar o zíper. Vocês nem imaginam o tanto de coisa que cabe em ambas.

Uma decisão que tomei, depois de ter malas caras rapidamente detonadas pelo manuseio em aeroportos, foi comprar as mais baratas (não necessariamente vagabundas, mas sem grife), que acabam durando tanto quanto as estreladas. Minhas duas malas atuais foram compradas em free-shops de aeroportos europeus e custaram ambas menos de € 50.

Ainda não encontrei outra mala com esse desenho
Outra providência que a vida me ensinou: evito malas com aspecto muito convencional, que possam ser trocadas na esteira de bagagem (preto, cinza, vermelho e azul escuro são cores que convidam à confusão, pois são muito comuns). Um distraído levou minha bagagem pra casa, em Florianópolis (era azul marinho) e um zeloso funcionário do Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, quase embarca minha mala em um ônibus de excursão (era cinza).

Uma coisa que gosto muito nas minhas duas malas atuais é que elas têm divisões internas e bolsos para organizar os itens da bagagem. A mala azul tem um compartimento externo onde eu consigo acomodar o notebook, caso vá viajar com ela na cabine.

Caso eu precise transportar aquele algo mais que pinta nas viagens, tipo compras (que eu cada vez faço menos) ou mesmo para driblar o resultado da imperícia em dobrar roupas que me acomete em fim de viagem (e deixa a mesma bagagem com o dobro do tamanho), carrego uma 🔼mochila dobrável, que vira uma bolsinha fácil de acomodar em qualquer cantinho da mala.

Essa bolsinha vira uma mochila onde cabe um mundo de coisas
Higiene e toalete
Além do kit básico (escova de dentes, fio dental, creme dental, xampu, condicionador e desodorante), sempre levo uma 🔼touca de banho (7) - eu sei que elas fazem parte do kit de toalete da maioria dos bons hotéis, mas gosto de ter uma na necessaire.

 🔼Perfume (4) - e aqui vai meu melhor segredo de viajante: eu jamais uso o mesmo perfume da "vida real" quando estou na estrada. O motivo é muito simples. O olfato é um poderoso gatilho de memórias. Em um dia especialmente estressante ou quando estou meio pra baixo, bastam algumas gotinhas do perfume que usei durante uma viagem bacana para que eu imediatamente seja transportada para aquele momentinho gostoso de férias.

(Outro truque é trazer comigo o sabonetinho do hotel de alguma cidade que me fez especialmente feliz e, quando chego em casa naquele bagaço épico depois do trabalho, tomar um banho bem quente com ele, de preferência no escuro. A sensação de voltar para as férias é a mesma.)

Polidor de sapatos, xampu em barra, perfume de bolsa, pinça de sobrancelhas, toalhas desidratadas, touca de banho e a necessaire pequenininha, que acondiciona o básico para uma viagem de até 15 dias
🔼Xampu em barra (2), que quebra o maior galho, não derrama e dura uma eternidade. Quando a viagem é longa, uso os dois recipientes da necessaire para levar condicionador (já reparou que são raros os hotéis que incluem esse produto no seu kit de toalete?) e levo a minha latinha de xampu sólido. O que uso é da Lush, que fabrica uns produtinhos cheirosos e simpáticos, inclusive o xampu em barra para cabelos oleosos, que é ótimo.

🔼Sabonete líquido/gel de limpeza para o rosto, 🔼exfoliante (15), 🔼pinça de sobrancelhas (5), que tem mil e uma utilidades, como servir de chave de fenda para apertar os parafusos dos óculos 😊. 

🔼Protetor labial (13) é artigo de vida ou morte. Estou usando o da Sephora, baratinho (€ 3) e muito eficiente. Vem em uma latinha de 4 centímetros de diâmetro, muito prática, que dá até pra carregar no bolso.

🔼 Primer (14). Adoro o Pore Professional, que encontrei na Sephora. É super discreto, deixa o a pele sem brilho e uniforme. 

Máscara para dormir, protetores auriculares, kit de costura, latinha com botões e alfinetes de pressão, pomadinha de cânfora para picada de insetos, lencinhos demaquilantes, protetor labial, primer e exfoliante
🔼 Removedores de oleosidade para o rosto. The Body Shop tem uns ótimos, são folhinhas de papel super absorventes que vêm em uma caixinha de 5,5 cm x 7,5 cm que cabem em qualquer cantinho da bolsa).

🔼 Lenços demaquilantes (12). Eu raramente uso maquiagem e, quando uso, é um toque de batom e máscara nos cílios. Para evitar o risco de acordar com o rímel borrado — horror! —, recorro aos mini-lencinhos da Sephora, uma embalagem de 10 cm x 6 com que se acomoda bem até na necessaire  minúscula que carrego na bolsa.

