sábado, 1 de julho de 2017

O que ver em Florença:
o Duomo e o Batistério

A Catedral, o Campanário e (em primeiro plano) o Batistério: não importa a duração da sua visita a Florença, tenho certeza que estas atrações estarão no topo de sua lista

Sei que não é nada phyno (😊), mas sempre que me vejo diante de algo especialmente maravilhoso, deixo escapar um palavrão. Na primeira vez que me deparei com a Praça do Duomo, em Florença, eu falei pelo menos meia dúzia. Aquilo não é uma catedral, é um soco no plexo solar que deixa a gente flutuando de incredulidade e encantamento.

A Catedral, seu Campanário e o Batistério de San Giovanni formam, com certeza a imagem mais forte de uma cidade que não tem piedade das nossas emoções e desaba de beleza sobre o visitante a cada quarteirão. Não chego a ter o tal faniquito de Stendhal, que passou mal com o espetáculo florentino, mas jamais fico imune a uma tquicardiazinha básica diante da Piazza del Duomo.

O Duomo visto da escadaria da Igreja de San Miniato, em Oltrarno
Neste post, reuni algumas dicas para você organizar sua visita ao Duomo (incluindo a Cripta, a Cúpula de Bruneleschi e o Campanário de Giotto) e ao Batistério. Porque eu tenho certeza que, qualquer que seja a duração da sua visita a Florença, essa é a atração que vai estar no topo da sua lista.


A fachada só ficou pronta no Século 19 e é um projeto do artista Emilio de Fabris, que venceu um concurso para a decoração exterior do Duomo
A Catedral
A Catedral de Santa Maria del Fiore, nome oficial do Duomo, começou a ser construída no Século 13. Foram necessários 140 anos para que a igreja fosse consagrada e suas obras precisaram de um total de seis séculos para serem consideradas concluídas — o intrincado revestimento em mármore branco, verde e rosa da fachada foi terminado apenas no Século 19.

Ela foi erguida no mesmo local da antiga basílica paleocristã de Santa Reparata, cujos vestígios ainda podem ser vistos na Cripta da catedral. Não deixe de descer as escadinhas para ver o que resta dessa igreja do Século 5, que teve grande importância na vida espiritual florentina em sua época.

Mosaicos do piso da Basílica de Santa Reparata, na Cripta do Duomo
O Duomo (designação usada pelos italianos para suas catedrais e que se origina da expressão latina Domus Dei, “casa de deus”) é um autêntico desfile de grifes: Giotto, Andrea Pisano e Brunelleschi foram alguns os arquitetos que ajudaram a traçar sua imponência. Paolo Uccello, Lucca della Robbia, Giorgio Vasari e Donatello trabalharam em sua decoração.

A Cúpula projetada por Bruneleschi (a estrutura de tijolos aparentes ao lado da torre do Campanário) é considerada um prodígio de engenharia até hoje
A Cúpula de Bruneleschi
Seu ponto alto, com trocadilho e tudo, é a famosa Cúpula projetada pelo arquiteto Bruneleschi, assentada sobre um tambor octogonal com 45 metros de diâmetro (equivalente ao do Batistério) e cujo topo está a 90 metros de altura. Todos os dias, centenas de pessoas enfrentam os 463 degraus que levam ao alto desse prodígio de engenharia completado no Século 15 e que ainda hoje é objeto de estudos.

Simplesmente celestial: o interior da Cúpula do Duomo
A vista lá do alto é inacreditável — só encarei a “escalada” na primeira visita a Florença. É uma expedição cascuda, mas que vale a pena para quem está com o fôlego e os joelhos em dia.

Desta vez, me contentei em contemplar apenas o “avesso” da Cúpula, sua parte interna pairando nas alturas sobre o interior da Catedral. Uma visão celestial adornada por afrescos de Vasari e Federico Zuccari, representando o Juízo Final, realizados no Século 16.

A beleza do Duomo compete com as obras-primas da Galleria degli Uffizi. O terraço do museu costuma ficar cheio de gente que quer ver e fotografar a Cúpula e o Campanário, que ficam bem em frente
O Campanário de Giotto

O Campanário do Duomo de Florença é considerado o mais bonito de toda a Itália. Não é para menos: seu artífice foi o grande Giotto, pintor e arquiteto cuja obra comprova que a arte florentina já era espetacular antes do Renascimento.

O campanário tem 84,75 metros de altura. É possível chegar a um balcão, no topo, subindo uma escadinha cascuda de 414 degraus

O mosaico em mármores verdes, rosas e brancos, concebido pelo artista para revestir toda a fachada externa do Campanário, sacramentou o padrão que iria se repetir no exterior da Catedral e primeiro grande responsável pelos inevitáveis ooohs que gente mais civilizada do que eu emite ao ver a praça pela primeira vez — eu ando trabalhando pra resolver essa história do palavrão 😊.

Giotto trabalhou três anos na realização do campanário. Após sua morte, em 1337, Andrea Pisano prosseguiu com o projeto e com a execução dos relevos que adornam a construção, talvez a mais bela “história em quadrinhos” já produzida: uma série de baixos relevos em mármore, obras de Pisano, Luca della Robbia e outros escultores, representa a humanidade e seu engenho, suas artes e seus ofícios.

