segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Onde comer (e beber) muito bem em Recife

Bolo Souza Leão e Cartola — para o caso de você estar precisando de motivos para ir a Recife 😋
Gente, como se come bem no Recife!! Passei uma semana deliciosa por lá, no começo de setembro, com meus primos queridos. Foi uma farra pantagruélica de doces inacreditáveis (bolo Souza Leão, cartola e bolo de rolo, só para citar três), frutos do mar de todos os tipos e muitos representantes da cozinha sertaneja, como as favas com charque, bode guisado e outras perdições.

A hospitalidade pernambucana é insuperável — e quem diz isso é uma baiana — e ela se expressa divinamente à mesa.

Mas se você não tem a minha sorte de ter tias e primos maravilhosos no Recife, não fique triste: a magia gastronômica que o povo da cidade pratica em casa também se apresenta inteirinha em muitos bons restaurantes, cafés e bares de Recife e Olinda.

Entre uma libação e comilança e outra, anotei várias dicas pra você aproveitar na sua próxima viagem a essa que é uma das cidades mais bacanas do Brasil.

Restaurantes em Recife

Capitão Lima
Rua Capitão Lima nº 102, Santo Amaro
De segunda a sexta, das 12h às 15:30h. Sábados e domingos até as 16h


No Bairro de Santo Amaro, Centro do Recife, a dois passos do fotogênico casario da Rua Aurora e do Recife Antigo, este restaurante é uma preciosidade e costuma lotar, portanto é bom fazer reserva. A casa bate um bolão nos frutos do mar, na comida regional e em pratos “da gringa”, como o reputadíssimo kassler (bisteca de porco alemã).

Instalado em um sobrado do Século 19, a casa tem um salão aconchegante no térreo e outro no andar superior, serviço simpático, ar condicionado e preços muito pagáveis.

Eisbein: joelho de porco à moda alemã, com chucrute e batatas

Camarões com tabule
Nossos pedidos foram bem variados. Eu me acabei no eisbein, joelho de porco à moda alemã, acompanhado de chucrute e batatas. Também ouvi suspiros empolgados pelos camarões com tabule e pelas postas de sirigado, um peixe local muito saboroso.

A maioria dos pratos são para dois ou até três comensais (que estejam com fome).

Um super almoço. Com bebidas e entradas, espere gastar algo em torno de R$ 70 a R$ 80 por pessoas. Recomendadíssimo!!

Boteco Orobó
Estrada do Encanamento, 304 (esquina com Ferreira Lima), Casa Forte.
De terça a quinta, das 16h à meia-noite. Sextas, sábados e domingos, do meio-dia à 00:15h

Favas com charque: festança 
Simples, despretensioso e perfeito para reunir os amigos, esse bar de Casa Forte serve pratos regionais de se comer rezando. E olha que eu provei praticamente tudo que estava no cardápio (na verdade, na lousa) do domingo.

Estava tudo tão gostoso e o astral tão relaxado que nem lembrei de fazer fotos. As favas com charque estavam simplesmente de rasgar a roupa, mas a rabada com pirão também e o bodinho guisado (ensopado) me encantaram além das palavras. 
Excelente lugar para uma farra barata e desencanada. Outro lugar que eu recomendo demais.

Tio Armênio
Avenida República do Líbano, 251, Pina (terceiro andar do Shopping RioMar)
Diariamente, do meio-dia às 22h

Polvinho à lagareiro sensacional
Se você tem preconceito com restaurante de shopping, esse é o lugar para mudar de ideia. Essa casa tem decoração sóbria, bom atendimento e a comida é realmente ótima.

Fui conquistada de cara pela casquinha de caranguejo. Os petiscos circulam em bandejas, oferecidos de mesa em mesa, à moda dos melhores botecos, pra o cliente já começar a esquentar os motores gustativos enquanto escolhe um drinque e o prato.

Casquinha de caranguejo e o famoso bricelet
Eu pedi polvo à lagareiro, um dos meus pratos portugueses preferidos, e Tio Armênio não decepcionou. O bichinho estava notável — tanto que nem guardei na memória os pedidos dos outros integrantes da mesa, mas garanto que todos estavam com caras muito satisfeitas.

Para encerrar um almoço simpático e relaxado, uma famosa sobremesa recifense, o bricelet. Trata-se do clássico biscoitinho fininho como hóstia feito por freiras (como o famoso bricelet de de São Cristóvão, Sergipe), ensanduichando uma generosa porção de sorvete de creme, com calda de chocolate.

