sábado, 4 de março de 2017

Onde comer bem em Bonito

Fogão a lenha na Estância Mimosa: a culinária de Bonito reúne a tradição tropeira, influências paraguaias e muitos, mas muuuuitos peixes deliciosos
Quando eu embarquei para Bonito, já sabia que ia amar os rios cristalinos, as cachoeiras e a paisagem. O que eu não sabia é que depois de queimar montes de calorias na exploração das belezas locais eu iria repor cada uma delas com muito prazer, nos ótimos restaurantes da cidade.

Sim, come-se muito bem em Bonito. A culinária local reúne influências dos tropeiros que desbravaram aquelas terras com tradições paraguaias e homenageia muito bem a abundância de peixes que há nos rios da região. Eu, nascida e criada na beira do mar, fiquei curada da minha implicância com peixes de rio nesta temporada em Bonito.

Tem a piraputanga, o peixe mais popular daquelas águas. Tem o pintado, o pacu, o caldo de piranha e até importações amazônicas, como o pirarucu. E, claro, a carne de jacaré — devidamente certificada, porque capturar o bicho na natureza é crime ambiental.

Dá só uma olhada nos restaurantes que provei e aprovei nesta viagem:

Restaurantes em Bonito


Casa do João
Rua Nelson Felício dos Santos, 664 – Centro 
Abre de terça a domingo. Para o almoço, das 11h às 15:30h. Para o jantar, das 18h às 23:30h

Pirarucu com urucum, dos deuses. À esquerda, a mandioca palha, que estava perfeita
Nosso primeiro jantar em Bonito foi um tremendo cartão de visitas da gastronomia local. Este restaurante é muito agradável, com as mesas distribuídas pelos salões avarandados e atendimento caloroso.

Tem lojinha de artesanato e um pequeno “museu” de peças que já estão virando história, como máquinas de escrever, câmeras fotográficas analógicas e aparelhos de VHS. Bom para distrair enquanto se espera uma mesa, pois a casa costuma bombar nos feriados e épocas mais concorridas na cidade. Nossa espera foi de cerca de 30 minutos, no sábado de Carnaval.

A Casa do João faz o gênero elegante-despojado. Tem um pequeno "museu" e lojinha de artesanato
Caipirinha de guavira (esq) e a "panorâmica" do jantar
Comecei a noite com uma ótima caipirosca de guavira (guabiroba), uma frutinha que parece araçá, de polpa amarela, levemente azedinha e refrescante (não perca. E prove o sorvete, também). Pedimos o pirarucu ao molho de urucum, que estava dos deuses 💙💚. O acompanhamento também bateu um bolão: mandioca palha (que ideia maravilhosa!), muito crocante e sequinha, arroz e farofa de banana. 

A porção para duas pessoas pareceu pantagruélica ao chegar à mesa, mas não restou pedra sobre pedra dela 😋.

Baita jantar a R$ 90 por pessoa, com bebidas.


Pantanal Grill
Rua Coronel Pílad Rébua, 1808 – Centro
Diariamente, das 11h às 23h

Olha o jacaré! - parece frango, mas só que tem sabor
Fazia décadas que eu tinha provado jacaré (uma moqueca inesquecível no Restaurante Uauá, em Salvador) e estava louca para repetir a experiência. A churrascaria Pantanal Grill é especialista nesse prato, além de oferecer cortes bovinos e peixes locais, feitos na grelha ou no espeto.

O lugar não destoa do que se espera de uma churrascaria: amplo salão (com ar condicionado geladinho), decoração básica e atendimento objetivo.

Essa panelinha em primeiro plano é do pirão, que estava excelente
Pedimos tiras de rabo de jacaré grelhadas, acompanhadas de batatas picantes e farofa de banana. Também pedimos o pirão de peixe como guarnição, que chegou à mesa bem molinho, como na tradição das barrancas do Rio São Francisco.

Se você está curiosa sobre o sabor do jacaré, é exatamente como seria a carne de frango, caso esta tivesse gosto de alguma coisa (exceção feita ao frango caipira, que pode ficar bem apetitoso, dependendo do preparo). Além disso, a carne de jacaré tem baixo teor calórico e é muito nutritiva, dizem os locais.

Um bom almoço. Sem bebidas alcoólicas, a conta ficou em R$ 70 por pessoa.


Juanita
Rua Nossa Sra. da Penha, 854 – Centro
Funciona de quarta a segunda. Almoço das 11:30h às 14:30h. Jantar das 18:30h às 22:30h

Pacu na brasa: simplesmente excelente
Nosso jantar no concorridíssimo Juanita é sério candidato ao título de melhor refeição desta viagem— no quesito custo benefício, ele leva fácil o prêmio. 

A casa é simples e o atendimento estava um pouco atrapalhado, por conta da lotação absolutamente esgotada, na noite de domingo de Carnaval, mas nada que tire o brilho do excelente pacu na brasa, acompanhado de pirão (este aqui mais firme, à moda baiana), brócolis, alcaparras e batatas. Gente, que coisa boa estava aquele peixe...

Juanita: concorridíssimo na noite do domingo de Carnaval
Mais uma porção para duas pessoas que, quando chegou à mesa, eu duvidei que eu e Carol fossemos dar conta — mas ela é tão bom garfo quanto eu...

Louvo, aplaudo e recomendo o Juanita 💛💙💚💜. Nosso jantar, sem bebidas alcoólicas, custou R$ 50 por pessoa.



