sábado, 7 de outubro de 2017

4 passeios bacanas em Recife

A Torre de Cristal (esq), no Parque das Esculturas Francisco Brennand
Passei uma semana maravilhosa em Recife, no começo de setembro. O tempo não estava para banho de mar, mas a cidade tem muito mais apelos do que suas belas praias. Culinária, história e criatividade... A capital pernambucana tem uma identidade forte e cativante, uma metrópole que sempre vai apresentar uma surpresa para o visitante, mesmo o mais frequente.

Nesta temporada recifense, aproveitei para rever o Recife Antigo (o bairro onde a cidade foi fundada), ver o pôr do sol no Marco Zero, de cara para o Parque das Esculturas de Francisco Brennand, fazer um passeio de catamarã pelo Rio Capibaribe, visitar a Oficina de Brennand 
e conhecer o novo (inaugurado em 2016) Museu Cais do Sertão dedicado à obra e ao universo do genial Luiz Gonzaga.

Mais Brennad: o Templo Central, no museu/oficina do ceramista, no bairro da Várzea
De bônus, ainda dei uma esticada à vizinha cidade de Olinda, que não cansa de me encantar com seu casario histórico e bela paisagem

Ainda que o sol apareça e você (naturalmente 😊) resolva curtir a praia, não deixe essas atrações de fora do seu roteiro no Recife. Elas cabem certinho no pós-banho de mar, emendando com uma happy hour gostosa. Vejas as dicas práticas e comece a organizar seu roteiro nesta cidade deliciosa:

O que fazer em Recife

Oficina Brennand
Engenho Santos Cosme e Damião, Várzea. De segunda a quinta, das 8h às 17h. Sexta, das 8h às 16h. Sábados e domingos, das 10h às 16h. Ingresso: R$ 20.



O antigo Engenho Santos Cosme e Damião, no bairro da Várzea, está a 17 km do Marco Zero do Recife, em uma área ainda muito verde onde subsistem restos da Mata Atlântica. 

No lugar onde funcionou a olaria da família, o artista Francisco Brennand instalou sua oficina de cerâmica e expõe várias de suas criações, com forte inspiração no imaginário das culturas da América pré-colombiana. Se você perceber um certo "sotaque de Gaudí" por lá, saiba que o artista catalão foi uma das influências do ceramista pernambucano.

Os painéis e esculturas têm sempre um pezinho no pré-colombiano

Criaturas fantásticas, pássaros e serpentes adornam o templo concebido pelo artista
Logo na entrada do museu, o impressionante Templo Central, povoado por imagens de animais fantásticos, lembra as praças das missões guaranis e os espaços cerimoniais das grandes cidades construídas pelas civilizações ancestrais de nosso continente.

Detalhe do Templo Central

Uma vasta galeria expõe esculturas e murais de Brennand
A Accademia é uma vasta galeria com esculturas e murais do ceramista. Em um cantinho está a oficina ainda usada por Brennand. O complexo conta ainda com um espaço para conferências, um café (ótimos doces), capela, uma loja onde são vendidas criações do artista e outros espaços. Tudo isso cercado por jardins desenhados por Burle Marx.



Belo ângulo para ver Recife: um passeio pelo Rio Capibaribe. No centro da foto, o encantador Teatro Santa Isabel (em cor-de-rosa)
Passeio de catamarã pelo Rio Capibaribe
Diariamente, com partidas às 11h, 16h e 20h. Aos sábados, domingos e feriados também há saídas às 14:30h e 17:30h. O embarque pode ser feito no cais da Praça do Marco Zero ou no Restaurante Catamarã, no São José. O percurso dura cerca de 1h30 e o bilhete custa R$ 50 (crianças com menos de cinco anos não pagam e os menores de 10 anos pagam meia).

A Assembleia Legislativa do estado (edifício azul) e o Ginásio Pernambucano, na Rua Aurora
As pontes do Recife são a logomarca do Centro da cidade
As embarcações oferecem roteiros variados, percorrendo a intrincada malha aquática da cidade. Escolhemos o tour “Recife e suas pontes”, que margeia as três ilhas do Centro do Recife (Santo Antonio, Recife Antigo e Boa Vista), perfeito para o final da tarde, quando o sol começa a cair no ângulo exato sobre as belas construções históricas e as pontes que formam a logomarca da capital pernambucana — o catamarã passa por baixo de cinco delas.

Durante o percurso, você vai ver algumas das atrações recifenses mais conhecidas, como o famoso casario da Rua Aurora, o Parque de Esculturas de Francisco Brennand, o Paço Alfândega (antiga sede da aduana, hoje convertida em um centro comercial), o Teatro Santa Isabel, uma maravilha que eu lamentei não ter tido tempo de rever de perto, e o Palácio Campo das Princesas, sede do governo do estado.

