sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Salvador: sim, é possível comer bem na Marina

Bahia Marina: o grande trunfo é a vista para a Baía de Todos os Santos
Por Bruno Santana

Localizada em uma das áreas mais bonitas de Salvador, a Bahia Marina — aos pés da Avenida Contorno, de cara para a Baía de Todos os Santos —  se define como um "centro de lazer e gastronomia", com várias lojas e restaurantes.

Vocês podem me chamar de preconceituoso, mas até algumas semanas atrás, eu classificava a Marina como um daqueles lugares que eu "não fui e não gostei": minha ideia era de uma atmosfera elitista, um contraste desagradável com a comunidade da Gamboa, vizinha, e um bocado de restaurantes pega-turistas sem muitos atrativos.

Bom, eu estava errado… em partes. Veja como foi minha experiência:



Estive na Marina com a família há algumas semanas e pude comprovar a disposição do lugar em cobrar o dobro por quase tudo apenas pela localização (ou seja, não vá se estiver com a grana curta). Também deu pra sentir o esperado incômodo no fundo da cabeça, também conhecido como velha culpa burguesa, de estar a poucos metros de uma comunidade abandonada por qualquer resquício de poder público que ainda porventura exista por aqui.

Em termos gastronômicos, entretanto, é que eu fui alegremente surpreendido. É verdade que eu já tinha plena consciência de que lá funciona a filial mais antiga do Soho, provavelmente o melhor japonês da cidade, mas qual o sentido de me deslocar até o outro lado de Salvador quando há uma unidade muito mais conveniente no Itaigara?

Pensando nisso — e levando em conta as preferências gustativas do grupo —, escolhemos outro local para jantar: o Lafayette, comandado pelo chef Gabriel Rodrigues e com foco na gastronomia mediterrânea. Escolha deveras inspirada, devo dizer.

Casquinha de siri

O Lafayette — assim batizado em referência ao nome oficial da Avenida Contorno, Lafayette Coutinho — já recebe seus comensais com a devida pompa, com um projeto arquitetônico bem-pensado, que aproveita ao máximo sua posição estratégica, na beira do mar.

Tanto a varanda, debruçada na água e sombreada por algumas árvores, como a parte interna, totalmente envidraçada e com a cozinha exposta, são milimetricamente pensados para que não esqueçamos um segundo sequer da nossa posição privilegiada (entenda como quiser).

A vista da varanda do Lafayette: seria perfeita sem a trilha sonora das lanchas
Escolhemos ficar na varanda, o que, mesmo com a brisa agradável do início de noite, pode não ter sido a decisão mais inteligente: uma das lanchas estacionadas na Marina bombava música da pior qualidade como se não houvesse amanhã, o que prejudicou um pouco a experiência — e só piorou quando outra embarcação semelhante aportou e resolveu competir com a já existente para definir qual das duas emitia um som mais alto e de pior gosto. Talvez a parte interna abafasse um pouco desta cacofonia metida a besta.

Esse risoto de pato fez o nosso colunista suspirar
Felizmente, nem isso foi capaz de tirar o brilho da refeição. Todos os pratos que experimentamos estavam excelentes, desde a casquinha de siri até os risotos de camarão com manga, camarão crocante e pato com maçã verde.

Este último, minha escolha, merece uma menção especial: é difícil encontrar um restaurante em Salvador que prepare da forma correta a ave, e o pato do risoto do Lafayette estava perfeito — no ponto, bem-temperado e tratado da forma correta. A combinação com a maçã verde foi a cereja (ou seria… maçã?) do bolo. Delicioso!

Risoto de camarão
Merece uma nota muito positiva também o atendimento do restaurante, cortês e atencioso desde o primeiro momento. Um dos pratos, ainda que individual, foi pedido para ser dividido entre duas pessoas à mesa, e a cozinha tomou o cuidado de, em vez de simplesmente entregar um prato extra vazio, dividir a refeição em dois pratos menores, com a montagem perfeita — ponto para o Lafayette.

Aliás, é bom notar que, contrariando as expectativas para esse tipo de restaurante, as porções padrão da casa são bem grandes — a ponto de deixar este que vos escreve, um notório glutão, satisfeito muito antes da última garfada.

Sobremesa: sorvete emperiquitado
As sobremesas, entretanto, não conseguiram repetir o sucesso dos pratos principais. Pedimos um tiramisù, que não agradou totalmente por ter coco em sua composição (e, veja bem, nada contra adicionar elementos inusitados a receitas tradicionais — desde que isso seja bem avisado no cardápio, o que não era o caso); a outra sobremesa, cujo nome me falta agora, era uma espécie de sanduíche de sorvete com uma geleia de morango no meio e mais sorvete de chocolate ao lado. Não estava ruim, mas era basicamente só… sorvete. Mais sorte da próxima vez, portanto.

Risoto de camarão com manga
No fim das contas, a experiência no Lafayette merece elogios, especialmente pela comida de primeira e pelo atendimento à altura; a localização também é um ponto alto, embora traga o problema das lanchas com péssima trilha sonora.

Os preços não são lá dos mais amigáveis, embora estejam na média para um restaurante de alto padrão em Salvador — cerca de R$30 pelas entradas, R$70 pelos pratos principais e R$20 pelas sobremesas. Vale para uma visita numa data especial ou, no caso dos que não são daqui, um belo almoço admirando a Baía de Todos os Santos. Com ou sem culpa burguesa.


Restaurante Lafayette 
Bahia Marina - Av. Lafayette Coutinho, 1010, Salvador-BA.
De segunda a quinta das 12h às 15h e das 18h à meia-noite, sexta e sábado das 12h às 01h e domingo das 12h às 22h. Estacionamento (pago) no local.

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