🔼Toalhas desidratadas (6). Essas que você vê na foto eu  encontrei em uma lojinha do aeroporto de Santiago do Chile e fiz logo um estoque. Elas vêm em embalagens iguais às de comprimidos, com 2 cm de diâmetro. Depois de molhadas, viram uma toalhinhas de 20 cm x 20 cm super absorventes. É só torcê-las bastante. Eu consigo me secar depois de um banho de mar com elas. São descartáveis.

🔼 Hidratante, protetor solar e repelente: simplesmente não vou a lugar nenhum sem esse trio.

🔼Lixa de unhas e tesourinha. Eu mantenho as unhas sempre muito curtinhas, pra não cair na tentação de roê-las. Em viagens mais longas, levo um alicate para aparar aqueles cantinhos de cutícula que também são muito atraentes a um mordisco, quando estou pensando na morte da bezerra.

🔼Pente (pra falar a verdade, eu vivo esquecendo deste instrumento. Meu cabelo é tão liso e lambido que dá pra pentear com a mão. Eu uso a perna dos óculos para fazer a risca do repartido e pronto).

Carregador com duas entradas USB, carteira à prova d'água e capa, também à prova d'água, para o celular

Farmacinha básica
🔼Analgésico e antiácido.

🔼Anti-histamínico em comprimido e em creme. Sou imensamente alérgica, principalmente a picadas de insetos — mas também a tecidos sintéticos, poeira, tinta de jornal (!!), uma lista interminável. Também carrego uma 🔼pomadinha à base de cânfora (11), que sempre encontro nas lojinhas do bairro da Liberdade, em São Paulo, sob o nome genérico de "Dragon Balm". Esse produto é vendido em latinhas de 2 cm de diâmetro e é a melhor coisa para evitar a irritação da pele em caso de picadas de insetos, desde que aplicado em cima do lance. 

🔼 Esparadrapo do tipo micropori (tenho alergia à cola do Ban-Aid). 

🔼Para evitar bolhas nos pés, uso o creme em bastão da Compeed (só achei nas farmácias da Europa), que é maravilhoso. Aqui no Brasil, gosto muito das fitas adesivas incolores da 3M (vendidas em farmácias), que protege bem a pele do atrito com os calçados. Já encontrei uma outra fita, acolchoadinha, como uma espuma, que também é maravilhosa para evitar calos e bolhas, mas não guardei o nome. Qualquer calçado novo me provoca bolhas, portanto, na minha bagagem só entram sapatos já devidamente "amaciados".

Bateria externa, carregador de bateria alimentado a energia solar e carregador de pilhas para a câmera fotográfica

Utilidades
🔼 Micro-canivete

🔼 kit de costura (9), botões e alfinetes de pressão (10) — uma latinha de protetor labial reutilizada é o estojo perfeito para acomodá-los.

🔼Polidor de sapatos (1). Os bons hotéis sempre incluem esse item no kit de toalete/utilidades, mas não dá pra contar com isso. O que carrego comigo é muito pratico, uma caixinha com a esponja umedecida com lanolina presa na tampa, que deixa os sapatos como novos numa rápida esfregada. Era parte do kit do Crowne Plaza de Santiago do Chile, onde me hospedei voltando da Ilha de Páscoa, em 2013, e está ótimo até hoje.

Meus travesseiros de pescoço: o convencional, o inflável e o acolchoado dobrável
Conforto a bordo
🔼 Travesseiro de pescoço. Tenho três. Um é inflável e quebra o galho em voos mais curtos. O outro é do tipo convencional e eu amo. Para equilibrar a minha necessidade de conforto com a ojeriza que eu tenho de carregar trambolho, comprei um acolchoado, que pode ser enrolado e diminui um bocado de tamanho. Ele tem fecho (fica bem preso no pescoço) e um bolsinho para guardar a máscara para os olhos e protetores auriculares. Encontrei no aeroporto de Miami. 

🔼 Máscara para os olhos (8), outro acessório que é muito amigo do meu soninho (até aquela luzinha de "aperte os cintos" no avião me incomoda).

O travesseiro inflável cabe neste saquinho e ocupa zero de espaço na bolsa
O dobrável fica do tamanho do convencional...
... tem fecho e bolso
🔼 Protetores auriculares (25). Os que aparecem na foto lá no alto são para natação (da Speedo), indispensáveis quando mergulho, pois tenho uma tendência irritante a acumular água no ouvido, o que muitas vezes desencadeia otites dolorosas. Eles quebram o galho para dormir no avião, mas os melhores para isso são os de espuma (ainda me resta um par). 

🔼 Pashmina, fininha e leve, é indispensável para me abrigar do ar gelado dos aviões.