A partida do catamarã do Cais do Marco Zero

Os jardins do Palácio do Campo das Princesas, que ganhou este nome em homenagem a Isabel e Leopoldina, filhas de D. Pedro II. As duas princesas adoravam passear nesta área verde à margem do Capibaribe, quando visitaram a cidade
Na Rua Aurora, ao lado da Assembleia Legislativa, preste atenção ao belo edifício do Ginásio Pernambucano, onde estudaram os escritores Ariano Suassuna, Clarice Lispector e José Lins do Rego, o economista Celso Furtado e o prefeito que revolucionou a cidade, Pelópidas Silveira (meu querido Tio Pelópidas).

Nós compramos os bilhetes na hora do passeio, mas em alta estação ou fins de semana é prudente fazer reserva (pelo site da Catamaran Tours).

Museu Cais do Sertão
Rua Alfredo Lisboa, s/n (Armazém 10), Recife Antigo. De terça a sexta, das 9h as 17h. Sábados e domingos, das 13h às 17h. Fechado às segundas-feiras. Ingresso: R$ 10.

O "uniforme" de Mestre Lua e a representação do Rio São Francisco
Super interativo, moderno e instigante, este museu dedicado à obra e ao universo de Luiz Gonzaga, o Mestre Lua, e do Sertão Nordestino é apontado como um dos melhores do país, na atualidade. Foi inaugurado em 2014 e sua concepção contou com a colaboração de artistas das mais diversas áreas — gente como Tom Zé, José Miguel Wisnik, Antônio Risério e o cineasta Kléber Mendonça Filho, diretor do premiado Aquárius.

Retratos, imagens de santos... memórias sertanejas

As cores do Sertão
O Cais do Sertão está instalado em um antigo armazém do Porto do Recife a poucos passos do Marco Zero. No enorme galpão, o visitante percorre espaços que recriam aspectos cotidianos da vida sertaneja — a casa de taipa, a cozinha rudimentar com seus utensílios, as ferramentas para a lida com a terra e as criações, sempre margeando um curso d’água, a representação do Rio São Francisco.

No andar superior, reina a música de Luiz Gonzaga, que pode ser ouvida, cantada e tocada pelo visitante em oficinas de instrumentos e em cabines de karaokê.

Luiz Gonzaga merecia mesmo um museu assim — bonito e tocante. Programaço!

Uma escapada a Olinda

Passistas de frevo no Largo da Sé.
Ao fundo, a Catedral de Olinda
A menos de 10 km do Centro do Recife, Olinda é um passeio imperdível. Fundada em 1535, a cidade foi o centro político, militar e econômico da Capitania de Pernambuco, até a chegada dos holandeses, no Século 17 — por motivos estratégico-militares, Maurício de Nassau optou por sediar o seu poder no Recife. 

Com a retomada do território pelos portugueses, a bela encarapitada na colina voltaria à condição de capital e ganharia a maioria de seus encantos arquitetônicos.

A Igreja de São Pedro e o marzão de Pernambuco

Olinda e Recife (ao fundo) vistas do Mirante da Sé
Igrejinhas mágicas, de cujos pátios se pode contemplar um mar verde-azul encantador, casarões históricos pintados em cores fortes e ladeiras — muitas ladeiras — calçadas com pedras irregulares são as marcas de Olinda.

O ponto cilminsnte da cidade é o Alto da Sé, onde está a velha catedral, com origens no Século 16. É sempre melhor começar o passeio por lá e ir descendo (o que não quer dizer que você não vá se encontrar com uma subida no caminho 😉).

Detalhe de um casarão na Ria do Amparo (esq) e o Observatório Astronômico, construído em 1896

O Mercado de Artesanato do Alto da Sé e um passista de frevo em intervalo de ensaio
São muitos edifícios históricos notáveis — o Convento de São Francisco, o Mosteiro de São Bento, a Igreja do Carmo — mas o mais gostoso em Olinda é caminhar sem um roteiro definido, no ritmo que as panturrilhas permitirem naquele sobe e desce, descobrindo cenários adoráveis em cada cantinho.

Como chegar a Olinda: para quem está sem carro, o jeito mais cômodo é ir de Uber. Uma corrida dos bairros centrais do Recife até lá fica na casa dos R$ 20.

Mais sobre a cidade
Onde comer (e beber) muito bem em Recife
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4 comentários:

  1. Oi, Cyntia. Tudo bem? :)

    Seu post foi selecionado para o #linkódromo, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Bóia – Natalie

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  2. Oi Cyntia,
    Passeios anotados! Quero aproveitar muito esta minha temporada em Recife. estarei por lá de 03/8 de fevereiro.
    Bjsss.

    Ana Silvia.

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    Respostas
    1. Aproveite, Ana. E em fevereiro, com certeza, vai dar pra pegar uma linda praia.

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