A Invenção da Metalurgia, baixo relevo de Andrea Pisano na fachada do Campanário
Eu nunca subi o Campanário. Dizem que a escada é ainda mais claustrofóbica que a da Cúpula, mas a julgar pelo tamanho da fila que sempre vejo diante da portinha de acesso, devo ter sido uma das raras turistas em Florença a refugar diante dos 414 degraus que levam ao topo da torre. 

O Batistério de San Giovanni

Se você chegou até aqui no seu passeio com uma certa impressão de que estava no céu, quando entrar no Batistério você terá certeza. Ele é apontado como um dos edifícios mais antigos de Florença, uma estrutura dos primórdios do Cristianismo na cidade, datada possivelmente do Século 4 — o que vemos hoje, porém, é resultado de obras levadas a cabo no Século 11.

Um raio celestial: a decoração da cúpula do Batistério

O Batistério, porém, é muito mais que uma curiosidade histórica. Ele é a coisa mais bonita que vi em Florença — repare na responsabilidade que estou assumindo com essa declaração a respeito de uma cidade que altera a pressão arterial dos turistas mais sensíveis, como descrito na tal da Síndrome de Stendhal.

No exterior sóbrio do Batistério, preste atenção às famosas portas de bronze
Reza a lenda que a origem do Batistério teria sido um templo romano dedicado a Marte, mas hipótese mais aceita por arqueólogos e historiadores é que o edifício foi uma torre de guarda, parte de uma muralha que protegia a cidade, antes de ser convertida em instalação religiosa. Sua planta octogonal que simboliza o oitavo dia, ou seja, a ressurreição assegurada pelo batismo.


Do lado de fora do Batistério, o que mais chama a atenção são suas famosas quatro portas de bronze reproduzindo cenas bíblicas em seus relevos. A decoração sóbria da fachada, em padrões geométricos executados em mármores brancos e verdes, não dá a menor pista para o esplendor que está guardado em seu interior.

Quando ultrapassar a catraca do Batistério, prepare-se para ser atingida por um raio dourado, o magnifico mosaico do Juízo final que decora todo o teto da construção. É de deixar a gente tonta.


Dicas práticas

Como comprar seu ingresso

É possível adquirir o ingresso para o complexo do Duomo pelo site oficial da OPA (Opera di Santa Maria del Fiore, entidade criada no Século 13 para administrar a construção da catedral e que hoje gere os monumentos ).


Para ver apenas a catedral, você não paga nada (talvez só alguns pecados, dependendo do tamanho da fila). Os demais espaços podem ser visitados com um bilhete único que custa € 15 e tem validade de três dias.

Na hora de comprar o ingresso, você terá que decidir quando vai querer subir à Cúpula, pois é obrigatório agendar o horário.

Eu morri nos € 15 (não tem jeito, não há ingressos individuais para as atrações), mas acabei visitando apenas o Batistério, a Catedral e a Cripta, onde estão os vestígios da antiga Basílica de Santa Reparata, pois decidi não encarar as centenas de degraus que levam à Cúpula e ao topo do Campanário.

Porta da Catedral de Florença
Minha desistência nem foi tanto pelo esforço que teriam sido essas subidas, mas porque as escadas são estreitas e eu sabia que não ia dar para ficar parando no meio do caminho para tomar fôlego, com um monte de gente vindo atrás de mim.

Como já falei aqui na Fragata, não gosto de comprar ingresso com muita antecedência (só quando não tem jeito, mesmo). Minha opção foi fazer a compra na loja da OPA, bem em frente ao Batistério, onde funcionam as bilheterias automáticas. O processo é bem simples, as máquinas são bem explicadinhas e não peguei fila.

A loja da OPA fica na Piazza San Giovanni nº 7, bem em frente à entrada do Batistério.


Detalhe do piso do Duomo
Tempo de espera 

Com a obrigatoriedade de reserva de horário para a visita à Cúpula, parece que o processo se tornou menos demencial. Só 400 pessoas sobem a cada hora e a fila é apenas para organizar a entrada de cada um desses grupos.

Já para subir o campanário, que não tem hora marcada, a fila nos feriados de fim de ano era daquelas de sentar no chão e chorar.


Também havia uma fila grande para entrar na Catedral. Quem tem ingresso para os demais edifícios do complexo do Duomo pega uma fila diferente, bem mais camarada. Minha espera foi de cerca de 10 minutos.

No Batistério eu entrei direto, sem fila. Basta colocar seu ingresso no leitor de código de barras da máquina que fica na entrada e esperar a catraca abrir.


Horários
Catedral: segunda a sexta, das 10h às 17h. Sábados, das 10h às 16:45h. Domingos, das 13:30h às 16:45h. Entrada gratuita.

As demais atrações têm uma entrada casada que custa € 15.
Museu das Obras do Duomo: diariamente, das 9h às 19:30h. Fechado toda primeira terça-feira do mês.

Subida à Cúpula de Bruneleschi (463 degraus): de segunda a sexta, das 8:30h às 19h. Sábados e domingo, das 13h às 16. Na hora de comprar o ingresso, é obrigatório marcar o horário da visita.

Cripta de Santa Reparata
Subida ao Campanário de Giotto (414 degraus): diariamente, das 8:15h às 19h.

Batistério: de segunda a sexta, das 08:15h às 10:15h e das 11:15h às 19:30h. Sábados, das 8:15 às 18:30h. Domingos, das 08:15h às 13:30h.

Cripta de Santa Reparata: de segunda a sexta, das 10h às 17 horas. Sábados, das 10h às 16:45h. Fechada aos domingos.

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