Uma ótima refeição. Quando você for, prepare-se para gastar em torno de R$ 70 por pessoa.


Meio do Mundo Café Bistrô
Rua Demóstenes Olinda, 152, Madalena
Diariamente, das 8h às 21h

Saladinhas incríveis

Para um almoço rápido, um lanchinho no fim da tarde ou aquele momentinho gula de pinta a qualquer hora, esse café é um achado. Almocei muitíssimo bem lá, com direito a orgia de sobremesas de sotaque francês.

Eu pedi o filé de carne de sol acompanhado de arroz e bolinhos de macaxeira e queijo coalho, ótimo prato. Mas provei as saladinhas, o frango com curry e os medalhões de filé com espaguete ao pesto e aprovei tudinho.


A hora das sobremesas foi um momento tão bom que eu esqueci de tirar fotos dos inacreditáveis croissants com lascas de amêndoas torradas, as tarteletes de morango e amoras, humm... nem posso lembrar.

Um lugar pra comer muito bem, gastando em torno de R$ 50 por pessoa.


(Um Senhooooor) Restaurante em Olinda

Oficina do Sabor
Rua do Amparo, 335, Amparo, Olinda
De terça a sexta, das 11:30h às 16h e das 18h à meia-noite. Sábados e domingos, até a 1h da manhã.

Baião de dois com mariscos: geeeeente, que espetáculo!
Entre tantas refeições memoráveis dessa temporada recifense, nosso almoço na Oficina do Sabor foi um dos pontos altos—sem qualquer trocadilho com a localização do casarão histórico onde está instalado o restaurante, na parte mais elevada da cidade e com uma bela vista para o mar na varanda dos fundos.

Decoração rústica e muita cor tornam o ambiente aconchegante como a varanda da casa de amigos. O restaurante faz parte da Confraria do Prato da Boa Lembrança

Mix do chef, perfeito para começar. À direita, os camarões nas ervas, deliciosos
A casa é premiadíssima e não é sem razão. Tudo que o nosso mesão animado (minha primaiada é maravilhosa) pediu estava perfeito. Num ambiente agradável (ficamos no salão, com ar-condicionado), colorido e aconchegante, desfilaram para nós petiscos primorosos, como os bolinhos de charque com macaxeira e de bacalhau, mexilhões, caldinho de camarão, pastinha de berinjela (peça o mix do chef, que vem tudo isso junto, por R$ 43).


Depois do cartão de visitas, a parte “séria” da coisa bateu um bolão: camarões nas ervas frescas, baião de dois com mariscos (camarões, lagostins, peixe e polvo) e outras maravilhas que quase me fazem chorar.

Bolo Souza Leão e cartola: além de uma família linda, eu tenho pelo menos esses dois motivos pra ser maia assídua em Recife
As sobremesas estavam perfeitas: bolo Souza Leão com calda de café e cartola, essa maravilha feita de banana ao forno com queijo coalho, açúcar e canela que virou nosso pedido oficial em todas as refeições recifenses.

A Oficina do Sabor não é um lugar barato (espere gastar cerca de R$ 100 por pessoa, sem bebidas alcoólicas) mas vale cada centavo. Uma festão!

Para um café e um belisco

Casa dos Frios Cafeteria
Avenida Boa Viagem, 360, Boa Viagem (a matriz fica na Avenida Rui Barbosa, 412, Graças)
Diariamente, das 8h às 22h

A Casa dos Frios da Boa Viagem assume mais claramente a vocação café/casa de chá
A Casa dos Frios já é uma instituição recifense, graças a seu bolo de rolo famosíssimo (e com muita justiça). Funciona como um empório de delícias pernambucanas e também como casa de chá ou café em sua matriz, instalada em um conjunto de casinhas antigas e muito fofas no bairro de Graças.

A filial aberta mais recentemente na Praia de Boa Viagem (bem ao lado do Edifício Oceania, que “interpretou” o Edifício Aquárius no ótimo filme de Kleber Mendonça Filho) assume mais claramente a vocação de café, um espaço agradabilíssimo para um belisco de fim de tarde. 

Se você pensa que bolo de rolo não pode melhorar, experimente essa perfeição acompanhada por uma fatia de queijo do reino. À direita, o indescritível bolo Souza Leão 
Além do legendário bolo de rolo, que agora também tem opções de recheio de chocolate ou doce de leite, além da clássica goiabada (minha paixão), experimente o ótimo bolo Souza Leão, outra perfeição feita de macaxeira, gemas e açúcar. Ainda tem cartola e outras gostosuras. 