Taboa
Rua Coronel Pílad Rébua, 1834
Diariamente, das 17h à meia-noite

Pintado gratinado: grande pedida
O Bar Taboa é uma instituição local (todo mundo recomenda). O lugar é realmente bem animado e agradável, com mesas ao ar livre, música ao vivo de qualidade e sempre uma filinha na porta — chegue cedo, se quiser ter certeza de conseguir lugar. É local de balada e azaração, mas também não destoa de um jantar mais relaxado, com bebidinhas simpáticas.

O drinque carro chefe da casa é a caipitaboa, feita com a cachaça da casa, a Taboa, e gengibre (provei a de Carol e achei a combinação muito interessante).

Taboa: mesas ao ar livre e música ao vivo de qualidade
Aqui valem os parênteses: a Taboa é a cachaça mais reputada do Mato Grosso do Sul e uma filha dileta de Bonito. O  nome vem de uma fibra típica de terras alagadas e que, depois de seca, é usada para decoração e artesanato.

A palha envolve a garrafa da cachaça e, dizem os experts, ajuda no envelhecimento e suavidade da bebida. É possível visitar a Fábrica de Encantos, onde ela é produzida (Rua Filinto Müler, 1125, a cerca de 900 metros do bar). Ao lado do bar tem uma butique que vende artesanato interessante.

A butique de artesanato e a minha caipirinha de maracujá
Jantamos no Taboa na noite da segunda-feira de Carnaval. Chegamos cedo e conseguimos a última mesa ao ar livre. A minha caipirinha (ok, foi mais de uma, rsss) de maracujá estava perfeita, assim como a mandioca frita que pedimos de belisco.

Depois, partimos para a parte séria da coisa e pedimos pintado gratinado com molho de urucum. O peixe é servido em uma panela de barro, saborosíssimo, tanto a carne quanto o molho.

Ótimo jantar (e bebericação) por R$ 95 por pessoa,


Estância Mimosa
Rodovia MS 178, Km 18, S/n



Sabe aquele almoço bufê sem graça que costuma estar incluído em alguns passeios em grupo? Pois na Estância Mimosa você não corre o menor risco de encontrar com ele. O lugar é uma RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) às margens do Rio Mimoso, onde a grande atração são as trilhas que levam a sete cachoeiras. Foi o único passeio que fizemos com almoço incluído e nos demos muitíssimo bem.

Em um espaço que remete às velhas casas de fazenda da região, cercada de verde e de varandas, um fogão a lenha é o centro das atenções. É nele que são preparadas as costelinhas de porco, o frango, o feijão e outros mimos saborosos.

Na sobremesa, não pude me conter e tive que repetir a generosa porção de doce de banana caseiro, feito no fogão a lenha. Carol ficou no doce de leite e também gostou muito—mas não repetiu, porque tem mais juízo do que eu. 

Depois da comilança, espreguiçadeiras à sombra e um redário convidam à sesta. Se você fizer o passeio á Estância Mimosa (R$ 122), vale a pena incluir o almoço, que custa R$ 54.


Sale e Pepe
Rua Vinte e Nove de Maio, 1067-1185 – Alvorada
De terça a domingo, das 18h às 23h

Sale e Pepe: bom lugar para provar a cozinha japonesa à moda do Mato Grosso do Sul
A gente não podia ir embora de Bonito sem provar a piraputanga, o peixe mais típico da região. O Sale e Pepe foi um dos lugares mais recomendados e lá fomos nós, no último jantar da viagem, para esse restaurante simples e simpático, com ênfase nos pratos asiáticos.

Caiu como uma luva. Mato Grosso do Sul tem uma grande colônia japonesa — um dos pratos mais típicos da capital, Campo Grande, é o soba, pra vocês terem uma ideia — e eu estava doida para provar as especialidades nipônicas à moda local. Pedi o temaki de pintado (ótimo) e o sashimi de piraputanga, muito saboroso e fiquei felicíssima com as minhas escolhas. Carol foi de piraputanga na chapa e também amou.

Sem bebidas alcoólicas, a continha desse ótimo jantar ficou em R$ 66 por pessoa.


Sorveterias
A Sorveteria Delícias do Cerrado e meu generoso pratinho com sorvete de jabuticaba, guavira e mangaba
Eu não poderia terminar este post sem falar de uma das grandes atrações gastronômicas de Bonito: a cidade está repleta de sorveterias ótimas, onde a gente se esbaldou na variedade de sabores locais e do Cerrado. Mangaba, araticum, guavira, graviola, taperebá, jaca, jabuticaba, jatobá... Uma esbórnia.

São sorvetes à moda brasileira, geralmente sem adição de leite, feitos só com o suco ou a polpa da fruta. E curto um bom gelatto, mas confesso que prefiro assim, mais fresquinho, leve e, em geral, menos doce.

Das sorveterias que provei, vou citar o Palácio dos Sorvetes — famoso pelo sorvete assado, que vai ao forno com frutas e chantili — e a Delícias do Cerrado. Ambas ficam na rua principal de Bonito (a Coronel Pilád Rébua).

O esquema das sorveterias de Bonito, em geral, é self service: você decide quantos sabores e qual a quantidade que vai colocar no seu pratinho e paga pelo peso. É um perigo pra gente gulosa (o/), mas é perfeito pra satisfazer a curiosidade e provar vários sabores.

E, ó, naquele calor, não dá nem pra sentir culpa 😎.


Mais sobre esta viagem
Como organizar sua viagem a Bonito
O que fazer em Bonito
Onde se hospedar em Bonito

Hospedagem em Campo Grande (MS) a caminho de Bonito


Veja também as dicas de Carol May Rodrigues, minha companheira nesta aventura, no blog Dicas e Roteiros de Viagem: 
Roteiro de 3 dias em Bonito - Carnaval


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