segunda-feira, 3 de julho de 2017

Florença ao ar livre - passeios gratuitos

É difícil competir com a beleza de Florença
Florença é uma cidade tão bonita que eu entendo perfeitamente a decisão de alguns visitantes de simplesmente jogar fora a lista de museus e igrejas e dedicar seus dias na cidade apenas a bater perna por suas ruas cobertas de belezas.

Eu que o diga: fiquei 6 dias inteiros lá, nesta terceira visita, e passei a maior parte do tempo perambulando pelas ruas mágicas da capital da Renascença. 

A vista no caminho para a Igreja de San Miniato
Mesmo com temperaturas médias de zero grau, no começo do último janeiro, Florença ao ar livre é irresistível — e grátis. O fato de seus museus e igrejas mais famosos viverem abarrotados de gente só comprova a excelência dessas atrações, porque competir com a beleza que se derrama pelas ruas da cidade não é fácil 😉.

Veja só quanta coisa linda você vai descobrir caminhando por Florença:
O Arno e suas pontes

Ponte Vecchio, a mais antiga ponte de Florença, quase uma logomarca da cidade
Florença não é Paris, mas também tem o charme romântico de um rio e suas pontes — estruturas que, também aqui, extrapolam o funcional e se oferecem como privilegiados balcões para a contemplação da cidade.

Ponte Vecchio vista da cabeceira da Ponte alle Grazie (que fica a Leste e é o melhor ponto para fotos pela manhã). Na outra margem, o Museu Galileu Galilei, a Galleria degli Uffizi e o Corredor Vasariano
As margens do Arno rendem lindos passeios
Um passeio pelas margens do Arno é uma boa receita para ver a beleza de Florença, sem esquecer de debruçar nas balaustradas da Ponte de Santa Trinità ou Ponte alle Grazie (a escolha vai depender da posição do sol) para ver e fotografar sua irmã mais famosa, Ponte Vecchio, a mais antiga e pitoresca da cidade.

Ponte Vecchio preserva seu aspecto medieval
Ponte Vecchio (“ponte velha”, em italiano) remonta a uma estrutura da época domínio romano, mas a construção atual é do Século 14, como fica bem explícito em sua carinha genuinamente medieval. Como era costume da época, o espaço para a travessia da ponte é margeado por lojas e tabuleiros de mercadores — hoje, predomina o comércio de joias, a preços salgados.

Ponte Vechio também faz parte do trajeto do famoso Corredor Vasariano, obra encomendada pelo Duque Cosme de Médici ao arquiteto Giorgio Vasari, no Século 16, para conectar o Palazzo Pitti, residência ducal, na margem Sul do Rio Arno, ao Palazzo Vecchio, sede do governo da cidade, na Piazza della Signoria .

Travessia de Ponte Vecchio: vá com tempo de olhar as vitrines

O corredor consiste em cerca de 750 metros de uma galeria elevada, que também passa pela Igreja de Santa Felicità e pela Galleria degli Uffizi. Tudo para que Cosme pudesse ir de casa para o trabalho sem precisar transitar pelas ruas da cidade.



Um tradicional mercado de carnes que funcionava em Ponte Vecchio foi desalojado, após a construção do corredor, para que o duque não fosse incomodado pelo cheiro da mercadoria. Os açougues foram substituídos pelos ourives e essa é a origem do comércio de joias nas lojas da ponte.

Piazza della Signoria e Loggia dei Lanzi 

A celebração do Dia de Reis em Florença tem um grande desfile de fanfarras, resgatando as festas do passado

A Festa da Befana de Florença tem trajes de época, a chegada dos Reis Magos e, o ponto alto, a aparição da bruxa Befana, que distribui doces às crianças, numa versão feminina de Papai Noel



Desde a Idade Média, a Piazza (praça) della Signoria é o coração da vida política florentina. É lá que se assenta o majestoso Palazzo Veccio (“Palácio Velho”), do Século 14, antiga sede da Senhoria de Florença — conselho que governava a cidade durante a República — e posteriormente convertido em moradia e local de despacho dos duques governantes da Dinastia Médici ( a visita ao interior do palácio é imperdível, mas não será assunto deste post: vamos continuar ao ar livre 😊).


O Palazzo Vecchio (esq) e a Loggia dei Lanzi


A praça ainda hoje é o centro das celebrações da cidade — como a Festa da Befana, no Dia de Reis, que eu assisti este ano — e um ponto de encontro concorridíssimo, cercado de restaurantes e cafés que cobram os olhos da cara.

A área está permanente sitiada pelos visitantes que procuram o melhor ângulo para fotos das réplicas das estátuas de Davi, de Michelangelo (acredite em mim, é muito melhor ver o original, na Accademia) e Judite e Holofernes, de Donatello e das preciosidades originais exibidas na Loggia dei Lanzi.


