quarta-feira, 29 de março de 2017

Domingo em Madri: o Rastro e o Retiro

Domingão madrilenho: que tal passear de barquinho no Parque do Retiro?
Domingo é chato? Em Madri, de jeito nenhum. Confesso que, mesmo viajando, costumo sucumbir à preguiça dominical, mas nem me atrevo a fazer isso na capital espanhola, para não perder dois programas que adoro: garimpar quinquilharias no mercado de El Rastro e assistir aos madrilenhos espairecendo no Parque del Retiro. Duas atrações ao ar livre, gratuitas e divertidas que todo mundo devia experimentar.

Agora em janeiro, apesar do frio, adiei a visita à linda Segóvia só pra garantir que ia poder repetir os passeios ao Rastro e ao Retiro e não me arrependi. Depois, foi só emendar com um almoço tardio no Mercado de San Antón e estava pronta a minha receita de perfeito domingão em Madri.

Veja as dicas do post e aproveite.


El Rastro

Tem de tudo no mercado. Se sua ideia é fazer compras, pesquise com paciência
Como chegar a El Rastro: a melhor estação de metrô é La Latina (Linha 5), mas Puerta de Toledo (também na 5), Tirso de Molina (Linha 1) e Emabajadores (Linha 3) ficam bem próximas. Saindo do metrô La Latina, tome a Calle de las Maldonadas na Plaza de la Cebada; Na quadra seguinte você estará na Plaza del Cascorro, onde começa a feira.

Da Plaza Mayor, dá para ir a pé: desça a Calle de Toledo até a Calle de Las Maldonadas.

Horário: das 9h às 15 horas

E tem música!
Este centenário mercado de rua, armado todos os domingos e feriados no Bairro de La Latina, chega a reunir 100 mil caçadores de pechinchas e quinquilharias, nos dias mais concorridos. Tem de tudo no Rastro: das meias soquete a € 1 o pacote (as que comprei em 2006, na minha primeira visita, ainda estão vivas) a câmeras fotográficas, passando por cartazes de cinema, artesanato marroquino em couro (ótimas bolsas e carteiras) e lanternas tibetanas.



Ainda lembro da cara de preocupação da senhorinha a quem perguntei o caminho para El Rastro, na primeira vez que fui lá: “Segure muito bem essa bolsa”, insistia ela. Não foi um conselho ocioso. Naquela muvuca, é bom mesmo tomar cuidado  — e se você estiver com mais alguém, preste atenção pra não se perder de sua companhia ao se espremer contra a multidão para atravessar um trecho de rua mais, digamos, povoado. Mas vá sem medo, porque o clima é cordial

Da primeira visita — da qual guardo não só as meias, mas um kafieh palestino que já aqueceu muito o meu pescoço — até minha passagem mais recente pelo Rastro, agora em janeiro, pouca coisa mudou. O que significa dizer que o mercado continua divertidíssimo e uma ótima chance de encontrar tranqueiras antiguinhas pra decorar a estante ou até mesmo peças de artesanato de qualidade.


No Século 15 já havia um mercado de ruas na Ribera de Curtidores, uma ladeira íngreme que que se despenha rumo à margem do Rio Manzanares desde a Plaza del Cascorro

O que começou como um comércio de roupas baratas para a população empobrecida foi crescendo, com a chegada das barracas de víveres (carnes, principalmente) e a instalação de curtumes. O primeiro matadouro de Madri funcionava ali. Dizem que foi ele quem batizou a feira, a partir dos rastros de sangue deixado pelas carroças que levavam as carcaças dos animais abatidos.

Curte feiras e mercados? Dá uma olhada no monte de lugares legais mundo afora já comentados na Fragata: 
Feiras e Mercados - Índice


O Bairro de La Latina — assim batizado em alusão a Beatriz Galindo, erudita do Século 15 que foi professora e meio conselheira de Isabel de Castela, a Rainha Católica — é o bairro mais antigo de Madri, com origem na povoação moura que deu origem à cidade.