Grampo, ótimo para prender a alça da bolsa na cadeira, em bares e restaurantes. Placa para fixar a GoPro e o cabo extensor da mesma câmera
Registros para o blog
🔼Bloco de anotações com capa dura, que dispensam apoio, preferência de velha repórter que já fez muita entrevista de pé e sabe bem o inferno que é anotar alguma coisa em um caderninho molenga, que vai se desmilinguindo a cada pressão da caneta. 

Eu adoro os cadernos da Moleskine que têm um bolso na parte interna da capa, perfeito para guardar cartões de visita, recibos e outros papéis que a gente vai juntando ao longo da viagem. Quando não encontro desse modelo, qualquer bloco de capa dura serve (o formato 14 cm x 9 cm é o melhor, pois cabe direitinho no bolso de trás do jeans) e eu colo um envelope na parte interna da capa. 

Para escrever, prefiro 🔼caneta hidrográfica, que mantém o fluxo de tinta, independentemente da posição (experimente anotar alguma coisa com uma esferográfica que não esteja na vertical com a ponta para baixo). Prefiro as canetas de ponta fina, para a escrita ficar mais legível   minha caligrafia de repórter é um garrancho...

Eletrônicos
Ainda vai chegar o dia em que a Fragata me fará a gentileza de não exigir que eu leve o 🔼notebook nas viagens. Por enquanto, ao menos nas jornadas mais longas, o trambolho continua indispensável (embora eu tenha sobrevivido sem ele na viagem ao México e à América Central). 

Minha câmera e o velho celular
🔼Câmera fotográfica. Faz tempo que desisti das super câmeras, pesadas e chamativas (eu viajo sozinha, lembram?). As fotos que você vê na Fragata são feitas com uma 🔼Nikon Coolpix baratex e muito eficiente pra as minhas necessidades. Também uso uma 🔼Go-Pro Hero 3.

🔼Celular. Já não vivo sem conexão permanente à internet, mas ainda não sucumbi à ditadura da obsolência programada da indústria de eletrônicos. Até meados do ano passado, usei um Samsung S4 velho de guerra. Troquei o velhote por um Samsung S7, que tem uma câmera muito boa.

🔼Adaptadores de tomadas. Todo mundo tira sarro da tomada brasileira de três pinos, mas tem muita "criatividade" mundo afora e às vezes nem os adaptadores ditos "universais" dão conta. Mas sem eles eu fico maluca.

🔼Régua ou benjamim (para ligar mais de um aparelho à mesma tomada), 🔼carregadores de bateria, 🔼pendrive, 🔼carregador solar, 🔼bateria externa (carrega o celular e a GoPro), 🔼placa para fixar a GoPro (substitui o tripé e não ocupa espaço), 🔼cabo extensor para a GoPro, 🔼filme plástico (aquele de embalar comida que vai à geladeira) para proteger a câmera de respingos de água e da areia, 🔼cabos USB. 

Essa capa de chuva super resistente custou apenas € 5 em uma lojinha de Padrón, no Caminho de Santiago. Está comigo desde 2005, inteirinha. A tag de malas da Fragata ajuda a identificar minha bagagem
Segurança
🔼Cadeados, 🔼lacres para malas, 🔼grampos ou mosquetões (ótimos para prender alças de bolsas e mochilas nas cadeiras de bares e restaurantes), tags para malas. Quando sei que vou fazer viagens longas de trem, levo um cabo de prender bicicleta para amarrar a mala no bagageiro

Kit praia
🔼Maiô, 🔼canga, 🔼sapatilha (para praias com pedras), 🔼carteira à prova d’água (para guardar dinheiro, documento e cartão de crédito), 🔼capa à prova d’água para o celular, 🔼equipamento de snorkel (máscara e respirador, porque eu odeio nadadeiras), 🔼sacola impermeável.

Meu guarda-chuvinha dobrável (repare que o estojo fica do tamanho da máscara para os olhos)
Para enfrentar o mau tempo
🔼Capa de chuva ou casaco resistente à água. A minha capa é um fenômeno: de plástico super resistente, me protege até o meio das canelas, tem capuz e bolsos enormes. Foi comprada quando eu estava fazendo o Caminho de Santiago, em 2005, e resiste até hoje. Fácil de dobrar, pode ser carregada na bolsa.

O 🔼guarda-chuva dobrável também é herança de Santiago de Compostela, presente da pousada onde me hospedei, no réveillon de 2011/2012. É pequenininho, cabe na bolsa e quebra o maior galho (e, não, não é coincidência que meus itens para chuva sejam todos originários da Galícia: ô lugarzinho pra gostar de um pé d'água... 😊)

E sempre, sempre e muitos: livros
Eles podem pesar um pouquinho, mas continuam sendo uma grande companhia 😉

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