domingo, 11 de junho de 2017

Espanha: bate e volta a Segóvia

Segóvia: linda de apertar o coração
Dois monumentos colocaram Segóvia no mapa dos viajantes, o Aqueduto Romano e o Alcázar. A cidade, porém, tem muito mais a oferecer. A cerca de uma hora de Madri, essa lindeza aos pés da Serra de Guadarrama (ainda mais encantadora com a moldura dos picos nevados, no inverno) sabe tudo sobre cenografia, pairando sobre o vale como uma miragem feita de torres e escarpas.

Fiz um bate e volta a Segóvia agora em janeiro, partindo de Madri, e fiquei absolutamente apaixonada. O passeio é daquelas felicidades imensas que cobram pouco: é fácil, barato e rápido ir até lá e explorar suas ruas medievais cheias de encanto.

Segóvia tem tudo pra conquistar você, também. É só seguir as dicas deste post e montar sua visita.


Um pouquinho de história
Não é de hoje que os visitantes embasbacados comparam Segóvia a um navio — a rocha onde se assenta o Alcázar seria a proa, tão pontuda que é quase um gurupês, os mastros seriam as torres do castelo e os campanários de suas igrejas.

Essa imagem, talhada ainda na Idade Média, talvez tenha sido um presságio da grandeza que as navegações trariam ao futuro império que começou a ser forjado exatamente nos majestosos salões do Alcázar, no Século 15.

O vale aos pés do Alcázar

Foi na “proa do navio de pedra” que se realizou o casamento da pretendente ao trono de Castela, Isabel Trastâmara, e seu primo Fernando, herdeiro da Coroa de Aragão, em 1468, e a posterior coroação de Isabel, em 1474.

O casal, que entraria para a história como os reis Católicos, unificou o que seria a futura Espanha e completou a Reconquista Cristã do território, derrotando os últimos enclaves mouros na Península Ibérica. Sem a "ameaça interna", o reino pode voltar toda a atenção ao Atlântico e à busca do Novo Mundo.

Os aposentos dos reis de Castela, no Alcázar

Antes de Filipe II finalmente estabelecer a sede da corte de Espanha em Madri, em 1561, Segóvia prosseguiria como um dos epicentros da vida política do país.

Uma cidade próspera, graças ao comércio de lã e de produtos têxteis, e um polo de conhecimento, como quis o rei que a escolheu como moradia, Alfonso X, o Sábio, que além de governar, amava estudar as estrelas. Foi em Segóvia, por exemplo, que foi impresso o primeiro livro em terras espanholas.

Fontes no entorno da Igreja de San Martín

O que ver em Segóvia

Os dois monumentos mais famosos de Segóvia, o Aqueduto e o Alcázar, realmente batem um bolão e já justificariam com folgas a viagem até lá. Mas não resuma sua visita a eles. A cidade toda é tão bonita que até dá um aperto no coração. Logo na chegada, a majestade do Aqueduto me fez dar voltas e mais voltas, para ver o colosso por todos os ângulos.

Ao lado do Aqueduto, uma escadaria dá acesso à parte mais antiga da cidade. Você verá vários trechos de muralha muito bem preservados
As fachadas decoradas em esgrafiado fazem parte do encanto de Segóvia


Depois disso, é preciso subir para continuar descobrindo os encantos da cidade. Uma escadaria ao lado do Aqueduto dá acesso à parte mais antiga da cidade. Siga as placas que indicam o caminho até o Alcázar, mas não tenha pressa de chegar.

Aposto que você vai parar muito para admirar as fachadas adornadas em esgrafiado, uma arte herdada da cultura mudéjar e que é uma das marcas de Segóvia. São decorações em relevo, com temas geométricos e florais, executadas em gesso ou argamassa.

A Igreja de San Martín, do Século 12
A Plaza Mayor


Sua primeira parada pode ser na Praça Juan Bravo, para ver linda Igreja de San Martín, do Século 12, que conjuga os estilos românico e mudéjar. A próxima pausa pode ser na Plaza Mayor, onde estão a antiga sede do Ayuntamiento (prefeitura) e a bela Catedral de Segóvia. Guarde um tempinho pra se perder pelas ruas da Judería, o antigo bairro judeu.

Procure uma confeitaria e experimente docinhos segovianos. Fiquei especialmente fã de uma rosca em formato de flor, feita de massa de pastel e coberta com açúcar.


Docinhos segovianos e a Igreja de San Andrés: encantos descobertos no caminho

Aqueduto Romano

Dois monumentos colocaram Segóvia no mapa dos viajantes. O primeiro é essa construção romana com 2 mil anos de idade e quase 30 metros de altura. Não precisa procurar por ele: o colosso recebe os visitantes “na porta”, uma visão impactante logo na chegada, para dizer que esta cidade não está para brincadeiras e quer arrebatar seu coração.

O Aqueduto: uma visão impressionante


Esse prodígio de pedras perfeitamente encaixadas, sem uso de argamassa, era usado para transportar água de um manancial próximo (o complexo inteiro tem cerca de 15 km de extensão) e abastecer a importante base militar que os romanos estabeleceram na confluência dos Eresma e Clamores, no Século 1 de nossa era.

Um legado e tanto, apontado como a obra de engenharia civil romana mais importante da Espanha, e que permaneceu em uso por 1.800 anos, abastecendo Segóvia até o final do Século 19.



Alcázar de Segóvia
Plaza de la Reina Victoria Eugenia s/n
Diariamente, das 10h às 19:30h (horário de verão, de abril a setembro). Durante os meses de outubro, fecha uma hora mais cedo, exceto às sextas e sábados. De outubro a março, abre das 10h às 18:30h.