O Rapto das Sabinas, de Giambologna, na Loggia dei Lanzi
Esta loggia (“pórtico” ou “galeria”) também data do Século 14 e foi construída para abrigar as assembleias do tempo da República Florentina e solenidades públicas. Hoje, o espaço é um pequeno museu onde estão expostas algumas das mais belas esculturas do acervo da cidade — sou arriada de quatro pneus pelo Rapto da Sabina, de Giambologna.

Os enredos podem ser meio macabros — tem dois raptos, uma decapitação, dois assassinatos... 😱 —, mas a beleza plástica das obras é imensa.

Perseu e a Cabeça da Medusa


Veja as obras expostas na Loggia dei Lanzi:

Perseu com a Cabeça de Medusa, de Benvenuto Cellini (Século 16)
Segundo a miltlogia grega, Perseu, fundador da poderosa Micenas, filho de Zeus e da mortal Dânae, foi o herói que livrou a humanidade da Medusa, monstro com serpentes no lugar dos cabelos que transformava em pedra qualquer um que olhasse em seus olhos.

Rapto das Sabinas, de Giambologna (Século 16)
Obra-prima do maneirismo, esta escultura representa um episódio mitológico da história de Roma, quando o fundador da cidade, Rômulo, teria liderado o rapto de mulheres do povo sabino para que os guerreiros romanos tivessem com quem procriar.


Hércules e o Centauro Nesso, de Giambologna (Século 16)
Nesso foi um dos grandes inimigos de Hércules e certa vez tentou violentar, Dejanira, a mulher do herói. Antes de morrer, o centauro enganou Dejanira, dizendo que seu sangue era uma poderosa “poção de amor”. Ela molhou as vestes do marido com o sangue, que na verdade era venenoso, o que resultou na morte de Hércules.


Menelau e Pátroclo – estátua romana (Século 1) 
Muito alterada por restaurações realizadas durante a renascença. A cabeça do guerreiro da obra original se perdeu e foi acrescentada pelos restauradores para representar Menelau, rei de Esparta e marido de Helena de Troia. Pátroclo, companheiro de armas de Aquiles, foi morto por Heitor em um episódio da Guerra de Troia, segundo o relato de Homero na Ilíada.



Rapto de Polixena, de Pio Fedi (Século 19)
No relato de Homero, Polixena era uma princesa de Troia, irmã de Páris e Heitor, por quem o grego Aquiles teria caído de amores — ele acabaria morrendo em uma emboscada, quando acreditava que iria receber a jovem em casamento. Com a derrota troiana, ela teria sido morta pelos gregos para vingar a traição a Aquiles.

Sabinas
Ao fundo da loggia estão seis estátuas encontradas no Fórum de Trajano, em Roma.


Piazzale Michelangelo

Piazzale Michelangelo: em Florença, um belvedere jamais seria um balcãozinho qualquer

Na segunda metade do Século 19, Florença — então capital da Itália em processo de unificação — passou por um intenso movimento de reformas urbanas, como estava em voga na época. 

Enquanto as principais cidades europeias, tomadas pela euforia da modernidade decorrente da industrialização, botavam abaixo seu patrimônio medieval, Florença tratou de urbanizar a orla do Arno e de construir um belvedere (outra coisa muito em moda naquele período) em uma colina da margem Sul do rio.

Sem legenda — só suspiros
Só que um belvedere, em Florença, jamais seria um mero balcãozinho com vista privilegiada. A vasta esplanada suspensa de Piazzale Michelangelo está bem de acordo com o panorama espetacular que se esparrama aos pés da praça, a cidade inteira, sem pudores, se exibindo aos olhos extasiados dos visitantes.

E ainda bem que a praça é grande, pois a afluência de visitantes é imensa. Mas a vista de lá do alto é tão hipnotizante que quase não dá para perceber a presença de outros seres humanos. Dá vontade de ficar morando lá.

A muralha de Florença vista da Piazzale Michelangelo

Como chegarAs linhas 12 e 13 partem de Santa Maria Novella e fazem ponto final na praça. Nesta última viagem, fui de táxi. A corrida da beira do rio, na altura da Ponte alle Grazie, até a praça custou  € 6. 

A descida pela Vialle Giuseppe Poggi
Na volta, aproveite que a gravidade ajuda e desça a pé pela Escadaria del Monte alle Croci, que começa na ponta Oeste da praça e que logo vai desembocar na Vialle Giuseppe Poggi. É uma caminhada muito agradável.

Olha só que chique essa casinha para os gatos de rua de Florença  

Um trecho dessa descida margeia o "gatil" público de Florença, um parque bem tranquilo onde os bichanos se abrigam em casinhas decoradas com a flor-de-lis que é símbolo da cidade.