A Casa dos Frios tem um quiosque no Aeroporto dos Guararapes, perfeito para comprar e levar seu quinhão de bolo de rolo para casa e adiar a saudade.


Galo Padeiro
Rua Capitão Lima, 82, Santo Amaro
De segunda a sábado, das 7h às 19h. Domingos, das 8h às 14h

As madeleines fazem a alma rodopiar entre as nuvens 
Essa padaria/confeitaria do Centro Histórico do Recife vale a viagem. Além de uma variedade notável (e muito cheirosa) de pães doces e salgados, o Galo Padeiro simplesmente lacra nos docinhos e bolos de inspiração francesa, uma perdição.

À direita, as tortas de Santiago e os croissants com amêndoas
O croissant com amêndoas é de rasgar a roupa, as tortinhas arrancam suspiros do paladar mais indiferente e as madeleines — ah, as madeleines — são de fazer a alma rodopiar entre as nuvens. E isso porque ainda não falei da Torta de Santiago, uma iguaria antológica da Galícia, delícia feita de amêndoas e polvilhada com açúcar de confeiteiro para formar o brasão da histórica Ordem dos Cavaleiros de Santiago. 


Tokyo's Café
Avenida Dr. Malaquias, 79, Graças
De terça a domingo, das 15h às 22h

O pastel de camarão do Tokyo's é mais comovente que história de amor
A especialidade e a origem do Tokyo’s é o pastel, que os japoneses transformaram em uma iguaria brasileira nas feiras de São Paulo. Esse café simpático — parte de uma rede familiar que também mantém um restaurante e um bar na mesma quadra do bairro das Graças — é um ótimo lugar pra uma happy hour despreocupada.

Fui até lá para encontrar a querida Graça Camelo, uma amiga que fiz a partir da Fragata, e tivemos uma tarde adorável. Foi ela que me contou a história de amor dos fundadores da casa, prometidos em casamento ainda crianças, no Japão, há quase um século. O garotinho migrou para o Brasil, mas não esqueceu a menininha que deixou para trás. Ele voltou, adulto, para trazê-la ao novo lar.

Mais comovente do que isso, só o espetacular pastel de camarão que eu devorei, quase sem esperar esfriar um pouquinho 😊.

  Para beber bem
Bar do Neno
Rua Padre Roma, 722 - Parnamirim
De segunda a quinta, das 17h à 1h da manhã. Sextas, sábados e domingos, das 12h às 2h da manhã


Ô, lugarzinho bom de farrear, esse Bar do Neno. Na varanda ou no salão, o atendimento é simpático, a cerveja é geladíssima, o uisquinho sempre tem choro e os petiscos são bons demais. Beliscamos de tudo, mas quem fez sucesso mesmo foi a “bolacha de queijo do reino”, uma espécie de calzone inventado no célebre e histórico pé-sujo 28, no Recife Antigo, e muito bem transplantado para a casa de Parnamirim. Vá com sede e com fome.

Calzone? Que nada, é a "bolacha de queijo do reino"

Venda de Seu Antônio
Rua dos Arcos, 1745, Poço da Panela
De terça a sexta, das 18h às 23h. Sábados, das 11h às 23h. Domingos, das 11h às 16:30h


No adorável bairro do Poço da Panela – uma pequena Paraty encravada no coração do Recife — esse bar só tem o defeito de fechar cedo, certamente para não perturbar a pacata vizinhança. Costuma lotar nos fins de semana, mas do dia em que fomos, uma terça-feira, era puro sossego, convidando a uma conversa comprida e relaxada, acompanhada de cerveja gelada, caipiroscas gigantes e caldinhos vários, todos muito saborosos. Farrinha perfeita. 


Para refrescar

Raspadinha

Raspadinha de maracujá, enquanto seu vento não vem
No calorão de Recife, só duas coisas salvam: o vento que sopra generoso do mar para a terra, a partir do final da tarde, e a raspadinha, esse refresco feito de gelo picado e sabores vários – castiçamente artificiais — que você encontra em carrocinhas coloridas por todo o centro antigo da cidade.

Pode não ser tão natural quanto o vento, mas pelo menos está à disposição o dia todo. Eu fiquei freguesa — meu lado natureba derreteu nos 30 graus recifenses. 

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Um comentário:

  1. Nossa!! Era tudo que eu queria, dicas fresquinhas de Recife! Estarei por lá de 03 a 8/2. Valeu Cyntia!! Bjs.

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