quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Panamá Viejo: um passeio pela
história colonial das Américas

A Praça Maior da antiga capital do Panamá, a atração mais instigante que visitei na cidade
A poucos passos dos arranha-céus moderníssimos do bairro da Costa del Este e do trânsito caótico da capital panamenha está um pedaço da história colonial das Américas que ficou congelado no tempo. É o sítio arqueológico de Panamá Viejo, os vestígios da primeira Cidade do Panamá, fundada em 1519.

Um passeio por Panamá Viejo é a oportunidade de percorrer uma cidade colonial espanhola que não teve a possibilidade de ser reescrita pela passagem do tempo. Lá estão, bem identificáveis, as marcas de uma cidade do Século 17: o arruamento ordenado, os edifícios que representavam o poder político, militar, religioso e econômico da povoação e um bom museu, novinho em folha, que explica tudo isso ao visitante.

No caminho do aeroporto para o Centro, por trás desta mata à beira do manguezal, está Panamá Viejo
Pra mim, Panamá Viejo foi o lugar mais instigante que conheci na capital panamenha. Um lugar fácil de chegar, bem próximo aos bairros onde se hospeda a maioria dos turistas e muito bem sinalizado, policiado e explicadinho.

Um passeio bacana e que recomendo vivamente. Veja as dicas e coloque Panamá Viejo em seu roteiro panamenho:

Sem a oportunidade de crescer e se transformar com a passagem do tempo, a primeira capital do Panamá ficou congelada no tempo e rende um lindo passeio

Um pouquinho de História
Panamá Viejo é a primeira cidade fundada pelos colonizadores europeus na costa americana do Pacífico, em 1519 e abandonada na segunda metade do Século 17, quando um ataque do pirata inglês Henry Morgan levou os governantes a explodir algumas das construções principais da cidade e transferirem a capital para uma península 11 km a Sudoeste — no hoje Centro Histórico (Casco Antiguo, em espanhol) da Cidade do Panamá.

Ao longo de cerca de um século e meio de povoação, a primeira Cidade do Panamá chegou a reunir 10 mil habitantes e estender-se por cerca de 60 hectares.

O Museu da Plaza Mayor está instalado em uma construção moderna inspirada na arquitetura da colônia
Era essa primeira povoação que recebia o ouro e prata das possessões espanholas na Costa do Pacífico, como o Peru — essas riquezas depois eram despachadas na dura travessia do Istmo do Panamá até Portobello, na Costa Atlântica, para serem embarcadas para a Europa.

Da velha Cidade do Panamá também partiam as tropas vindas do Velho Mundo para consolidar e expandir as conquistas coloniais nas Américas.


Esse papel estratégico impulsionou o crescimento da cidade, como ainda se pode notar em suas ruínas, 350 anos depois de seu abandono.

Lá ainda estão os vestígios dos casarões onde viviam os colonos europeus—quanto mais próxima à Plaza Mayor era a construção, mais importante eram seus moradores — dos conventos, igrejas, fortificações e edifícios públicos de uma das cidades mais importantes da América espanhola do Século 17.

Dois ângulos da maquete da cidade: mais de 10 mil pessoas viveram na primeira capital do Panamá



Quase nada resta, porém, das moradias precárias de escravos africanos e indígenas que compunham a maior parte da população, pois eram feitas de palha e madeira, material muito menos resistente que as construção de pedra onde viviam os conquistadores.

Apesar de toda a importância adquirida pela primeira Cidade do Panamá, a vida não era muito fácil por lá: incêndios, ataques de indígenas e piratas e até um terremoto sacudiram o cotidiano dos moradores, até que Henry Morgan — pirata com vasto currículo de saques por todo o Caribe — decidiu atravessar o Istmo do Panamá e levar suas razias à Costa do Pacífico.

A mata que tomou conta da velha capital ameniza um pouco do calor que faz panamenho

O sítio arqueológico é muito bem explicadinho
Morgan marchou com 1400 homens pela selva e chegou à cidade em janeiro de 1761. Os defensores estavam em maior número — 500 cavaleiros e mais de 2000 soldados de infantaria — mas não deram conta dos piratas. Os espanhóis, então, explodiram os paióis de pólvora da cidade e fugiram. Morgan capturou vários deles, saqueou suas cargas e torturou prisioneiros tentando descobrir onde estavam guardadas as riquezas do Panamá.

Depois dessa desventura, Panamá Viejo foi abandonada e os colonos se estabeleceram na área do Casco Antiguo, iniciando uma nova povoação.

A torre da velha catedral
Museu da Plaza Mayor
A mais nova atração de Panamá Viejo – inaugurado em agosto de 2017 — é o Museu da Plaza Mayor, espaço que narra o desenvolvimento do local desde os tempos pré-hispânicos até o abandono da cidade colonial.

Instalado em uma construção moderna que evoca a estrutura de um palacete colonial, o museu ocupa um espaço na área que foi a mais nobre da antiga cidade, a Praça da Catedral ou Praça Maior. O cotidiano do povo Cueva — os indígenas que habitaram originalmente o local — está representado por achados arqueológicos como utensílios de cerâmica, adornos e flechas de pedra, assim como reproduções de suas habitações e túmulos.

Antes dos espanhóis, a área era habitada pelo povo Cueva
A exposição é bem didática, com um roteiro que prossegue pela memória da chegada dos colonizadores, a vida cotidiana da cidade espanhola e, por fim, o ataque de Henry Morgan. Além de objetos encontrados no sítio arqueológico, peças trazidas de outros locais, painéis explicativos e material audiovisual narram a história de Panamá Viejo de um jeito bem interessante.

Uma grande maquete reconstrói o que foi a primeira Cidade do Panamá, dando uma ideia clara de seu desenvolvimento em meados do Século 17. Lá estão os sete conventos, os edifícios públicos de governo (as Casas Reales e o Cabildo), a Catedral e os “bairros” dos nativos e dos escravos. 

Objetos sacros dos tempos da colonia, no Museu da Plaza Mayor


Dicas práticas de Panamá Viejo
Como chegar
O Sítio Arqueológico de Panamá Viejo está a cerca de 30 minutos do Centro da Cidade do Panamá, na Via Cincuentenario. O melhor jeito de chegar é de Uber. A corrida até lá, partindo do bairro de El Cangrejo, onde eu estava hospedada, custou US$ 4,10. Na volta para o hotel, também de Uber, paguei US$ 8,77.
Peça ao motorista para deixar você dentro da área do parque, que é bem policiada. Fui alertada sobre a ocorrência de assaltos eventuais no entorno de Panamá Viejo, então, é melhor ficar esperta.


Visitação
O conjunto monumental está aberto ao público de terça a domingo, das 8:30h às 16:30h. Estrangeiros pagam US$ 15 pelo ingresso (estudantes pagam US$ 5, com apresentação da carteirinha). O bilhete dá direito à visitação completa: parque arqueológico, Museu da Plaza Mayor e Mirante da Catedral, além do direito ao uso do trenzinho que passa pelos principais pontos de interesse.

Use o trenzinho para se deslocar pelo parque e evitar caminhar no calorão

Como se preparar para a visita
O sítio arqueológico de Panamá Viejo tem 28 hectares e está cercado de áreas de manguezal, onde sempre haverá a incidência de mosquitos. Para sua visita ficar mais confortável, não esqueça o repelente, chapéu e protetor solar. Use roupas leves (faz um calor dos infernos no Panamá) e sapatos confortáveis. 


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