A rua desemboca diante da muralha de Florença, no Borgo San Niccolò, cheio de pequenos restaurantes bem simpáticos.


Giardino delle Rose (Jardim das Rosas)
Viale Giuseppe Poggi nº 2. Aberto diariamente, das 9h ao por do sol.


O Jardim das Rosas, no caminho da Piazzale Michelangelo ao Borgo San Niccolò
Na descida da Piazzale Michelangelo, faça uma paradinha no sossegado e bonito Giardini delle Rose. O lugar é contemporâneo da praça famosa se foi projetado pelo mesmo arquiteto, Giuseppe Poggi — e também tem uma vista linda para a cidade.


Partir, de Jean-Michel Folon
O parque abriga 350 variedades de rosas — que estavam muito “tímidas” no frio de janeiro — e mais de 1.000 variedades de outras plantas, que e beneficiam de um engenhoso sistema de irrigação, além de um jardim japonês. Esculturas do artista belga Jean-Michel Folon, doadas por sua viúva, também embelezam o lugar.


As fontes de Florença

Fonte de Netuno, na Piazza della Signoria

No meio de tantas imagens notáveis na Piazza della Signoria, uma obra chama a atenção: é a Fontana del Nettuno (Fonte de Netuno), construída no Século 16 para celebrar o esplendor naval de Florença, na época uma potência marítima nos campos militar e comercial.

A concepção da fonte e a escultura de Netuno são obra do arquiteto Bartolomeo Ammannati, que derrotou pesos pesados como Cellini e Giambologna em um concurso promovido por Cosimo de Médici para escolher o projeto da obra.



Apesar de batido no concurso, Giambologna participou da obra esculpindo um conjunto de imagens de divindades marinhas que integram a corte de Netuno. Uma dessas estátuas foi roubada por um grupo de bêbados no Carnaval de 1830 e nunca mais foi encontrada, precisando ser refeita.

A Fontana del Nettuno é impressionante, mas a cidade está cheia de fontes encantadoras e é divertido tentar descobrir algumas delas caminhando sem rumo por aquelas ruas cheias de coisas lindas. Pertinho da Pizza della Signoria, na esquina da Via dei Neri com a Via dei Leone fica a minha favorita, um mascheronne com a língua de fora.


Nunca descobri o nome dessa fonte, mas acho muito fofa

Jamais consegui saber o nome desta fonte, mas ela é um dos meus modelos fotográficos preferidos na cidade, até porque fica pertinho da osteria All’Antico Vinaio, que serve uns sanduíches (panini) de pernil de rasgar a roupa.

Outra fonte que vale a pena descobrir é a Fontana dello Sprone (“do Esporão”), que fica em uma esquina do Borgo San Jacopo, em Oltrarno. A rua preserva uma série de edifícios medievais, como a bela Torre dei Marsili, do Século 12, e rende um passeio bem interessante.

Fontana del Sprone, em Oltrarno

A Fonte do Esporão ganhou este nome do ângulo agudo das paredes de um velho edifício que lhe servem de suporte. Ela é uma obra do escultor Bernardo Buontalenti, realizada para embelezar o caminho percorrido pelo cortejo nupcial de Cosimo II de Médici com a arquiduquesa Maria Madalena da Áustria.

O Borgo San Jacopo preserva muitas construções medievais, como a Torre dei Marsili

O monumento a Giovanni delle Bande Nere, em frente à Igreja de San Lorenzo, não parece, mas já foi uma fonte. A escultura, do Século 16, homenageia o pai de Cosimo I de Médici, um condottiero (comandante militar). Foi concebida para o interior da Basílica de San Lorenzo, mas, quando foi transferida para a praça em frente à igreja, ganhou a função fonte.

Na Praça de Santíssima Annunziata, onde fica a bela basílica de fachada porticada que eu tanto recomendo, preste atenção às duas Fontane dei Mostri Marini (“fontes dos monstros marinhos'), do Século 17, um conjunto de curiosíssimas esculturas de animais imaginários.

O condottiero Giovanni, pai de Cosimo de Médici
Agora, se você gostou mesmo de Florença, tem que dar uma passada pela popularíssima Fontana del Porcellino, ao lado do mercado homônimo, e fazer um carinho no focinho do javali de bronze que a adorna — veja que a intimidade dos florentinos com a fonte é tanta que o javali virou “porquinho”, ou porcellino.

A imagem que está lá é uma cópia da estátua de bronze feita no começo do Século 17 por Pietro Tacca, discípulo de Giambologna, por sua vez copiada de uma escultura em mármore ainda mais antiga.

Mercado del Porcellino - não fotografei o "porquinho" porque a muvuca estava excessiva 😊

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