Ingresso: € 8 para a visita completa. A bilheteria funciona a poucos passos do Alcázar, na mesma praça, no antigo Real Laboratório de Química onde trabalhou o farmacêutico francês Louis Proust, um dos fundadores da química moderna.

A Torre de João II (centro), no Alcázar
O Alcázar de Segóvia é o castelo medieval que estabeleceu os cânones para a própria ideia de castelo — os da vida real e os de fantasia. Está tudo lá: a localização dramática, numa comprida ponta de rocha que se projeta sobre o vale, o fosso, a ponte levadiça, as muralhas com ameias, as torres pontudas, os salões suntuosos...

Os tetos decorados em estilo mudéjar completam o luxo dos aposentos reais

Aposentos reais no Alcázar



Uma localização tão esplêndida como a do Alcázar não passaria batida a nenhum povo com algum juízo e é claro que essa ponta de pedra á vinha sendo fortificada desde o tempo dos celtas. O castelo atual, porém, foi iniciado no Século 12, após a Reconquista Cristã, e ganhou importância política e histórica cem anos depois, quando foi escolhido pelo rei Afonso X de Castela para sede de sua corte — “Alcázar”, palavra herdada dos mouros, designa as fortalezas com função de residência de reis ou governantes.


Decoração em esgrafiado nas paredes do Alcázar e a ponte sobre o fosso

A vista dos aposentos reais no Alcázar

O Alcázar de Segóvia virou logomarca da ideia de castelo

O castelo permaneceria como sede principal da corte por mais 200 anos e foi a residência preferida dos Reis Católicos Fernando de Aragão e Isabel de Castela, que se casaram no Alcázar. Os aposentos reais muito bem preservados que visitamos hoje são dessa época, na ala batizada de Palácio dos Reis de Castela.

Uma das famosas torres do Alcázar, atribuída ao rei João II, está acessível ao público e, dizem, oferece uma vista magnífica de suas janelas a 80 metros de altura — eu não subi, pois nesta viagem eu estava fugindo de escadarias tortuosas e degraus contados a partir dos três dígitos 😉.

Catedral de Segóvia
Plaza Mayor s/n
De novembro a marzo, diariamente, das 09:30h às 19h. De abril a outubro, até as 21:30h. Entrada: € 3.

Para os mais animados a encarar degraus, o Campanário da Catedral é um grande mirante
Construída no Século 16, em estilo Gótico Tardio, a marca da catedral são seus adornos semelhantes às torres de um castelinho de areia.

Grandiosa, imponente, ela substitui a antiga igreja, destruída durante Guerra das Comunidades de Castela de 1520, uma rebelião contra a tentativa de Carlos I (que foi sacro-imperador romano com o título de Carlos V) de reduzir a autonomia das vilas e cidades, centralizando ainda mais o poder.

A Catedral
Para os mais animados com degraus, vale a subida o campanário. No entorno da Catedral, a Judería (antigo bairro judeu) é um encanto de ruas estreitas e fachadas decoradas na famosa técnica do esgrafiado, uma das marcas da cidade.


A sede do Ayuntamiento, na Plaza Mayor
Quanto tempo
A facilidade de chegar a Segóvia a partir da capital espanhola a converteram em um destino popular para passeios bate e volta e foi assim que eu a visitei, agora em janeiro. Confesso, porém, que voltei a Madri com aquele gostinho de quero mais e apostando que ao menos um pernoite na cidade teria sido a medida certa.

Além de explorar suas ruas tortuosas e muralhas com mais clama, fico imaginando como deve ser bonito caminhar por Segóvia à noite, à luz dos lampiões e do luar.


A Estação de Chamartín é servida pelo metrô e bem fácil de chegar
Como chegar a Segóvia
Madri e Segóvia estão conectadas pelos trens de alta velocidade Alvia. Na capital espanhola, a viagem começa na Estação de Chamartín, conectada ao metrô (Chamartín, Linhas 1 e 10). A viagem dura 30 minutos e os bilhetes custam a partir de € 10,30 cada trecho.

Preste atenção na hora de escolher o bilhete: há trens regionais saindo também de Chamartín que fazem o percurso e custam € 6,90, mas levam quase duas horas para chegar a Segóvia.


Segóvia-Giomar, a parada dos trens AVE e Alvia

A estação de trens fica bem no meio do nada, mas a vista é linda

Da estação ao Centro

A estação de parada do Alvia e dos trens AVE é Segóvia-Guiomar, a 5 km do Centro da cidade — a impressão é que a distância é bem maior, pois a estação fica no meio do nada.

Não se assuste, porém, ao descer do trem e dar de cara com o ermo ao redor. Os ônibus da linha 11 partem da estação a cada 20 minutos e deixam você aos pés do Aqueduto, no Centro da cidade, em uma viagem que leva cerca de 15 minutos. A passagem custa € 2 e pode ser paga diretamente ao motorista.

O ônibus leva você da estação ao Aqueduto

A Espanha na Fragata Surprise
Madri
Andaluzia: CádisCórdobaGranadaRonda e Sevilha
Castela e La Mancha: Toledo
Catalunha: BarcelonaGirona Tarragona
Galícia: Santiago de CompostelaCaminho de Santiago e cidades da rota


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3 comentários:

  1. Oi, Cyntia. Tudo bem? :)

    Seu post foi selecionado para o #linkódromo, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Bóia – Natalie

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  2. Adorei seu post. Viajo a Madri no final de agosto. Ja intencionava ir a Segóvia. Após leitura, alimentou mais ainda essa vontade!

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    Respostas
    1. Aproveite Segóvia, Cleide. A cidade é linda

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