Com a fixação da capital em Madri por Filipe II, no Século 16, tornou-se o endereço do povo pobre, espremido nos cortiços que caracterizaram a  área ao longo dos tempos. Fisicamente muito próximo de esplendores como o Alcázar (antigo Palácio Real) e a Plaza Mayor, mas um mundo a parte. Hoje é reduto de boemia. 

Há muitos restaurantes, cafés e tabernas na região de El Rastro, mas costumam estar tão lotados quanto as ruas, nos dias da feira. Para sua sorte, o que não falta em La Latina são lugares interessantes para comer.


Parque do Retiro


Como chegar: a melhor estação de metrô é Retiro, na linha 2.
Horário: diariamente, das 6h às 24h, de maio a outubro, De novembro a abril, só até as 22 horas.

Meia garrafa de vinho, jamón, pão e queijo e uma canga pra me esticar. Se não chover, tá feita a minha farra domingueira em Madri, no agradabilíssimo Parque do Retiro. O lugar — bonito, seguro, grátis e fácil de chegar — é uma aposta sem erro para quem procura um programa relaxado nos fins de semana ou feriados na capital espanhola.

O bom do retiro e deitar e rolar na grama 

O Retiro nasceu chique, exclusivo da corte, mas foi aberto ao público no Século 18
Apesar do meu approach quase farofeiro — e nada inusual naquele cenário — é bom registrar que o Parque do Retiro nasceu chique e ainda mantém a pose aristocrática, às vésperas de completar 400 anos de idade.

 No Século 17, a vasta área verde foi povoada por fontes, estátuas e pavilhões para deleite do rei Filipe IV de Habsburgo e sua corte, uma espécie de “quintal” majestático do Palácio do Bom Retiro. Só no século seguinte é que esse espaço real privado seria aberto ao público.

Músicos ajudam a criar o clima

O Palácio de Cristal
(O “Bom Retiro” que batizou o parque eram os aposentos destinados aos reis Habsburgo no Mosteiro dos Jerónimos de Madrid, que aí se recolhiam para orações e reflexão.

Como só um Quarto Real não seria suficiente, Filipe IV encomendou um conjunto de palácios, bosques e jardins para o local — a meditação, claro, foi substituída por folguedos mais cortesãos). Só no século seguinte é que esse espaço real privado seria aberto ao público.

Palácio Velázquez e, abaixo, o interior do Palácio de Cristal


Hoje, o Parque do Retiro de 1,18 milhão de metros quadrados (118 hectares), reúne alguns monumentos famosos, como o Palácio de Cristal e o Palácio Velázquez — hoje incorporados como espaços de exposição do Centro de Artes Reina Sofia—e o Real Observatório Astronômico.

Talvez o programa mais popular do Retiro seja remar um barquinho no lago artificial que fica aos pés do monumento ao rei Alfonso XII, mas bom mesmo é se esticar na grama para aproveitar o sol (no inverno) ou a sombra (no verão) e caminhar distraída pelas alamedas do parque antes de começar meu piquenique.


Bosque del Recuerdo (Bosque da Lembrança ou da Memória), construído em 2004 em homenagem às vítimas do atentado terrorista à Estação de Atocha. Estão plantados 170 ciprestes e 22 oliveiras para lembrar os 192 mortos

A Espanha na Fragata Surprise - post-índice




A Europa na Fragata Surprise

Curtiu este post? Deixe seu comentário na caixinha abaixo. Sua participação ajuda a melhorar e a dar vida ao blog. Se tiver alguma dúvida, eu respondo rapidinho. Por favor, não poste propaganda ou links, pois esse tipo de publicação vai direto para a caixa de spam.

Navegue com a Fragata Surprise 
Twitter     Instagram    Facebook    Google+

Nenhum comentário:

Postar um comentário